
Você quer exposição a criptomoedas, mas não quer lidar com carteira digital, seed phrase, exchange gringa e todo aquele estresse de custódia? Então os ETFs de cripto na B3 podem ser exatamente o que você procura. Eles funcionam como qualquer ação na bolsa brasileira: você compra pelo home broker, aparece na sua custódia da B3 e pronto. Sem complicação.
Nos últimos anos, o mercado de criptoativos amadureceu bastante. E uma das provas disso é justamente a chegada de fundos de índice regulados à bolsa brasileira. O Brasil, aliás, foi um dos primeiros países do mundo a listar ETFs de cripto em bolsa regulamentada. Isso mesmo: saímos na frente dos Estados Unidos nessa.
Neste artigo, você vai entender como funcionam os ETFs de cripto listados na B3, conhecer os principais (HASH11, BITH11, ETHE11, QBTC11, QETH11), comparar com a compra direta de criptomoedas e entender os riscos e a tributação envolvida. Bora.
Um ETF (Exchange Traded Fund) é um fundo de investimento negociado em bolsa. No caso dos ETFs de cripto, o fundo replica o desempenho de um índice ou de um ativo digital específico, como o Bitcoin ou o Ethereum.
Na prática, funciona assim: uma gestora cria o fundo, compra os criptoativos (ou contratos futuros deles) e emite cotas que são negociadas na B3. Você compra essas cotas pelo home broker da sua corretora, da mesma forma que compraria uma ação da Petrobras ou do Itaú.
O ponto central é que você não precisa ter uma carteira digital. Não precisa se preocupar com custódia, chaves privadas ou transferências entre blockchains. A gestora faz tudo isso por você. Seu ativo fica registrado na B3, com toda a segurança regulatória que isso implica.
Se você já investe em ETFs globais na B3, o conceito é o mesmo. A diferença é que, em vez de replicar o S&P 500 ou a Nasdaq, esses fundos replicam o desempenho de criptomoedas.
Todos os ETFs de cripto na B3 são regulados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e seguem as mesmas regras de qualquer outro fundo listado. Isso significa auditorias, relatórios periódicos, transparência na composição do fundo e supervisão constante. Pra quem tem receio de entrar no mercado cripto por conta da falta de regulação, os ETFs resolvem boa parte desse problema.
Vamos conhecer os que mais têm liquidez e relevância no mercado brasileiro. Cada um tem uma proposta diferente, então vale entender qual faz mais sentido pro seu perfil.
O HASH11 é o ETF de cripto mais negociado da B3. Gerido pela Hashdex, ele replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), que é um índice composto por várias criptomoedas ponderadas por capitalização de mercado. Na composição, Bitcoin e Ethereum dominam (juntos, representam mais de 90% do índice), mas o fundo também tem exposição a outros ativos como Solana, Chainlink e Litecoin, dependendo da atualização do índice.
Vantagem: diversificação dentro do universo cripto. Em vez de apostar tudo em um único ativo, você tem uma cesta. É o "Ibovespa das criptos", fazendo uma analogia bem simples.
Taxa de administração: 1,0% ao ano (pode variar, confira o regulamento atualizado).
Se você quer exposição direta ao Bitcoin sem mistura, o BITH11 é a opção. Também gerido pela Hashdex, ele replica o Nasdaq Bitcoin Reference Price. Na prática, a cota do BITH11 acompanha o preço do Bitcoin.
Vantagem: simplicidade. Você sabe exatamente o que está comprando. Se o Bitcoin sobe 10%, sua cota sobe algo muito próximo disso (descontada a taxa de administração).
Mesma lógica do BITH11, mas focado no Ethereum. O ETHE11 replica o preço do Ethereum via Nasdaq Ethereum Reference Price. Pra quem acredita no ecossistema de contratos inteligentes, DeFi e tudo que roda na rede Ethereum, esse é o ETF.
A QR Asset Management também tem ETFs de cripto na B3. O QBTC11 replica o Bitcoin e o QETH11 replica o Ethereum. A diferença pro BITH11 e ETHE11 está na gestora e nas taxas (que podem variar). Na prática, o resultado é muito parecido.
Dica: na hora de escolher entre ETFs que replicam o mesmo ativo (tipo BITH11 vs QBTC11), olhe pra três coisas: taxa de administração, liquidez no book e tracking error (o quanto o ETF se desvia do ativo que replica). Às vezes, a diferença de taxa é mínima, mas a liquidez faz muita diferença na hora de comprar e vender.
