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Resultados 1T26: 53% das empresas devem reportar lucro maior mesmo com cenário adverso, diz Itaú BBA

Publicado em
27/4/2026
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Resultados 1T26: 53% das empresas devem reportar lucro maior mesmo com cenário adverso, diz Itaú BBA. Veja o que muda pro investidor.
Resultados 1T26: 53% das empresas devem reportar lucro maior mesmo com cenário adverso, diz Itaú BBA
Resultados 1T26: 53% das empresas devem reportar lucro maior mesmo com cenário adverso, diz Itaú BBA

O Itaú BBA, braço de banco de investimento do Itaú Unibanco (ITUB4), soltou nesta semana sua prévia para a temporada de balanços do 1T26 e jogou um número que chamou atenção do mercado: 53% das empresas brasileiras de capital aberto devem reportar lucro líquido maior do que no mesmo trimestre do ano passado, mesmo num cenário macroeconômico considerado adverso. Ou seja, mais da metade da bolsa deve mostrar crescimento, apesar dos juros altos, da pressão sobre o crédito e da inflação resiliente.

O dado contraria a leitura mais pessimista que vinha tomando conta do mercado nas últimas semanas. Com a Selic ainda em patamar elevado, sinais de inadimplência subindo em alguns segmentos e o varejo mostrando fôlego curto, muita gente esperava um trimestre fraco. A prévia do Itaú BBA mostra um quadro mais complexo, com vencedores claros e setores que de fato vão sofrer.

O que diz a prévia do Itaú BBA para o 1T26

O relatório cobriu mais de 100 companhias listadas e apontou que a temporada deve ser marcada por forte dispersão, ou seja, resultado muito bom em alguns setores e muito ruim em outros. A tese central: empresas com posição de caixa robusta, exposição cambial favorável e capacidade de repassar preços vão se destacar. Já quem depende de crédito barato, consumo doméstico ou aço importado tende a apanhar.

Os setores que devem puxar o crescimento dos lucros são bancos, óleo e gás, mineração com viés exportador e seguros. Do outro lado, siderurgia doméstica, varejo discricionário e construção devem entregar trimestres fracos ou em retração.

O timing também ajuda a entender a leitura. Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4) abrem a safra nos dias 27 e 28 de abril. Itaú e Bradesco soltam números em 5 de maio. Petrobras divulga em 11 de maio. É essa janela curta que vai definir o humor do Ibovespa pelas próximas semanas.

ITUB4: o próprio Itaú deve liderar o trimestre

Não é coincidência o BBA ter colocado o próprio banco como destaque do setor financeiro. A projeção é de lucro líquido recorrente de cerca de R$ 12,4 bilhões no 1T26, alta de aproximadamente 14% em relação ao mesmo período de 2025. O ROE (retorno sobre patrimônio líquido) deve ficar em 24,4%, o mais alto entre os grandes bancos brasileiros.

Para contextualizar: o Itaú fechou 2025 com lucro de R$ 46,8 bilhões, alta de 13,1% sobre 2024. O guidance oficial do banco para 2026 trabalha com ponto médio de R$ 51,1 bilhões em lucro, expansão de 9% sobre o ano passado e ROE projetado de 25,1%. Se o 1T26 vier dentro do esperado, a tese de continuidade do crescimento de dois dígitos fica reforçada.

Quem quiser entender melhor a tese de investimento no banco, vale dar uma olhada no guia completo sobre como investir em Itaú (ITUB4). O conteúdo cobre desde os fundamentos da operação até os principais riscos.

Bradesco, BB e Santander: cenários muito diferentes

Apesar de todos serem grandes bancos, a leitura do Itaú BBA mostra que cada um vai entregar um trimestre bem distinto. Bradesco (BBDC4) deve apresentar lucro de R$ 6,7 bilhões, alta de 14% na base anual e 3% no comparativo trimestral, com ROE em 15,4%. A recuperação operacional e o avanço do braço de seguros ajudam o resultado.

Banco do Brasil (BBAS3) é o ponto fraco da safra entre os bancões. A projeção do BBA aponta para lucro de R$ 3,6 bilhões, queda de 36% em relação ao 4T25, com ROE de apenas 7,5%, contra 12,1% do trimestre anterior. O motivo: aumento das provisões para devedores duvidosos, especialmente na carteira do agronegócio, que vem sofrendo com inadimplência crescente.

Santander (SANB11) deve ficar no meio do caminho, com crescimento mais modesto e ROE pressionado pela qualidade do crédito. Para quem está acompanhando os números, o conceito de Lucro por Ação (LPA) ajuda a comparar empresas de tamanhos diferentes na mesma base.

