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Bradesco e mais 15 empresas anunciam dividendos na semana; veja quem paga

Publicado em
1/4/2026
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Bradesco e mais 15 empresas anunciam dividendos na semana; veja quem paga. Entenda o impacto nos seus investimentos. Veja o que muda pro investidor.
Bradesco e mais 15 empresas anunciam dividendos na semana; veja quem paga
Bradesco e mais 15 empresas anunciam dividendos na semana; veja quem paga

O Bradesco (BBDC4) aprovou a distribuição de R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP), com data-base em 6 de abril de 2026. Quem tiver as ações até o fechamento desse dia garante o direito ao provento. A partir de 7 de abril, os papéis passam a ser negociados "ex-direito", ou seja, sem direito a esse pagamento.

O valor bruto é de R$ 0,2703 por ação ordinária (BBDC3) e R$ 0,2973 por ação preferencial (BBDC4). Com a retenção de 17,5% de Imposto de Renda na fonte (alíquota atualizada pela Lei Complementar 224/25), o valor líquido cai pra R$ 0,2230 por ON e R$ 0,2453 por PN.

O pagamento está previsto pra 30 de outubro de 2026. É uma distribuição extraordinária, aproximadamente 15,7 vezes maior que os proventos mensais regulares do banco. Esse JCP será considerado no cálculo dos dividendos obrigatórios do exercício de 2026.

Quanto rende R$ 10 mil em BBDC4 com esse JCP

Pra dar uma dimensão prática: com a ação negociada na faixa de R$ 19,13, quem tem R$ 10 mil investidos em BBDC4 possui cerca de 523 ações. Multiplicando pelo valor líquido de R$ 0,2453, o retorno desse JCP específico seria de aproximadamente R$ 128,25. Não é pouco pra um pagamento avulso, considerando que o banco também distribui proventos menores todo mês.

Nos últimos 12 meses, o dividend yield do BBDC4 ficou em 7,77%, equivalente a R$ 1,34 por ação em proventos acumulados. A cotação da ação subiu cerca de 60% no período, o que significa um retorno total ao acionista acima de 60%. Quem comprou Bradesco há um ano tá colhendo uma safra generosa.

Por que o Bradesco está distribuindo tanto

O contexto ajuda a entender a decisão. O Bradesco vem numa sequência de recuperação operacional consistente. No 4T25, o banco lucrou R$ 6,5 bilhões, alta de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024. O ROE (retorno sobre patrimônio) subiu pra 15,2%, avanço de 2,5 pontos percentuais na comparação anual.

No acumulado de 2025, o lucro recorrente atingiu R$ 24,65 bilhões, crescimento de 26%. É o terceiro ano consecutivo de melhora nos resultados, consolidando a virada de página após o período mais difícil de inadimplência elevada que pressionou o banco entre 2022 e 2023.

Com a rentabilidade voltando a superar o custo de capital (algo que não acontecia há trimestres), a diretoria se sentiu confortável pra fazer uma distribuição mais robusta. O JCP de R$ 3 bilhões funciona como um acerto de contas com o acionista depois de anos de proventos mais contidos.

Bradesco vs. Itaú e Banco do Brasil: quem paga mais

A comparação com os pares é inevitável. Vamos aos números.

O Itaú (ITUB4) segue como o bancão mais rentável. No 4T25, entregou lucro recorde de R$ 12,3 bilhões (+13,2% ano a ano), com ROE de 24,4%. O dividend yield projetado pro Itaú gira em torno de 9,5%, acima do Bradesco. A diferença de rentabilidade entre os dois ainda é relevante, com quase 9 pontos percentuais de vantagem no ROE.

O Banco do Brasil (BBAS3), por outro lado, atravessa uma fase mais difícil. O lucro no 4T25 foi de R$ 5,7 bilhões, até acima do consenso de mercado, mas representou uma queda de 40% na comparação anual. O ROE despencou pra 12,4% (contra 20,8% no 4T24), puxado pela inadimplência no agronegócio. O dividend yield ficou em 3,6% nos últimos 12 meses, bem abaixo dos rivados privados.

Resumindo a fotografia:

Itaú: lucro de R$ 12,3 bi no 4T25, ROE de 24,4%, yield de ~9,5%.
Bradesco: lucro de R$ 6,5 bi no 4T25, ROE de 15,2%, yield de 7,77%.
Banco do Brasil: lucro de R$ 5,7 bi no 4T25, ROE de 12,4%, yield de 3,6%.

O Bradesco está no meio do caminho. Não tem a rentabilidade do Itaú, mas mostra uma trajetória de recuperação que nenhum dos outros dois apresenta. É a ação com maior potencial de re-rating entre os grandes bancos, o que explica a valorização de 60% nos últimos 12 meses.

Mais 15 empresas anunciaram dividendos na mesma semana

O Bradesco não foi o único a abrir a carteira na última semana. Outras 15 empresas também anunciaram proventos. Algumas se destacam pelo volume ou pelo yield:

JBS (JBSS3) aprovou dividendo de US$ 1 por ação, com data-com em 18 de maio e pagamento previsto pra 17 de junho. É um provento polpudo, típico do momento excepcional que a empresa vive com a dupla listagem.

Localiza (RENT3) distribuirá R$ 571,79 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,5221 por ação. A data-com foi 27 de março, com pagamento em 22 de maio.

