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Itaú tem lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018, mas deve crescer menos que o Bradesco neste ano

Publicado em
30/3/2026
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Itaú tem lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018, mas deve crescer menos que o Bradesco neste ano. Entenda o impacto nos seus investimentos.
Itaú tem lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018, mas deve crescer menos que o Bradesco neste ano
Itaú tem lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018, mas deve crescer menos que o Bradesco neste ano

O Itaú Unibanco (ITUB4) fechou 2018 com lucro líquido recorrente de R$ 25,733 bilhões, o maior já registrado por um banco brasileiro. O número representa uma alta de 3,4% em relação aos R$ 24,879 bilhões de 2017. No quarto trimestre, o lucro recorrente foi de R$ 6,478 bilhões, avanço de 3,15% na comparação anual.

O resultado consolida o Itaú como o banco mais lucrativo do país. Mas a velocidade de crescimento acende um sinal amarelo: enquanto o maior banco privado do Brasil cresceu 3,4%, o Bradesco (BBDC4) avançou 13,4% no mesmo período, lucrando R$ 21,564 bilhões. A diferença de ritmo sugere que o rival está encurtando a distância.

Itaú em 2018: números do maior lucro bancário do Brasil

O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) do Itaú ficou em 21,9% no acumulado do ano, levemente acima dos 21,8% de 2017. Esse patamar segue como referência no setor bancário brasileiro e supera com folga o retorno do Bradesco, que registrou ROE de 19,0%.

A carteira de crédito total (incluindo garantias e títulos privados) encerrou dezembro de 2018 em R$ 636,9 bilhões, crescimento de 6,1% em relação ao final de 2017. O destaque ficou com o segmento de micro, pequenas e médias empresas, que avançou 14,4%, e com pessoas físicas, com alta de 10,3%.

A margem financeira gerencial totalizou R$ 69,084 bilhões no ano, com a margem com clientes crescendo 2,2% sobre 2017. No quarto trimestre, a margem financeira foi de R$ 17,382 bilhões, praticamente estável na comparação anual.

Já a receita de serviços e seguros somou R$ 10,782 bilhões no 4T18, alta de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço reflete a diversificação de receitas do banco, que não depende só de crédito pra gerar resultado.

Inadimplência controlada e custo do crédito

O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,9% ao final do quarto trimestre, estável em relação ao terceiro trimestre de 2018. É um patamar considerado saudável e abaixo da média do sistema financeiro nacional.

Esse controle da inadimplência é um dos fatores que sustentam a rentabilidade elevada do Itaú. Quando o banco consegue manter a inadimplência baixa, precisa provisionar menos dinheiro pra cobrir calotes, o que protege a última linha do balanço.

Pra quem analisa bancos pela primeira vez, vale entender como o Lucro por Ação (LPA) funciona na prática. É uma métrica essencial pra comparar a eficiência entre instituições de portes diferentes.

Bradesco cresce mais rápido e pressiona a liderança

O grande ponto dessa temporada de resultados é o contraste entre os dois maiores bancos privados do Brasil. Olha só os números lado a lado:

O Bradesco registrou lucro recorrente de R$ 21,564 bilhões em 2018, um salto de 13,4% sobre os R$ 19,024 bilhões de 2017. No quarto trimestre isolado, o crescimento foi ainda mais expressivo: +19,9%, com lucro de R$ 5,830 bilhões.

Em termos absolutos, o Itaú ainda lidera por larga margem: R$ 25,7 bi contra R$ 21,6 bi. Mas a taxa de crescimento conta uma história diferente. O Bradesco está crescendo quase quatro vezes mais rápido.

A carteira de crédito expandida do Bradesco também acelerou, atingindo R$ 531,615 bilhões em dezembro de 2018, alta de 7,8% no ano. O segmento de pessoas físicas cresceu 11%, chegando a R$ 194,723 bilhões.

O ROE do Bradesco subiu de 18,1% em 2017 para 19,0% em 2018. Ainda fica atrás dos 21,9% do Itaú, mas a tendência de melhoria é clara. A inadimplência do Bradesco recuou para 3,51%, em trajetória consistente de queda.

O que explica o crescimento mais lento do Itaú

Quando um banco já opera com ROE acima de 20%, fica mais difícil acelerar o crescimento percentual. É o chamado efeito base: quanto maior o lucro, maior precisa ser o incremento absoluto pra manter a mesma taxa de crescimento.

O Itaú também fez escolhas estratégicas que privilegiaram qualidade sobre velocidade. A expansão mais cautelosa da carteira de crédito (6,1% contra 7,8% do Bradesco) reflete uma postura de preservação de margem e controle de risco.

Além disso, a margem financeira com clientes cresceu apenas 2,2%, um número modesto pra um banco do porte do Itaú. A explicação passa pelo cenário de juros em patamares historicamente baixos em 2018 (a Selic encerrou o ano em 6,50%), que comprime o spread bancário.

