
O Itaú Unibanco (ITUB4) fechou 2025 com lucro líquido gerencial de R$ 46,8 bilhões, alta de 14,1% sobre o ano anterior, e distribuiu R$ 23,4 bilhões em proventos aos acionistas, equivalentes a R$ 2,18 por ação. Com dividend yield de aproximadamente 8% nos últimos 12 meses e um P/L de 10,52, o maior banco privado da América Latina combina geração de caixa robusta com valuation que ainda não disparou.
Em fevereiro de 2026, o conselho do Itaú aprovou mais uma rodada de Juros sobre Capital Próprio (JCP) no valor total de R$ 3,85 bilhões. Cada ação, ordinária ou preferencial, recebeu R$ 0,34888 brutos (R$ 0,2878 líquidos após retenção de 17,5% de IR). A data-com foi 19 de março de 2026, com pagamento previsto até 31 de agosto de 2026.
No quarto trimestre de 2025, o Itaú reportou lucro de R$ 12,3 bilhões, alta de 13,2% na comparação anual e acima do consenso de mercado, que projetava R$ 11,37 bilhões. O resultado surpreendeu positivamente e reforçou a tese de que o banco mantém uma máquina de resultados difícil de replicar.
O indicador que mais chama atenção é o ROE (retorno sobre patrimônio líquido). No 4T25, o Itaú entregou 24,4%, o melhor nível desde 2015. Pra colocar em perspectiva: o Bradesco projeta ROE na faixa de 15,4% pra 2026, e o Santander Brasil opera historicamente na casa dos 15% a 17%. O Banco do Brasil, embora entregue yields mais altos, convive com o risco de ingerência política que afasta parte dos investidores.
Essa rentabilidade elevada não é acidente. O Itaú combina carteira de crédito diversificada, presença forte em segmentos de alta renda (Personnalité e Private) e uma operação de seguros que funciona como colchão de receita. Quando o ciclo de crédito aperta, o banco sofre menos que os concorrentes. Quando o ciclo afrouxa, a alavancagem operacional joga a favor.
O Itaú trabalha com um modelo misto de remuneração ao acionista. Ao longo do ano, paga JCP mensais no valor de R$ 0,01765 por ação. São valores pequenos individualmente, mas que somam ao longo de 12 meses e funcionam como um "gotejamento" constante de caixa.
O grosso da distribuição, no entanto, vem nos pagamentos semestrais e extraordinários. Em novembro de 2025, o banco aprovou o megapacote de R$ 23,4 bilhões, sendo R$ 1,868 por ação em dividendos (pagos em dezembro de 2025) e R$ 0,3697 por ação em JCP (pagamento até abril de 2026). A data-com desse lote foi 9 de dezembro de 2025.
Já o JCP mais recente, aprovado em fevereiro de 2026, totalizou R$ 3,85 bilhões. Quem tinha ações até 19 de março de 2026 garantiu o direito. O pagamento será feito até 31 de agosto de 2026.
Para quem quer entender melhor a mecânica dos proventos, vale conferir o artigo Proventos na bolsa: como funcionam dividendos e JCP na prática.
O payout do Itaú em 2025 ficou em 69,4% do lucro, incluindo R$ 15 bilhões em proventos extraordinários e R$ 3 bilhões em recompra de ações com cancelamento posterior. O próprio CEO do banco sinalizou que a intenção é não reter capital excedente e que, se as condições permitirem, a distribuição extraordinária no início de 2026 seria novamente relevante.
Esse patamar de payout é significativo pra um banco que cresce a dois dígitos. Significa que o Itaú consegue reinvestir o suficiente pra manter a expansão da carteira de crédito e ainda devolver a maior parte do lucro aos acionistas. Nem todo banco consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Com a ação negociando na casa dos R$ 42,78 em março de 2026, o P/L do Itaú está em 10,52. A média histórica do papel é de 10,27, o que coloca o múltiplo atual ligeiramente acima da média, mas ainda longe de ser esticado.
Pra quem analisa bancos, o P/L isolado conta só parte da história. O que diferencia o Itaú é a combinação de múltiplo razoável com ROE muito acima da média setorial. Um banco que entrega 24% de retorno sobre patrimônio e negocia a 10,5 vezes o lucro é, na visão de muitos analistas, uma assimetria positiva. Se o ROE se mantiver nesse patamar, o mercado tende a precificar um prêmio maior no papel ao longo do tempo.
