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Sai Prio (PRIO3), entra Petrobras (PETR4): dividendos com o fim da guerra é o alvo do BTG para abril

Publicado em
1/4/2026
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Sai Prio (PRIO3), entra Petrobras (PETR4): dividendos com o fim da guerra é o alvo do BTG para abril. Saiba como isso afeta seus investimentos.
Sai Prio (PRIO3), entra Petrobras (PETR4): dividendos com o fim da guerra é o alvo do BTG para abril
Sai Prio (PRIO3), entra Petrobras (PETR4): dividendos com o fim da guerra é o alvo do BTG para abril

O BTG Pactual fez uma troca significativa na sua carteira recomendada de ações para abril de 2026: tirou a PRIO (PRIO3) e colocou a Petrobras (PETR4) no lugar. O motivo? A possibilidade de fim do conflito entre Estados Unidos e Irã, que pode derrubar o preço do petróleo nos próximos meses. E nesse cenário, a estatal brasileira sai na frente em dividendos.

A lógica dos analistas é direta. A PRIO é uma empresa de crescimento, mais sensível à variação do Brent. Já a Petrobras, mesmo com petróleo mais barato, consegue manter uma política de dividendos robusta. Segundo o BTG, ainda que o Brent caia dos atuais US$ 101 para US$ 80 por barril, sem reajuste nos combustíveis, a estatal entregaria cerca de 9% de rendimento de fluxo de caixa livre e 8% de dividend yield em 2026.

É um contraste grande com a PRIO3, que opera com dividend yield na casa dos 2,6%. Pra quem busca renda passiva no setor de petróleo, a matemática ficou mais favorável à Petrobras neste momento.

Por que o fim da guerra muda o jogo do petróleo

O conflito entre EUA e Irã, que começou em 28 de fevereiro de 2026, fechou o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. Isso jogou o Brent acima dos US$ 100 por barril e beneficiou petroleiras como a PRIO, mais alavancada ao preço da commodity.

Só que o cenário começou a mudar. Na terça-feira (31 de março), o presidente Donald Trump afirmou que os EUA "encerrariam" a guerra em duas ou três semanas. Logo depois, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que Teerã está pronta pra encerrar o conflito em troca de garantias de segurança.

O mercado reagiu rápido. O Brent para junho caiu 2,70% nesta quarta-feira (1º de abril), negociado a US$ 101,16 por barril. Chegou a ficar abaixo dos US$ 100 durante o pregão.

Ainda há contradições: o chanceler iraniano Abbas Araghchi chamou o suposto plano de paz de "especulação" e reafirmou que o conflito continua até que o Irã receba indenização. Mas o mercado já precifica uma probabilidade relevante de cessar-fogo nas próximas semanas.

Petrobras: dividendos resilientes mesmo com petróleo mais barato

É exatamente nesse ponto que o BTG justifica a troca. Se o conflito acabar e o petróleo recuar, a PRIO3 perde mais do que a PETR4. A Petrobras tem custos de extração mais baixos no pré-sal, escala gigantesca e uma política de dividendos que distribuiu US$ 3 bilhões só no último trimestre.

As projeções pra 2026 são animadoras. Analistas estimam que a Petrobras pode distribuir entre R$ 2,80 e R$ 3,20 por ação ao longo do ano, no cenário base. Com o petróleo acima de US$ 100, esse valor pode chegar a R$ 5,00 por ação. Mesmo no cenário conservador, com Brent a US$ 60, o dividend yield projetado fica em torno de 8%.

A PETR4 acumula alta de cerca de 56% em 2026 e negocia ao redor de R$ 47. Mesmo assim, o BTG elevou a recomendação pra compra, com preço-alvo de US$ 21 por ADR, equivalente a aproximadamente R$ 56 por ação. Ou seja, o banco enxerga mais 19% de upside, além dos dividendos.

Pra entender como funciona a data-com e data-ex nos dividendos, vale dar uma olhada no conceito antes de montar posição.

PRIO3: por que saiu da carteira

A saída da PRIO3 não significa que o BTG deixou de gostar da empresa. A questão é timing e risco assimétrico. A PRIO é uma junior oil focada em crescimento, com aquisições agressivas de campos maduros e produção em expansão. Isso funciona muito bem quando o petróleo sobe. Quando cai, o impacto é maior.

O dividend yield atual da PRIO3 gira em torno de 2,6%, com distribuição de R$ 0,60 por ação nos últimos proventos. Segundo o Itaú BBA, o retorno total (dividendos mais recompra de ações) pode chegar a 11% a 29% em 2026, dependendo do Brent. Mas essa faixa larga mostra justamente a volatilidade: se o petróleo cair forte, a PRIO entrega bem menos.

A Petrobras, por outro lado, mantém previsibilidade. Seu custo de extração no pré-sal é um dos mais baixos do mundo, e a política de preços de combustíveis cria uma espécie de "colchão" pra geração de caixa. Não é coincidência que o BTG preferiu trocar.

