
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e pivô do maior escândalo bancário da história do Brasil, está negociando sua delação premiada com a PGR e a Polícia Federal. E a novidade que surgiu nesta terça-feira (25) é que ele quer incluir seu cunhado, Fabiano Zettel, no acordo de colaboração. A movimentação acontece no mesmo dia em que os bancos brasileiros precisam depositar R$ 32,5 bilhões em aporte emergencial no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), drenado pelo rombo do Master.
Pra quem acompanha o mercado, o timing não é coincidência. A delação tem potencial de arrastar até 15 políticos (entre deputados federais e senadores) e pelo menos dois servidores do Banco Central que teriam atuado como "consultores informais" de Vorcaro durante a crise. O caso já pressiona o Ibovespa e mantém o setor bancário em alerta desde o início do ano.
Fabiano Zettel, 50 anos, é casado com Natalia Vorcaro, irmã de Daniel. Pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha, ele fundou a Moriah Asset, um fundo de investimentos que a PF identificou como um dos braços operacionais do esquema.
Os números são pesados. Segundo a investigação, Zettel recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa apontada pela PF como canal de pagamento a uma milícia privada que monitorava e pressionava pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. Além disso, movimentou outros R$ 190 milhões por meio de um fundo sob investigação.
O patrimônio pessoal de Zettel triplicou em quatro anos. Ele também aparece como um dos maiores doadores individuais nas eleições de 2022: R$ 3 milhões pra campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões pra Tarcísio de Freitas.
Zettel foi preso junto com Vorcaro em 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero. O STF manteve a prisão preventiva de ambos por 4 votos a 0 na Segunda Turma.
Vorcaro assinou o termo de confidencialidade com a PF e a PGR em 19 de março, o primeiro passo formal pra iniciar as negociações. Ele foi transferido pra sede da Polícia Federal justamente pra facilitar os depoimentos.
A expectativa é que o processo de colaboração leve de 3 a 6 meses pra ser formalizado, com conclusão prevista entre junho e setembro de 2026. Mas os efeitos políticos já começaram a ser sentidos em Brasília.
Segundo apuração de diversos veículos, a delação pode expor contatos entre o ministro Alexandre de Moraes (STF) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o processo de liquidação do Master. Dois servidores do BC, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, já estão sendo investigados por supostamente terem atuado como consultores de Vorcaro nos bastidores.
Depois que Vorcaro sinalizou a delação, tanto Zettel quanto o ex-presidente do BRB também acenaram com disposição de colaborar com a PF. Isso pode criar um efeito cascata de revelações nas próximas semanas.
Pra entender a gravidade, é preciso olhar os números do colapso. O Banco Master emitiu cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, oferecendo taxas de até 177% do CDI, sem ter liquidez comprovada pra honrar esses compromissos. A fraude estimada pela PF gira em torno de R$ 17 bilhões, com criação de carteiras de crédito fictícias.
O FGC já pagou R$ 38,4 bilhões a cerca de 675 mil dos 800 mil credores do banco. Ainda restam aproximadamente R$ 800 milhões em valores não resgatados. Ao todo, 1,6 milhão de clientes e 1.400 funcionários foram afetados pela liquidação.
Pra cobrir o rombo, que representou mais de um terço do patrimônio do FGC (o fundo tinha R$ 122 bilhões antes da crise), os bancos do sistema financeiro precisam fazer hoje o aporte emergencial de R$ 32,5 bilhões. Esse dinheiro sai do caixa dos próprios bancos, o que explica por que o setor bancário na bolsa tem operado com tanta cautela. Pra quem quer entender melhor como o cenário macroeconômico se conecta com tudo isso, vale a leitura sobre como a Selic afeta seus investimentos.
O Banco de Brasília (BRB) tentou comprar o Banco Master em março de 2025, mas o Banco Central rejeitou a operação em setembro do mesmo ano. A investigação revelou que o BRB injetou cerca de R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, sendo que pelo menos R$ 12,2 bilhões foram em operações sem garantia com evidências de fraude.
Vorcaro disse à PF que um diretor do BC recomendou a venda ao BRB, afirmando que havia "zero chance" de o Banco Central barrar o negócio. Já o ex-presidente do BRB apresentou uma versão diferente durante acareação realizada em janeiro. Essa contradição é um dos pontos que a delação pretende esclarecer.
A Justiça bloqueou ações do BRB vinculadas ao Banco Master em fevereiro de 2026, adicionando mais uma camada de incerteza ao caso.
O "efeito Banco Master" vem contaminando o setor bancário no Ibovespa desde que a crise se aprofundou. Em janeiro, o índice caiu 1,03%, com Santander (SANB11) recuando 2,27% e Banco do Brasil (BBAS3) perdendo 1,90% num único pregão de pressão.
O receio do mercado não é só pelo rombo em si. A preocupação maior é com o risco sistêmico e com a credibilidade do sistema financeiro nacional. Se a delação confirmar envolvimento de servidores do Banco Central, a percepção de governança das instituições reguladoras pode sofrer um baque significativo.
Analistas também alertam que a pressão política em torno do caso pode ter reflexo na condução da política monetária. Se a confiança no BC for abalada, o prêmio de risco sobe, o dólar se fortalece e investidores estrangeiros ficam mais cautelosos com o Brasil. Na comunidade da Traders, os traders estão acompanhando de perto cada desdobramento da delação, justamente porque as ramificações pro mercado podem ser profundas e duradouras.
Pra quem precisa de contexto rápido: o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e subsidiárias em 18 de novembro de 2025. Em janeiro de 2026, o Will Bank (banco digital do grupo) também foi liquidado. Em fevereiro, foi a vez do Banco Pleno e sua DTVM. No total, 8 instituições financeiras ligadas ao Master foram liquidadas.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em uma fase anterior da Operação Compliance Zero e liberado. A segunda prisão, em 4 de março de 2026, resultou em detenção preventiva mantida pelo STF. Agora, preso na sede da PF, ele tenta negociar a colaboração que pode redesenhar o mapa político do escândalo.
O pregão desta terça-feira (25) opera sob dois fatores de pressão diretamente ligados ao caso Master. Primeiro, o aporte de R$ 32,5 bilhões no FGC vence hoje, o que pode impactar a liquidez de bancos menores. Segundo, cada avanço na delação de Vorcaro adiciona incerteza política ao mercado.
O setor bancário merece atenção especial. Papéis de bancos de médio porte e instituições com exposição a CDBs de alto risco podem sofrer volatilidade. Quem opera no mercado americano pela B3, via BDRs, pode encontrar nesse cenário um argumento adicional pra diversificação geográfica da carteira.
O caso Banco Master já é o maior escândalo financeiro do Brasil. Com a delação avançando e potencialmente atingindo 15 nomes do Congresso e servidores do próprio Banco Central, os desdobramentos dos próximos meses vão definir não só o destino de Vorcaro e Zettel, mas a confiança do mercado nas instituições que regulam o sistema financeiro do país.
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