
A Taesa (TAEE11) reportou lucro líquido regulatório de R$ 313,1 milhões no 4T25, um salto de 56,1% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado veio acima das projeções do mercado e foi impulsionado por menores despesas financeiras e pela entrada em operação de novos ativos de transmissão. No acumulado de 2025, o lucro regulatório somou R$ 1,124 bilhão, crescimento de 13,4% frente ao ano anterior.
A receita líquida atingiu R$ 644 milhões no trimestre, avanço de 10,8% na comparação anual. Já o EBITDA regulatório chegou a R$ 524,3 milhões, alta expressiva de 24,4% contra o 4T24, com margem EBITDA de 81,5%, ou seja, 8,9 pontos percentuais acima do registrado um ano antes.
Os números foram recebidos com otimismo. A combinação de crescimento de receita, controle de custos e menor pressão financeira resultou num trimestre robusto pra uma empresa que já é referência no setor de transmissão de energia elétrica.
Três fatores principais explicam a melhora dos números. O primeiro foi a entrada em operação comercial do projeto Pitiguari, junto com os reforços da Novatrans e da TSN, que passaram a contribuir pra receita de transmissão ao longo do segundo semestre de 2025. Esses ativos adicionaram capacidade ao portfólio da companhia sem um aumento proporcional de custos operacionais.
O segundo fator foi o reajuste positivo do IGP-M e do IPCA no ciclo da Receita Anual Permitida (RAP) 2025-2026. A RAP operacional alcançou cerca de R$ 4 bilhões, crescimento de 8,7% em relação ao ciclo anterior. Pra quem não conhece o termo, a RAP é basicamente a receita que a Aneel autoriza as transmissoras a cobrar pela disponibilidade de suas linhas. Quanto maior o reajuste inflacionário, maior essa receita.
O terceiro ponto foi a queda de 25% nos custos de PMSO (pessoal, material, serviços de terceiros e outros). Essa redução foi determinante pra que o EBITDA crescesse num ritmo muito superior ao da receita. Com margem de 81,5%, a Taesa mostrou uma eficiência operacional que poucas empresas do setor conseguem igualar.
No lado financeiro, a despesa regulatória líquida totalizou R$ 239 milhões no 4T25, uma redução de 16,3% em comparação ao 4T24. Esse alívio nas despesas financeiras foi um dos grandes responsáveis pelo salto de 56% no lucro. A contribuição positiva da linha de imposto de renda, que avançou 635% na comparação, também ajudou a compor o resultado final.
Vale lembrar que o setor de transmissão é intensivo em dívida. A dívida bruta da Taesa encerrou o trimestre em R$ 11,15 bilhões, 6,9% acima do 3T25. Já o caixa ficou em R$ 1,33 bilhão, resultando numa dívida líquida de R$ 9,82 bilhões, 5,5% maior que o trimestre anterior. É um nível de endividamento que precisa de atenção, mas que é típico de concessões de infraestrutura com contratos de longo prazo e receita previsível.
Num cenário de juros elevados, o controle das despesas financeiras é fundamental. A Taesa conseguiu reduzir essa linha mesmo com dívida crescente, o que indica uma gestão ativa do passivo e possivelmente operações de swap ou pré-pagamento em condições favoráveis.
A grande notícia pra quem investe pensando em renda passiva: a Taesa propôs a distribuição de R$ 1,12 bilhão em proventos referentes ao exercício de 2025, o que equivale a R$ 3,26 por unit (TAEE11). O payout é de 100% do lucro líquido regulatório, mantendo a tradição da companhia de devolver praticamente tudo ao acionista.
Especificamente sobre o 4T25, a proposta contempla R$ 52,9 milhões em dividendos mínimos obrigatórios remanescentes e R$ 260,2 milhões em dividendos adicionais. A data de pagamento prevista é 27 de maio de 2026, sujeita à aprovação em assembleia.
O dividend yield dos últimos 12 meses ficou em torno de 7,6%, considerando a cotação atual próxima de R$ 42. É um yield atrativo, especialmente quando comparado a outras opções de renda fixa. Porém, o investidor precisa colocar na balança que parte desse rendimento vem de concessões que têm prazo de vencimento, e a recomposição do portfólio depende de novos leilões.
A Taesa investiu R$ 1,78 bilhão ao longo de 2025, quase o dobro dos R$ 999,6 milhões aplicados em 2024. O salto se explica pelos projetos Tangará, Ananaí e Saíra, que estão em fase avançada de construção. Esses investimentos foram parcialmente compensados pela conclusão de Pitiguari e dos reforços na Novatrans e TSN, que já entraram em operação.