Comparação direta: PETR4 vs PRIO3 em dividendos

Pra quem quer montar uma carteira focada em dividendos, vale entender as diferenças entre as duas petroleiras.

Petrobras (PETR4)

O dividend yield projetado pra 2026 é de 8% a 10%, dependendo do preço do petróleo. A estatal distribui proventos trimestralmente, geralmente em duas parcelas. No último pagamento confirmado, referente ao 3T25, o valor foi de R$ 0,94 por ação (duas parcelas de R$ 0,4716). A empresa tem histórico consistente de distribuição e é a maior pagadora de dividendos do setor de energia na América Latina.

PRIO (PRIO3)

O dividend yield atual fica na casa dos 2,6%, com R$ 0,60 por ação no último pagamento. A PRIO compensa isso com potencial de valorização da ação. Mas pra quem prioriza renda passiva recorrente, o yield é bem inferior ao da Petrobras.

Quem quiser se aprofundar nas melhores ações para dividendos em 2026, pode conferir a análise completa do setor.

O que mais mudou na carteira do BTG pra abril

A troca de PRIO3 por PETR4 foi a mais chamativa, mas o BTG mexeu em outras posições. Três mudanças ao todo:

Embraer (EMBR3) entrou no lugar da Aura Minerals (AURA33). A fabricante de aeronaves sofreu correção forte em março, com a aversão a risco global. O BTG vê a queda como oportunidade, já que os fundamentos da empresa seguem sólidos, com carteira de pedidos recorde e câmbio favorável.

Cury (CURY3) entrou no lugar da StoneCo. O banco aposta no crescimento do segmento de habitação popular, com expectativa de alta de 35% no lucro por ação em 2026. A Cury se beneficia do programa Minha Casa, Minha Vida e da demanda resiliente na baixa renda.

Allos (ALOS3) teve o peso reduzido pela metade, de 10% pra 5%. A operadora de shoppings segue na carteira, mas com exposição menor.

O restante da carteira 10SIM manteve Itaú (ITUB4), Nubank (ROXO34), Eneva (ENEV3), Localiza (RENT3) e a própria Allos com peso ajustado.

Contexto macro: o que esperar do petróleo

O grande ponto de interrogação pra quem investe em petroleiras é o rumo do conflito no Oriente Médio. O Estreito de Ormuz fechado desde fevereiro criou um choque de oferta que impulsionou o Brent acima dos US$ 100. Vários países decidiram liberar reservas estratégicas de petróleo pra conter a alta.

Se o cessar-fogo se confirmar nas próximas semanas, como Trump sugere, o Brent pode recuar pra faixa de US$ 75 a US$ 85 por barril. Nesse cenário, a Petrobras se sairia melhor do que a PRIO em termos de geração de caixa e dividendos.

Mas se as negociações fracassarem e o conflito se prolongar, o petróleo pode voltar a subir. Nesse caso, a PRIO3 seria a mais beneficiada. O BTG está apostando no primeiro cenário.

Vale lembrar: a decisão de um banco de investimento reflete a visão dos analistas naquele momento. Não é recomendação de compra ou venda. Cada investidor precisa avaliar seu perfil de risco e seus objetivos antes de montar posição.

Quanto preciso pra investir em PETR4

Com a ação negociando ao redor de R$ 47, o investidor consegue comprar um lote fracionário com pouco capital. Se a projeção de R$ 3,20 por ação em dividendos se confirmar, isso representa um yield de 6,8% sobre o preço atual. Com R$ 5,00 por ação no cenário otimista, o yield sobe pra 10,6%.

Pra quem quer calcular quanto precisa pra viver de dividendos, a Petrobras é uma das ações mais populares nesse tipo de simulação. Mas é importante diversificar: concentrar tudo numa única ação, por mais sólida que seja, aumenta o risco desnecessariamente.

O que observar nos próximos dias

O mercado vai acompanhar de perto três vetores que afetam diretamente a tese do BTG pra PETR4:

Primeiro, o desdobramento das negociações entre EUA e Irã. Qualquer sinal concreto de cessar-fogo pode derrubar o petróleo rapidamente e validar a troca de PRIO3 por PETR4.

Segundo, a política de preços da Petrobras. A estatal não reajustou combustíveis mesmo com o Brent acima de US$ 100, o que gerou defasagem. Se o petróleo cair, essa defasagem se resolve sozinha, preservando as margens.

Terceiro, o próximo anúncio de dividendos da Petrobras, referente ao 4T25 e ao 1T26. Os resultados devem refletir trimestres com petróleo elevado, o que favorece proventos gordos nos próximos meses.

A troca feita pelo BTG mostra uma leitura pragmática do momento: num cenário de incerteza sobre o petróleo, é melhor estar posicionado na empresa que paga mais dividendos com menor exposição à queda da commodity. A Petrobras, com seu custo de extração baixo no pré-sal e compromisso com distribuição de proventos, se encaixa nesse perfil melhor do que a PRIO agora.


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