
A Multiplan (MULT3) paga nesta terça-feira, 31 de março, juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 0,075 por ação. Mas ela não está sozinha: ao todo, sete empresas listadas na B3 distribuem proventos hoje, somando dividendos e JCP que vão parar na conta de milhares de investidores brasileiros.
É o típico "fim de mês gordo" no calendário de proventos. Além da Multiplan, pagam hoje Moura Dubeux (MDNE3), M Dias Branco (MDIA3), Allied Tecnologia (ALLD3), Metisa (MTSA3/MTSA4), Dimed (PNVL3) e Isa Energia (ISAE3/ISAE4). Os valores vão de R$ 0,07 a R$ 1,41 por ação.
O JCP da Multiplan que cai na conta hoje é relativamente modesto: R$ 0,075 bruto por ação ordinária. Considerando o desconto de 15% de Imposto de Renda retido na fonte (padrão pra JCP), o valor líquido fica em torno de R$ 0,064.
Pra quem acompanha a empresa, esse pagamento não é novidade. A Multiplan tem uma política consistente de distribuir proventos ao longo do ano, alternando entre dividendos e JCP. Em 20 de março, a companhia já tinha depositado outro JCP, aquele de R$ 0,225 por ação, referente a uma aprovação do conselho de março de 2025, totalizando R$ 110 milhões.
No acumulado dos últimos 12 meses, a Multiplan entrega um dividend yield entre 3,3% e 4,2%, dependendo da metodologia de cálculo. Com a ação negociada na faixa de R$ 30,40, é um retorno que fica abaixo da média do Ibovespa pra ações de dividendos, mas acima de muitos pares do setor de shoppings.
A Multiplan é dona de um dos portfólios de shopping centers mais premium do Brasil, com empreendimentos como o BarraShopping (RJ), MorumbiShopping (SP) e ParkShopping (DF). A empresa tem focado em expansão orgânica e aumento de receita por metro quadrado, o que sustenta a distribuição de proventos mesmo em cenários de juros altos.
Comparando com pares do setor, a Iguatemi (IGTI11) tem yield similar, na casa de 3% a 4%, enquanto a Allos (ALOS3) vem entregando yields levemente superiores após reestruturação. O setor de shoppings como um todo tem sido pressionado pelo patamar elevado da Selic, que compete com a renda fixa por capital dos investidores.
Mas vale lembrar: o conselho da Multiplan aprovou recentemente mais um JCP robusto, de R$ 140 milhões (cerca de R$ 0,285 por ação), com data-com em 30 de março. Esse montante será pago em data futura, mas já garante que a empresa segue firme na política de remuneração ao acionista.
Quem comprou Moura Dubeux (MDNE3) até 30 de dezembro de 2025 recebe hoje a terceira parcela de um programa de dividendos de R$ 351,6 milhões. O valor desta parcela é de R$ 0,5918 por ação ordinária, isento de IR na fonte (por ser dividendo, não JCP).
O programa todo soma R$ 4,16 por ação, distribuído em sete parcelas trimestrais. A estratégia da construtora nordestina é clara: remunerar o acionista de forma previsível sem comprometer o caixa de uma vez só. As parcelas caem no último dia útil de cada trimestre, e a última está prevista pro terceiro trimestre de 2027.
A Moura Dubeux é referência no mercado imobiliário do Nordeste, com foco em média e alta renda. A empresa vem entregando resultados sólidos, com crescimento de vendas líquidas e melhora de margens. O dividend yield anualizado, considerando o programa completo, fica na faixa de 8% a 10%, o que coloca a MDNE3 entre as construtoras mais generosas da B3 em termos de remuneração.
A M Dias Branco, dona de marcas como Piraquê, Vitarella e Adria, lidera o ranking de proventos desta terça com um dividendo de R$ 1,41 por ação. A data-com foi 24 de março, então quem tinha o papel nessa data recebe o crédito hoje.
A empresa de alimentos tem uma política de distribuição que acompanha os resultados operacionais. Nos últimos trimestres, a M Dias Branco vinha sofrendo com pressão nos custos de trigo e queda de volume em algumas categorias, mas os últimos balanços mostraram recuperação de margens, o que viabilizou essa distribuição mais robusta.
Pra facilitar, aqui vai o resumo de quem paga o quê hoje:
Moura Dubeux (MDNE3): R$ 0,5918 por ação (3ª parcela do programa de R$ 351,6 milhões). Data-com: 30/12/2025.
M Dias Branco (MDIA3): R$ 1,410 por ação. Data-com: 24/03/2026.
Allied Tecnologia (ALLD3): R$ 0,421 por ação.
Multiplan (MULT3): R$ 0,075 por ação (bruto). Líquido após IR de 15%: ~R$ 0,064.
Dimed (PNVL3): R$ 0,075 por ação (bruto).
