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Portfólio digital: as 10 moedas que analistas apostam alto

Publicado em
20/4/2026
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Portfólio digital: as 10 moedas que analistas apostam alto
Portfólio digital: as 10 moedas que analistas apostam alto
Portfólio digital: as 10 moedas que analistas apostam alto

O Bitcoin abriu esta segunda-feira (20) cotado a US$ 75.324, em leve alta mesmo com as tensões entre Estados Unidos e Irã no radar. O número parece robusto isoladamente, mas esconde uma realidade que incomoda: a principal criptomoeda do mundo opera 40% abaixo do seu recorde histórico de US$ 126.198, atingido em outubro de 2025. É nesse cenário de incerteza que carteiras curadas de criptoativos, como a Empiricus Crypto Momentum, vêm ganhando tração entre investidores brasileiros que não querem (ou não sabem) montar posição sozinhos.

O Ethereum, segunda maior cripto por valor de mercado, segue pressionado na faixa dos US$ 2.299, com quedas acentuadas no início de 2026 após temores de recessão global e vendas atribuídas ao próprio Vitalik Buterin. O mercado cripto total gira em torno de US$ 2,5 trilhões, longe do otimismo que marcou o segundo semestre de 2025.

O que são carteiras cripto curadas e por que estão crescendo

A lógica é simples: em vez de o investidor pesquisar, comprar e rebalancear criptomoedas individualmente, ele segue uma carteira montada por analistas. A Empiricus Crypto Momentum, por exemplo, reúne 10 criptoativos selecionados com base em análise quantitativa, identificação de tendências e controle de risco. O investimento pode ser automatizado via BTG Pactual.

As três maiores posições da carteira, divulgadas publicamente, são Bitcoin, Ethereum e Sky (SKY), o antigo token Maker, ligado ao protocolo de crédito colateralizado e stablecoins, com capitalização de mercado de cerca de US$ 1,7 bilhão. As outras sete posições incluem teses ligadas a inteligência artificial e, segundo a casa, pelo menos uma memecoin.

Esse modelo de "carteira pronta" cresce porque o mercado cripto ficou mais complexo. Não basta mais comprar Bitcoin e esperar. O universo de tokens, protocolos DeFi, Layer 2 e criptoativos temáticos exige um nível de acompanhamento que a maioria dos investidores pessoa física simplesmente não tem.

Dois anos do halving: o ciclo desta vez é diferente?

O halving do Bitcoin completou dois anos no sábado (19 de abril). Em abril de 2024, quando a recompensa por bloco caiu de 6,25 pra 3,125 BTC, o Bitcoin valia US$ 63.762. De lá pra cá, a valorização acumulada é de 18%, bem abaixo do que ciclos anteriores entregaram no mesmo intervalo.

O pico veio 18 meses depois do halving, em outubro de 2025, quando o BTC bateu US$ 126 mil. Depois disso, a correção foi brutal: queda de 40% até os níveis atuais.

Analistas estão divididos. O campo otimista aponta pra demanda institucional (ETFs de Bitcoin, reservas bancárias) e projeta um movimento em direção a US$ 150 mil se as condições macroeconômicas ajudarem. O campo pessimista lembra que, historicamente, o terceiro ano após o halving traz correções médias de 78%. A diferença é que neste ciclo a adoção institucional mudou o perfil dos compradores, o que pode alongar o ciclo pra 2026 e 2027.

Na comunidade da Traders, esse debate tá quente. Muitos traders acompanham o comportamento do BTC pós-halving como referência pra decidir se aumentam ou reduzem exposição a cripto. O consenso, se é que existe um, parece ser de cautela com alocação gradual, sem aposta pesada em um único ativo.

Regulação no Brasil: o que muda a partir de maio

Enquanto o mercado debate preços, o Banco Central do Brasil está mudando as regras do jogo. As Resoluções 519, 520 e 521 entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, e a partir de 4 de maio começa a valer a obrigatoriedade de reporte de todas as operações internacionais com criptoativos ao BC.

As principais mudanças são sérias:

Segregação obrigatória de recursos. Empresas cripto precisam manter o dinheiro dos clientes em contas individualizadas, separadas dos recursos próprios. Isso reduz o risco de calotes como os que marcaram 2022 e 2023 globalmente.

Stablecoins algorítmicas proibidas. Depois do colapso da Terra/Luna, o Brasil baniu stablecoins que dependem de algoritmo pra manter paridade. Só sobrevivem as colateralizadas.

Operações com stablecoins classificadas como câmbio. Isso significa que comprar USDT ou USDC agora entra na mesma regulação de operações cambiais, com limite de US$ 100 mil por transação quando a contraparte não é autorizada pelo BC.

