
A Petrobras (PETR4) encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões (US$ 19,6 bilhões), uma alta de 200% em relação aos R$ 36,6 bilhões registrados em 2024. O resultado coloca a estatal de volta ao patamar dos anos mais rentáveis da sua história, próximo dos R$ 124,6 bilhões de 2023.
O salto impressiona ainda mais quando se lembra que o 4T24 havia terminado com um prejuízo de R$ 17 bilhões, causado por efeitos contábeis de variação cambial. Agora, no 4T25, a companhia reverteu esse cenário e entregou lucro de R$ 15,6 bilhões no trimestre.
A receita de vendas da Petrobras no acumulado de 2025 totalizou R$ 497,5 bilhões, um avanço modesto de 1,4% sobre o ano anterior. No quarto trimestre isolado, a receita somou R$ 127,4 bilhões, alta de 5% na comparação anual.
Já o EBITDA ajustado fechou o ano em R$ 237,2 bilhões, crescimento de 10,6% frente a 2024. Sem os chamados eventos exclusivos (itens não recorrentes), o indicador chegou a R$ 244,3 bilhões. No 4T25, o EBITDA ajustado foi de R$ 59,9 bilhões, avanço de 46,3% sobre o mesmo período do ano anterior.
O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 200 bilhões no ano, um marco relevante que mostra a capacidade de geração de caixa da companhia mesmo com o Brent em queda. No quarto trimestre, foram R$ 54,9 bilhões em caixa operacional, alta de 15,2% na comparação anual.
Se você quer entender melhor como analisar esses indicadores, vale conferir o que é o Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona.
O grande motor dos resultados de 2025 foi a produção. A Petrobras atingiu 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) no acumulado do ano, um avanço de 11% sobre 2024. O número ficou 2,8 pontos percentuais acima do teto da meta estabelecida pela própria companhia.
Na produção de óleo especificamente, a Petrobras alcançou 2,4 milhões de barris por dia (bpd), fechando na banda superior do guidance. A eficiência operacional das plataformas no pré-sal foi determinante pra superar as projeções.
Esse aumento de volume compensou a queda de 14% nos preços do Brent ao longo do ano. Enquanto a commodity recuava no mercado internacional, a Petrobras respondia com mais barris saindo do fundo do mar.
A companhia investiu R$ 112,9 bilhões (US$ 20,3 bilhões) em 2025, com foco pesado no segmento de Exploração e Produção. É o tipo de aposta que tá dando retorno: mais produção, mais receita por barril e melhor diluição dos custos fixos.
O total de proventos pagos pela Petrobras referente ao exercício de 2025 chegou a R$ 41,2 bilhões. Nos últimos 12 meses, o dividend yield de PETR4 está em torno de 6,9%.
Especificamente sobre o 4T25, a companhia anunciou R$ 8,1 bilhões em proventos, equivalentes a R$ 0,626 por ação ordinária e preferencial. O pagamento será feito em duas parcelas de juros sobre capital próprio (JCP): a primeira em 20 de maio de 2026 e a segunda em 22 de junho de 2026.
Pra quem acompanha os fundamentos da empresa, o P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona ajuda a colocar esses números em perspectiva.
Os proventos do 4T25 (R$ 8,1 bilhões) vieram abaixo dos R$ 12,16 bilhões aprovados referentes ao 3T25. Mesmo assim, o volume total distribuído no ano é robusto e reflete a política de remuneração generosa que a Petrobras vem praticando.
A reação do mercado aos resultados e à trajetória operacional da Petrobras em 2025 foi clara. As ações PETR4 começaram o ano na faixa de R$ 30,71 e operam agora acima dos R$ 47, acumulando uma valorização superior a 50%.
Em março de 2026, a Petrobras atingiu R$ 580 bilhões em valor de mercado pela primeira vez na história, consolidando sua posição como uma das maiores empresas da América Latina.