A administração sinalizou que o capex deve diminuir nos próximos trimestres, à medida que os projetos em construção sejam concluídos. Ao mesmo tempo, a companhia mantém no radar a participação em novos leilões de transmissão promovidos pela Aneel e até oportunidades em sistemas de armazenamento com baterias, um segmento que vem ganhando relevância no setor elétrico brasileiro.
A diversificação pra baterias é interessante e pode representar uma nova fonte de receita regulada no médio prazo. Mas ainda é cedo pra contar com isso nos modelos de valuation.
Apesar dos resultados operacionais sólidos, o mercado não está exatamente empolgado com as ações da Taesa. O preço-alvo médio entre os analistas gira em torno de R$ 37,53, abaixo da cotação atual de aproximadamente R$ 42. A maioria das casas de análise mantém recomendação neutra ou de venda, com nenhum analista entre os consultados indicando compra.
A XP Investimentos, por exemplo, mantém recomendação neutra. O consenso do mercado aponta que, embora a Taesa seja uma boa pagadora de dividendos, o preço atual já incorpora boa parte desse benefício. Além disso, há uma preocupação recorrente: parte das concessões mais antigas da Taesa começa a vencer a partir de 2030, o que pode reduzir a RAP futura caso a empresa não consiga recompor o portfólio via novos leilões.
O papel negociou entre R$ 32,84 e R$ 46,11 nos últimos 12 meses. Quem comprou na mínima e manteve a posição captou tanto a valorização quanto os proventos. Mas quem entrou perto da máxima pode estar sentindo o aperto, especialmente se os analistas estiverem certos sobre o valuation esticado.
O segmento de transmissão é considerado um dos mais defensivos do setor elétrico. Diferente de geradoras e distribuidoras, as transmissoras não dependem do preço da energia no mercado spot nem do nível dos reservatórios. A receita é regulada, previsível e corrigida por índices de inflação. É quase como uma renda fixa turbinada, com a vantagem de não ter IOF nem come-cotas.
A Taesa é a maior transmissora privada do Brasil, com cerca de 15 mil quilômetros de linhas de transmissão espalhados por 18 estados. Seu principal concorrente no segmento privado é a ISA CTEEP (TRPL4), controlada pela colombiana ISA. Ambas disputam espaço nos leilões da Aneel, que tendem a se intensificar nos próximos anos com a expansão da matriz renovável (eólica e solar) em regiões distantes dos centros de consumo.
Aliás, essa expansão renovável é uma boa notícia estrutural pra transmissoras. Quanto mais parques eólicos e solares forem instalados no Nordeste e no interior, mais linhas de transmissão serão necessárias pra levar essa energia até o Sudeste. É um ciclo virtuoso que pode alimentar novos leilões e, consequentemente, novas oportunidades de crescimento pra Taesa.
O 4T25 da Taesa foi um trimestre forte por onde se olhe. Receita cresceu, custos caíram, EBITDA disparou e o lucro subiu 56%. A margem EBITDA de 81,5% é impressionante. E a distribuição de R$ 3,26 por unit no ano inteiro mostra o compromisso com o acionista.
Mas existem pontos de atenção que não podem ser ignorados. A dívida líquida de quase R$ 10 bilhões é relevante, e o capex elevado pra projetos em construção pressiona o caixa no curto prazo. Além disso, o vencimento de concessões antigas na próxima década é o elefante na sala. Se a Taesa não vencer novos leilões em volume suficiente, a RAP pode encolher a partir de 2030.
Pra quem busca estratégias mais ativas, o papel não oferece grande assimetria de preço neste momento, segundo o consenso dos analistas. Mas pra investidores focados em dividendos e que entendem o risco de reconcessão, a Taesa continua sendo uma das opções mais consistentes da B3 no quesito geração de caixa e distribuição de proventos.
O próximo catalisador a monitorar é a assembleia de acionistas que vai aprovar (ou não) a distribuição dos R$ 1,12 bilhão em dividendos. Depois disso, os olhos do mercado vão se voltar pra agenda de leilões da Aneel e pros resultados do 1T26, que devem mostrar o impacto pleno dos novos ativos em operação.
Quem acompanha o setor de perto sabe que transmissão é um jogo de paciência. A Taesa já provou que sabe jogar. A questão é se o preço atual da ação reflete de forma justa o que vem pela frente.
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