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Minerva lucra R$ 85 milhões no 4º trimestre e propõe R$ 30,8 milhões em dividendos

Publicado em
19/3/2026
Minerva lucra R$ 85 milhões no 4º trimestre e propõe R$ 30,8 milhões em dividendos. Análise completa no blog da Traders.
Minerva lucra R$ 85 milhões no 4º trimestre e propõe R$ 30,8 milhões em dividendos
Minerva lucra R$ 85 milhões no 4º trimestre e propõe R$ 30,8 milhões em dividendos

A Minerva Foods (BEEF3) reportou lucro líquido de R$ 85 milhões no 4T25, revertendo o prejuízo de R$ 1,567 bilhão registrado no mesmo período de 2024. O resultado, porém, veio abaixo das expectativas do mercado. A receita líquida trimestral atingiu R$ 14,2 bilhões, alta de 32,6% na comparação anual. No acumulado de 2025, a companhia lucrou R$ 848,3 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,56 bilhão do ano anterior, e entregou receita bruta recorde de R$ 58 bilhões.

A diretoria propôs o pagamento de R$ 30,8 milhões em dividendos complementares, sujeito à aprovação da assembleia de acionistas em abril. Com os proventos antecipados ao longo do ano, o total distribuído em 2025 chega a R$ 192,9 milhões.

Números do 4T25 da Minerva: receita forte, margem fraca

A receita líquida de R$ 14,2 bilhões no trimestre representou avanço expressivo de 32,6% sobre o 4T24, puxada principalmente pela incorporação das 13 plantas adquiridas da Marfrig. Na comparação com o 3T25, no entanto, houve queda de 8,4%, já que o terceiro trimestre havia sido recorde (R$ 15,5 bilhões).

O EBITDA ficou em R$ 1,2 bilhão, crescimento de 24,1% na base anual, mas recuo de 14,3% frente ao 3T25. A margem EBITDA de 8,2% foi o ponto de atenção: ficou cerca de 60 pontos-base abaixo da estimativa média do mercado, que girava em torno de 8,4% segundo o JP Morgan. Na comparação trimestral, a margem encolheu 50 pontos-base em relação aos 8,7% do 3T25.

O lucro líquido de R$ 85 milhões também ficou abaixo do resultado do trimestre anterior (R$ 120 milhões), uma queda de 29,2%. A compressão nas margens e o desempenho mais fraco no mercado doméstico explicam boa parte dessa diferença.

O que pesou: consumo doméstico mais fraco e gado mais caro

O grande vilão do trimestre foi o mercado interno brasileiro. Os volumes de carne bovina no Brasil caíram 8% em relação ao 3T25 e ficaram 4% abaixo das projeções dos analistas. O consumo doméstico perdeu fôlego, pressionado por um cenário macroeconômico mais desafiador, com juros elevados e inflação de alimentos pesando no bolso do consumidor.

Outro fator relevante foi o custo do gado. Com o ciclo pecuário menos favorável, os preços da arroba subiram, comprimindo as margens operacionais da companhia. Esse é um tema que deve continuar no radar ao longo de 2026.

Do lado positivo, as exportações seguiram responsáveis por 60% da receita bruta tanto no trimestre quanto no acumulado do ano. Os Estados Unidos representaram cerca de 21% e a China 17% do total exportado. A diversificação geográfica proporcionada pelas plantas na Argentina, Paraguai e Uruguai deu à Minerva acesso privilegiado ao mercado americano.

Aquisição da Marfrig: sinergias antecipadas e escala recorde

A incorporação das 13 plantas de abate e desossa mais 1 centro de distribuição adquiridos da Marfrig por cerca de R$ 7,18 bilhões foi o grande motor de crescimento em 2025. A transação transformou a Minerva na segunda maior produtora de carne bovina da América do Sul.

Um destaque operacional importante: a empresa afirmou ter capturado 100% das sinergias previstas com os ativos MSA já no 3T25, antecipando a meta que era pro 4T25. Isso inclui otimização logística, ganhos de escala em compras de insumos e melhor utilização da capacidade instalada.

Essa escala adicional é o que explica o salto de quase 60% na receita bruta anual, de cerca de R$ 36,3 bilhões em 2024 para R$ 58 bilhões em 2025. No acumulado, o EBITDA dos últimos 12 meses atingiu R$ 4,8 bilhões, com margem de 8,8%.

Desalavancagem acelerada: de 3,7x pra 2,6x

Talvez o dado mais relevante do balanço pra quem acompanha a tese de investimento seja a queda na alavancagem. A relação dívida líquida sobre EBITDA saiu de 3,7x para 2,6x em dezembro de 2025, o menor patamar desde a conclusão da aquisição da Marfrig.

A dívida líquida fechou em R$ 12,8 bilhões, ainda um valor expressivo, mas o crescimento do EBITDA tem ajudado a diluir esse endividamento de forma consistente. O fluxo de caixa livre no ano foi de R$ 1,5 bilhão, contra R$ 2,4 bilhões em 2024. A queda de 37,5% reflete os investimentos na integração dos ativos adquiridos.

