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Pregão abre sob tensão: commodities disparam alerta global

Publicado em
13/4/2026
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Pregão abre sob tensão: commodities disparam alerta global
Pregão abre sob tensão: commodities disparam alerta global
Pregão abre sob tensão: commodities disparam alerta global

O petróleo Brent rompeu a barreira dos US$ 100 nesta segunda-feira (13) e chegou a US$ 103 por barril, uma alta de quase 8% em relação ao fechamento de sexta, depois que o presidente Donald Trump anunciou o bloqueio naval do Estreito de Ormuz no domingo à noite. O WTI, referência nos EUA, saltou ainda mais: 7,98%, batendo US$ 104,27. O movimento chacoalha a abertura dos mercados globais e coloca o investidor brasileiro numa encruzilhada: o Ibovespa, que encerrou a semana passada no recorde histórico de 197.323 pontos, agora precisa digerir um choque de oferta de energia que pode mudar o jogo pra muita gente.

O dólar abriu a segunda-feira cotado a R$ 5,00, praticamente estável em relação ao fechamento de sexta (R$ 5,01), mas o clima nos futuros é de cautela generalizada. As bolsas europeias e os futuros americanos operam no vermelho, e o Ibovespa Futuro sente o peso da aversão ao risco global. A grande exceção? As petroleiras.

Por que Trump bloqueou o Estreito de Ormuz?

As negociações entre EUA e Irã em Islamabad, no Paquistão, duraram 21 horas e terminaram sem acordo sobre o programa nuclear iraniano. Horas depois, Trump publicou em sua rede social que os EUA iniciariam "imediatamente" um bloqueio operacional no Estreito de Ormuz, acusando o Irã de "extorsão global".

Pra quem não lembra: o Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no planeta. Qualquer disrupção ali é um terremoto nos mercados de energia. E foi exatamente isso que aconteceu na abertura dos pregões asiáticos.

O Irã já respondeu que qualquer interceptação de navios em suas águas será considerada "ato de guerra". O chanceler Abbas Araghchi culpou o "maximalismo de Washington" pelo fracasso das negociações. O cenário, portanto, é de escalada, não de distensão.

Petrobras (PETR4): a grande beneficiada do pregão

Com o Brent acima de US$ 100, a Petrobras volta a ser o centro das atenções. A estatal acumula alta de 60% em 2026, impulsionada justamente pela escalada do petróleo, que começou o ano na casa dos US$ 60. Seu valor de mercado já bateu R$ 673 bilhões em março, e a tendência é que a ação abra em alta nesta segunda.

Além do petróleo, a Petrobras anunciou na semana passada a aquisição das participações de 50% da Petronas nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte (Módulo III), na Bacia de Campos, por US$ 450 milhões. Com isso, a estatal volta a deter 100% dos ativos, que produzem cerca de 55 mil barris de óleo por dia. É um movimento estratégico que reforça o portfólio de produção e, com o barril nesse patamar, o retorno sobre o investimento tende a ser acelerado.

Na comunidade da Traders, o debate entre os traders já esquentou logo cedo. A dúvida principal é se o petróleo sustenta esse nível ou se estamos diante de um pico especulativo que vai devolver parte da alta assim que surgir qualquer sinal de negociação diplomática. O consenso? Enquanto Ormuz estiver bloqueado, o prêmio de risco fica. Se você quer entender melhor como as commodities movem o Ibovespa, vale a leitura.

Vale (VALE3) e o minério: outra história

Se o petróleo é festa, o minério de ferro conta uma história diferente. O contrato futuro em Dalian fechou em queda de 0,33%, a 753,5 iuanes (cerca de US$ 110,2 por tonelada). Na sexta, o minério já havia encerrado a US$ 106,63, com alta modesta de 0,34%.

O problema pro minério não é Ormuz. É a China. A crise persistente no setor imobiliário chinês, que consome historicamente 40% do aço produzido no país, continua pressionando a demanda. As projeções consensuais de mercado pra 2026 apontam uma faixa de US$ 95 a US$ 105 por tonelada, o que significa que o preço atual já tá no limite superior das estimativas.

