
O Ibovespa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alta acumulada de 16,35%, o melhor desempenho trimestral desde o quarto trimestre de 2020. A bolsa brasileira liderou o ranking de investimentos com folga, turbinada por um fluxo estrangeiro de R$ 42,56 bilhões nos três primeiros meses do ano. De quebra, nesta quarta-feira (1), primeiro pregão de abril, o índice fechou aos 187.952 pontos, em alta de 0,26%, chegando a flertar com os 189 mil na máxima do dia.
Do outro lado do placar, o bitcoin caiu 27,22% no trimestre, no pior resultado desde meados de 2022. O ouro avançou 7,18%, mas devolveu boa parte dos ganhos em março, quando recuou 10,42%. Já os títulos do Tesouro e o CDI, que tinham reinado absolutos em 2025, ficaram bem atrás da renda variável.
A resposta curta é: dinheiro gringo. O investidor estrangeiro entrou com tudo na B3 no começo do ano, aproveitando dois movimentos simultâneos. De um lado, a incerteza política nos Estados Unidos, com as idas e vindas de Donald Trump em tarifas comerciais, fez muita gente realocar capital pra fora da bolsa americana. Do outro, o Brasil surgiu como destino atrativo, com juros altos (Selic a 15%), desconto histórico nas ações e expectativa de corte de juros no segundo semestre.
Só em janeiro, o saldo de investimento estrangeiro na B3 foi de R$ 26,4 bilhões, o maior fluxo mensal desde fevereiro de 2022. Fevereiro trouxe mais R$ 16,9 bilhões. Esse rio de dinheiro empurrou o Ibovespa de recordes em recordes, com o índice renovando máximas históricas durante o trimestre.
Os bancos foram protagonistas da alta. Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) surfaram o apetite do investidor estrangeiro por papéis de alta liquidez e peso no índice. Na sessão de hoje, BBAS3 subiu 2,74% e SANB11 ganhou 1,83%.
Quando você olha o placar do primeiro trimestre, a distância entre o líder e o lanterna impressiona. O Ibovespa ficou em primeiro, com 16,35%. Logo atrás, o IDIV (índice de dividendos) avançou 15,13%, no melhor trimestre desde o início de 2022.
O ouro aparece na terceira posição, com alta de 7,18% no acumulado, puxado por demanda global como ativo de proteção. Mas março foi cruel com o metal, que devolveu 10,42% só no último mês, quando as expectativas de cessar-fogo entre EUA e Irã reduziram a aversão ao risco.
Na lanterna, o bitcoin despencou 27,22%. O pior resultado da criptomoeda desde o segundo trimestre de 2022, época do colapso da Terra/Luna. A combinação de aversão ao risco global, fortalecimento do dólar em março e realização de lucros após a euforia de 2024 e 2025 derrubou o ativo digital.
Quem entende de correlação entre investimentos sabe que nesses momentos de rotação, a diversificação de carteira faz toda a diferença.
O CDI entregou cerca de 3,5% no trimestre, com rendimento de 1,16% só em março. Pra quem tinha Tesouro Selic, o retorno foi parecido. O problema foi com quem segurava Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+ de longo prazo. Esses títulos sofrem com a marcação a mercado: quando a curva de juros se abre (ou seja, o mercado passa a exigir taxas maiores), o preço do título cai.
Em março, especificamente, a escalada do conflito no Oriente Médio e a disparada do petróleo acima de US$ 100 assustaram o mercado. A inflação implícita subiu, os juros futuros abriram e os títulos longos apanharam. Quem precisou vender antes do vencimento amargou prejuízo, mesmo com um papel teoricamente "seguro".
O IMA-B 5+ (que mede títulos IPCA+ com vencimento acima de cinco anos) subiu 14,20% em 12 meses, mas a volatilidade no caminho foi grande. Já quem optou por Tesouro Renda+ e vai carregar até o vencimento, não precisa se preocupar com a marcação.
O pregão de hoje (1/4) refletiu o clima do momento. O Ibovespa subiu 0,26%, puxado pelos bancões, mas a Petrobras (PETR4) caiu 2,67% depois que o petróleo Brent recuou 2,70%, pra US$ 101,16 o barril. A expectativa de cessar-fogo entre EUA e Irã derrubou a commodity, e a estatal sentiu o impacto direto.
O dólar fechou em queda de 0,42%, cotado a R$ 5,1566. A moeda americana vem perdendo força conforme o fluxo estrangeiro segue positivo e a percepção de risco sobre o Brasil melhora.
Destaque também pra Embraer (EMBR3), que decolou 4,74%, e Gerdau (GGBR4), com alta de 3,79% após elevação de recomendação por um grande banco. Wall Street operou no positivo, sustentando o humor global.
Em 2025, a renda fixa era a queridinha. CDI pagando mais de 1% ao mês, Selic nas alturas e bolsa patinando. Quem ficou 100% alocado em renda fixa teve um ano tranquilo. Mas o jogo virou em 2026.
Com a expectativa de que o Banco Central comece a cortar juros no segundo semestre, os investidores começaram a antecipar o movimento. Ações de empresas com dívida alta, do setor imobiliário e de consumo foram as que mais subiram, precificando um ambiente de juros menores lá na frente.
Pra quem acompanha o beta dos ativos, essa rotação faz sentido. Quando o ciclo de juros muda, os papéis de maior sensibilidade são os que mais reagem, tanto pra cima quanto pra baixo.
Na comunidade da Traders, a discussão sobre essa rotação de carteira tá quente. Muita gente que estava 100% em renda fixa no ano passado vem aumentando posição em renda variável de forma gradual, aproveitando as oportunidades que surgiram.
O segundo trimestre começa com o Ibovespa nos 188 mil pontos e uma série de variáveis em aberto. O conflito no Oriente Médio segue como principal fator de risco global, com o petróleo acima de US$ 100 pressionando inflação no mundo todo. Se vier um cessar-fogo, a commodity pode recuar forte, aliviando pressão sobre juros aqui e lá fora.
Na agenda doméstica, o mercado vai monitorar os próximos passos do Copom, comandado por Gabriel Galípolo. A Selic em 15% está no patamar mais alto em anos, e qualquer sinalização de corte antecipado pode dar mais combustível pra bolsa.
O fluxo estrangeiro é a variável mais importante. Se o gringo continuar despejando dinheiro na B3, a tendência de alta se mantém. Mas atenção: quando a maré vira, ela vira rápido. O setor de energia na bolsa, por exemplo, tá diretamente exposto à volatilidade do petróleo.
Quem surfou os 16% de alta no primeiro trimestre precisa lembrar que, na hora de realizar o lucro, o Leão vem junto. Operações com ações acima de R$ 20 mil por mês pagam 15% de imposto sobre o ganho de capital (20% no day trade). Vale revisar como funciona o IR sobre investimentos pra não ter surpresas na declaração.
O primeiro trimestre de 2026 vai ficar marcado como o momento em que a bolsa brasileira reassumiu o protagonismo. Com R$ 42 bilhões de capital estrangeiro, o melhor trimestre em cinco anos e um índice flertando com os 190 mil pontos, o recado do mercado é claro: a renda variável voltou ao jogo. Mas como todo investidor experiente sabe, a festa pode mudar de cenário no próximo trimestre. Disciplina e diversificação continuam sendo as melhores estratégias.
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