Esse movimento de desalavancagem é o que reacende o debate sobre dividendos mais robustos em 2026. O Santander, por exemplo, projeta R$ 572 milhões em proventos pra 2026, o que representaria um dividend yield estimado de cerca de 8%. Se você quer entender melhor como funcionam os proventos, vale conferir o guia sobre Data Ex e Data Com (Dividendos): o que é e como funciona.

O que dizem os analistas sobre BEEF3

A reação do mercado ao balanço foi cautelosa. A XP Investimentos já havia rebaixado BEEF3 de Compra para Neutro em fevereiro de 2026, cortando o preço-alvo de R$ 8,40 pra R$ 7,20. As projeções de EBITDA foram reduzidas em 7% pra 2026 e 6% pra 2027. No dia do rebaixamento, a ação caiu cerca de 4%, pra a faixa de R$ 5,42.

A XP classificou o 4T25 como uma "surpresa negativa", citando a fraqueza do mercado doméstico como principal fator. A casa avalia que a relação risco-retorno do papel já não é tão atrativa quanto antes.

O JP Morgan esperava um trimestre sólido, com EBITDA de R$ 1,240 bilhão e margem de 8,4%, mas via potencial de alta limitado. O BTG Pactual não elegeu a Minerva como favorita entre os frigoríficos pro 4T25. Já o Santander manteve uma visão mais construtiva, com preço-alvo de R$ 7,50 pra o final de 2026 e retorno total projetado de 25% incluindo dividendos.

O UBS projeta que a alavancagem siga caindo, pra 4,2x em 2026 e 4,0x em 2027 (usando uma métrica diferente de cálculo), com dividend yield de aproximadamente 8% em 2026. Se o tema de dividendos te interessa, confira também nossa análise sobre Melhores ações para dividendos em 2026.

Perspectivas pra 2026: ano mais difícil à frente

A própria diretoria da Minerva sinalizou que 2026 deve ser um ano mais desafiador. Os principais ventos contrários incluem: preços de gado mais elevados no Brasil, consumo doméstico ainda enfraquecido e incertezas no cenário de exportações, especialmente em relação a China e Irã.

Por outro lado, a empresa enxerga potencial de crescimento "bastante significativo" nas vendas para os Estados Unidos. Com plantas na Argentina, Paraguai e Uruguai, a Minerva tem rotas de exportação que não dependem exclusivamente do Brasil, o que pode ser uma vantagem competitiva relevante num cenário de protecionismo comercial.

O grande teste pra 2026 será provar que as margens conseguem se sustentar (ou melhorar) mesmo com custos de matéria-prima mais altos. Se a integração dos ativos da Marfrig continuar gerando sinergias adicionais e as exportações mantiverem o ritmo, a tese de recuperação do papel segue de pé. Mas se o consumo doméstico não reagir e o gado continuar caro, a pressão sobre as margens pode se intensificar.

Contexto setorial: frigoríficos vivem momento misto

O setor de frigoríficos brasileiro atravessa um momento de divergência. Enquanto empresas como JBS e Marfrig têm se beneficiado da diversificação global e do câmbio favorável, a Minerva enfrenta o desafio específico de digerir uma aquisição bilionária ao mesmo tempo em que o ciclo pecuário no Brasil se torna menos favorável.

A escassez global de carne bovina é um tema estrutural que favorece exportadores como a Minerva no médio e longo prazo. O rebanho bovino nos Estados Unidos está em níveis historicamente baixos, o que tende a manter os preços internacionais elevados e beneficiar produtores sul-americanos.

Pra quem monta uma carteira de dividendos e considera incluir frigoríficos, vale entender como estruturar isso corretamente. Nosso guia sobre Como montar uma carteira de dividendos pra renda passiva traz um passo a passo completo.

Resumo dos números: Minerva 4T25 vs 4T24

Pra facilitar a comparação rápida dos principais indicadores:

Lucro líquido 4T25: R$ 85 milhões (vs prejuízo de R$ 1,567 bilhão no 4T24).
Receita líquida 4T25: R$ 14,2 bilhões (+32,6% YoY).
EBITDA 4T25: R$ 1,2 bilhão (+24,1% YoY).
Margem EBITDA 4T25: 8,2%.
Lucro líquido 2025: R$ 848,3 milhões (recorde, revertendo prejuízo bilionário).
Receita bruta 2025: R$ 58 bilhões (+59,7% YoY, recorde).
Dívida líquida: R$ 12,8 bilhões (alavancagem de 2,6x).
Dividendos propostos 4T25: R$ 30,8 milhões (total 2025: R$ 192,9 milhões).

O balanço da Minerva mostra uma empresa em transformação. A receita recorde e a desalavancagem acelerada são sinais positivos, mas a compressão de margens no 4T25 e o cenário doméstico mais fraco ligam o sinal de alerta. Pra 2026, o mercado estará de olho na capacidade da companhia de manter rentabilidade mesmo com custos mais altos, e se a promessa de dividendos mais gordos vai se concretizar. Quem acompanha o setor e quer entender quanto é preciso acumular pra gerar renda passiva, nosso artigo sobre Quanto preciso pra viver de dividendos ajuda a colocar os números em perspectiva.


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