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Petrobras deve fechar terceiro trimestre consecutivo de resultado positivo no 3T25

Publicado em
6/4/2026
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Petrobras deve fechar terceiro trimestre consecutivo de resultado positivo no 3T25. Análise completa no blog da Traders.
Petrobras deve fechar terceiro trimestre consecutivo de resultado positivo no 3T25
Petrobras deve fechar terceiro trimestre consecutivo de resultado positivo no 3T25

A Petrobras (PETR4) registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões (US$ 6 bilhões) no terceiro trimestre de 2025, consolidando o terceiro resultado positivo consecutivo e superando as estimativas do mercado. O número representa uma alta de 23% em relação ao segundo trimestre e de 2,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O resultado veio acima do consenso dos analistas, impulsionado por uma combinação de produção recorde no pré-sal, efeitos cambiais favoráveis e uma carga tributária abaixo do esperado. Mesmo com o preço do Brent operando 14% abaixo do patamar do 3T24, a estatal conseguiu entregar números robustos.

Receita e EBITDA da Petrobras no 3T25

A receita líquida consolidada somou R$ 127,9 bilhões no trimestre, um avanço de 7,4% em relação ao 2T25. O crescimento foi puxado pelo aumento de 8% na produção total e por exportações recordes de 814 mil barris por dia.

Já o EBITDA ajustado alcançou R$ 63,9 bilhões (US$ 11,7 bilhões), uma alta de 17% na base trimestral e de 2,2% na comparação anual. O número ficou cerca de 5% acima do consenso de mercado. A margem EBITDA encerrou o período em 51%, ganho de 1,2 ponto percentual em relação ao 3T24.

Em termos práticos, a Petrobras mostrou que consegue manter margens elevadas mesmo num cenário de petróleo mais barato. A eficiência operacional no pré-sal, onde o custo de extração (lifting cost) segue entre os mais baixos do mundo, foi decisiva pra segurar a rentabilidade.

Produção recorde: pré-sal puxa os números

O grande destaque operacional do trimestre foi a produção total de 3,14 milhões de barris de óleo equivalente por dia (Mboed), um salto de 16,9% frente ao 3T24 e de 7,6% contra o 2T25. Foi o maior volume trimestral da companhia em anos.

No pré-sal, a produção atingiu 2,117 milhões de barris por dia, crescimento de 16,2% na base anual e de 6,6% na trimestral. Os principais responsáveis foram o FPSO Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, que atingiu o topo de produção no período, e o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero. Ambas as plataformas operam na Bacia de Santos.

A aceleração da produção era esperada pelo mercado desde o início do ano, quando a Petrobras indicou que novos FPSOs entrariam em operação ao longo de 2025. O 3T25 foi o trimestre em que essa promessa se concretizou de forma mais visível nos números.

Dividendos de R$ 12,2 bilhões e yield atrativo

Seguindo sua política de distribuir 45% do fluxo de caixa livre, a Petrobras aprovou o pagamento de R$ 12,2 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao 3T25. O valor equivale a R$ 0,94 por ação (US$ 0,35 por ADR).

O montante ficou levemente acima da expectativa compilada pela própria companhia, que apontava pra algo em torno de US$ 2,1 bilhões. No acumulado dos três primeiros trimestres de 2025, a petroleira já distribuiu cifras relevantes aos acionistas, mantendo PETR4 como uma das maiores pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.

Pra quem acompanha o dividend yield da ação, o ritmo de distribuição segue competitivo quando comparado a outras petroleiras globais. Mas vale lembrar que a sustentabilidade dos dividendos depende diretamente do preço do petróleo e do nível de investimentos da companhia.

Fluxo de caixa e geração operacional

O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 53,7 bilhões (US$ 9,9 bilhões) no trimestre. Já o fluxo de caixa livre ficou em US$ 5 bilhões, uma melhora significativa em relação aos US$ 3,5 bilhões do 2T25.

Essa recuperação do caixa livre reflete tanto o aumento da produção quanto a sazonalidade favorável nas vendas de derivados. A geração robusta de caixa foi o que permitiu o pagamento generoso de dividendos sem comprometer o balanço da companhia.

CAPEX em alta: investimentos crescem 24%

Se por um lado os resultados operacionais agradaram, o aumento dos investimentos acendeu um sinal de atenção no mercado. O CAPEX totalizou US$ 5,5 bilhões no trimestre, alta de 24% tanto na comparação com o 2T25 quanto com o 3T24.

A maior parte, US$ 4,7 bilhões, foi direcionada pra exploração e produção (E&P), com destaque para novos FPSOs nos campos de Búzios, Atapu e Sépia. São projetos de longo prazo que devem sustentar a produção da Petrobras na próxima década, mas que no curto prazo pressionam o caixa.

