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Lojas Renner (LREN3) e Telefônica Brasil (VIVT3) pagam JCP nesta semana; veja datas

Publicado em
13/4/2026
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Lojas Renner (LREN3) e Telefônica Brasil (VIVT3) pagam JCP nesta semana; veja datas. Entenda o impacto nos seus investimentos.
Lojas Renner (LREN3) e Telefônica Brasil (VIVT3) pagam JCP nesta semana; veja datas
Lojas Renner (LREN3) e Telefônica Brasil (VIVT3) pagam JCP nesta semana; veja datas

A semana começa com dinheiro no bolso de quem investe em Lojas Renner (LREN3) e Telefônica Brasil (VIVT3). As duas companhias pagam Juros sobre Capital Próprio (JCP) nesta segunda-feira, 14 de abril de 2026, somando mais de R$ 3,2 bilhões em proventos distribuídos aos acionistas.

A Renner deposita R$ 217,4 milhões, enquanto a dona da Vivo consolida nove distribuições de JCP aprovadas ao longo de 2025 num único pagamento de R$ 2,99 bilhões. Pra quem já estava posicionado nas datas de corte, o crédito cai automaticamente na conta da corretora.

Lojas Renner (LREN3): R$ 0,22 por ação em JCP

O conselho de administração da Lojas Renner aprovou o pagamento de R$ 217,4 milhões em JCP, o que equivale a R$ 0,222698 por ação em valor bruto. Sobre esse montante incide Imposto de Renda Retido na Fonte de 15%, o que reduz o valor líquido pra aproximadamente R$ 0,189 por ação.

A data de corte foi 24 de março de 2026. Quem comprou o papel a partir do dia 25 já não tem direito a esse provento. O pagamento acontece em 14 de abril, sem qualquer atualização monetária sobre o valor.

Com a cotação na casa dos R$ 15,70, o JCP isolado representa um retorno bruto de cerca de 1,4% sobre o preço da ação. No acumulado dos últimos 12 meses, a Renner entregou aproximadamente R$ 0,78 por ação em proventos, o que coloca o dividend yield anualizado na faixa de 5,6%.

Contexto: Renner turbina distribuição após lucro recorde

Esse JCP não vem do nada. A Lojas Renner fechou 2025 com lucro líquido de R$ 1,46 bilhão, uma alta de 21,8% em relação ao ano anterior. A melhora operacional, puxada pelo controle de despesas e pela expansão da Realize (braço financeiro da companhia), deu conforto pro conselho aumentar a remuneração ao acionista.

O payout da Renner gira em torno de 47%, abaixo do teto de 80% que a empresa sinalizou pra os próximos anos. Isso significa que ainda há espaço pra elevar distribuições, dependendo da geração de caixa e dos planos de investimento.

No setor de varejo, a Renner se destaca pela consistência. Enquanto concorrentes como C&A e Marisa enfrentaram anos difíceis com endividamento e margens apertadas, a LREN3 conseguiu manter uma política de proventos regular. Pra efeito de comparação, o yield médio do setor de varejo de moda na B3 fica entre 2% e 3%, o que coloca a Renner bem acima da média.

Telefônica Brasil (VIVT3): R$ 2,99 bilhões em JCP consolidado

O pagamento da Telefônica Brasil, dona da Vivo, é de outra magnitude. A companhia consolidou nove distribuições de JCP aprovadas entre abril e dezembro de 2025 num único depósito, programado pra 14 de abril de 2026. O total bruto chega a R$ 2,99 bilhões.

A estratégia de concentrar tudo numa data única é uma decisão operacional da empresa. Em vez de fazer nove depósitos separados ao longo dos últimos meses, a Telefônica optou por simplificar o fluxo, o que facilita a vida tanto do escriturador quanto do acionista.

As datas de corte variaram conforme cada JCP foi aprovado ao longo de 2025. Quem manteve posição em VIVT3 nas respectivas datas-com de cada anúncio receberá os valores proporcionais nesta segunda.

Yield e posição no setor de telecomunicações

Com a cotação da VIVT3 próxima de R$ 42,90, o dividend yield dos últimos 12 meses fica na faixa de 3%. Esse número pode parecer modesto comparado a empresas tradicionais de dividendos, mas é preciso considerar dois fatores.

Primeiro, a Vivo combina proventos com programas de recompra de ações. A empresa vem reduzindo consistentemente a base acionária, o que eleva o lucro por ação mesmo sem crescimento adicional de receita. Segundo, a valorização do papel ao longo de 2025 e início de 2026 comprimiu o yield percentual. A ação saiu da faixa de R$ 32 no começo do ano pra mais de R$ 42, uma alta superior a 30%.

No setor de telecomunicações da B3, a Vivo é a principal pagadora de proventos. A TIM (TIMS3) também mantém uma política generosa, com yield próximo de 5%, mas a Vivo se diferencia pelo volume absoluto de caixa distribuído e pela previsibilidade dos pagamentos.

JCP ou dividendo: qual a diferença na prática?

