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Onde investir em abril? Os ativos para se proteger do risco geopolítico e ainda ganhar dinheiro; Petrobras (PETR4) se destaca com dividendos no radar

Publicado em
3/4/2026
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Onde investir em abril? Os ativos para se proteger do risco geopolítico e ainda ganhar dinheiro; Petrobras (PETR4) se destaca com dividendos no radar
Onde investir em abril? Os ativos para se proteger do risco geopolítico e ainda ganhar dinheiro;...
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A Petrobras (PETR4) vai distribuir R$ 0,62 por ação em proventos referentes ao quarto trimestre de 2025. O montante total chega a R$ 8,1 bilhões, integralmente na forma de juros sobre capital próprio (JCP). Quem quiser garantir o direito precisa ter as ações na carteira até 22 de abril de 2026. A partir do dia 23, os papéis passam a ser negociados ex-direitos.

O pagamento será dividido em duas parcelas iguais de R$ 0,31 por ação: a primeira em 20 de maio e a segunda em 22 de junho de 2026. Com a ação negociando perto de R$ 48, o dividend yield só desse provento fica em torno de 1,3%. Para o ano inteiro de 2026, analistas projetam yield entre 8% e 9%, dependendo do preço do petróleo.

Petrobras em abril: dividendos e proteção geopolítica

A distribuição de proventos da Petrobras chega num momento em que o cenário internacional reforça a tese da estatal como ativo defensivo. O barril de Brent saiu da faixa dos US$ 72 no início de março para US$ 105 ao fim do mês, com picos acima de US$ 119, puxado pela escalada das tensões no Oriente Médio. Quem tem PETR4 na carteira está, na prática, comprado em petróleo.

E esse é um dos argumentos centrais do BTG Pactual, que elevou a recomendação da Petrobras para compra em 2026, com preço-alvo de R$ 56 por ação. O banco projeta dividend yield de aproximadamente 9% no ano e destaca o que chama de "valor de escassez" da companhia entre as petroleiras de mercados emergentes.

Traduzindo: entre as grandes produtoras de petróleo listadas em bolsas emergentes, a Petrobras negocia com desconto. Mesmo com a ação tendo subido mais de 56% desde janeiro (saiu de R$ 30,82 para R$ 48,29), o P/L (preço sobre lucro) ainda é de 5,65, patamar considerado baixo para o setor.

Resultado do 4T25: lucro de R$ 15,6 bilhões

Os dividendos refletem o desempenho do último trimestre de 2025. A Petrobras reverteu o prejuízo registrado no 4T24 e entregou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões. No acumulado do ano, o resultado foi ainda mais expressivo: R$ 110,1 bilhões de lucro líquido, crescimento de 200% em relação a 2024.

A produção ajudou. A companhia superou a meta em 4% e atingiu 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), recorde histórico. No pré-sal, a produção operada bateu 3,70 milhões de boed, contra 3,23 milhões no ano anterior. As exportações de petróleo também registraram recorde anual de 765 mil barris por dia, com o 4T25 chegando a quase 1 milhão de barris diários exportados.

Esse volume recorde de exportação é relevante porque a receita de exportação da Petrobras é em dólar. Com o câmbio acima de R$ 5, cada barril exportado rende mais em reais, engordando o caixa e, por consequência, os dividendos.

Mas os dividendos diminuíram?

Sim, em relação ao trimestre anterior. O lucro do 4T25 foi 52,4% menor que o do 3T25, e os proventos acompanharam a queda. No terceiro trimestre, a distribuição tinha sido mais generosa. A Genial Investimentos apontou que o fluxo de caixa ficou pressionado no 4T25, o que reduziu a gordura disponível pra dividendos.

Isso não significa que a política de remuneração mudou. A Petrobras continua distribuindo conforme a fórmula: 45% do fluxo de caixa livre. A oscilação é natural, trimestre a trimestre, e depende de variáveis como preço do petróleo, câmbio, investimentos (capex) e custos operacionais.

Para quem olha o ano inteiro, a conta continua favorável. Em 2025, a Petrobras distribuiu cerca de R$ 3,67 por ação em dividendos, o que resultou num dividend yield de 6,84% considerando a cotação média do período. Com o Brent rodando acima de US$ 100 no início de 2026, a projeção para o ano corrente é de yield superior.

Petrobras vs pares: quem paga mais?

No setor de petróleo na B3, a Petrobras segue como a maior pagadora de dividendos em volume absoluto. Mas o yield relativo merece comparação.

A PRIO (PRIO3), segunda maior petroleira privada do Brasil, opera com margens elevadas no pré-sal, mas reinveste a maior parte do lucro em crescimento de produção. O dividend yield da PRIO é historicamente mais baixo que o da Petrobras. O BTG, inclusive, trocou a PRIO pela Petrobras na carteira recomendada de abril, justamente pela assimetria em dividendos.

