
A segunda-feira começou carregada pra quem acompanha o mercado brasileiro. Entre prévias operacionais que surpreenderam, proventos bilionários e reafirmação de rating de crédito, o investidor tem bastante coisa pra digerir antes de montar posição nesta semana. E o dólar, flertando com R$ 5,03, adiciona mais uma variável à equação.
Vamos aos fatos, um por um, com os números que importam.
A prévia operacional da Eztec referente ao primeiro trimestre de 2026 veio forte. As vendas líquidas atingiram R$ 696,8 milhões, um salto de 84,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas brutas foram ainda maiores: R$ 759,8 milhões.
Os lançamentos também impressionaram. A companhia colocou no mercado 4 empreendimentos com VGV total de R$ 1,2 bilhão (R$ 924,7 milhões na participação da empresa), um avanço de 50,1% sobre o 1T25. Foram 2.022 unidades lançadas, somando 95,5 mil metros quadrados de área privativa.
O indicador que mais chama atenção é a VSO líquida (velocidade de vendas sobre oferta): saltou de 12,1% no 1T25 para 18,2% no 1T26. No acumulado de 12 meses, a VSO alcançou 42%. Na prática, a Eztec está conseguindo girar estoque num ritmo que não se via há trimestres.
O estoque total ficou em R$ 3,14 bilhões em VGV participação, contra R$ 2,88 bilhões no 4T25. Cresceu, sim, mas acompanhou o aumento de lançamentos. O guidance da empresa pra 2026 projeta lançamentos entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões em VGV. Com o ritmo do primeiro trimestre, a ponta de baixo já está praticamente garantida.
A combinação de vendas recordes com VSO em aceleração sugere que o ciclo imobiliário continua aquecido, mesmo com juros ainda elevados. A Eztec opera majoritariamente no segmento de média e alta renda em São Paulo, um nicho que tende a ser menos sensível à Selic do que o Minha Casa Minha Vida.
Pra quem acompanha o setor de construção civil na B3, vale cruzar esses dados com os de outras construtoras que divulgam prévias nas próximas semanas. Na comunidade da Traders, traders que operam EZTC3 já estão comparando a VSO com nomes como Cyrela e MRV pra entender se é tendência setorial ou mérito específico da empresa.
O Santander Brasil aprovou na última quinta-feira (10) o pagamento de juros sobre capital próprio no valor total de R$ 2 bilhões. Os valores por papel ficaram assim:
Por unit (SANB11): R$ 0,53 bruto (R$ 0,44 líquido, já descontado o IR de 15%).
Por ação ordinária: R$ 0,25 bruto (R$ 0,21 líquido).
Por ação preferencial: R$ 0,28 bruto (R$ 0,23 líquido).
A data de corte é 20 de abril de 2026. Quem quiser ter direito ao provento precisa estar posicionado até essa data. As ações passam a negociar "ex-JCP" a partir de 22 de abril. O pagamento será feito a partir de 7 de maio.
Detalhe importante: o JCP será imputado integralmente aos dividendos obrigatórios do exercício de 2026, sem atualização monetária. Isso significa que não é um "bônus extra". É parte do dividendo que o banco já teria que pagar. Mesmo assim, R$ 2 bilhões é um volume relevante e reforça a tese de dividendos do setor bancário pra 2026.
Cuidado com a armadilha clássica. O preço da unit SANB11 tende a ser ajustado no dia ex-JCP, descontando o valor do provento. Comprar na véspera e vender logo depois raramente é uma estratégia vencedora. A decisão de se posicionar deve considerar a tese de longo prazo do banco, não só o provento isolado.
A Fitch Ratings reafirmou todos os ratings da Engie Brasil Energia em abril. O rating nacional de longo prazo segue em AAA(bra), que é a nota máxima possível na escala brasileira. A perspectiva permanece estável.
Na escala internacional, os ratings em moeda estrangeira (IDR) e moeda local ficaram em BB+ e BBB-, respectivamente. A diferença entre as escalas reflete mais o risco-país do que o risco da empresa em si.
Os fundamentos que sustentam a nota são conhecidos: a Engie é a segunda maior geradora de energia do Brasil, tem base de ativos diversificada (hidrelétrica, eólica, solar, gás), forte geração de caixa e alavancagem sob controle. Pra quem avalia risco de crédito, é praticamente o teto do que uma empresa do setor elétrico brasileiro consegue atingir.
Na prática, o rating AAA permite à Engie captar dívida a custos mais baixos, o que melhora a rentabilidade e protege a capacidade de distribuir dividendos. A empresa já figura entre as preferidas de investidores que buscam renda passiva no setor de utilities.
O dólar comercial abriu a segunda-feira em alta, negociando ao redor de R$ 5,03 no intradia. Na sexta-feira (10), o câmbio havia fechado em R$ 5,01.
O principal motor da pressão cambial é a escalada de tensão entre EUA e Irã. Negociações de paz fracassaram e a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz empurrou o petróleo Brent para uma alta de 6,88%, com contratos de junho negociando a US$ 101,80.
O petróleo acima de US$ 100 é uma faca de dois gumes pro Brasil. De um lado, beneficia Petrobras e a arrecadação de royalties. Do outro, pressiona a inflação via combustíveis e gera aversão a risco em mercados emergentes, o que puxa o dólar pra cima.
O último relatório Focus do Banco Central projeta o dólar a R$ 5,37 no fim de 2026, levemente abaixo da projeção anterior de R$ 5,40. Mas com o Brent acima de US$ 100, essa estimativa pode ser revisada pra cima rapidamente se a tensão geopolítica persistir.
Além dos destaques corporativos, casas de análise circularam recomendações atualizadas pra nomes de peso do Ibovespa. Entre os papéis citados estão PETR4, VALE3, B3SA3, HAPV3, ITSA4, ITUB4, BBAS3, SANB11, BBDC4 e BRSR6.
O JPMorgan reforçou posição no Nubank (ROXO34), com preço-alvo de US$ 18, destacando a capacidade do banco digital de crescer receita sem proporcional aumento de custo. Setores defensivos como elétrico e saneamento continuam sendo apontados como porto seguro num cenário de juros ainda altos e volatilidade geopolítica.
A Petrobras segue como aposta de consenso entre gestores internacionais, que enxergam a melhor combinação de retorno e disciplina de capital na América Latina. Localiza (RENT3), SmartFit (SMFT3) e Rede D'Or (RDOR3) aparecem como candidatas a capturar o eventual ciclo de queda de juros na segunda metade do ano.
A semana promete ser movimentada. A temporada de prévias operacionais do 1T26 ganha tração, com mais construtoras e varejistas divulgando números. A reação do mercado à prévia da Eztec já vai dar o termômetro de como o investidor está precificando o setor imobiliário.
No câmbio, o fator geopolítico é o grande curinga. Se as tensões no Oriente Médio arrefecerem, o dólar pode recuar abaixo de R$ 5. Se escalarem, prepare-se pra ver o câmbio testando R$ 5,10 ou mais.
Pro investidor que monta carteira pensando em dividendos, o JCP do Santander é um lembrete de que grandes bancos continuam sendo máquinas de distribuição de proventos. A data de corte é dia 20, então há poucos dias pra decidir.
E a reafirmação do AAA da Engie reforça o papel das utilities como âncora de estabilidade numa carteira diversificada. Num ambiente de incerteza, empresas com caixa previsível e dívida barata tendem a performar acima da média do índice.
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