
A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 está prestes a começar, e os três maiores pesos do Ibovespa vão dominar as próximas semanas. Vale (VALE3) abre a fila com seu relatório de produção no dia 16 de abril e o resultado financeiro completo em 28 de abril. Na sequência, Itaú Unibanco (ITUB4) divulga os números do 1T26 em 6 de maio, e Petrobras (PETR4) fecha o trio em 11 de maio.
O calendário ganha ainda mais relevância num momento em que o índice renova máximas históricas. Nesta quinta-feira (10), o Ibovespa tocou 197 mil pontos pela primeira vez, marcando o 15o recorde de fechamento em 2026. O dólar, por sua vez, recuou pra casa de R$ 5,01. Com esse cenário de otimismo, os balanços do 1T26 podem funcionar como catalisador ou freio de mão pra Bolsa nas próximas semanas.
A safra de resultados do 1T26 concentra a maioria das divulgações entre a última semana de abril e a segunda semana de maio. Veja as datas dos principais nomes:
Vale (VALE3): relatório de produção e vendas em 16 de abril (quinta-feira), após o fechamento. Resultado financeiro em 28 de abril (terça-feira), também após o pregão. Teleconferência com analistas em 29 de abril (quarta), às 11h.
Itaú Unibanco (ITUB4): balanço do 1T26 previsto pra 6 de maio.
Petrobras (PETR4): resultados agendados pra 11 de maio, com teleconferência no dia seguinte.
Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Ambev (ABEV3) e B3 (B3SA3) também concentram divulgações na primeira quinzena de maio. As datas exatas dessas companhias podem ser conferidas nos respectivos sites de relações com investidores e na agenda de resultados da CVM.
A mineradora chega ao 1T26 num momento interessante. Depois de um quarto trimestre de 2025 marcado por prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões (por baixas contábeis, como provisões de Brumadinho e descaracterização de barragens), o mercado olha agora pro lado operacional, que foi forte no período anterior.
No 4T25, a receita líquida atingiu US$ 11,1 bilhões, alta de 9% na comparação anual. O EBITDA proforma ficou em US$ 4,8 bilhões, avanço de 17% sobre o 4T24, puxado por maiores volumes de vendas e preços realizados mais altos em minério de ferro e cobre.
Pra 2026, a Vale projeta produção de minério de ferro entre 335 e 345 milhões de toneladas, com custo caixa C1 estimado entre US$ 20 e US$ 21,5 por tonelada. O Santander classificou o 1T26 como um trimestre "de alta qualidade" e reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 85,25.
As estimativas compiladas pelo Itaú BBA apontam pra um EBITDA consolidado de US$ 4,08 bilhões no 1T26. Seria uma queda de 16% frente ao trimestre anterior (efeito sazonal da estação chuvosa no Norte), mas uma alta de 27% na comparação com o 1T25. A produção de cobre é estimada em 97 mil toneladas (queda trimestral de 11%, mas alta de 6% anual), enquanto o níquel deve alcançar 49 mil toneladas (+5% QoQ, +11% YoY).
Se você quer entender melhor como funcionam os BDRs e o investimento em mineradoras, vale conferir o guia sobre como investir em Vale (VALE3): guia completo.
A Petrobras vem de um 4T25 que reverteu o prejuízo do mesmo período de 2024. O lucro líquido ficou em R$ 15,6 bilhões, com receita de R$ 127,3 bilhões (alta de 5%), impulsionada por maiores volumes e melhor mix de produtos.
No acumulado de 2025, o lucro recorrente somou R$ 100,9 bilhões e o EBITDA ajustado bateu R$ 244,3 bilhões. A petroleira anunciou R$ 8,1 bilhões em dividendos referentes ao 4T25, equivalentes a R$ 0,63 por ação, com data de corte pra quem negocia na B3 em 22 de abril. A partir de 23 de abril, os papéis passam a ser negociados ex-direitos.
Pra o 1T26, o mercado vai ficar de olho em dois pontos: a evolução da produção no pré-sal e a política de dividendos. A remuneração total ao acionista em 2025 chegou a R$ 41,2 bilhões, e a expectativa é saber se a companhia manterá esse patamar em 2026 num cenário de petróleo com volatilidade geopolítica. As tensões recentes entre EUA e Irã, que impactaram o preço do barril nas últimas semanas, adicionam uma camada extra de incerteza.
Pra quem quer se aprofundar no guia completo de como investir em Petrobras (PETR4), o conteúdo traz os pontos-chave que todo investidor precisa acompanhar.
O Itaú Unibanco é, disparado, o bancão que chega mais forte pra essa temporada. No 4T25, o banco registrou lucro recorrente de R$ 12,3 bilhões, alta de 13,2% sobre o 4T24, com ROE de 24,4%, o maior desde 2015.
No ano cheio de 2025, o lucro somou R$ 46,8 bilhões, o maior resultado anual da história dos bancos brasileiros. A margem financeira fechou o trimestre em R$ 31,5 bilhões (+7,3% YoY), refletindo a capacidade do banco de gerar receita mesmo num ambiente de juros elevados.
