
A Petrobras (PETR4) fechou 2025 com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, um salto de 200,8% em relação aos R$ 36,6 bilhões registrados em 2024. É o maior resultado anual da estatal em dois anos e recoloca a companhia entre as petroleiras mais lucrativas do mundo. O número foi turbinado pelo aumento de 11% na produção total de óleo e gás, que alcançou 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
No quarto trimestre (4T25), a empresa reportou lucro de R$ 15,56 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17 bilhões do 4T24. Aquele resultado negativo de um ano atrás tinha sido provocado pela forte desvalorização do real frente ao dólar e por provisões contábeis sem efeito caixa. Agora, com o cenário cambial mais comportado e a produção em nível recorde, os números vieram limpos.
A receita líquida anual da Petrobras ficou em R$ 497,5 bilhões, avanço de 1,4% sobre os R$ 490,8 bilhões de 2024. Pode parecer modesto, mas é importante contextualizar: o preço médio do barril de Brent caiu cerca de 14% ao longo de 2025. Ou seja, a Petrobras compensou o petróleo mais barato com maior volume de produção.
No 4T25, a receita atingiu R$ 127,4 bilhões, alta de 5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 121,3 bilhões no 4T24). O desempenho é particularmente relevante porque o Brent médio no período ficou em torno de US$ 63 por barril, cerca de 7% abaixo dos US$ 68 do 3T25.
O EBITDA ajustado do ano somou R$ 237,2 bilhões, crescimento de 10,6% contra 2024. No trimestre, o indicador ficou em R$ 59,9 bilhões, uma disparada de 46,3% na comparação anual. A margem EBITDA consolidada fechou o 4T25 em 45,1%. Já o segmento de Exploração e Produção (E&P), o coração da empresa, entregou EBITDA de R$ 51,1 bilhões no trimestre, com margem de 66%.
Vale mencionar que, na comparação sequencial (trimestre contra trimestre), o EBITDA recuou cerca de 8% em relação ao 3T25. O lucro líquido também caiu 52,4% frente ao terceiro trimestre, quando a Petrobras tinha reportado R$ 32,7 bilhões. Mas essa queda reflete a sazonalidade e o preço mais baixo do petróleo no fim do ano, não uma deterioração operacional.
A produção total de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2025 é um marco. Representa 11% a mais que o ano anterior e consolidou a Petrobras como uma das maiores produtoras entre as petroleiras de capital aberto no mundo.
No 4T25, a produção de óleo no Brasil ficou em 2,5 milhões de barris por dia, praticamente estável em relação ao trimestre anterior (queda de apenas 0,6%). Parte da estabilidade se deve a paradas de manutenção programadas em diversas plataformas, compensadas pela entrada em operação e aumento de produção na FPSO Alexandre de Gusmão.
O pré-sal segue como protagonista absoluto, respondendo por 2,1 milhões de barris diários, o equivalente a 77% de toda a produção da companhia. É desse camada geológica que vem o óleo mais rentável da Petrobras, com custo de extração entre os mais baixos do planeta.
Além dos números operacionais robustos, a Petrobras mostrou generosidade na remuneração ao acionista. Ao longo de 2025, foram distribuídos R$ 45,2 bilhões em proventos. Só no 4T25, a empresa anunciou R$ 8,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, equivalentes a R$ 0,6262 por ação ordinária e preferencial.
Os valores serão pagos em duas parcelas, em maio e junho de 2026. Pra quem acompanha a tese de Petrobras como pagadora de dividendos, o yield segue atrativo, principalmente considerando o patamar de preço das ações.
Falando em preço, a PETR4 vem numa trajetória de valorização expressiva. A ação começou 2026 na faixa dos R$ 30 e já opera acima de R$ 48, uma alta de quase 60% em 12 meses. O valor de mercado da Petrobras bateu R$ 580 bilhões pela primeira vez na história, um recorde absoluto.
Nem tudo são flores no balanço. A dívida bruta encerrou 2025 em US$ 69,8 bilhões, alta de 15,7% na comparação anual. A dívida líquida chegou a US$ 60,6 bilhões, crescimento de 16% em relação a 2024.