Já a PetroRecôncavo (RECV3) tem yield interessante, mas atua em campos maduros onshore, com perfil de risco diferente. E a 3R Petroleum (RRRP3), que passou por reestruturação, ainda não apresenta consistência na distribuição de proventos.

Entre as gigantes globais, a Petrobras se destaca. ExxonMobil, Chevron e Shell negociam com múltiplos mais altos e yields menores. A combinação de preço baixo em termos de P/L e yield alto torna a Petrobras competitiva mesmo no cenário internacional, acessível pra investidores brasileiros diretamente pela B3.

O fator petróleo: risco e oportunidade

O preço do barril é a variável que mais mexe com a tese da Petrobras. Com o Brent acima de US$ 100, a geração de caixa da companhia se acelera. O BTG estima que, mesmo num cenário conservador com o barril recuando pra US$ 80, a estatal ainda conseguiria entregar cerca de 9% de rendimento de fluxo de caixa livre e 8% de dividend yield.

A questão é que o preço do petróleo está diretamente atrelado à geopolítica. A escalada das tensões no Oriente Médio empurrou o barril pra cima, mas um eventual cessar-fogo poderia derrubar as cotações rapidamente. Quem investe na Petrobras por dividendos precisa ter essa consciência: o yield pode variar conforme o cenário internacional.

Por outro lado, há quem veja nessa volatilidade uma oportunidade. A Petrobras funciona como um hedge natural contra o risco geopolítico. Quando as tensões aumentam, o petróleo sobe, e a receita da companhia (em dólar) acompanha. É uma forma de dolarização indireta do portfólio sem precisar comprar ativos no exterior.

Como garantir os dividendos de PETR4 em abril

O prazo é curto. Pra ter direito aos R$ 0,62 por ação, você precisa comprar as ações até o dia 22 de abril de 2026. Vale lembrar que na B3 a liquidação de ações ocorre em D+1, então a compra precisa ser feita no pregão do dia 22 ou antes.

A partir de 23 de abril, as ações passam a ser negociadas "ex-dividendos". Isso significa que o preço tende a abrir com um desconto equivalente ao valor do provento, o famoso ajuste de ex. Não é uma queda real, é apenas o mercado precificando que aquele dinheiro saiu do caixa da empresa e vai pro bolso do acionista.

Os proventos são na forma de JCP (juros sobre capital próprio), o que significa que há retenção de 15% de Imposto de Renda na fonte. Na prática, dos R$ 0,31 de cada parcela, você recebe R$ 0,27 líquidos. Pra quem declara IR como pessoa física, o JCP já vem tributado e não precisa de recolhimento adicional via DARF.

Atenção ao risco

Comprar uma ação só pra pegar o dividendo não é necessariamente uma boa estratégia. O ajuste de ex pode anular o ganho no curto prazo. O ideal é que a decisão de investimento considere os fundamentos da empresa, o cenário macro e o horizonte de tempo. Se você entende a tese e planeja carregar a posição, os proventos são um bônus. Se está buscando ganho rápido, a conta pode não fechar.

Pra quem quer entender melhor a tese de investimento na estatal, vale conferir o guia Como investir em Petrobras (PETR4): guia completo. E se o objetivo é montar uma carteira diversificada com pouco capital, o artigo Como investir com pouco dinheiro em 2026 pode ajudar a estruturar essa estratégia.

Abril pede cautela e posicionamento

O cenário pra abril combina volatilidade global com oportunidades pontuais. O petróleo segue como termômetro das tensões internacionais, e a Petrobras aparece como peça central nas carteiras recomendadas por grandes casas de análise. Sete em cada dez analistas que cobrem a empresa recomendam compra, com preço-alvo médio de R$ 38,70 pra PETR4, segundo o consenso de mercado.

A data-com de 22 de abril cria uma janela específica pra quem quer capturar os proventos. Mas a decisão vai além do dividendo isolado. A combinação de produção recorde, receita dolarizada, valuation ainda descontado e yield projetado acima de 8% coloca a Petrobras numa posição rara: pagadora de dividendos com potencial de valorização.

Pra quem está começando a investir ou quer entender melhor o papel dos dividendos numa estratégia de longo prazo, vale a leitura sobre Risco sistêmico vs específico: como proteger seus investimentos. E quem busca diversificação internacional pode explorar as possibilidades com BDRs dos principais ativos globais, que permitem acessar empresas, ETFs e cripto diretamente pela B3.

Investir em Petrobras é, em última análise, uma aposta no petróleo brasileiro e na capacidade da companhia de transformar barris em dividendos. Em abril de 2026, essa aposta ganha contornos especiais, com o Brent acima de US$ 100 e a geopolítica ditando o ritmo dos mercados.


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