
O mercado de criptomoedas acordou nesta quinta-feira (10) com uma cena que vem se repetindo em 2026: o Bitcoin segurando a posição enquanto o Ethereum e os principais altcoins derretem. Nas últimas 24 horas, o BTC opera em leve alta de 1,8%, cotado a cerca de US$ 71.900. Já o ETH recua mais de 1,3%, negociado na faixa de US$ 2.170. A divergência entre as duas maiores criptos do mundo é a história mais importante do mercado digital neste momento.
No acumulado de 2026, a diferença é brutal. Enquanto o Bitcoin perdeu cerca de 23% desde o pico de US$ 87.500 registrado em janeiro, o Ethereum despencou mais de 30% no mesmo período. Se a conta partir do topo histórico de aproximadamente US$ 5.000, atingido em agosto de 2025, a moeda de Vitalik Buterin já devolveu 57% do seu valor.
A resposta curta: fuga pra qualidade. Quando o cenário macro aperta, os investidores institucionais tendem a concentrar posições no ativo mais líquido e consolidado. E isso aparece nos números.
A dominância do Bitcoin no mercado cripto atingiu 59%, o maior patamar em meses. O Altcoin Season Index, que mede se o momento favorece altcoins ou Bitcoin, marca apenas 34 de 100. Ou seja, estamos em plena "Bitcoin Season", território onde quem apostou em altcoins sente a dor.
Pra quem acompanha o mercado de criptomoedas via BDRs na B3, o recado é claro: a seletividade nunca foi tão importante. A maré não está levantando todos os barcos.
Um dos fatores mais concretos por trás da fraqueza do ETH é a dinâmica dos ETFs spot de Bitcoin. Depois de serem o grande motor da alta em 2025, esses fundos registraram saídas líquidas de aproximadamente US$ 6,81 bilhões entre meados de janeiro e meados de março de 2026. Quando o dinheiro institucional sai, o mercado inteiro sente.
Mas o ETH sofreu um golpe adicional no sentimento: Vitalik Buterin, cofundador da rede Ethereum, vendeu parte de suas reservas nos últimos meses. Mesmo que a venda tenha sido relativamente pequena no contexto total, o sinal psicológico foi devastador. Quando o criador do projeto reduz exposição, o mercado interpreta como falta de confiança.
Plataformas de apostas como o Polymarket chegaram a precificar 60% de probabilidade de o Ethereum perder a segunda posição no ranking de market cap para a USDT, a stablecoin da Tether. É um cenário que parecia impensável há um ano.
Não é só o Ethereum. O mercado de criptomoedas como um todo opera sob um combo de pressões que vem desde o início do ano.
Tensão geopolítica no Oriente Médio: A Operação Epic Fury, lançada pelos EUA contra o Irã, elevou a aversão ao risco global. Na quarta-feira (8), um anúncio de cessar-fogo gerou um breve alívio, mas já na quinta a esperança esfriou. O Qatar alertou que a situação pode escalar, e o mercado voltou ao modo defensivo.
Tarifas comerciais: Em fevereiro, Trump anunciou aumento de 15% em tarifas globais, expandindo as medidas iniciadas em outubro de 2025. A consequência direta é expectativa de inflação mais alta nos EUA, o que reduz a chance de cortes de juros pelo Fed.
Fed "higher for longer": O Federal Reserve segue sinalizando juros elevados por mais tempo. Dólar forte é veneno pra ativos de risco, e cripto é o primeiro a sentir. Quem investe precisa entender como funciona essa dinâmica entre juros e ativos. Vale conferir nosso guia sobre como o Ibovespa funciona na prática pra ter uma base sobre como o macro mexe com os mercados.
Com o mercado de derivativos altamente alavancado, cada queda de preço aciona liquidações forçadas que amplificam o movimento. Nos piores momentos de 2026, mais de US$ 1,5 bilhão em posições compradas (long) foram liquidadas em janelas de 24 horas. É o efeito dominó clássico de mercados alavancados.
O Ethereum não está sozinho na queda. Solana (SOL) opera na faixa de US$ 83, com recuo de 1,6% nas últimas 24 horas. O XRP cai entre 1,6% e 3,2%, cotado a US$ 1,33. Dogecoin e outras memecoins também cedem terreno.
Na contramão, projetos ligados a inteligência artificial, como Bittensor e Hyperliquid, mostraram alguma resiliência relativa em abril. Mas são exceções, não regra.
O market cap total do mercado cripto gira em torno de US$ 2,45 trilhões, com alta marginal no dia puxada quase exclusivamente pelo Bitcoin.
O nível de US$ 2.000 é o grande suporte psicológico do Ethereum. Se perder essa região, o cenário técnico deteriora rápido. A resistência mais próxima está em US$ 2.300.
Na comunidade da Traders, os traders estão divididos. Parte vê a queda como oportunidade de acumulação pra quem tem horizonte mais longo. Outra parte prefere esperar uma definição no cenário geopolítico antes de aumentar posição. O consenso parece ser cautela.
Pra quem quer entender como acessar esse mercado sem abrir conta no exterior, nosso guia sobre Bitcoin e Ethereum via BDRs pela B3 explica o caminho.
O dia começa com o mercado digerindo a fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio. Qualquer escalada pode derrubar cripto e bolsas globais simultaneamente. Por outro lado, uma confirmação de trégua tende a gerar alívio rápido, como já aconteceu na quarta.
Historicamente, abril é um dos melhores meses pro Bitcoin. Desde 2013, o BTC fechou positivo em 9 de 13 anos neste mês. Mas 2026 não tem sido um ano de respeitar médias históricas.
O fato mais relevante pra acompanhar: a divergência entre BTC e ETH. Enquanto o Bitcoin mantém certa estabilidade, o Ethereum testa limites que podem redefinir a hierarquia do mercado cripto. Se o ETH perder US$ 2.000 de forma sustentada, a narrativa de "segunda maior cripto do mundo" vai precisar de uma revisão séria.
Independente da direção, uma coisa é certa: operar cripto em 2026 exige gestão de risco apertada e zero espaço pra decisões emocionais. O mercado está punindo quem opera sem plano.
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