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Pequim concentra 2/3 das trocas no maior bloco emergente

Publicado em
6/4/2026
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Pequim concentra 2/3 das trocas no maior bloco emergente
Pequim concentra 2/3 das trocas no maior bloco emergente
Pequim concentra 2/3 das trocas no maior bloco emergente

O comércio entre os países do BRICS ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão em 2025, mas a festa tem um protagonista claro: a China responde sozinha por cerca de 70% de todo o fluxo comercial dentro do bloco. O dado, divulgado pela TV BRICS e repercutido nesta semana, joga luz sobre uma dinâmica que o investidor brasileiro precisa entender. Nesta segunda-feira (06), com os mercados chineses e europeus fechados por feriado, o Ibovespa abriu a semana cotado a 188.052 pontos, com o dólar na casa dos R$ 5,15.

Na prática, o BRICS cresceu, ganhou peso geopolítico e virou uma engrenagem relevante do comércio global. Mas Pequim não é apenas mais um membro. É o motor. E o Brasil, nessa configuração, ocupa um papel muito específico: o de fornecedor essencial de alimentos e minérios pra máquina chinesa.

O que os números revelam sobre o BRICS em 2026

Depois da expansão de 2024, quando entraram Irã, Emirados Árabes, Egito, Etiópia e Arábia Saudita, o bloco passou por uma nova rodada em 2025. Cuba, Bolívia, Indonésia, Malásia, Tailândia e mais quatro países aderiram ao grupo. Com isso, o BRICS ampliado já representa cerca de 40% do PIB global medido por paridade de poder de compra, segundo projeções do FMI.

O crescimento médio do PIB dos membros em 2025 foi de 3,4%, acima da média mundial de 2,8%. Não é coincidência. A China puxa boa parte desse número, mas Índia, Indonésia e Arábia Saudita também contribuem. O ponto é que o bloco não é mais uma sigla de relatório acadêmico. É uma realidade comercial que movimenta trilhões.

Dentro desse ecossistema, os países do BRICS já respondem por 26% das exportações globais, com um fluxo superior a US$ 5,7 trilhões. E o comércio intra-bloco cresceu a uma média de 4,75% ao ano nos últimos cinco anos.

Por que a China domina 70% do comércio intra-BRICS

A resposta é estrutural. A China é, ao mesmo tempo, a maior importadora de commodities e a maior exportadora de produtos industrializados do grupo. Ela compra petróleo da Rússia e da Arábia Saudita, minério de ferro e soja do Brasil, carvão da Indonésia e diamantes da África do Sul. Em troca, exporta eletrônicos, veículos, maquinário e bens de consumo pra todos eles.

Essa posição de hub comercial não é nova, mas ficou ainda mais evidente com a expansão do bloco. A China triplicou seu comércio com os demais membros do BRICS na última década, e agora funciona como o eixo financeiro e logístico que conecta as pontas.

Pra quem acompanha o PIB e bolsa: como o crescimento econômico afeta suas ações, o recado é direto: a dinâmica do BRICS é cada vez mais relevante pra entender como setores inteiros da B3 se comportam.

Brasil: celeiro e mineradora do bloco

O Brasil fechou 2025 com US$ 349 bilhões em exportações, recorde histórico. E a China foi, de longe, o principal destino. Os dados da balança comercial são eloquentes: Pequim compra 70% de toda a soja exportada pelo Brasil e 63% do minério de ferro.

Em volume, o país embarcou 416 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, alta de 7% sobre o ano anterior. Em receita, foram US$ 28,9 bilhões só com minério, dos quais US$ 19,5 bilhões vieram da China. A soja liderou a pauta de exportações, representando cerca de 14% do total embarcado.

Carne bovina, açúcar, celulose e ferro-gusa completam a cesta de produtos que fazem do Brasil o fornecedor de matérias-primas mais importante do BRICS, atrás apenas da Rússia no setor de energia. As exportações pra China cresceram 6% no ano e bateram a marca de US$ 100 bilhões.

Na comunidade da Traders, muitos investidores já discutem como essa concentração na China afeta papéis como Vale (VALE3) e frigoríficos como JBS (JBSS3). Quando a demanda chinesa acelera, esses ativos sobem. Quando desacelera, a pressão vem rápido.