O aumento reflete o forte ciclo de investimentos da companhia. A Petrobras aplicou R$ 112,9 bilhões (US$ 20,3 bilhões) ao longo do ano, com foco pesado em Exploração e Produção. É a empresa que mais investe no setor de petróleo na América Latina, e a expansão do pré-sal demanda capital.
Apesar do endividamento maior em termos absolutos, a relação dívida líquida sobre EBITDA fechou o 4T25 em 1,4x, uma melhora em relação aos 1,5x do trimestre anterior. Esse indicador mostra que a geração de caixa está crescendo mais rápido que a dívida, o que mantém a alavancagem em nível confortável.
O fluxo de caixa operacional de 2025 atingiu R$ 200 bilhões (US$ 36 bilhões), reforçando a capacidade da Petrobras de financiar investimentos e pagar dividendos sem comprometer a saúde financeira. Pra entender como o P/L e outros múltiplos se comportam nesse cenário, vale analisar os indicadores com calma.
O desempenho da Petrobras fica ainda mais impressionante quando comparado ao cenário global do setor. O preço do Brent, referência internacional do petróleo, caiu 14% em 2025. Isso normalmente significa lucros menores pra todas as petroleiras. Mas a Petrobras conseguiu ir na contramão.
Enquanto concorrentes internacionais como ExxonMobil, Shell e Chevron enfrentaram pressão nos resultados, a estatal brasileira compensou o barril mais barato com ganhos de escala, eficiência operacional e o custo de extração competitivo do pré-sal.
O resultado da Petrobras também destoa do restante da B3. A empresa puxou sozinha o crescimento dos lucros agregados das maiores companhias listadas na bolsa brasileira. Quando se fala em concentração de lucros entre as gigantes, a Petrobras é o nome que mais aparece no topo do ranking em 2025.
As ações da Petrobras reagiram positivamente à divulgação do balanço. Tanto PETR3 quanto PETR4 operaram em alta no pregão seguinte, com a estatal concentrando o maior volume de negociação do Ibovespa no dia.
A XP Investimentos elevou o preço-alvo de PETR4 pra R$ 47 por ação, o que representava potencial de alta de 23% em relação ao preço no momento da revisão. A casa manteve recomendação de compra. Outras casas de análise também publicaram visões construtivas, destacando a resiliência operacional e a política de dividendos.
Pra quem olha o lucro por ação (LPA) como métrica de acompanhamento, os R$ 110 bilhões de lucro anual distribuídos pela base acionária da Petrobras resultam em um dos maiores LPAs da bolsa brasileira.
O principal catalisador pra Petrobras em 2026 é a continuidade da expansão do pré-sal. A entrada em operação de novas plataformas tende a manter a produção em patamares elevados, mesmo com eventuais paradas pra manutenção.
O risco mais relevante é o preço do petróleo. Se o Brent continuar caindo ou se mantiver abaixo dos US$ 65 por barril, a geração de caixa será menor. Mas o histórico recente mostra que a Petrobras tem capacidade de entregar bons resultados mesmo em ambientes de preço pressionado.
Outro ponto de atenção é o plano estratégico da companhia, que prevê investimentos robustos nos próximos anos. A questão é se a empresa conseguirá manter a generosidade nos dividendos ao mesmo tempo em que expande sua base produtiva. Até agora, tem conseguido equilibrar os dois pratos.
Do lado fiscal, investidores em PETR4 devem ficar atentos à tributação sobre dividendos e ganhos de capital, especialmente com possíveis mudanças regulatórias em discussão no Congresso.
A Petrobras entregou em 2025 um dos seus melhores anos da história. Triplicou o lucro, bateu recorde de valor de mercado e distribuiu mais de R$ 45 bilhões aos acionistas. Pra 2026, o desafio é provar que esse patamar de rentabilidade não foi exceção, mas o novo normal de uma empresa que opera no limite da eficiência no pré-sal brasileiro.
Aviso Legal
O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.
As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.
Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.
Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.
A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.