Vale lembrar que o P/L (Preço/Lucro) é um dos indicadores mais usados pra avaliar se uma ação está cara ou barata em relação ao que a empresa gera de resultado.
O setor bancário brasileiro tem quatro grandes nomes: Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander. Cada um com perfil diferente de risco, retorno e distribuição de proventos.
O BB é o campeão de dividend yield entre os bancões, com média de 10,5% nos últimos cinco anos. O problema é o desconto estrutural que o mercado aplica a estatais. A cada troca de governo, o investidor precifica o risco de decisões políticas afetarem a gestão do banco. Pra quem aceita esse risco, o retorno em proventos é generoso.
O Bradesco vem de anos difíceis, com ROE na faixa de 12% a 15%, bem abaixo do Itaú. A reestruturação em andamento promete resultados melhores, e analistas projetam lucro de R$ 27,8 bilhões em 2026 com ROE de 15,4%. O yield gira em torno de 7,6%. É uma aposta de recuperação, não de consistência.
O Santander oferece yield na casa de 7% e tem a vantagem de fazer parte de um grupo global, o que traz diversificação de funding e know-how. Porém, historicamente entrega ROE inferior ao Itaú e tem menor previsibilidade na política de dividendos.
Resumindo: o Itaú não paga o yield mais alto do setor, mas entrega a melhor combinação de rentabilidade, previsibilidade e crescimento entre os bancos privados. É o tipo de ação que atrai tanto o investidor focado em renda quanto o que busca valorização de capital.
O Itaú divulgou guidance pra 2026 apontando crescimento de lucro de aproximadamente 9% sobre 2025. Considerando o ponto médio das projeções, o banco pode atingir lucro líquido de R$ 51,1 bilhões, novo recorde histórico, com ROE projetado de 25,1%.
Se o payout se mantiver na faixa de 70%, isso significaria distribuição total de aproximadamente R$ 35 bilhões aos acionistas em 2026, entre dividendos, JCP e eventuais recompras. Pro investidor que carrega a posição, esse crescimento de lucro tende a se traduzir em proventos maiores ao longo do ano.
É claro que guidance é uma estimativa, não uma promessa. O cenário macro brasileiro pra 2026 tem seus desafios: Selic ainda elevada, inflação resistente e incerteza fiscal. Mas o Itaú historicamente demonstra capacidade de navegar ciclos adversos melhor que os pares. A carteira de crédito diversificada e o foco em clientes de alta renda funcionam como amortecedores em momentos de estresse.
Alguns pontos merecem atenção de quem acompanha ou investe em ITUB4:
Inadimplência: o índice de atrasos acima de 90 dias é um dos termômetros mais importantes pra bancos. No 4T25, o Itaú manteve esse indicador controlado, mas qualquer deterioração no cenário de crédito pode pressionar as provisões e, consequentemente, o lucro.
Margem financeira: com a Selic em patamar elevado, a margem do banco tende a se beneficiar no curto prazo. Porém, juros altos demais por tempo demais podem reduzir a demanda por crédito e desacelerar o crescimento da carteira.
Regulação: mudanças na alíquota do IR sobre JCP podem afetar diretamente o valor líquido recebido pelos acionistas. O Itaú já recalculou seus JCPs com a nova alíquota de 17,5%, mas novas alterações tributárias estão sempre no radar.
Câmbio e operação internacional: o Itaú tem operações relevantes na América Latina, especialmente no Chile e na Colômbia. A variação cambial pode impactar os resultados consolidados, positiva ou negativamente.
Pra quem está montando uma carteira focada em dividendos em 2026, o Itaú aparece como uma das opções mais sólidas do mercado brasileiro. Não é a ação que paga o yield mais alto, mas é possivelmente a que oferece a melhor relação entre retorno e previsibilidade no setor financeiro.
O próximo resultado trimestral (1T26) deve sair entre abril e maio de 2026 e será um teste importante pra confirmar se o guidance de R$ 51 bilhões é factível. Junto com o resultado, o mercado espera novas sinalizações sobre a política de dividendos extraordinários, que se tornou um dos catalisadores mais relevantes pro papel nos últimos dois anos.
Aviso Legal
O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.
As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.
Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.
Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.
A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.