Allos (ALOS3), do setor de shoppings, anunciou R$ 438 milhões entre dividendos e JCP, ou R$ 0,88 por ação. Data-com em 27 de março e pagamento em 9 de abril.

Vibra (VBBR3) aprovou R$ 393,5 milhões em JCP, a R$ 0,3299 por ação.

Na lista, ainda apareceram Eternit (ETER3) com R$ 10,5 milhões em dividendos (R$ 0,1707 por ação, em duas parcelas), Dimed (PNVL3) com R$ 13 milhões em JCP, Banestes (BEES3), Track&Field (TFCO4), Multiplan (MULT3) e Porto (PSSA3), entre outras.

Data-com e data-ex: como não perder o provento do Bradesco

Se você quer receber esse JCP do Bradesco, precisa ter as ações BBDC3 ou BBDC4 na carteira até o fechamento do pregão de 6 de abril de 2026. Esse é o último dia.

No dia seguinte, 7 de abril, as ações já negociam sem direito ao provento. Quem comprar a partir dessa data não recebe nada. Pra entender melhor como funciona essa mecânica, vale conferir o guia sobre Data Ex e Data Com (Dividendos): o que é e como funciona.

Um detalhe importante: o pagamento só cai na conta em 30 de outubro. São quase sete meses de espera. Isso é comum em JCP extraordinários de grandes bancos. A vantagem tributária do JCP (o banco deduz o valor da base de cálculo do imposto de renda) compensa o prazo mais longo do ponto de vista da empresa.

JCP vs. dividendo: qual a diferença prática pra você

No caso do Bradesco, o provento é JCP (juros sobre capital próprio), não dividendo. A diferença prática é que o JCP sofre retenção de IR na fonte. Antes, a alíquota era de 15%. Mas com a sanção da Lei Complementar 224/25, a tributação subiu pra 17,5%, o que explica o valor líquido um pouco menor do que o mercado inicialmente projetava.

O Bradesco inclusive retificou os valores líquidos após a sanção da nova lei. Pra quem é pessoa física, o imposto já vem descontado automaticamente. Não precisa se preocupar com DARF adicional pra esse provento específico.

Contexto do setor bancário em 2026

O setor de bancos é historicamente um dos maiores pagadores de proventos da B3. E 2026 promete ser um ano generoso. Com a Selic ainda em patamar elevado, as margens de intermediação financeira seguem saudáveis. Os grandes bancos estão capitalizados e com inadimplência controlada (com exceção do agro no caso do BB).

O Bradesco, especificamente, vem de uma reestruturação profunda. Sob o comando de Marcelo Noronha, que assumiu a presidência em 2024, o banco reorganizou unidades de negócio, cortou custos e acelerou a digitalização. O resultado dessa virada começa a aparecer nos números, e a distribuição bilionária de JCP é um sinal claro de que a administração enxerga espaço pra ser mais generosa com o acionista.

Pra quem monta carteira de dividendos ou estuda o setor bancário, vale conferir o artigo sobre como analisar balanços de empresas e investir melhor. Os indicadores de rentabilidade (ROE), eficiência operacional e inadimplência são os três pilares pra avaliar qualquer banco.

Dividend yield do Bradesco está atrativo?

Com yield de 7,77% nos últimos 12 meses, o Bradesco se posiciona entre os melhores pagadores do setor. Não é o maior (o Itaú entrega mais), mas tá longe de ser modesto. E aqui entra um ponto que muita gente ignora: o yield tende a crescer se o banco continuar melhorando a rentabilidade.

A lógica é simples. Com o lucro crescendo 26% ao ano e a tendência de melhora no ROE, é provável que as distribuições aumentem nos próximos trimestres. O mercado já precifica parte dessa expectativa na cotação (daí a alta de 60% em 12 meses), mas o payout ratio ainda tem espaço pra subir.

Quem quer se aprofundar no tema de proventos pode conferir o guia quanto preciso pra viver de dividendos e o artigo sobre melhores ações para dividendos em 2026.

O que esperar dos próximos proventos do Bradesco

Além desse JCP extraordinário de R$ 3 bilhões, o Bradesco mantém a prática de distribuir proventos menores mensalmente. O valor mensal regular gira em torno de R$ 0,017 por ação PN, pagos como dividendo ou JCP intermediário.

O guidance do banco pra 2026 projeta crescimento de carteira de crédito entre 4% e 8%, margem financeira avançando de 7% a 11% e custo de crédito sob controle. Se os números confirmarem, a distribuição anual total pode superar os R$ 1,50 por ação, o que colocaria o yield projetado acima de 8% no preço atual.

O Bradesco também deve se beneficiar de uma eventual queda na Selic ao longo de 2026, que tenderia a reduzir a inadimplência e melhorar o mix de receitas com tarifas e seguros. O braço de seguros e previdência, aliás, continua sendo uma máquina de geração de caixa que diferencia o Bradesco dos concorrentes diretos.

Pra investidores que também olham pra fora do Brasil, é interessante comparar o yield dos bancos nacionais com o de BDRs de bancos estrangeiros. O artigo sobre dividendos de BDRs: como receber lucros de empresas globais explica como funciona esse fluxo de proventos internacionais.

Com o ROE superando o custo de capital pela primeira vez na retomada, o Bradesco entra numa nova fase. O JCP bilionário de abril é menos um evento isolado e mais o primeiro capítulo de uma política de distribuição que deve se tornar progressivamente mais generosa. O mercado, como sempre, vai calibrar expectativa e realidade trimestre a trimestre.


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