O guidance pra 2026 é ambicioso: lucro no ponto médio de R$ 51,1 bilhões (crescimento de 9% sobre 2025), ROE projetado de 25,1%, crescimento de carteira de crédito entre 5,5% e 9,5%, e expansão de 5% a 9% nas receitas de serviços e seguros.
O 1T26 será o primeiro teste real desse guidance. O mercado quer ver se o banco consegue manter a inadimplência controlada num cenário de Selic alta e se a margem com clientes continua expandindo. Bradesco e Banco do Brasil também publicam números na sequência, o que permite ao investidor comparar quem está ganhando market share no crédito.
Pra entender melhor o case do maior banco privado do país, veja o guia sobre como investir em Itaú (ITUB4): guia completo.
Além do trio Vale, Petrobras e Itaú, outros balanços merecem atenção. A B3 (B3SA3), operadora da Bolsa, vai mostrar se o aumento no volume de negociações (consequência do rali do Ibovespa) se traduziu em receita. Ambev (ABEV3) deve trazer sinais sobre a resiliência do consumo interno num primeiro trimestre que é sazonalmente mais fraco pra bebidas.
No setor de commodities, Suzano (SUZB3) e Gerdau (GGBR4) vão revelar se conseguiram sustentar margens num cenário de real mais forte. Segundo análise do Itaú BBA, o ambiente pra commodities no 1T26 é misto: o minério de ferro teve preços relativamente estáveis, mas a celulose enfrentou pressão de oferta e o aço sofreu com a competição chinesa.
Os bancos médios e digitais também entram no radar. O mercado quer ver se Nubank (NU), Inter (INBR32) e BTG Pactual (BPAC11) continuam comendo fatia dos incumbentes ou se o ciclo de alta da Selic começa a pesar na inadimplência dessas carteiras de crédito mais novas.
A temporada do 1T26 acontece num pano de fundo particular. O Ibovespa acumula 15 recordes só neste ano, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro e pelo cessar-fogo entre EUA e Irã que trouxe alívio aos mercados globais na primeira semana de abril.
O dólar recuou pra R$ 5,01, o menor patamar em meses, o que beneficia empresas com receita em real (como bancos e varejistas) mas pode pressionar as receitas em dólar de exportadoras como Vale e Petrobras quando convertidas pra a moeda local.
A Selic segue em patamar elevado, o que continua sendo vento favorável pros bancos (que lucram com o spread de crédito) e desfavorável pra empresas alavancadas. O COPOM sinaliza cautela, e o mercado precifica cortes apenas no segundo semestre. Isso significa que os balanços do 1T26 ainda refletem um ambiente de juros altos.
Pra quem quer acompanhar a temporada de resultados: como acompanhar earnings e operar, o guia explica como interpretar os números e usar o calendário a favor das suas decisões.
Na hora de analisar os balanços, preste atenção em alguns pontos que vão além do lucro líquido. No caso da Vale, o dado mais importante do relatório de 16 de abril é o volume de produção e o custo C1. Se o custo vier abaixo de US$ 21, é sinal de eficiência operacional.
Na Petrobras, fique de olho no fluxo de caixa livre e na relação entre investimentos (capex) e geração de caixa. No 4T25, analistas apontaram que o fluxo de caixa ficou sob pressão, o que reduziu a margem pra dividendos extraordinários. Se o 1T26 mostrar recuperação nessa frente, pode ser gatilho positivo pro papel.
No Itaú, os indicadores-chave são a inadimplência acima de 90 dias, o custo de crédito e a evolução da margem com clientes. O banco precisa mostrar que o guidance de R$ 51 bilhões é factível já no primeiro trimestre.
Pra o setor de energia e commodities, vale conferir o setor de energia na bolsa: guia completo, que contextualiza como fatores macro impactam as empresas do segmento.
A temporada do 1T26 tem potencial pra definir o tom da Bolsa no segundo trimestre. Se Vale, Petrobras e Itaú entregarem resultados acima das expectativas, o Ibovespa pode buscar a marca psicológica dos 200 mil pontos ainda em maio. Por outro lado, surpresas negativas em qualquer um dos três podem interromper a sequência de recordes.
O cenário de analistas, compilado pela LSEG, mostra que 9 casas recomendam compra de Vale e 6 mantêm posição neutra. Pra Itaú, o consenso é amplamente positivo, com a maioria dos analistas esperando crescimento de dois dígitos no lucro em 2026. A Petrobras divide mais opiniões, com o debate girando em torno da política de preços de combustíveis e do apetite por investimentos da gestão atual.
Um ponto de atenção é que o Safra estima que a Vale provavelmente não vai pagar dividendo extraordinário em 2026, o que pode frustrar parte do mercado. Por outro lado, o dividend yield regular da mineradora segue atrativo, sustentado pela forte geração de caixa operacional.
As próximas semanas serão decisivas. O relatório operacional da Vale, no dia 16, dá a largada. A partir dali, cada número divulgado pode reforçar ou questionar a tese de que o Ibovespa tem fundamento pra continuar subindo. A temporada de resultados do 1T26 começa agora. E promete ser das boas.
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