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CMDB11 sobe 15% no ano e humilha o Ibovespa

Publicado em
18/3/2026
Brent recua abaixo de US$ 70 após OPEP+ sinalizar aumento de produção em maio
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O CMDB11, ETF de commodities da B3, fechou esta quarta-feira acumulando quase 15% de valorização em 2026, num momento em que mais de 80% das ações do Ibovespa operam no vermelho só em março. Enquanto o índice devolveu boa parte dos ganhos do ano e ronda os 180 mil pontos, o fundo que concentra 40% do portfólio em petróleo e gás surfou a disparada do Brent acima de US$ 107 por barril.

A conta é simples: desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques militares ao Irã no dia 28 de fevereiro, o petróleo já subiu mais de 40%. E o CMDB11, que replica o índice Teva Ações Commodities Brasil, capturou essa alta de forma direta, dado o peso de Petrobras, PRIO e 3R Petroleum na carteira.

O que está por trás da disparada do petróleo

A escalada militar no Golfo Pérsico é o combustível (literal) dessa alta. No dia 2 de março, drones iranianos atingiram a refinaria de Ras Tanura, a maior da Arábia Saudita. A Saudi Aramco suspendeu parte da produção e redirecionou exportações. O mercado, que já precificava algum prêmio de risco, entrou em modo de pânico.

No dia 13, o Irã escalou ainda mais: lançou cerca de 100 drones contra a Arábia Saudita num único dia, o maior ataque desde o início do conflito. E nesta semana, a diplomacia iraniana ameaçou abertamente atingir instalações de petróleo e gás na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes e no Catar.

O Brent fechou hoje cotado a US$ 107,38, com alta de 3,83% no dia. O WTI ficou perto de US$ 96. Pra quem acompanha a relação entre commodities e a bolsa brasileira, o cenário é claro: quando o petróleo dispara, os papéis ligados ao setor puxam, mas o restante da bolsa sofre com a incerteza global.

CMDB11 vs. Ibovespa: por que a diferença é tão grande?

O Ibovespa acumula algo entre 10% e 11,5% de alta no ano, dependendo do dia. Parece um número bom isoladamente. Mas o índice vinha de uma arrancada forte em janeiro e fevereiro, acima de 12%, e março está corroendo os ganhos. A queda no mês já passa de 5,9%.

O CMDB11, ao contrário, acelerou justamente quando a bolsa desacelerou. A explicação está na composição: o ETF não carrega bancos, varejistas ou construtoras. É um fundo concentrado em empresas produtoras de commodities: petróleo, minério, celulose, açúcar, etanol. Quando o ciclo de commodities aquece, ele performa. Quando esfria, fica pra trás.

E o ciclo agora, claramente, está quente. Além do petróleo, o minério de ferro segue sustentado pela demanda chinesa, e a celulose encontrou um piso mais alto depois das restrições de oferta na Escandinávia. O Ibovespa, por ter uma composição muito mais diversificada, dilui esses ganhos com o peso dos setores que sofrem com juros altos e dólar caro.

Como o CMDB11 funciona na prática

O CMDB11 é um ETF listado na B3, gerido pelo BTG Pactual. Ele replica o índice Teva Ações Commodities Brasil, que reúne as principais empresas brasileiras ligadas à produção de commodities. A taxa de administração é de 0,50% ao ano, sem come-cotas e sem IOF.

Na prática, ao comprar uma cota do CMDB11 (que hoje gira em torno de R$ 16,90), o investidor se expõe a uma cesta diversificada de produtores: Petrobras, Vale, Suzano, PRIO, São Martinho, entre outros. Não é uma aposta pura em petróleo, mas o setor de óleo e gás responde por cerca de 40% do portfólio, o que explica a sensibilidade à cotação do barril.

Em 12 meses, o fundo acumula algo próximo de 24% a 33% de retorno, dependendo da janela exata. É um desempenho que chama atenção, especialmente quando comparado com a maioria dos fundos de ações brasileiros, que sofrem com a rotação de setores provocada pelo ciclo de alta da Selic.

O risco que ninguém quer ouvir

Antes de achar que commodities só sobem: o CMDB11 é um fundo de renda variável e carrega todos os riscos típicos. Se amanhã os Estados Unidos e o Irã chegarem a um cessar-fogo, o petróleo pode devolver boa parte dessa alta em questão de dias. E o ETF vai junto.

Além disso, o dólar a R$ 5,32 (maior patamar desde janeiro) é uma faca de dois gumes. Por um lado, beneficia exportadores de commodities, que vendem em dólar. Por outro, pressiona a inflação doméstica e pode forçar o Banco Central a manter a Selic elevada por mais tempo, o que prejudica o crescimento econômico como um todo.

Na comunidade da Traders, os traders têm discutido bastante esse dilema: até que ponto faz sentido concentrar posição em commodities quando o cenário geopolítico pode mudar da noite pro dia? A maioria concorda que o CMDB11 funciona melhor como instrumento de hedge dentro de uma carteira diversificada do que como aposta direcional isolada.

O efeito cascata do Golfo no mercado brasileiro

O conflito no Oriente Médio não afeta só quem opera petróleo. A tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, eleva o prêmio de risco global. Isso faz o dólar subir, os treasuries americanos se valorizarem e o fluxo de capital sair de mercados emergentes como o Brasil.

Resultado: mesmo com as melhores ações do Ibovespa em setores defensivos tentando segurar o índice, a pressão vendedora de março já fez o mercado devolver quase 6% no mês. O investidor que não tinha exposição a commodities sentiu o peso dessa rotação.

O que esperar daqui pra frente

O mercado de petróleo está precificando dois cenários opostos. No mais otimista, uma mediação internacional (possivelmente liderada pela China) reduz as hostilidades e o Brent volta pra faixa de US$ 85 a US$ 90. No pessimista, novos ataques a infraestrutura de petróleo empurram o barril acima de US$ 120, o que não acontece desde 2022.

Pra o investidor brasileiro, o recado do mercado neste primeiro trimestre é claro: diversificação não é opcional. Quem tinha apenas ações domésticas cíclicas perdeu dinheiro em março. Quem tinha commodities na carteira, seja via CMDB11, seja via papéis individuais como PETR4 e PRIO3, conseguiu amortecer o impacto.

O CMDB11 não é bala de prata. Nenhum ativo é. Mas num cenário onde o petróleo é protagonista e a análise técnica dos gráficos mostra momentum comprador nos papéis de energia, ignorar completamente a tese de commodities pode custar caro.

O fechamento de hoje reforça: enquanto o Ibovespa tropeça, o petróleo e seus derivados seguem ditando o ritmo do mercado brasileiro em 2026.


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