O intervalo de 52 semanas de PETR4 vai de R$ 28,86 a R$ 50,69. Os analistas consultados mantêm preço-alvo médio de R$ 47,72, com estimativas que variam de R$ 37 a R$ 64. A maioria das casas recomenda exposição ao papel, mas a divergência grande entre os alvos mostra que não existe consenso sobre até onde a ação pode ir.
Se você quer entender como avaliar empresas com esse perfil de crescimento, o conceito de Growth Stock (Ação de Crescimento): o que é e como funciona pode ajudar.
Pra dimensionar o salto de 200%, é importante lembrar o que aconteceu em 2024. O lucro de R$ 36,6 bilhões naquele ano representou uma queda de 70,6% frente a 2023. O principal vilão foi um efeito contábil: a variação cambial sobre dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias no exterior.
No 4T24, esse efeito sozinho transformou o que seria um trimestre positivo num prejuízo de R$ 17 bilhões. Sem os eventos exclusivos, o lucro ajustado de 2024 teria sido de R$ 103 bilhões. Ou seja, a operação da companhia já estava saudável; foi o câmbio que distorceu o resultado.
Isso explica, em parte, por que o crescimento de 200% precisa ser lido com contexto. Não é que a Petrobras triplicou sua capacidade produtiva de um ano pro outro. É que o denominador de comparação (2024) estava artificialmente comprimido por fatores não operacionais.
A Petrobras já divulgou seu Plano de Negócios 2026-2030, que projeta o pico de produção de óleo em 2,7 milhões de barris por dia em 2028. A produção total (óleo + gás) deve chegar a 3,4 milhões boed entre 2028 e 2029.
Os investimentos planejados continuam concentrados no pré-sal, onde os custos de extração são competitivos globalmente. A empresa também sinaliza movimentos em energias renováveis e refino, mas o grosso do capex segue no upstream.
Do lado dos riscos, o principal é o preço do petróleo. Analistas apontam que, se o Brent se mantiver acima de US$ 65 por barril, o dividend yield pode superar 10% ao ano. Mas a commodity é volátil por natureza, e fatores geopolíticos podem jogar o preço pra qualquer direção. As lições dos piores trades da história mostram que confiança excessiva num cenário favorável sempre cobra seu preço.
No contexto global, a Petrobras se destaca entre as majors por ter custos de extração no pré-sal entre os mais baixos do mundo. Enquanto empresas como Shell, BP e TotalEnergies enfrentam pressão pra diversificar suas receitas e reduzir exposição a combustíveis fósseis, a Petrobras segue apostando forte na produção de óleo e gás.
A vantagem competitiva é clara: o pré-sal brasileiro produz petróleo de alta qualidade com custos que muitas vezes ficam abaixo de US$ 10 por barril. Isso dá à companhia uma margem de segurança que poucas petrolíferas no mundo conseguem replicar.
Em 2025, a Petrobras pagou R$ 277,6 bilhões em impostos, participações especiais e royalties ao governo federal, estados e municípios. Esse número reforça o peso da estatal nas contas públicas brasileiras e mostra por que qualquer decisão sobre a empresa carrega dimensão política.
Os R$ 110,1 bilhões de lucro colocam a Petrobras como a empresa mais lucrativa do Brasil em 2025, puxando o ranking de resultados da B3. A companhia ampliou a concentração de lucros entre as gigantes da bolsa brasileira.
O investidor que acompanhou de perto a empresa e entendeu que o prejuízo do 4T24 era um efeito contábil, não operacional, teve a oportunidade de se posicionar antes da recuperação. Quem olhou só pro número do lucro em 2024 sem ler o balanço com atenção pode ter perdido o contexto.
Pra 2026, o mercado vai monitorar de perto a execução do plano estratégico, a trajetória do Brent e a política de dividendos. A Petrobras mostrou em 2025 que, quando a operação funciona, os números falam por si.
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