
A JBS (JBSS3/JBSS32) reportou lucro líquido de US$ 415 milhões no 4T25, praticamente estável na comparação com o mesmo trimestre de 2024. A receita líquida, por outro lado, bateu recorde: US$ 23,06 bilhões, alta de 15,5% na base anual. No acumulado de 2025, o lucro líquido somou US$ 2 bilhões (crescimento de 13%), com receita anual recorde de US$ 86,2 bilhões, um avanço de 12% sobre 2024.
O resultado veio acompanhado de um dividendo gordo: a companhia aprovou o pagamento de US$ 1 por ação, equivalente a um yield de aproximadamente 6,3%, com data de pagamento prevista pra 17 de junho de 2026. A reação do mercado foi imediata. Na NYSE, os papéis da JBS saltaram 8,19%, negociados a US$ 17,04 na tarde de quarta-feira (26).
O EBITDA ajustado no 4T25 alcançou US$ 1,7 bilhão, com margem de 7,4%. Na comparação anual, houve uma compressão de 1,8 ponto percentual na margem, reflexo direto dos custos crescentes do gado nos Estados Unidos. No consolidado de 2025, o EBITDA ajustado somou US$ 6,8 bilhões, com margem de 7,9%.
O lucro por ação (LPA) fechou o ano em US$ 1,89, um avanço de 15% sobre 2024. No 4T25 isolado, o LPA diluído ficou em US$ 0,40, levemente abaixo da estimativa de consenso de US$ 0,41.
Apesar do lucro trimestral estável, o que chamou atenção do mercado foi a capacidade da JBS de gerar caixa mesmo com ventos contrários. O fluxo de caixa livre no 4T25 foi de US$ 990 milhões (cerca de R$ 5 bilhões), superando com folga a projeção da XP de R$ 3,8 bilhões. No ano, a geração de caixa livre ficou ao redor de US$ 400 milhões.
A diversificação geográfica e de proteínas, que é a principal tese de investimento da JBS, mostrou sua força no 4T25. Três divisões se destacaram como pilares de rentabilidade:
A Seara entregou margem EBITDA de 16,9% no acumulado de 2025, impulsionada pelo maior volume de exportação da sua história. Mesmo enfrentando restrições temporárias em mercados como China e Europa, a unidade de aves e processados do Brasil compensou com desempenho robusto no mercado doméstico. É a operação que mais surpreendeu positivamente no balanço.
A Pilgrim's Pride, operação de aves nos EUA, fechou 2025 com receita de US$ 18,5 bilhões (alta de 3,5%) e margem EBITDA de 15,2%. Houve um leve recuo frente ao ano anterior (quando a margem foi de 16%), mas o patamar segue saudável. A operação se beneficia da tendência de substituição proteica: com o preço da carne bovina nas alturas, o consumidor americano migra pra frango.
A JBS Austrália foi o destaque absoluto do balanço. A receita saltou 21,5%, alcançando US$ 8,08 bilhões no ano, e a margem operacional ajustada expandiu de 7,4% pra 9,4%. A recuperação do rebanho australiano e a demanda global aquecida por carne bovina de qualidade explicam esse desempenho.
Se tem uma divisão que puxa o resultado pra baixo, é a JBS Beef North America. A operação de carne bovina nos Estados Unidos registrou receita recorde de US$ 28 bilhões em 2025, mas operou com margens espremidas. O motivo é estrutural: o rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, o que eleva o custo do gado a patamares históricos.
Pra uma empresa que processa carne, pagar mais caro pela matéria-prima e nem sempre conseguir repassar isso pro consumidor final é uma equação difícil. Ainda assim, o fato de a divisão ter mantido margem positiva no 4T25 surpreendeu parte dos analistas, que esperavam números piores.
A operação de suínos nos EUA (US Pork) navegou em sentido oposto. Com a carne bovina batendo preços recordes, muitos consumidores americanos migraram pro porco, mais acessível. O resultado: receita recorde e margem EBITDA de 9,8%, sustentada pela forte demanda doméstica e pela expansão de produtos de marca.
