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Juros recordes, mas a caderneta segue perdendo da inflação

Publicado em
19/3/2026
Juros recordes, mas a caderneta segue perdendo da inflação
Juros recordes, mas a caderneta segue perdendo da inflação
Juros recordes, mas a caderneta segue perdendo da inflação

O Copom cortou a Selic de 15% pra 14,75% ao ano na reunião encerrada ontem, 18 de março. Foi o primeiro corte do ciclo de aperto que começou em setembro de 2024, quando os juros estavam em 10,50%. O mercado já esperava a redução de 0,25 ponto percentual, e a B3 abriu hoje em tom positivo, com investidores ajustando posições na renda fixa.

Pra quem tem dinheiro parado na poupança, a notícia não muda quase nada. A caderneta continua pagando 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, e o rendimento em 12 meses de R$ 10 mil fica em torno de R$ 834. Enquanto isso, um CDB que paga 100% do CDI entrega R$ 1.208 líquidos no mesmo prazo. São R$ 374 a mais, já descontando o Imposto de Renda.

Quanto rendem R$ 10 mil em cada aplicação com Selic a 14,75%?

O corte de 0,25 ponto percentual na Selic reduziu marginalmente o rendimento das aplicações pós-fixadas. O CDI, que acompanha a Selic de perto, deve se ajustar pra algo em torno de 14,65% ao ano nos próximos dias. Mesmo assim, os números continuam robustos pra renda fixa.

Veja o comparativo atualizado pra um investimento de R$ 10 mil mantido por 12 meses (resgate após 1 ano, alíquota de IR de 17,5% quando aplicável):

Poupança: rendimento de R$ 834, totalizando R$ 10.834. Isenta de Imposto de Renda. A regra é fixa: 0,5% ao mês mais TR (hoje em torno de 0,17% ao mês). O rendimento efetivo fica em aproximadamente 8,34% ao ano.

CDB 100% do CDI: rendimento bruto de R$ 1.465, descontados R$ 256 de IR, sobrando R$ 1.208 líquidos. Total: R$ 11.208. É a aplicação bancária mais comum e acessível.

Tesouro Selic: rendimento bruto de R$ 1.475, menos R$ 20 de custódia da B3 (0,20% ao ano) e R$ 254 de IR. Resultado líquido: R$ 1.200. Total: R$ 11.200. Aceita aplicações a partir de cerca de R$ 30. Pra quem quer entender melhor esse título, vale conferir o guia Tesouro Selic: o que é e como funciona.

CDB 110% do CDI: rendimento bruto de R$ 1.611, líquido de R$ 1.329. Total: R$ 11.329. Esses CDBs são encontrados em bancos digitais e plataformas de investimento, geralmente com prazo mínimo de 2 a 3 anos.

LCI/LCA 90% do CDI: rendimento de R$ 1.318, isento de IR. Total: R$ 11.318. Na prática, uma LCI a 90% do CDI rende mais que um CDB a 100% do CDI por causa da isenção fiscal.

Por que a poupança rende tão menos?

A conta é simples. Com a Selic acima de 8,5%, a poupança fica travada na regra de 0,5% ao mês mais a TR. Isso dá algo perto de 8,34% ao ano. Enquanto isso, o CDI acompanha a Selic quase de igual pra igual, rodando a 14,65% ao ano.

Na prática, a poupança entrega menos de 57% do que um CDB simples rende em termos brutos. Mesmo depois do desconto de IR, o CDB sai na frente por larga margem. São R$ 374 de diferença em 12 meses pra cada R$ 10 mil. Quem tem R$ 50 mil na caderneta, por exemplo, está deixando quase R$ 1.870 na mesa todo ano.

E não é preciso abrir mão da liquidez. O Tesouro Direto e muitos CDBs com liquidez diária permitem resgate a qualquer momento, com rendimento proporcional ao período.

O que muda com o corte na Selic?

Na prática, pouco. A redução de 0,25 ponto percentual tira cerca de R$ 20 do rendimento anual de R$ 10 mil no CDB. É uma diferença pequena, mas sinaliza o início de um ciclo de cortes que pode acelerar ao longo de 2026.

