
O GOLD11, principal ETF de ouro da B3, acumula valorização superior a 50% nos últimos 12 meses e se consolida como um dos ativos mais procurados pelos investidores brasileiros em 2026. Com o ouro negociado a cerca de US$ 4.750 por onça-troy, perto de máximas históricas, o fundo já reúne patrimônio próximo de R$ 4 bilhões. O movimento reflete a busca massiva por proteção num cenário de crise geopolítica no Oriente Médio e incerteza comercial global.
Quem acompanha o mercado de perto sabe que não é só o ouro. O CMDB11, ETF que reúne ações brasileiras ligadas a commodities, avançou 27% em 12 meses, puxado pela disparada do petróleo. Já os BDRs de prata (BSIL39 e SIVR39) entregaram retornos acima de 130% em 2025. O mercado de ETFs de commodities na B3 vive um momento que não se via há anos.
A resposta curta: Estreito de Ormuz. Desde que os EUA e Israel realizaram ataques aéreos contra o Irã no fim de fevereiro, o Irã bloqueou parcialmente a navegação pelo estreito. Antes da crise, 25% do petróleo transportado por mar e 20% do GNL global passavam por ali. Foi a maior interrupção no fornecimento de energia desde a crise do petróleo dos anos 1970.
O petróleo Brent saltou de cerca de US$ 70 o barril antes do conflito para mais de US$ 110 no pico, em 9 de abril. No mesmo dia, notícias de um cessar-fogo entre EUA e Irã derrubaram a cotação pra perto de US$ 96. Mas o preço segue muito acima dos níveis pré-crise. O índice de preços de energia subiu 41,6% só em março.
O ouro, por sua vez, é o porto seguro clássico. Com guerra no Oriente Médio, tarifas americanas e incerteza global, investidores do mundo inteiro correram pro metal. Analistas já projetam o ouro a US$ 5.000 por onça até o fim de 2026.
A B3 ampliou bastante a prateleira nos últimos dois anos. Foram lançados quase 60 novos ETFs só em 2025, praticamente um por semana. O número de investidores em ETFs na bolsa brasileira cresceu 24% no mesmo período. Pra quem quer exposição a commodities, as opções hoje são bem variadas.
O GOLD11 (XP Vista Asset) segue como o mais líquido e popular, com taxa de administração de 0,30% e patrimônio perto de R$ 4 bilhões. Ele replica o preço do ouro em dólar (LBMA Gold Price), então o investidor ganha tanto na valorização do metal quanto na alta do dólar frente ao real.
Em 2025, a B3 lançou o índice IFGOLD, baseado nos contratos futuros de ouro negociados na própria bolsa. Dois novos ETFs surgiram a partir dele: o GOLB11 (BTG Pactual), primeiro ETF de futuro de ouro do Brasil, e o GLDI11 (Itaú Asset). O GOLB11 tem uma característica interessante: combina exposição ao ouro com rendimento atrelado ao CDI, via Letras Financeiras do Tesouro.
O CMDB11 (BTG Pactual) reúne ações de empresas brasileiras exportadoras de commodities. Pense em Petrobras, Vale, JBS, Suzano. Com a alta do petróleo e do minério, o fundo entregou 27% de retorno em 12 meses. É uma forma de ganhar exposição indireta às commodities, mas via ações listadas na B3.
Já o MATB11 (Itaú Asset) acompanha o índice de Materiais Básicos da B3 (IMAT). Ele teve um 2024 difícil, com queda de quase 12%, mas vem se recuperando com o cenário mais favorável pra mineração e siderurgia. Se você quer entender melhor como funcionam os ETFs e suas estruturas, vale estudar antes de alocar.
Menos conhecidos, mas relevantes: o BBOI11 acompanha o futuro de boi gordo na B3, com taxa de 0,45%. Rendeu cerca de 2,7% em 2024, mas sua função é mais de diversificação e hedge do que de retorno agressivo. O CORN11 faz o mesmo com milho. São opções pra quem quer exposição ao agro brasileiro via bolsa.
Pra quem quer ir além do ouro, os BDRs de ETFs de prata foram a grande surpresa de 2025. O BSIL39, que replica o Global X Silver Miners, entregou 131% de retorno. O SIVR39, focado em prata física, acompanhou de perto com 130%. São BDRs de ETFs internacionais negociados na B3, em reais. Quem quiser entender melhor como funcionam os ETFs temáticos na B3, tem material disponível.