Essa é a pergunta que não quer calar. Vamos comparar os dois caminhos de forma honesta.
Regulação e segurança: seu investimento está dentro do ambiente regulado da B3. A custódia dos criptoativos é responsabilidade da gestora, que usa custodiantes institucionais (como Coinbase Custody, Fidelity Digital Assets, etc.). Você não corre o risco de perder a seed phrase e ficar sem acesso aos seus Bitcoins pra sempre.
Simplicidade operacional: compra pelo home broker, vende pelo home broker. Aparece no seu extrato junto com suas ações e outros investimentos. Não precisa de conta em exchange, verificação KYC em plataforma gringa ou transferência via blockchain.
Tributação simplificada: a apuração do imposto segue as regras de ETF (vamos detalhar mais adiante). É mais simples do que calcular ganho de capital em operações feitas em exchanges.
Acessibilidade: você pode comprar frações pequenas. Uma cota do HASH11, por exemplo, costuma custar algo entre R$ 20 e R$ 50 (varia com o mercado). Não precisa comprar um Bitcoin inteiro.
Taxas: todo ETF cobra taxa de administração. Quando você compra Bitcoin diretamente numa exchange, não tem essa taxa recorrente (mas tem spread e taxa de transação). No longo prazo, a taxa de administração corrói um pouco do retorno.
Sem propriedade direta: você não tem os criptoativos. Não pode transferir pra uma carteira fria, não pode usar em protocolos DeFi, não pode participar de staking. Se a filosofia do "not your keys, not your coins" é importante pra você, o ETF não serve.
Horário de negociação: os ETFs só negociam durante o horário da bolsa (10h às 17h, dias úteis). Cripto negocia 24/7. Se o Bitcoin despencar no domingo à noite, você só vai conseguir vender na segunda de manhã.
Tracking error: em alguns momentos, o ETF pode não acompanhar o preço do cripto com perfeição. Isso acontece por causa da estrutura do fundo, das taxas e da forma como os ativos são rebalanceados.
Se você quer exposição ao tema cripto dentro da sua carteira de investimentos tradicional, sem complicação operacional, o ETF é imbatível. Especialmente se você já investe na B3 e quer manter tudo no mesmo lugar.
Se você é um entusiasta de cripto que quer interagir com protocolos, fazer staking, participar de airdrops e ter controle total dos seus ativos, a compra direta faz mais sentido. Mas aí é outro perfil.
Além dos ETFs, existe outra forma de investir em cripto pela B3: os BDRs de criptomoedas. Se você quer entender melhor como funcionam, vale ler nosso artigo sobre Bitcoin e Ethereum via BDRs.
A diferença principal é que os BDRs de cripto geralmente replicam ETFs americanos (como o IBIT da BlackRock ou o FBTC da Fidelity). Ou seja, é um "espelho" de um produto lá de fora. Já os ETFs de cripto na B3 (HASH11, BITH11, etc.) são produtos brasileiros, criados por gestoras locais e regulados diretamente pela CVM.
Na prática, ambos dão exposição a criptomoedas. A escolha entre um e outro depende de liquidez, taxa e preferência pessoal. Pra uma visão mais ampla sobre criptomoedas via BDRs, confira também o guia completo de criptomoedas via BDRs.
O processo é bem direto. Veja o passo a passo.
Você precisa de uma conta em corretora que dê acesso à B3. Na Traders Corretora, por exemplo, você compra ETFs de cripto pelo mesmo ambiente em que opera ações, BDRs e outros ativos. E no app da Traders, você acompanha as cotações em tempo real de mais de 20 mil ativos, incluindo os ETFs de cripto, o que facilita na hora de monitorar sua posição.
Defina se quer exposição diversificada (HASH11), só Bitcoin (BITH11 ou QBTC11) ou só Ethereum (ETHE11 ou QETH11). Pense no seu objetivo: quer surfar o tema cripto de forma ampla ou tem convicção em um ativo específico?
Antes de comprar, olhe o volume diário de negociação. HASH11 costuma ser o mais líquido, mas BITH11 também tem boa liquidez. ETFs com pouco volume podem ter spread maior entre compra e venda, o que encarece a operação.
No home broker, digite o ticker (HASH11, BITH11, etc.), escolha a quantidade de cotas e envie a ordem. Pode ser ordem a mercado (executa na hora pelo preço disponível) ou ordem limitada (você define o preço máximo que aceita pagar).
