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Câmbio dispara: real atinge menor valor em 18 meses

Publicado em
18/3/2026
Câmbio dispara: real atinge menor valor em 18 meses
Câmbio dispara: real atinge menor valor em 18 meses
Câmbio dispara: real atinge menor valor em 18 meses

A Super Quarta de 18 de março entregou tudo o que prometia. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, elevou a projeção de inflação e jogou um balde de água fria nas expectativas de cortes. No Brasil, o Copom foi na direção oposta e cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, pra 14,75% ao ano, o primeiro corte em quase dois anos. No meio disso tudo, o petróleo Brent disparou 5% e chegou a US$ 109 o barril depois de ataques a instalações de energia iranianas. O resultado: Wall Street derreteu, o Ibovespa recuou 0,43% e o dólar pressionou pra cima.

O dia foi de tensão do início ao fim. Com tantas variáveis na mesa, os investidores operaram na defensiva e o volume na B3 bateu R$ 30,8 bilhões. Quem não acompanhou o pregão, aqui vai o panorama completo.

Fed mantém juros e reduz expectativa de cortes em 2026

O FOMC votou 11 a 1 pela manutenção da taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75%. Até aí, sem surpresa. O problema veio nas entrelinhas.

O dot plot atualizado mostrou que a maioria dos membros agora projeta apenas um corte de juros em 2026. Na reunião de dezembro, a mediana apontava dois cortes. Segundo o próprio Jerome Powell, "quatro ou cinco membros migraram de duas reduções pra apenas uma".

Pior: a projeção de inflação medida pelo PCE subiu de 2,4% pra 2,7% em 2026, tanto no índice cheio quanto no núcleo. Powell foi direto na coletiva: "estamos fazendo progresso na inflação, mas não tanto quanto esperávamos". E completou dizendo que "as expectativas de inflação de curto prazo subiram nas últimas semanas, provavelmente refletindo a alta substancial nos preços do petróleo causada pelas disrupções no Oriente Médio".

Traduzindo: o Fed tá preso. A guerra no Irã empurrou o petróleo pra cima, o que contamina toda a cadeia de preços. Cortar juros agora seria jogar gasolina num incêndio inflacionário.

Wall Street reagiu mal: Dow perdeu 768 pontos

A reação dos mercados americanos foi dura. O Dow Jones despencou 768 pontos (1,63%), fechando em 46.225. O S&P 500 caiu 1,36% pra 6.624 pontos e o Nasdaq recuou 1,46%, encerrando em 22.152.

As perdas se aceleraram durante a coletiva de Powell. Cada frase sobre inflação persistente e incerteza geopolítica pesava mais nas cotações. O mercado entendeu o recado: nada de alívio monetário tão cedo.

O novo mínimo do ano pro Dow Jones mostra o tamanho do pessimismo. Os investidores americanos estão precificando um cenário de juros altos por mais tempo, crescimento mais fraco e inflação mais resistente. Um combo que ninguém queria.

Petróleo a US$ 109: a variável que mudou tudo

O Brent disparou mais de 5% e chegou a US$ 109,73 o barril na quarta, depois de relatos dos primeiros ataques a instalações de petróleo e gás iranianas no conflito. O campo atingido é considerado um dos maiores do mundo em gás natural.

Desde o início da guerra entre EUA/Israel e Irã, em 28 de fevereiro, os preços do petróleo acumulam alta de cerca de 40%. A ameaça ao Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20 milhões de barris por dia (um quinto da oferta global), mantém o mercado em estado de alerta permanente.

Na véspera, o Brent já havia fechado em US$ 103,42, nível mais alto desde o início do conflito. Com os novos ataques, o barril saltou mais de US$ 6 em poucas horas.

Pra o Brasil, petróleo caro é faca de dois gumes. Favorece Petrobras e exportadores de commodities, mas pressiona a inflação doméstica via combustíveis e eleva o custo do frete. A curva de juros brasileira sentiu o impacto ao longo do dia.

Copom corta Selic pra 14,75%: primeiro corte em quase dois anos

Depois do fechamento do mercado, o Copom entregou o que a maioria esperava: um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa pra 14,75% ao ano. A decisão foi unânime entre os sete diretores do comitê.

É a primeira redução desde maio de 2024. Depois de quase dois anos com a Selic estacionada em 15%, o Banco Central entendeu que as condições permitiam iniciar uma flexibilização, mesmo que cautelosa.

O comunicado, porém, foi cuidadoso. Diferente da reunião de janeiro, quando o BC sinalizou o corte de março de forma mais clara, desta vez o Copom deixou os próximos passos em aberto. O texto destaca que a diretoria vai acompanhar "sobretudo o impacto do conflito sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação do Brasil".

O BC também elevou suas estimativas de inflação pra 2026, de 3,4% pra 3,9%. O petróleo mais caro e a incerteza geopolítica são os vilões. Mesmo assim, a diretoria entendeu que o nível de juros ainda é "fortemente restritivo" e que havia espaço pra iniciar o ciclo de corte.

Ibovespa fechou em queda de 0,43%

O Ibovespa encerrou o pregão em 179.639 pontos, queda de 0,43%. Na máxima do dia, chegou a tocar os 181.550 pontos, mas não sustentou.

O índice abriu pressionado pela alta do petróleo e pela expectativa com o Fed. Mesmo com a decisão do Copom já parcialmente precificada, a cautela prevaleceu. Os investidores preferiram esperar o comunicado completo do BC antes de tomar posição.

O dólar comercial operou em alta durante a maior parte do pregão, cotado por volta de R$ 5,24. A moeda americana ganhou força globalmente depois da decisão do Fed. O real sentiu menos que outras moedas emergentes, mas ainda assim não escapou da pressão.

Na comunidade da Traders, os traders passaram o dia discutindo as implicações do petróleo acima de US$ 100 pra inflação brasileira e como o ciclo de corte da Selic pode ser mais curto do que o mercado gostaria.

O que o investidor precisa monitorar agora

A Super Quarta deixou o cenário mais complexo. De um lado, o início do ciclo de corte da Selic é positivo pra bolsa brasileira no médio prazo. Juros menores tendem a empurrar capital pra renda variável e reduzir o custo de financiamento das empresas.

Por outro lado, o Fed sinalizou que pode demorar mais pra cortar juros nos EUA. Isso fortalece o dólar globalmente e dificulta o fluxo de capital pra emergentes. Com o petróleo pressionando a inflação dos dois lados do Atlântico, o espaço pra cortes na Selic pode ser menor do que o mercado projeta.

Os pontos de atenção pras próximas semanas são claros: a evolução do conflito no Oriente Médio e seu impacto no preço do petróleo, os próximos dados de inflação nos EUA (o payroll e o CPI de março serão decisivos) e a ata do Copom, que vai detalhar o raciocínio por trás da decisão e dar pistas sobre o ritmo dos próximos cortes.

Com a Selic ainda em 14,75% e a taxa americana travada em 3,5%-3,75%, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros real do mundo. Isso sustenta a atratividade da renda fixa brasileira no curto prazo, mas também mostra o tamanho do desafio que o Banco Central tem pela frente pra normalizar a política monetária sem perder o controle da inflação.

O mercado agora espera a ata do Copom, prevista pra a próxima semana, e os desdobramentos do conflito no Irã. Qualquer escalada adicional no petróleo pode mudar completamente o cenário de juros, tanto aqui quanto nos Estados Unidos.


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