Em 8 de abril, EUA e Irã anunciaram um cessar-fogo frágil, com planos de reabrir o Estreito de Ormuz. O petróleo caiu mais de 12% no dia seguinte. Mas é cedo pra cravar que a crise acabou.
O acordo ainda é preliminar. Analistas alertam que a reabertura completa do estreito pode levar semanas, e qualquer escalada pode reverter tudo. Enquanto isso, os estoques de minério de ferro nos portos chineses bateram recorde de 177,5 milhões de toneladas, o que pressiona o preço do minério pra baixo (cotado a cerca de US$ 100 a tonelada). Ou seja, nem todas as commodities estão no mesmo barco.
Na comunidade da Traders, os traders estão divididos. Uma parte defende manter posição em ouro como proteção, argumentando que a incerteza geopolítica vai durar. Outra parte vê o cessar-fogo como oportunidade pra realizar lucros no GOLD11 depois de uma alta de 50%. O debate tá quente.
Além da guerra, o cenário de tarifas nos EUA continua influenciando os preços. Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou as tarifas IEEPA de Trump (aquelas do "Liberation Day" de abril de 2025), mas o governo substituiu por uma tarifa global de 10% via Seção 122, que vale até julho de 2026.
Mais importante pra commodities: em 2 de abril, Trump reforçou as tarifas de metais. Agora são 50% sobre aço, alumínio e cobre puro importados, 25% sobre derivados e 10% sobre metais americanos processados no exterior. Isso sustenta os preços de metais industriais e beneficia indiretamente ETFs como o MATB11, que tem exposição a siderúrgicas brasileiras.
No campo agrícola, a soja segue como moeda de troca. China e EUA firmaram acordo de 25 milhões de toneladas por ano durante 3 anos, mas os volumes reais estão abaixo da média histórica. A soja na CBOT opera a 1.168 cents por bushel, acima de resistências importantes. O milho ronda os 454 cents.
ETFs de commodities não são pra colocar todo o dinheiro. São instrumentos de diversificação e proteção. O ouro, por exemplo, historicamente se valoriza quando bolsas caem ou quando a inflação sobe. As commodities agrícolas e energéticas respondem a ciclos econômicos e choques de oferta.
Pra quem tá começando, o caminho mais simples é o GOLD11 como reserva de valor e o CMDB11 como exposição ao ciclo de commodities via ações brasileiras. Quem quer diversificar mais pode olhar os BDRs de ETFs de prata ou os futuros agrícolas.
Outro ponto importante: boa parte desses ETFs tem exposição cambial embutida. O GOLD11, por exemplo, replica o preço do ouro em dólar. Quando o dólar sobe frente ao real, o ETF sobe junto, mesmo que o ouro em dólar fique parado. Isso pode ser vantagem ou risco, dependendo da sua visão sobre o câmbio e os diferentes tipos de ETFs disponíveis na B3.
O cenário segue favorável pra commodities no curto e médio prazo. Mesmo com o cessar-fogo, o prêmio de risco geopolítico não vai sumir da noite pro dia. O ouro tem espaço pra buscar os US$ 5 mil se a instabilidade persistir. O petróleo deve se acomodar numa faixa entre US$ 85 e US$ 100 caso o Ormuz reabra de fato, mas ficaria acima de US$ 110 se o acordo desmoronar.
A B3 deve continuar lançando novos produtos. O índice IFGOLD já abriu caminho, e gestoras estão de olho em ETFs de energia e metais industriais. O número de investidores em ETFs cresce a cada trimestre. Quem quiser acompanhar as opções de ETFs de cripto e outros ativos alternativos na B3 também encontra cada vez mais liquidez.
O ponto de atenção é a China. Com estoques recordes de minério e crescimento econômico abaixo do esperado, a demanda chinesa por commodities pode decepcionar. Isso afetaria diretamente o CMDB11 e o MATB11, que dependem de empresas exportadoras pra Ásia. A diversificação entre diferentes tipos de commodities, do ouro ao agro, continua sendo a melhor defesa contra surpresas.
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