Pra entender como os múltiplos de valuation se comparam entre os dois bancos, o P/L (Preço/Lucro) é uma ferramenta fundamental. O Itaú historicamente negocia com prêmio sobre o Bradesco, justamente pelo ROE superior.

Guidance do Itaú pra 2019: aceleração à vista

Junto com os resultados de 2018, o Itaú divulgou suas projeções pra 2019. Os números indicam uma expectativa de aceleração:

A carteira de crédito total deve crescer entre 8% e 11%, acima dos 6,1% registrados em 2018. O custo do crédito (provisões pra devedores duvidosos) foi estimado entre R$ 14,5 bilhões e R$ 17,5 bilhões. As despesas não financeiras devem subir entre 5% e 8%.

Do lado do Bradesco, o guidance pra 2019 era ainda mais agressivo: crescimento da carteira de crédito entre 9% e 13%, com receita de tarifas avançando de 3% a 7%.

Na prática, os dois bancos sinalizaram que 2019 seria um ano de expansão mais forte do crédito, impulsionado pela retomada econômica gradual do Brasil. A diferença é que o Bradesco partia de uma base menor e com mais espaço pra ganhar eficiência.

O contexto setorial: bancos brasileiros no ciclo de recuperação

Os resultados de 2018 dos grandes bancos brasileiros refletem um momento de transição. O país vinha de uma recessão brutal entre 2015 e 2016, e o setor bancário foi um dos primeiros a se recuperar.

A inadimplência caiu de forma consistente ao longo de 2017 e 2018, permitindo que os bancos reduzissem provisões e liberassem resultado. Esse efeito beneficiou mais quem tinha provisões mais pesadas, caso do Bradesco, que sofreu mais com a integração do HSBC Brasil (adquirido em 2016).

O Itaú, por outro lado, já tinha limpado boa parte da carteira problemática antes e operava mais próximo do seu potencial. Por isso, o crescimento incremental ficou mais difícil.

Outro fator relevante é a competição crescente das fintechs e bancos digitais, que começavam a pressionar as receitas de tarifas dos bancões. Nubank, Inter e outras plataformas ganhavam escala rapidamente, forçando os incumbentes a repensar suas estruturas de receita.

Pra quem quer se aprofundar na análise das ações do Itaú, vale conferir o guia sobre como investir em Itaú (ITUB4).

ITUB4 vs. BBDC4: qual banco era a melhor aposta?

A resposta não é simples, porque depende do que o investidor priorizava.

O Itaú oferecia ROE superior (21,9% contra 19,0%), inadimplência mais baixa (2,9% contra 3,51%) e uma operação mais eficiente. Era o banco "premium", com execução consistente trimestre após trimestre.

O Bradesco, por sua vez, tinha mais espaço pra crescer. A integração do HSBC estava gerando sinergias, a inadimplência caía rápido e o guidance pra 2019 era mais agressivo. Pra quem buscava valorização, o Bradesco apresentava uma tese de catching up interessante.

E de fato, olhando pra frente, o Bradesco entregou crescimento de 20% no lucro em 2019, contra 10,2% do Itaú. O ROE do Bradesco subiu pra 20,6% e o do Itaú pra 23,7%. Ou seja: o Itaú seguiu na liderança, mas o Bradesco continuou encurtando a diferença.

A história dos grandes investidores mostra que apostar contra bancos líderes raramente dá certo no longo prazo. Mas momentos de catch up de concorrentes criam oportunidades táticas. Algumas das piores operações da história aconteceram justamente quando investidores ignoraram sinais claros de mudança nos fundamentos.

O que esses resultados dizem sobre o setor bancário

O balanço de 2018 do Itaú e do Bradesco mostra um setor financeiro saudável, com lucros recordes e inadimplência em queda. Mas também revela a dificuldade de manter taxas elevadas de crescimento quando se opera perto do teto de eficiência.

O Itaú provou que é o banco mais rentável do Brasil, com uma máquina de geração de lucro impressionante. O desafio, a partir dali, era encontrar novas avenidas de crescimento num mercado cada vez mais competitivo e com juros estruturalmente mais baixos.

O Bradesco mostrou que ainda tinha lenha pra queimar, com a digestão do HSBC gerando ganhos de eficiência e a carteira de crédito acelerando. O diferencial de crescimento entre os dois bancos se tornou um dos debates mais relevantes do mercado financeiro brasileiro naquele período.

Pra o investidor de longo prazo, o recado é claro: no setor bancário brasileiro, a liderança em rentabilidade importa, mas a velocidade de melhoria operacional também pesa na hora de montar posição. E com R$ 25,7 bilhões de lucro, o Itaú provou que o maior banco privado do país continua sendo uma referência difícil de alcançar.


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