
A Ambev (ABEV3) deposita nesta segunda-feira (6) os juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 0,075 por ação, abrindo uma semana recheada de proventos na B3. No total, sete empresas distribuem dividendos ou JCP entre 6 e 10 de abril, incluindo Rede D'Or (RDOR3), Allos (ALOS3), Totvs (TOTS3) e Cury (CURY3).
Pra quem investe pensando em renda passiva, a semana é especialmente movimentada. Os valores vão de R$ 0,075 por ação (Ambev) a R$ 0,454 (Cury), passando por nomes relevantes do setor de saúde, tecnologia e shoppings.
O pagamento da Ambev nesta segunda é referente ao JCP aprovado pelo conselho de administração, no valor bruto de R$ 0,075 por ação ordinária. Depois do desconto de 15% de Imposto de Renda na fonte (obrigatório no JCP), o valor líquido fica em R$ 0,06375 por ação.
A data-com desse provento foi 18 de dezembro de 2025. Ou seja, só recebe quem já tinha as ações em carteira naquela data. Quem comprou ABEV3 depois disso ficou de fora desta rodada.
A Ambev vem mantendo uma política consistente de distribuição de proventos nos últimos anos. O dividend yield dos últimos 12 meses da companhia gira em torno de 10,7%, um patamar elevado que reflete, entre outros fatores, a distribuição extraordinária de dividendos que a empresa realizou em 2025 antes das mudanças tributárias. A cifra chamou atenção do mercado: foram mais de R$ 7 bilhões distribuídos aos acionistas no acumulado.
No setor de bebidas, a Ambev continua como principal pagadora de proventos na B3, com vantagem considerável sobre pares como a M. Dias Branco (MDIA3) e a Camil (CAML3), que operam com políticas de distribuição mais modestas. Se quiser entender melhor como funcionam os mecanismos de proventos na bolsa, incluindo dividendos e JCP, vale a leitura.
Na terça-feira (7), é a vez da Rede D'Or (RDOR3). A maior rede hospitalar privada do Brasil paga JCP de R$ 0,15914 por ação, com retenção de IR na fonte para a maioria dos investidores.
A data-com foi 26 de março de 2026, com as ações negociando ex-JCP a partir de 27 de março. O montante total aprovado pelo conselho foi de R$ 350 milhões, parte do plano de remuneração aos acionistas para o exercício de 2026.
A Rede D'Or tem aumentado gradualmente seus proventos à medida que consolida sua posição no setor de saúde. A companhia, que também controla a SulAmérica, opera com margens robustas e geração de caixa crescente, o que sustenta a distribuição de proventos mesmo num ambiente de juros altos.
O destaque da semana em valor por ação é a Allos (ALOS3), que paga JCP de R$ 0,292 por ação na quinta-feira (9). A empresa, maior administradora de shoppings da América Latina, definiu a data-com em 27 de março de 2026.
O pagamento faz parte de um pacote mais amplo de R$ 438 milhões em proventos aprovados pela companhia, divididos entre JCP e dividendos intermediários. As duas parcelas seguintes de dividendos, no mesmo valor de R$ 0,292 por ação, estão programadas para maio e junho.
A Allos projeta distribuir R$ 1,75 bilhão em proventos ao longo de 2026, segundo a agência de classificação Moody's. A companhia mantém geração de caixa confortável, sustentada pela recuperação do fluxo de visitantes nos shoppings e pela alta taxa de ocupação dos seus empreendimentos.
No setor de shoppings, a Allos compete com Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11) na disputa por investidores focados em dividendos. As três empresas têm ampliado suas distribuições, mas a Allos se diferencia pelo volume absoluto, dado o tamanho do seu portfólio.
Fechando a semana, a Totvs (TOTS3) paga JCP de R$ 0,18 por ação na sexta-feira (10). O montante total aprovado foi de R$ 104,2 milhões, com direito garantido aos acionistas posicionados até 25 de março de 2026.
A Totvs é a maior empresa de tecnologia do Brasil em termos de receita recorrente de software. O dividend yield nos últimos 12 meses gira em torno de 1,9%, um patamar modesto, mas compatível com empresas de tecnologia em crescimento. A companhia prioriza reinvestimento no negócio e aquisições, o que naturalmente limita o espaço para dividendos mais gordos.
Comparando com outros nomes de tecnologia na B3, a Totvs é uma das poucas que distribui proventos de forma recorrente. Locaweb (LWSA3) e Positivo (POSI3), por exemplo, operam com políticas de distribuição bem mais enxutas. Pra quem olha o setor tech brasileiro com um pé em renda passiva, a Totvs acaba sendo a referência.
A Cury (CURY3) também entra no calendário de abril com um dividendo de R$ 0,4544 por ação, o maior valor individual da semana. O montante total chega a R$ 140 milhões.
A data-com foi 4 de fevereiro de 2026, e as ações passaram a negociar ex-dividendos a partir de 5 de fevereiro. A Cury informou que o pagamento será feito em parcela única durante o exercício de 2026, com data a ser confirmada nos primeiros dias de abril.