A preocupação de parte dos analistas é que o ritmo de investimentos siga acelerando nos próximos trimestres, especialmente com projetos fora do core business, como refino e fertilizantes, que historicamente têm retorno mais incerto.

Dívida líquida: ponto de atenção

A dívida líquida da Petrobras encerrou o 3T25 em US$ 59 bilhões, praticamente estável em relação ao trimestre anterior (+1%), mas com alta expressiva de 33% na comparação anual.

Esse aumento da alavancagem reflete justamente o ciclo de investimentos mais intenso. Embora o nível de endividamento ainda seja administrável pra uma empresa do porte da Petrobras, o mercado monitora de perto a relação dívida líquida/EBITDA. Se o Brent continuar em patamares mais baixos, a capacidade de manter investimentos elevados e dividendos generosos ao mesmo tempo pode ficar mais apertada.

Comparação: 3T25 vs 3T24 vs 2T25

Pra facilitar a leitura dos números, vale organizar as principais comparações do balanço da Petrobras:

Lucro líquido: R$ 32,7 bi no 3T25, alta de 2,7% vs 3T24 e de 23% vs 2T25. A melhora trimestral é expressiva e mostra recuperação depois de um segundo trimestre mais fraco.

EBITDA ajustado: R$ 63,9 bi, avanço de 2,2% anual e 17% trimestral. A margem de 51% mostra resiliência operacional.

Produção: 3,14 Mboed, salto de 16,9% YoY. É o dado mais impressionante do balanço. A entrada de novos FPSOs mudou o patamar produtivo da companhia.

Receita líquida: R$ 127,9 bi, alta de 7,4% QoQ. Exportações recordes compensaram o Brent mais fraco.

Se você quer entender melhor como analisar esses números, vale conferir como funciona uma DRE (Demonstração de Resultado), que é a base pra interpretar qualquer balanço trimestral.

Contexto setorial: Brent mais fraco, mas produção compensa

O preço médio do Brent no 3T25 ficou cerca de 14% abaixo do registrado no mesmo período de 2024. Em tese, isso deveria pressionar os resultados de qualquer petroleira. Mas a Petrobras compensou com volume.

A estratégia de acelerar a produção no pré-sal, onde o breakeven é significativamente mais baixo que a média global, permitiu que a companhia mantivesse margens saudáveis mesmo com petróleo mais barato. Enquanto petroleiras com custos mais altos sofrem, a Petrobras se beneficia do fato de operar alguns dos campos mais produtivos do planeta.

No cenário global, a OPEP+ segue calibrando cortes de produção pra sustentar preços, mas a demanda chinesa continua sendo a grande incógnita. Se o Brent permanecer na faixa atual, a produção crescente da Petrobras funciona como uma espécie de hedge natural, compensando preço com volume.

O que esperar: próximos catalisadores pra PETR4

Olhando pra frente, alguns fatores devem pautar o desempenho da ação nos próximos meses.

Produção seguindo em alta

Com novos FPSOs entrando em ramp-up, a tendência é que a produção se mantenha em patamares elevados no 4T25 e em 2026. O campo de Búzios, em particular, ainda tem capacidade ociosa pra ser preenchida.

Política de dividendos

A manutenção da política de 45% do fluxo de caixa livre como dividendo ordinário segue sendo o principal atrativo da tese. Qualquer mudança nessa política, seja pra mais ou pra menos, tende a gerar volatilidade no papel.

Preço do petróleo

O Brent é a variável que a Petrobras não controla. Se os preços se recuperarem, o resultado do 4T25 pode ser ainda mais forte. Se caírem mais, a pressão sobre dividendos e CAPEX aumenta.

Risco político e governança

Como empresa de controle estatal, a Petrobras sempre carrega um prêmio de risco relacionado a decisões políticas. Investimentos fora do core, política de preços de combustíveis e nomeações pra diretoria são temas que o mercado acompanha de perto.

Pra quem quer entender melhor como funciona o investimento na estatal, vale conferir o guia sobre como investir em Petrobras (PETR4), que cobre desde a análise fundamentalista até os riscos específicos da ação.

Terceiro tri positivo consolida momento operacional

O balanço do 3T25 confirma que a Petrobras vive um momento operacional forte. A produção recorde no pré-sal, combinada com disciplina na distribuição de dividendos e margens resilientes, posiciona a companhia como uma das petroleiras mais rentáveis do mundo neste ciclo.

Os pontos de atenção existem: o CAPEX em alta, a dívida crescendo na base anual e a dependência do preço do petróleo são riscos reais. Mas, pelo menos neste trimestre, os números mostram que a máquina operacional da Petrobras está funcionando no ritmo que o mercado esperava.

O resultado do 4T25, esperado pra fevereiro de 2026, vai ser o teste definitivo pra saber se esse patamar de produção é sustentável. Se a companhia mantiver a entrega, 2025 pode fechar como um dos melhores anos da história da Petrobras em termos operacionais.


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