Cripto é volátil. Muito volátil. Então defina antes quanto do seu patrimônio faz sentido alocar nessa classe e não fique olhando o preço a cada 5 minutos. Se a oscilação te tira o sono, talvez o percentual esteja alto demais.
Não dá pra falar de cripto sem falar de risco. E aqui não é diferente.
Bitcoin já caiu mais de 50% em questão de meses e depois recuperou tudo. Ethereum também. Se você não tem estômago pra ver sua posição cair pela metade temporariamente, cuidado. ETFs de cripto não são renda fixa. A volatilidade é consideravelmente maior do que ações.
Governos do mundo inteiro ainda estão definindo como regular criptoativos. Uma mudança regulatória brusca (tipo proibição de mineração em algum país grande) pode derrubar preços da noite pro dia. No Brasil, a regulação está avançando de forma positiva, mas é um risco que existe.
O mercado cripto é influenciado por fatores muito específicos: halving do Bitcoin, atualizações de protocolo (como as do Ethereum), adoção institucional, políticas monetárias dos bancos centrais. É um mercado relativamente jovem e que ainda está definindo seus ciclos.
Nos ETFs mais populares (HASH11, BITH11), a liquidez é boa. Mas em ETFs menores ou mais novos, pode ser difícil comprar ou vender grandes quantidades sem impactar o preço.
Aqui entra um ponto que muita gente ignora (e depois se arrepende). A tributação dos ETFs de cripto na B3 segue regras específicas.
Os ETFs de cripto na B3 são tributados como ETFs de renda variável. O ganho de capital na venda é tributado em 15% pra operações normais e 20% pra day trade (compra e venda no mesmo dia).
Diferente das ações, não existe isenção de R$ 20 mil por mês pra ETFs. Qualquer ganho na venda é tributável, independentemente do valor total vendido no mês. Esse é um detalhe importante que pega muita gente de surpresa.
O investidor é responsável por apurar o ganho e emitir o DARF até o último dia útil do mês seguinte à operação com lucro. O código é 6015 pra operações normais e 6015 também pra day trade (o cálculo muda, mas o código é o mesmo pra ETFs).
Se você opera cripto e outros ativos na bolsa, uma ferramenta como a Sencon (sencon.com.br) ajuda bastante. Ela integra com sua corretora e calcula o DARF automaticamente, sem dor de cabeça.
Quando você compra cripto diretamente em exchange, a tributação é diferente: 15% sobre ganho de capital, mas com isenção pra vendas abaixo de R$ 35 mil no mês (pra ativos em exchanges nacionais). Em exchanges estrangeiras, a regra mudou recentemente e a tributação pode ser diferente. Por isso, muita gente prefere o ETF pela simplicidade.
A maioria dos especialistas sugere que criptoativos representem entre 1% e 10% da carteira total, dependendo do perfil de risco. Pra quem é mais conservador, algo entre 1% e 3% já dá exposição ao tema sem comprometer o patrimônio. Pra quem tem mais apetite por risco e entende o mercado, até 10% pode fazer sentido.
O importante é que essa alocação seja intencional e planejada, não um impulso depois de ver o Bitcoin subindo 20% numa semana. Defina o percentual, compre aos poucos (pode fazer aportes mensais, tipo um DCA) e rebalanceie periodicamente.
E lembre: ETFs de cripto são uma posição de longo prazo pra maioria dos investidores. Não é pra ficar girando. A volatilidade do curto prazo vai te estressar à toa se o horizonte for de meses ou anos.
Se você acredita que criptomoedas (especialmente Bitcoin e Ethereum) têm um papel no sistema financeiro do futuro, os ETFs de cripto na B3 são uma das formas mais práticas e seguras de ter exposição a essa classe. Você investe em reais, dentro do ambiente regulado da bolsa, sem se preocupar com custódia ou exchanges.
Mas como qualquer investimento, não é pra colocar dinheiro que você não pode perder. Cripto é volátil, o mercado é jovem e imprevisível. Tenha clareza sobre o percentual da carteira, entenda os riscos e invista com consciência.
Se você quer começar a investir em ETFs de cripto e outros ativos na bolsa brasileira, acesse www.traders.com.br e abra sua conta. A Traders Corretora te dá acesso a todos os ETFs da B3, além de mais de 500 BDRs de empresas, ETFs e criptomoedas do mundo inteiro.
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