A construtora carioca, focada no segmento de média e baixa renda (com forte presença no programa Minha Casa Minha Vida), tem sido uma das queridinhas dos investidores de dividendos no setor imobiliário. A empresa combina crescimento de receita com margens saudáveis, o que permite distribuições consistentes. No setor, compete diretamente com Direcional (DIRR3) e MRV (MRVE3), mas tem se destacado pelo retorno ao acionista.
Um ponto importante pra quem está de olho nesses pagamentos: a data-com é o último dia em que você precisa ter a ação em carteira pra garantir o direito ao provento. No dia seguinte, chamado de data-ex, a ação já negocia sem direito ao pagamento e, normalmente, abre com um desconto equivalente ao valor do provento.
No caso da Ambev, por exemplo, a data-com foi em dezembro de 2025. Isso significa que quem comprou ABEV3 esta semana não recebe o JCP de hoje, mas pode se posicionar pensando nos próximos pagamentos da companhia. Se você quer entender melhor esse mecanismo, o artigo sobre data-com e data-ex nos dividendos explica tudo em detalhe.
A maioria dos proventos desta semana é paga como JCP (juros sobre capital próprio), e não como dividendo. A diferença importa no bolso: o JCP tem desconto de 15% de Imposto de Renda retido na fonte, enquanto o dividendo, pelo menos até agora, é isento pra pessoa física.
Pra empresa, o JCP é mais vantajoso porque pode ser deduzido como despesa financeira, reduzindo o lucro tributável. Por isso, muitas companhias preferem essa modalidade. No caso da Ambev, Rede D'Or, Allos e Totvs, todos optaram pelo JCP. Já a Cury escolheu o formato de dividendo.
Essa distinção é relevante pra montar sua estratégia. Se você investe pensando em ações pagadoras de dividendos, precisa considerar a tributação na hora de comparar yields entre empresas.
Pra facilitar, aqui vai o resumo dos pagamentos confirmados entre 6 e 10 de abril:
Segunda-feira (06/04): Ambev (ABEV3), JCP de R$ 0,075 por ação. Data-com: 18/12/2025.
Terça-feira (07/04): Rede D'Or (RDOR3), JCP de R$ 0,159 por ação. Data-com: 26/03/2026.
Quinta-feira (09/04): Allos (ALOS3), JCP de R$ 0,292 por ação. Data-com: 27/03/2026.
Sexta-feira (10/04): Totvs (TOTS3), JCP de R$ 0,18 por ação. Data-com: 25/03/2026.
Abril (data a confirmar): Cury (CURY3), dividendo de R$ 0,454 por ação. Data-com: 04/02/2026.
A semana ilustra bem como empresas de setores completamente diferentes acabam compartilhando o mesmo calendário de proventos. Ambev é uma gigante de consumo, com operações maduras e fluxo de caixa previsível. Totvs é uma empresa de tecnologia em expansão, que cresce via aquisições e investe pesado em inovação.
O yield da Ambev nos últimos 12 meses (acima de 10%) reflete uma fase atípica, inflada pela distribuição extraordinária de 2025. Já o yield da Totvs (cerca de 1,9%) é mais representativo do que esperar de uma empresa tech que prioriza crescimento. São perfis complementares numa carteira diversificada.
A Rede D'Or, por sua vez, ocupa um espaço intermediário. O setor de saúde oferece previsibilidade de receita (todo mundo precisa de hospital), mas demanda investimento constante em expansão e equipamentos. Ainda assim, a empresa tem conseguido equilibrar crescimento com remuneração ao acionista.
Pra quem busca exposição internacional com foco em proventos, vale lembrar que empresas globais também distribuem dividendos acessíveis via BDRs na B3. O artigo sobre dividendos de BDRs explica como funciona esse mecanismo.
Abril promete ser um mês agitado pra quem acompanha proventos. Além das sete empresas desta semana, o calendário do mês inclui pagamentos de peso como B3 (B3SA3), Telefônica Brasil (VIVT3), Itaúsa (ITSA4) e grandes bancos como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4).
A Allos, inclusive, tem mais duas parcelas de dividendos agendadas para maio e junho, no mesmo valor de R$ 0,292 por ação. E a Ambev deve anunciar novos proventos ao longo do ano, mantendo a frequência trimestral que adotou nos últimos exercícios.
O volume de distribuições em abril costuma ser elevado porque coincide com a aprovação de resultados anuais nas assembleias de acionistas. Muitas empresas deliberam sobre dividendos do exercício anterior nesse período, o que concentra os pagamentos entre abril e maio.
Acompanhar o calendário de proventos é uma das formas mais práticas de organizar a carteira pensando em fluxo de caixa recorrente. Mas vale o lembrete: dividend yield alto nem sempre significa bom investimento. O fundamento da empresa, a sustentabilidade dos lucros e a perspectiva de crescimento continuam sendo os fatores mais importantes na hora de decidir onde colocar seu dinheiro.
Aviso Legal
O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.
As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.
Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.
Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.
A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.