Identificação obrigatória de carteiras de autocustódia. Quem opera via wallet própria precisa ser identificado. O anonimato, na prática, acabou pra operações dentro do sistema regulado brasileiro.

Segundo relatório da PwC, o Brasil lidera uma nova era de regulação cripto entre mercados emergentes. Pra quem investe via carteiras curadas ou corretoras reguladas, a mudança tende a ser positiva: mais segurança jurídica e menos risco de contraparte. Pra quem opera na informalidade, o cerco apertou.

Como o investidor brasileiro acessa cripto hoje

Existem basicamente três caminhos. O primeiro é comprar criptomoedas diretamente em exchanges (Binance, Mercado Bitcoin, etc.), o que exige conta específica e gestão ativa. O segundo é via BDRs de cripto na B3, que permitem exposição a Bitcoin, Ethereum e outros ativos digitais sem sair da bolsa brasileira, tudo em reais e com a custódia da B3. O terceiro é via carteiras recomendadas como a Empiricus Crypto Momentum, que terceiriza a seleção e o rebalanceamento.

Cada caminho tem seus trade-offs. Compra direta dá mais controle, mas exige conhecimento técnico. BDRs são mais simples e regulados, mas têm spread e horário de negociação limitado ao pregão. Carteiras curadas facilitam a vida, mas cobram taxas de gestão e o investidor fica dependente das decisões dos analistas.

Pra quem tá começando e quer entender a lógica antes de alocar, vale conferir como investir com R$ 100 por mês e ir construindo exposição de forma gradual.

O que os números dizem sobre o momento

O contexto macro brasileiro joga a favor de ativos de risco, pelo menos por enquanto. O Ibovespa bateu recorde histórico de 198.657 pontos no dia 14 de abril, quase encostando nos 200 mil. O dólar fechou abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez em mais de dois anos. O fluxo estrangeiro pra B3 acumula R$ 67,4 bilhões em 2026, contra R$ 25,5 bilhões em todo o ano de 2025.

Esse ambiente de bolsa forte e dólar fraco normalmente favorece alocação em ativos mais arriscados, incluindo cripto. Mas há um porém: a projeção de IPCA em 4,71%, acima da meta, pode forçar o Banco Central a manter a Selic elevada por mais tempo, o que compete com a tese de alocação em ativos sem rendimento como Bitcoin.

Quem quer entender melhor como a renda fixa se encaixa nesse quebra-cabeça pode conferir o guia sobre como investir em CDB, que continua sendo a base da carteira de muita gente.

Riscos que não aparecem no marketing

A Empiricus divulga que um trader associado à estratégia acumulou ganho de 130.000%. O número é real? Pode ser, pra um caso individual em um período específico. Mas não existe track record auditado da carteira como um todo disponível publicamente. Isso é um ponto de atenção importante.

Criptomoedas são ativos de altíssima volatilidade. O próprio Bitcoin caiu 40% em seis meses. Memecoins, que fazem parte da carteira segundo a própria Empiricus, podem perder 90% ou mais do valor em dias. A inclusão de uma memecoin numa carteira "recomendada por especialistas" merece, no mínimo, um olhar crítico.

Além disso, a regulação que entra em vigor em maio pode impactar a liquidez de alguns tokens menores no mercado brasileiro. Projetos que não se adequarem às novas regras do BC podem simplesmente sair do mercado regulado, deixando investidores em situação delicada.

O que esperar daqui pra frente

O mercado cripto em abril de 2026 vive um momento de transição. O ciclo do halving não entregou o que muitos esperavam no curto prazo, mas a tese de longo prazo segue intacta pra quem acredita na adoção institucional. A regulação brasileira, embora restritiva em alguns pontos, pode atrair mais capital institucional ao dar segurança jurídica ao mercado.

Pra o investidor pessoa física, o recado é claro: diversificação e cautela. Carteiras curadas podem ser uma porta de entrada válida, desde que o investidor entenda os riscos, as taxas e o perfil dos ativos incluídos. Seguir recomendação sem entender o que tá comprando não é investir. É apostar.

O Bitcoin a US$ 75 mil, dois anos depois do halving e 40% abaixo do topo, é tanto um argumento pra compra quanto pra cautela. Depende do horizonte de tempo, da tolerância a risco e, acima de tudo, de quanto do seu patrimônio você pode se dar ao luxo de ver oscilar 30% ou 40% num semestre. Quem ainda tá montando a base da carteira tem opções mais previsíveis: investir pensando na aposentadoria, por exemplo, não exige acompanhar o mercado cripto 24 horas por dia.


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