A alta de mais de 8% na NYSE após o balanço reflete alguns fatores combinados. Primeiro, a receita superou as projeções do mercado. Segundo, a geração de caixa veio muito acima do esperado. Terceiro, divisões como Austrália e Seara entregaram resultados acima do consenso. E quarto, a margem positiva em Beef North America, quando muitos esperavam prejuízo operacional, trouxe alívio.
O BTG Pactual reforçou a JBS como top pick no setor de alimentos após o resultado, chamando atenção pro yield de 6,3% do dividendo anunciado. A leitura geral é que a diversificação funciona como amortecedor: quando uma proteína sofre, outra compensa.
Pra quem acompanha a empresa pela B3 via BDRs (JBSS32), vale lembrar que a JBS completou sua migração pra listagem primária na NYSE em 2025. Isso significa que o papel mais líquido hoje é o negociado nos EUA, mas o BDR segue como porta de entrada pra investidores brasileiros.
O balanço foi forte, mas o cenário à frente tem obstáculos relevantes. Na teleconferência de resultados, o CEO Gilberto Tomazoni destacou três preocupações principais pra 2026:
Custos do gado nos EUA: a disponibilidade de gado deve continuar caindo ao longo de 2026. Isso significa que a pressão sobre as margens de Beef North America não vai aliviar tão cedo. O ciclo pecuário americano é longo, e a recomposição do rebanho pode levar anos.
Custos de milho em alta: o milho é insumo fundamental pra ração de aves e suínos. Com cotações em alta, Pilgrim's Pride, Seara e US Pork podem sentir o impacto nos custos de produção ao longo do ano.
Oferta de aves no Brasil: os avanços de cerca de 10% no alojamento de matrizes no Brasil em 2025 tendem a gerar maior oferta de frango ao longo de 2026, o que pode pressionar preços e, consequentemente, as margens da Seara no mercado doméstico.
A JBS segue como a maior processadora de proteínas do mundo, com presença em mais de 20 países. No cenário brasileiro de frigoríficos listados, a empresa compete com Minerva (BEEF3) e BRF (BRFS3), cada uma com perfis distintos.
A Minerva é mais concentrada em carne bovina e exportações pra mercados emergentes. A BRF, dona da Sadia e Perdigão, compete diretamente com a Seara em aves e processados. Mas nenhuma rival tem a diversificação geográfica e de proteínas que a JBS construiu.
Essa diversificação é o que permite à companhia entregar receita recorde mesmo quando seu maior segmento individual opera sob pressão. Enquanto o gado americano sofre, o frango brasileiro exporta em volumes recordes, a Austrália se recupera e o suíno americano captura demanda.
Pra investidores que acompanham os fundamentos por meio de ações preferenciais e ações ordinárias, a JBS negocia hoje com um múltiplo EV/EBITDA que reflete tanto o otimismo com a diversificação quanto a cautela com o ciclo do gado.
Receita líquida de US$ 23,06 bilhões no trimestre, alta de 15,5% na base anual. Lucro líquido de US$ 415 milhões, estável frente ao 4T24. EBITDA ajustado de US$ 1,7 bilhão, com margem de 7,4%. Fluxo de caixa livre de US$ 990 milhões no trimestre. Dividendo de US$ 1 por ação aprovado, com yield de 6,3%. Receita anual recorde de US$ 86,2 bilhões. Lucro anual de US$ 2 bilhões, crescimento de 13%.
O balanço da JBS no 4T25 mostra uma empresa que consegue navegar ciclos adversos sem grandes tropeços, apoiada na sua principal vantagem competitiva: não depender de uma única proteína nem de um único mercado. O desafio pra 2026 é manter esse equilíbrio com custos subindo em várias frentes ao mesmo tempo.
Aviso Legal
O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.
As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.
Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.
Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.
A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.