O comunicado do Copom veio em tom cauteloso. A inflação corrente ainda pressiona, com o IPCA acumulado nos últimos 12 meses rodando acima da meta, e o câmbio segue volátil. Por isso, o Banco Central preferiu um corte conservador, de apenas 0,25 ponto.

Na comunidade da Traders, traders e investidores estão debatendo se os próximos cortes virão no mesmo ritmo gradual ou se o Copom vai acelerar pra 0,50 ponto nas reuniões de maio e junho. A curva de juros futuros já precifica a Selic mais perto de 13,5% no fim de 2026, o que significaria uma queda total de 1,5 ponto percentual até dezembro.

E se a Selic cair pra 13%?

Se o cenário de cortes se confirmar e a Selic chegar a 13% no final do ano, o rendimento do CDB 100% CDI cairia pra algo em torno de R$ 1.055 líquidos em 12 meses (considerando CDI de 12,90%). A poupança, por sua vez, continuaria nos mesmos 0,5% ao mês mais TR, rendendo praticamente o mesmo que hoje. A diferença entre as duas aplicações diminuiria, mas o CDB ainda ficaria bem na frente.

Esse é o ponto que muita gente ignora: a poupança não se beneficia de Selic alta. Quando os juros sobem, a caderneta fica presa na regra fixa, enquanto CDB, Tesouro Selic e LCI/LCA acompanham a alta. E quando os juros caem, a poupança cai junto (se a Selic furar 8,5%, a regra muda pra 70% da Selic). Quem quer entender melhor essa dinâmica pode consultar o comparativo Poupança vs CDB vs Tesouro Selic.

Qual aplicação escolher agora?

Depende do prazo e da necessidade de liquidez. Pra reserva de emergência, o Tesouro Selic continua sendo a melhor opção. Tem liquidez diária (resgate em D+1), segurança do Tesouro Nacional e rende perto de 100% da Selic. A custódia de 0,20% ao ano é um custo baixo pelo benefício.

Pra quem pode deixar o dinheiro parado por mais tempo, CDBs de bancos médios pagando 110% a 120% do CDI são interessantes. A rentabilidade é maior, e o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) protege até R$ 250 mil por CPF por instituição. Uma análise completa dos rendimentos do Tesouro Direto ajuda a comparar as opções.

LCIs e LCAs merecem atenção especial nesse cenário. Com isenção de IR, uma LCI a 90% do CDI rende mais no bolso do que um CDB a 100% do CDI. O ponto negativo é a carência (geralmente 90 dias a 1 ano), mas pra quem não precisa do dinheiro imediato, é uma troca que vale.

Já a poupança faz sentido pra valores muito pequenos ou pra quem prioriza simplicidade absoluta acima de tudo. Mas o custo de oportunidade é real: são mais de R$ 370 por ano em cada R$ 10 mil que ficam rendendo menos do que poderiam. Pra entender por que a caderneta perde tanto, vale conferir quanto rende a poupança em 2026.

O ciclo de queda pode acelerar?

O mercado está dividido. O corte de hoje foi conservador, mas a sinalização do BC deixou a porta aberta pra movimentos maiores dependendo dos dados de inflação dos próximos meses. O DI futuro pra janeiro de 2027 já negocia abaixo de 14%, sugerindo que o mercado espera mais cortes ao longo do ano.

Se a inflação der sinais mais claros de desaceleração e o cenário externo cooperar, cortes de 0,50 ponto a partir de maio são plausíveis. Nesse caso, quem travou taxas prefixadas ou indexadas ao IPCA nos últimos meses pode se dar bem, já que esses títulos se valorizam quando os juros caem.

Por outro lado, se o dólar voltar a pressionar e a inflação resistir, o Copom pode manter o ritmo lento de 0,25 ponto ou até pausar os cortes. Renda fixa pós-fixada, nesse cenário, continua pagando muito bem.

O fato é que, com a Selic a 14,75%, qualquer aplicação de renda fixa que acompanhe o CDI entrega um rendimento real (acima da inflação) relevante. A poupança, com seus 8,34% ao ano, mal cobre a inflação corrente. Essa diferença, pra quem poupa todo mês, se acumula de forma significativa ao longo dos anos.


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