
A Superintendência da Receita Federal da 8ª Região Fiscal abriu neste sábado (29) o período de visitação para o maior leilão eletrônico de mercadorias apreendidas em São Paulo em 2026. São 260 lotes que incluem iPhones 17 Pro Max, MacBooks Air, consoles, roupas de grife e até 6.140 luminárias LED num único lote de R$ 232 mil. As manchetes prometem "iPhone a partir de R$ 100", mas a realidade é bem mais nuançada.
O Edital 0800100/000002/2026, publicado no portal do Sistema de Leilão Eletrônico (SLE), prevê visitação presencial de 30 de março a 10 de abril, envio de propostas entre 9 e 13 de abril, e sessão pública de lances no dia 14 de abril às 10h. Quem quiser participar precisa de conta GOV.BR nível Prata ou Ouro e CPF regular.
Vamos ao que interessa. Dos 260 lotes, 65 contêm algum produto Apple. Mas os preços iniciais variam brutalmente dependendo do item.
Os lotes que custam R$ 100 são de tablets Amazon Fire HD 10 e Fire 7 (lotes 152, 154 e 155) e um Xiaomi Redmi A2 de 32 GB (lote 151). Nenhum iPhone sai por esse valor. Os iPhone 17 Pro Max de 256 GB aparecem nos lotes 251 a 260, com lance mínimo entre R$ 4.600 e R$ 5.100 por unidade. Já o MacBook Air 13" com SSD de 512 GB tem lance inicial de R$ 300, o que parece ótimo até você fazer a conta completa.
Outros destaques: iPhone 14 a partir de R$ 390, Samsung Galaxy S24+ por R$ 300, um lote com dois Xiaomi 512 GB mais smartwatches e um Steam Deck por R$ 2.100, e roupas Ralph Lauren, Versace e Balmain num lote de R$ 10 mil.
Aqui mora o detalhe que transforma pechincha em conta salgada. O valor do lance não inclui ICMS. Em São Paulo, a alíquota padrão é de 18%. Ou seja, aquele MacBook Air arrematado por R$ 300 pode custar R$ 354 só com o imposto estadual. E o iPhone 17 Pro Max de R$ 4.600? Vira R$ 5.428.
Tem mais. O pagamento é feito via DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais). Duas opções: pagar tudo no primeiro dia útil após o arremate, ou 20% de entrada mais 80% em até oito dias. E pra retirar o lote, você precisa comprovar o pagamento ou a isenção do ICMS junto à Secretaria da Fazenda de SP.
A retirada é presencial, nos locais indicados no edital (Campinas, Guarulhos, Santos, Guarujá, São Paulo, Santo André, Barueri, São Bernardo do Campo, Taubaté, Sorocaba e Bauru). A Receita não envia nada. Você tem 30 dias pra buscar, senão perde o lote e o dinheiro.
Esse é o ponto que mais pesa. Todo item é vendido "no estado em que se encontra". Na prática, isso significa que o iPhone pode estar com tela trincada, bateria viciada, sem carregador, sem caixa. Pode estar funcionando perfeitamente. Você não sabe até ver.
E o risco mais sério pra celulares: bloqueio de IMEI, iCloud ou operadora. Um iPhone com iCloud ativado pelo dono anterior é basicamente um peso de papel caro. A Receita Federal não tem obrigação de desbloquear nada. O edital é claro: "a apresentação de propostas pressupõe o conhecimento das características e situação dos bens, ou o risco consciente do arrematante, não cabendo qualquer reclamação posterior".
Por isso a visitação existe. E por isso ela é fundamental. Ir presencialmente, inspecionar os lotes, ligar os aparelhos quando possível e verificar o estado real é o que separa quem faz um bom negócio de quem compra um problema.
O processo é 100% eletrônico, pelo portal do SLE. Primeiro, você precisa de uma conta GOV.BR nível Prata ou Ouro. Quem tem conta Bronze não consegue acessar. Pessoa jurídica também pode participar, desde que o CNPJ esteja ativo.
Com o acesso liberado, o fluxo é simples: acesse o edital no portal, escolha o lote, envie sua proposta durante o período de recebimento (9 a 13 de abril) e aguarde a sessão pública de lances no dia 14. Cada participante pode enviar apenas uma proposta por lote. Na sessão, os lances são classificados e há rodadas de disputa.
Um detalhe importante: pessoa física só pode comprar pra uso pessoal. Revenda é vedada. Quem quer comprar pra revender precisa de CNPJ.
Pra ter uma referência, vale olhar os leilões anteriores da mesma região fiscal. Em fevereiro de 2026, iPhones 14 saíram por lances iniciais de R$ 390, mas o preço final arrematado costuma ser bem maior que o lance mínimo, porque há competição entre os participantes. Um MacBook foi arrematado por R$ 4 mil no mesmo leilão. Em outubro de 2025, iPhone 11 saía a partir de R$ 300 e iPhone 13 Pro por R$ 900.
Pra quem quer um eletrônico com desconto real, o leilão pode valer. Mas só se você fizer a lição de casa. Isso significa: calcular o lance máximo incluindo ICMS de 18%, descontar o risco de o aparelho ter algum problema, considerar o custo de deslocamento pra visitação e retirada, e definir um teto antes de entrar na disputa.
Um exercício rápido: o iPhone 17 Pro Max 256 GB custa cerca de R$ 10 mil no varejo. No leilão, o lance mínimo é R$ 4.600. Com ICMS de 18%, vai pra R$ 5.428. Se a disputa elevar pra R$ 6 mil mais ICMS (R$ 7.080), você ainda economiza quase 30%. Mas se o aparelho vier com problema de iCloud, o desconto vira prejuízo.
Já os lotes de R$ 100 (tablets Fire e Xiaomi básico) representam um investimento pequeno com risco proporcional. Mesmo que o aparelho venha com defeito, a perda é limitada.
Com o mercado fechado no fim de semana, o leilão da Receita acabou ganhando atenção desproporcional nas redes. Mas a semana que passou teve movimentações mais relevantes pra quem investe. O dólar fechou cotado a R$ 5,76, pressionado pela expectativa de decisão do Federal Reserve sobre juros americanos e pelo cenário fiscal doméstico.
No Ibovespa, a semana foi de volatilidade moderada, com investidores digerindo dados de inflação e ajustando posições antes do fechamento do trimestre. Setores ligados a commodities, especialmente mineração e petróleo, tiveram desempenho misto conforme os preços internacionais oscilaram.
Enquanto isso, o governo segue com a agenda de arrecadação. Os leilões de mercadorias apreendidas são uma das formas que a Receita Federal usa pra dar destino a produtos retidos em aeroportos, portos e fronteiras. Só em 2026, já foram três editais da 8ª Região Fiscal, com centenas de lotes cada.
Visitação presencial: 30 de março a 10 de abril (dias úteis, com agendamento prévio)
Envio de propostas: 9 de abril (8h) a 13 de abril (21h)
Sessão pública de lances: 14 de abril de 2026, às 10h (horário de Brasília)
Portal: Sistema de Leilão Eletrônico (SLE), via e-CAC
Se você tá em São Paulo e quer tentar, a dica mais importante é uma só: vá visitar os lotes antes. Foto de edital não mostra arranhão, não mostra bloqueio de IMEI e não mostra bateria viciada. A visitação começa na segunda-feira. Boa sorte.
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