Pra VALE3, isso significa pressão na abertura. A ação já vinha de uma queda de 6,8% em março, e a combinação de minério acomodado com aversão ao risco global não ajuda. Porém, há um contraponto: o BTG sinalizou que dividendos extraordinários da Vale podem estar no horizonte, o que dá um piso de sustentação pro papel.

Embraer troca de CFO: Felipe Santana assume

No radar corporativo, a Embraer oficializou nesta segunda a posse de Felipe Santana Santiago de Lima como novo vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores. Santana é "prata da casa", com 18 anos de Embraer e passagem pela diretoria global de tesouraria. Ele substitui Antonio Carlos Garcia, que saiu pra assumir o mesmo cargo na Azul a partir do dia 20.

A empresa fez questão de reforçar que a mudança não altera estratégia, operações ou compromissos financeiros. Pra o mercado, transições suaves de CFO costumam ser bem recebidas, especialmente quando o substituto conhece a casa. EMBR3 não deve sentir pressão por conta disso.

O cenário macro: Ibovespa entre o recorde e o risco

O Ibovespa vem de uma semana espetacular. Bateu recorde histórico na quinta e repetiu a dose na sexta, fechando acima dos 197 mil pontos pela primeira vez. O dólar caiu pra R$ 5,01, menor patamar desde meados de 2024. O fluxo estrangeiro foi forte, e o Brasil, como exportador líquido de commodities, se posicionou como um dos grandes beneficiários do cenário global.

Mas nesta segunda o jogo muda de figura. A disparada do petróleo é faca de dois gumes: beneficia Petrobras e petroleiras (PRIO3 também deve abrir em alta), mas pressiona a inflação global, o que pode impactar as expectativas de juros. Se o Brent se consolidar acima de US$ 100 por mais tempo, o Banco Central do Brasil pode ficar com menos espaço pra cortar a Selic. Entender como essas correlações funcionam ajuda a montar estratégias mais robustas pra esse tipo de cenário.

O Boletim Focus, divulgado pelo BC toda segunda-feira, ganha importância extra nesta semana. Os economistas vão precisar recalibrar as projeções de inflação e câmbio diante do novo patamar do petróleo. O impacto do Fed nos mercados brasileiros também entra na equação: se o petróleo pressiona a inflação americana, o corte de juros nos EUA fica mais distante.

O que ficar de olho no restante do pregão

Três pontos merecem atenção até o fechamento:

Primeiro: o comportamento do petróleo ao longo do dia. Se o Brent devolver parte da alta e voltar pra faixa de US$ 95 a US$ 98, o mercado vai interpretar como exagero inicial e a pressão sobre o Ibovespa diminui. Se sustentar acima de US$ 100, o cenário de risco se mantém.

Segundo: declarações oficiais. Qualquer sinalização de retomada das negociações entre EUA e Irã pode derrubar o petróleo tão rápido quanto subiu. Na última semana, o simples rumor de cessar-fogo já fez o Brent cair dois dígitos em um único pregão.

Terceiro: o comportamento do dólar. Se o real se fortalecer ou se mantiver estável perto dos R$ 5,00, é sinal de que o fluxo estrangeiro continua entrando no Brasil. Se o dólar voltar pra cima de R$ 5,10, o mercado tá precificando risco mais sério.

Resumo da abertura: dois mercados dentro de um

A B3 abriu nesta segunda com cara de pregão dividido. De um lado, petroleiras surfando a onda do Brent acima de US$ 100, com Petrobras como protagonista absoluta. Do outro, mineradoras e setores sensíveis a juros sentindo o peso da aversão ao risco global e da incerteza sobre o impacto inflacionário do petróleo caro.

O Ibovespa, que na sexta parecia invencível nos 197 mil pontos, agora testa a resiliência do rali. A boa notícia pro investidor brasileiro é que o país continua bem posicionado como exportador de commodities. A má notícia é que o mundo ficou mais perigoso, e os mercados vão refletir isso até que haja clareza sobre Ormuz.

Pra quem opera com notícias em tempo real, dias como hoje são um lembrete de que velocidade de informação faz diferença. O pregão tá só começando.


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