Metisa (MTSA3): R$ 1,100 por ação (bruto). Metisa (MTSA4): R$ 1,210 por ação (bruto).
Isa Energia (ISAE3/ISAE4): R$ 0,251 por ação (bruto). Data-com: 20/02/2026.
Uma diferença importante: dividendos são isentos de IR pra pessoa física (pelo menos até a eventual aprovação da reforma tributária sobre dividendos), enquanto JCP sofre retenção de 15% na fonte. Isso significa que o valor líquido recebido pelo investidor é menor no caso do JCP, embora pra empresa essa forma de distribuição traga vantagem fiscal.
Muita gente confunde os dois, e faz sentido: no fim, dinheiro cai na conta do mesmo jeito. Mas a mecânica é diferente. O dividendo é distribuído a partir do lucro líquido já tributado da empresa. Já o JCP é contabilizado como despesa financeira antes do lucro, o que reduz a base de cálculo do IR e CSLL da companhia.
Pra empresa, o JCP é mais eficiente do ponto de vista tributário. Pra você, investidor, o dividendo é melhor porque não tem desconto. Por isso, quando for comparar yields entre empresas que pagam predominantemente dividendos e empresas que preferem JCP, lembre de fazer o ajuste pelo IR de 15%. Se quiser entender melhor, vale ler sobre proventos na bolsa: como funcionam dividendos e JCP na prática.
O acúmulo de pagamentos no fim de março não é coincidência. Muitas empresas aprovam proventos no início do ano, referentes ao exercício anterior, com pagamento programado pro final do primeiro trimestre. É o ciclo natural de resultados anuais, assembleias e deliberações de conselho.
Pra quem está montando uma estratégia focada em renda passiva, entender esse calendário é fundamental. Os meses de março, maio, agosto e novembro costumam concentrar pagamentos, enquanto janeiro e julho tendem a ser mais magros. Quem quer saber mais sobre essa estratégia pode conferir o guia sobre as melhores ações para dividendos em 2026.
Outro ponto relevante: em um cenário de Selic elevada, como o atual, as empresas que mantêm ou aumentam suas distribuições sinalizam confiança na geração de caixa. A Multiplan, por exemplo, não só manteve os pagamentos como aprovou um novo JCP de R$ 140 milhões, mostrando que o fluxo de receita dos shoppings segue saudável.
No segmento de shoppings e incorporadoras, a disputa por yield é acirrada. A Multiplan, com seus 3,3% a 4,2% nos últimos 12 meses, fica em posição intermediária. A Moura Dubeux, com o programa de R$ 4,16 por ação, pode entregar algo perto de 8% a 10% anualizado, mas é uma construtora (perfil de risco diferente de uma operadora de shoppings).
Os fundos imobiliários de shopping, como XPML11 e VISC11, costumam entregar yields mensais que anualizados ficam entre 7% e 9%, com a vantagem de rendimentos isentos de IR pra pessoa física. Pra quem gosta de comparar, o guia sobre proventos: o que é e como funciona ajuda a entender as diferenças entre ações e FIIs nesse quesito.
Se você investe com foco em renda passiva, manter um calendário atualizado é essencial. Os sites de relações com investidores das empresas publicam os comunicados oficiais com datas e valores. A B3 também disponibiliza um calendário consolidado.
A dica é simples: anote a data-com (último dia pra ter direito ao provento) e a data de pagamento. Algumas empresas pagam semanas depois da data-com, outras levam meses. No caso da Moura Dubeux, por exemplo, a data-com foi em dezembro de 2025, mas os pagamentos se estendem até 2027.
Pra quem está começando e quer entender como encaixar dividendos na estratégia de investimento, mesmo com pouco capital, vale a leitura sobre como investir com R$ 100 por mês.
Com o fim de março, o mercado já começa a olhar pros resultados do primeiro trimestre de 2026, que serão divulgados entre abril e maio. Empresas como Multiplan devem reportar dados de vendas nos shoppings, taxa de ocupação e inadimplência, que são os principais drivers pra futuras distribuições.
A expectativa é que o setor de shoppings continue resiliente, mesmo com a Selic em patamar restritivo. O consumo presencial tem se mantido forte, e os shoppings premium da Multiplan historicamente sofrem menos em ciclos de desaceleração econômica.
Já a Moura Dubeux segue como aposta no mercado imobiliário nordestino, que tem dinâmica própria e tem se beneficiado de migração de renda e investimentos em infraestrutura na região. O programa de dividendos robusto é reflexo direto dessa fase positiva da construtora.
O calendário de proventos do segundo trimestre deve trazer novas oportunidades, especialmente após as assembleias ordinárias de abril. Ficar atento às datas-com é o primeiro passo pra capturar esses rendimentos e ir construindo uma carteira que gere renda de forma consistente ao longo do ano. Quem quiser se aprofundar pode conferir também as melhores ações do Ibovespa em 2026.
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