A desdolarização silenciosa que avança dentro do bloco

Outro dado que chama atenção: o uso de moedas locais no comércio intra-BRICS disparou. Segundo estimativas de 2025, cerca de 90% das transações dentro do bloco já são feitas sem passar pelo dólar americano. O yuan chinês responde por aproximadamente metade desse volume, seguido pela rupia indiana e pelo rublo russo.

O avanço da infraestrutura financeira reforça essa tendência. Os sistemas de pagamento SPFS (russo) e CIPS (chinês) iniciaram testes de interoperabilidade em 2025, com implementação completa prevista pro final de 2026. A ideia é criar um corredor de liquidação bilateral que permita compensações em moedas locais entre todos os membros.

Pra o investidor brasileiro, isso significa que a dinâmica cambial pode mudar no médio prazo. Se o dólar perder espaço nas transações comerciais do Brasil com seus maiores parceiros, o real pode ganhar relevância em liquidações internacionais. Quem quer entender melhor como isso funciona pode conferir o guia sobre tributação de investimentos no Brasil, especialmente a parte sobre câmbio e operações internacionais.

O risco da dependência concentrada

Nem tudo são flores. A concentração de 70% do comércio intra-BRICS na China levanta um risco que analistas vêm apontando com frequência: se a economia chinesa desacelerar, o efeito dominó dentro do bloco será brutal.

Já vimos isso acontecer. Quando a China anunciou tarifas adicionais de 55% sobre importações de carne bovina acima de cotas definidas, o setor frigorífico brasileiro sentiu o impacto imediato na B3. A Vale também sofre toda vez que os preços do minério de ferro caem por conta de demanda chinesa mais fraca.

O Brasil vende mais pros membros do BRICS do que pros Estados Unidos e a União Europeia juntos. Isso é uma vantagem competitiva, mas também é uma vulnerabilidade. A diversificação de parceiros comerciais dentro do próprio bloco, incluindo Índia, Arábia Saudita e Indonésia, seria uma estratégia inteligente pra reduzir essa exposição.

O que esperar do BRICS sob a presidência brasileira

O Brasil assumiu a presidência rotativa do BRICS em 2025 e tem usado a posição pra tentar ampliar a agenda do bloco além do comércio bilateral com a China. Entre as prioridades estão o sistema de pagamentos em moedas locais, a cooperação em segurança alimentar e a transição energética.

A projeção do FMI indica que o PIB do BRICS deve alcançar 41% da economia global em 2026. Com os novos membros, o bloco passa a ter representatividade em todos os continentes e ganha poder de barganha em fóruns como o G20 e a OMC.

Pra o investidor que opera na B3, o BRICS não é mais um tema de geopolítica distante. É uma variável que afeta diretamente o preço da soja, do minério, do petróleo e, por consequência, boa parte das blue chips do Ibovespa. Quem acompanha o mercado em tempo real sabe que qualquer dado econômico da China tem potencial pra mover o índice.

Impacto prático na carteira do investidor brasileiro

O avanço do comércio intra-BRICS reforça a tese de que commodities continuam sendo a espinha dorsal da bolsa brasileira. Empresas expostas à demanda chinesa, como mineradoras, frigoríficos e produtores de grãos, tendem a se beneficiar enquanto o apetite de Pequim se mantiver.

Ao mesmo tempo, a desdolarização progressiva pode beneficiar setores que sofrem com câmbio volátil, como aviação e empresas importadoras. Se mais transações passarem a ser liquidadas em reais ou yuans, a pressão do dólar sobre custos operacionais tende a diminuir.

O momento pede atenção redobrada. Com o Ibovespa nos 188 mil pontos e o dólar abaixo de R$ 5,20, o mercado parece otimista. Mas a concentração do comércio do BRICS em um único país é, ao mesmo tempo, a maior oportunidade e o maior risco pra quem investe no Brasil. Pra navegar esse cenário, vale acompanhar as melhores plataformas de trading com dados em tempo real e cobertura de mercados internacionais.

O trilhão do BRICS já é realidade. A questão agora é se o bloco consegue diversificar suas rotas comerciais ou se continuará sendo, na prática, um arranjo centrado em Pequim com fornecedores periféricos. Pra o Brasil, que exporta recordes ano após ano, a resposta a essa pergunta vale bilhões.


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