Tanto LREN3 quanto VIVT3 estão pagando JCP, não dividendos. A diferença importa no bolso. Enquanto dividendos são isentos de Imposto de Renda pra pessoa física, o Juros Sobre Capital Próprio (JCP) tem retenção de 15% na fonte.

Pra empresa, distribuir JCP é vantajoso porque o valor pago é dedutível do Imposto de Renda corporativo. Na prática, a companhia paga menos IR e repassa parte desse benefício ao acionista. É um mecanismo que só existe no Brasil e que, apesar das discussões recorrentes sobre seu fim, segue sendo amplamente utilizado.

Quem recebe JCP precisa ficar atento na hora de declarar o IR. O valor já vem com o imposto retido na fonte, mas ainda assim deve constar na declaração anual. Pra entender todos os detalhes, vale conferir o guia completo sobre tributação de investimentos no Brasil.

Calendário de proventos: como se organizar

Quem investe com foco em renda passiva precisa monitorar datas de corte com antecedência. No caso da LREN3, a data-com já passou (24 de março). Pra a Vivo, as datas variaram ao longo de 2025 conforme cada JCP foi aprovado.

O ponto importante é que não adianta comprar a ação na véspera do pagamento. Depois da data-com, o papel já negocia "ex-proventos", ou seja, o preço tende a ajustar pra baixo no montante equivalente ao provento distribuído. Comprar só pra pegar o JCP e vender logo depois é, na maioria dos casos, um jogo de soma zero.

O que faz sentido é montar posição com antecedência em empresas com histórico consistente de distribuição. A Renner paga proventos regularmente há mais de uma década. A Vivo, idem. São companhias maduras, com geração de caixa previsível e governança que prioriza o retorno ao acionista.

Próximos pagamentos no radar

Quem perdeu essas datas-com pode ficar de olho nos próximos ciclos. A Renner costuma aprovar proventos trimestralmente, com pagamentos concentrados nos meses seguintes ao fechamento de cada trimestre. A Telefônica Brasil segue calendário parecido, com anúncios distribuídos ao longo do ano e pagamentos periódicos.

Pra acompanhar esses eventos, o ideal é consultar a seção de Relações com Investidores de cada empresa e cruzar com o calendário de proventos na bolsa, que detalha como funcionam dividendos e JCP na prática.

LREN3 e VIVT3: vale manter na carteira?

Sem entrar em recomendação de compra ou venda, os números ajudam a formar uma visão.

A Lojas Renner vive um momento de recuperação operacional. O lucro cresceu mais de 20% em 2025, as margens estão se recompondo e a Realize deixou de ser um ponto de preocupação. Com yield acima de 5% e payout ainda conservador, a empresa tem espaço pra surpreender positivamente nos próximos trimestres. O desafio é o cenário macroeconômico: juros altos tendem a pressionar o varejo, especialmente o segmento de vestuário, que depende de crédito ao consumidor.

A Telefônica Brasil é um caso diferente. É uma empresa de infraestrutura, com receita recorrente e pouca ciclicidade. A Vivo domina o mercado de banda larga fixa e móvel no Brasil, com market share líder em ambos os segmentos. A combinação de proventos, recompra de ações e valorização do papel coloca VIVT3 como uma das ações defensivas mais consistentes da B3. O yield pode parecer baixo, mas quando somado à valorização de capital, o retorno total tem sido competitivo.

Imposto de Renda sobre JCP: atenção no IR 2026

Como ambos os pagamentos são classificados como JCP, o investidor pessoa física recebe o valor já líquido de IR (alíquota de 15%). Na declaração anual, esses rendimentos entram na ficha de "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva".

Um erro comum é confundir JCP com dividendos na hora de declarar. Dividendos vão na ficha de rendimentos isentos. JCP, não. Misturar os dois pode gerar inconsistências que chamam atenção da Receita Federal. Pra quem tem dúvidas sobre como organizar isso, o guia sobre tributação de investimentos cobre todos os cenários.

No caso de investidores isentos ou imunes (como fundos de pensão e entidades filantrópicas), era necessário comprovar a condição junto ao escriturador até 31 de março de 2026 no caso da Renner. Quem não apresentou a documentação a tempo terá o IR retido normalmente.

Contexto de mercado: proventos em alta na B3

O pagamento de LREN3 e VIVT3 nesta semana faz parte de um movimento mais amplo. Com a taxa Selic ainda em patamar elevado, empresas listadas na B3 têm usado o JCP como ferramenta eficiente de distribuição. O benefício fiscal do JCP fica mais relevante quando os juros estão altos, já que o cálculo do provento é limitado à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

Ao mesmo tempo, a temporada de resultados do 4T25 mostrou que diversas companhias registraram lucros robustos, o que abriu espaço pra distribuições maiores. Setores como telecomunicações, bancos e utilidades públicas concentram os maiores volumes de proventos no primeiro semestre de 2026.

Pra quem está montando uma carteira voltada a renda, a diversificação entre setores continua sendo fundamental. Combinar papéis de varejo (como LREN3), telecomunicações (como VIVT3) e outros setores defensivos ajuda a suavizar a oscilação dos pagamentos ao longo do ano e reduzir a concentração de risco num único segmento.


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