Fora dos bancos: óleo, mineração e varejo

O Itaú BBA destaca a PRIO (PRIO3) como principal exposição ao petróleo, com forte geração de caixa mesmo em cenários conservadores de preço. A Petrobras (PETR4) divulga apenas em 11 de maio, mas a leitura preliminar é positiva, puxada pela produção do pré-sal e pela disciplina de custos.

Em mineração, a Vale (VALE3) entra na safra com expectativa morna. O preço do minério de ferro tem oscilado e a demanda chinesa segue dúbia. A Gerdau (GGBR4) deve se sair melhor do que CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), graças à maior exposição ao mercado norte-americano. As siderúrgicas mais focadas no Brasil seguem sufocadas pela importação de aço chinês a preços competitivos, e o BBA inclusive cortou recentemente preços-alvo de CSN e CSN Mineração.

O varejo é o setor mais penalizado. O ambiente macro continua pesando, especialmente em empresas que dependem de crédito ou que atendem clientes de menor poder aquisitivo. Companhias como Magazine Luiza (MGLU3) e parte das varejistas alimentares devem mostrar números fracos. Já o varejo de alta renda, como Vivara (VIVA3), tende a manter resiliência.

O paradoxo: lucro maior num cenário adverso

Aí vem a pergunta que o investidor precisa fazer: como 53% das empresas conseguem entregar lucro maior num cenário tão complicado? A resposta tem três pernas.

Primeiro, a base de comparação. O 1T25 foi um trimestre marcado por choques pontuais em algumas empresas, o que facilita o crescimento na base anual. Segundo, o câmbio. O real esteve historicamente fraco no início de 2026, beneficiando exportadoras que faturam em dólar mas têm boa parte dos custos em reais. Terceiro, a disciplina de capital. As empresas brasileiras passaram os últimos anos cortando custos, reduzindo dívida e refinanciando passivos. Quem fez o dever de casa entra na temporada com margem mais protegida.

O Itaú BBA também ressaltou que a inflação projetada para 2026 segue em 3,8%, com balanço de riscos altista por conta do choque nos preços do petróleo. Isso influencia decisões de margem e de repasse de preços ao longo do ano.

Como o investidor pode se preparar

A temporada de resultados costuma criar oportunidades e armadilhas. Quem opera no curto prazo precisa entender que o número absoluto importa menos do que o quanto bate ou frustra a expectativa. Empresa que entrega lucro recorde mas fica abaixo do consenso costuma cair no pregão seguinte. O contrário também acontece, e empresas com expectativa baixa que entregam números só razoáveis chegam a subir forte.

Para investidores de longo prazo, a leitura é diferente. Vale acompanhar a evolução de margens, qualidade de crédito (no caso dos bancos), guidance para os próximos trimestres e geração de caixa livre. Indicadores como P/L (Preço/Lucro) ajudam a comparar se o preço da ação acompanha o crescimento dos lucros ou se ficou descolado da realidade fundamentalista.

Para entender em profundidade como ler um balanço corporativo e tomar decisões mais informadas, o guia sobre análise de balanços de empresas traz o passo a passo. Quem quiser acompanhar o calendário e os principais catalisadores da temporada também pode conferir o material sobre temporada de resultados e como operar earnings.

O que ficar de olho nas próximas semanas

Os próximos dez dias são decisivos. Vale e Gerdau abrem a safra com leitura para o setor de commodities. Itaú e Bradesco trazem o tom dos bancos em 5 de maio. Petrobras fecha a primeira leva em 11 de maio. Também entram na safra grandes nomes como B3 (B3SA3), Suzano (SUZB3) e empresas de varejo de capital fechado intermediário.

O Itaú BBA mantém visão construtiva para o ano, mas alerta que a dispersão setorial tende a se intensificar. Em outras palavras, escolher os ativos certos vai pesar mais do que apenas estar comprado em índice. Quem montar carteira diversificada nos setores que devem entregar crescimento pode capturar boa parte do retorno sinalizado pela prévia. Quem ficar concentrado nos perdedores estruturais, como siderurgia doméstica e varejo de baixa renda, deve continuar sofrendo.

O recado final do BBA é claro: o trimestre não é uniforme, mas existe espaço para empresas de qualidade entregarem números fortes mesmo num ambiente macro complicado. A bolsa brasileira continua sendo um mercado de stock picking, não de momentum genérico, e o 1T26 deve confirmar essa leitura.


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