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Moeda digital líder tropeça e rivais roubam os holofotes

Publicado em
2/4/2026
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Moeda digital líder tropeça e rivais roubam os holofotes
Moeda digital líder tropeça e rivais roubam os holofotes
Moeda digital líder tropeça e rivais roubam os holofotes

O Ethereum subiu 7,44% contra o Bitcoin nos últimos 30 dias e reacendeu a discussão sobre uma possível rotação de capital pra altcoins. Mas os números contam uma história mais complexa: o Altcoin Season Index marca apenas 27 pontos de 100, firmemente em território de "Bitcoin Season". Pra quem opera cripto ou acompanha o mercado de perto, o sinal é de cautela, não de euforia.

Na manhã desta quarta-feira (02), o ETH é negociado na faixa de US$ 2.050, enquanto o Bitcoin recua pra cerca de US$ 66.700, com queda de 2,7% nas últimas 24 horas. A dominância do BTC segue elevada, em torno de 58% do mercado total de criptoativos, que soma aproximadamente US$ 2,36 trilhões.

O que o ratio ETH/BTC está sinalizando?

O par ETH/BTC opera na faixa de 0,031 a 0,034, com alta acumulada de 3,59% no ano. Historicamente, quando esse ratio sobe de forma consistente, é um dos primeiros sinais de que o capital começa a migrar do Bitcoin pra criptos menores. Aconteceu assim nos ciclos de 2017 e 2021.

O problema é que o ratio ainda está em patamares historicamente baixos comparado aos picos de ciclos anteriores. Em maio de 2021, por exemplo, o ETH/BTC chegou a 0,082. O nível atual de 0,031 representa menos da metade daquele topo. Ou seja: o Ether está ganhando terreno, mas ainda está longe de dominar a narrativa.

Na comunidade da Traders, os traders de cripto estão divididos. Uma parte enxerga o início de uma rotação clássica. Outra parte argumenta que a dominância do BTC acima de 57% mostra que o "dinheiro grande" ainda prefere ficar no Bitcoin, especialmente com a incerteza macro global.

Por que o Altcoin Season Index ainda não confirma rotação?

O Altcoin Season Index, calculado pelo BlockchainCenter, mede quantas das 50 maiores altcoins superaram o Bitcoin nos últimos 90 dias. Acima de 75, é oficialmente "Altcoin Season". Abaixo de 25, é "Bitcoin Season" profunda.

Com o índice a 27 pontos, o mercado acabou de sair da zona mais extrema de dominância do Bitcoin, mas não se pode falar em temporada de altcoins. É mais como um respiro do que uma virada.

Pra contexto: em novembro de 2021, o índice bateu 95. Em janeiro de 2026, chegou a cair pra 16. O movimento de 16 pra 27 em poucos meses é relevante, mas insuficiente pra declarar qualquer mudança de regime.

Glamsterdam: o catalisador que o mercado espera

O principal evento no radar dos investidores de Ethereum é o upgrade Glamsterdam, previsto pra junho de 2026. É considerado a maior atualização da rede desde o The Merge, em setembro de 2022.

Os números prometidos são expressivos: processamento paralelo de transações, aumento do limite de gas de 60 milhões pra 200 milhões por bloco, meta de 10.000 transações por segundo (10 vezes o atual) e redução de 78,6% nas taxas de gas.

Entre as propostas técnicas mais relevantes estão o EIP-7732 (separação entre quem propõe e quem constrói blocos) e o EIP-7928 (listas de acesso por bloco). Na prática, isso tornaria o Ethereum muito mais competitivo em custo e velocidade contra blockchains concorrentes como Solana e Avalanche.

Se o upgrade sair no prazo e sem bugs críticos, pode ser o gatilho que falta pra uma reavaliação do preço do ETH. Mas quem acompanha o Ethereum sabe que atrasos são comuns. O próprio The Merge levou anos além do prazo original.

ETFs de Ethereum: fluxos mistos geram dúvida

No mercado tradicional, os ETFs de Ethereum à vista nos EUA tiveram um março complicado. O ETHA, da BlackRock, acumula US$ 6,5 bilhões em ativos, mas registrou 8 dias consecutivos de saídas líquidas em março, totalizando US$ 48,5 milhões em resgates. Foi a maior sequência negativa do ano.

Por outro lado, a própria BlackRock lançou em 12 de março o ETHB, um ETF de Ethereum com staking, que estreou na Nasdaq com US$ 107 milhões em ativos iniciais e US$ 15,5 milhões em volume no primeiro dia. A existência de um produto de staking regulado é um avanço significativo pra institucionalização do ativo.

A mensagem do mercado institucional é ambígua: há interesse no ecossistema Ethereum, mas o apetite por risco oscila rápido. Quem investe em cripto via BDRs de cripto na B3 precisa ficar atento a essa dinâmica, porque os BDRs refletem diretamente o preço dos ativos subjacentes.

DeFi segura a bandeira do Ethereum

Um dado que sustenta a tese otimista pro Ether é o Total Value Locked (TVL) no ecossistema DeFi da rede, que subiu 3,1% e alcançou US$ 68,4 bilhões. Protocolos de empréstimo estão puxando o crescimento.

Pra quem não conhece o conceito: TVL mede quanto capital está depositado em contratos inteligentes de finanças descentralizadas. Quanto maior o TVL, mais o Ethereum está sendo usado pra algo além de especulação. É um indicador de demanda real pela rede.

Outro fator positivo foi a decisão do DTCC (a maior câmara de compensação dos EUA) de obter autorização regulatória pra tokenizar títulos em blockchains. O Ethereum, pela sua posição dominante em contratos inteligentes, é o principal beneficiário desse tipo de movimento.

O que esperar do pregão de hoje

Os mercados asiáticos fecharam mistos, com pressão vendedora moderada em ativos de risco. Os futuros americanos operam em leve queda. O Bitcoin segue pressionado abaixo de US$ 67 mil, e a correlação com o Nasdaq continua elevada neste ciclo.

Pra o investidor brasileiro, a queda do BTC combinada com dólar relativamente estável significa que BDRs de cripto devem abrir no negativo na B3. Se você tem exposição a ativos digitais na carteira, vale acompanhar os desdobramentos do Glamsterdam e o comportamento dos fluxos de ETF nas próximas semanas como termômetros mais confiáveis do que a especulação sobre "Altcoin Season".

Pra quem está começando a montar uma carteira de investimentos, criptoativos podem fazer parte da alocação, mas com parcela limitada e consciência de que a volatilidade é muito superior à da renda variável tradicional. Não caia na armadilha de alocar demais só porque um gráfico de 30 dias parece promissor.

Dominância do Bitcoin: o número que importa

O indicador mais objetivo pra monitorar se uma rotação de fato está acontecendo é a dominância do BTC. Enquanto ela permanecer acima de 55%, o cenário favorece o Bitcoin em detrimento das altcoins. Historicamente, as altcoin seasons começam quando a dominância cai abaixo de 50% de forma sustentada.

Com 58%, o Bitcoin segue como protagonista. O Ethereum pode até ter ganhado a batalha de março, mas a guerra por atenção e capital no mercado cripto ainda está longe de ser decidida.

Quem quer entender melhor como funcionam os canais de preço e análise técnica pra acompanhar esses movimentos vai conseguir ler o gráfico do ETH/BTC com muito mais clareza do que qualquer índice de "season" promete.


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