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Bolsa estende pregão noturno para derivativos digitais e metais

Publicado em
20/4/2026
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Bolsa estende pregão noturno para derivativos digitais e metais
Bolsa estende pregão noturno para derivativos digitais e metais
Bolsa estende pregão noturno para derivativos digitais e metais

A partir desta segunda-feira (20), os contratos futuros de Bitcoin (BIT), Ethereum (ETR), Solana (SOL) e ouro (GLD) na B3 passam a ser negociados das 8h às 20h, totalizando 12 horas de pregão diário. A mudança representa a segunda fase da ampliação de horários que a bolsa brasileira vem implementando desde março, e coloca esses produtos mais perto da dinâmica de negociação dos mercados internacionais.

Pra quem opera esses contratos, o impacto é direto: a janela de negociação praticamente dobra em relação ao horário tradicional. Na prática, o investidor que trabalha durante o dia comercial e só consegue acompanhar o mercado no fim da tarde agora tem até as 20h pra ajustar posições, reagir a notícias e aproveitar movimentos de preço que antes escapavam do pregão regular.

Como funcionou a ampliação em duas fases

A B3 dividiu essa mudança em dois momentos. Na primeira fase, que começou em 9 de março de 2026, o pregão de cripto e ouro foi antecipado das 9h pra 8h, com encerramento mantido às 18h30. Foi uma espécie de teste controlado, que já deu ao investidor uma hora extra pela manhã.

Agora, na segunda fase, o encerramento pula das 18h30 pra 20h. Somando tudo, são 12 horas contínuas de operação, de segunda a sexta. É um salto relevante pra um mercado que, até o início do ano, tinha janela de negociação bem mais restrita pra esses ativos.

Segundo Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, a decisão responde a uma demanda crescente dos investidores por flexibilidade. "Ao abrir a janela mais cedo e fechar mais tarde, a B3 permite que os investidores ajustem suas posições em um intervalo maior de tempo ao longo do dia, apoiados pela robustez da nossa infraestrutura, com a segurança regulatória e transparência de preços que o mercado organizado e supervisionado proporciona", afirmou o executivo.

Por que cripto e ouro juntos nessa mudança?

Pode parecer estranho agrupar criptomoedas e ouro na mesma decisão, mas faz sentido quando você olha pro perfil de negociação desses ativos. Tanto o Bitcoin quanto o ouro são negociados globalmente quase 24 horas por dia. O mercado de cripto literalmente não fecha, e o ouro tem pregões simultâneos em Londres, Nova York e Ásia que cobrem praticamente o dia inteiro.

Quando a B3 restringia esses futuros ao horário comercial brasileiro (das 9h às 18h30), o investidor perdia a capacidade de reagir a movimentos que aconteciam fora dessa janela. Uma decisão do Federal Reserve às 15h de Washington (17h de Brasília em horário de verão americano), por exemplo, podia gerar uma oscilação forte no ouro e no Bitcoin que só seria refletida no pregão do dia seguinte.

Com o encerramento às 20h, a B3 captura uma fatia maior dessas movimentações, especialmente as que acontecem no fim do pregão americano. Quem opera ouro e metais preciosos via ETFs e BDRs na B3 já conhece essa dinâmica de buscar produtos que acompanhem o ativo global de perto.

O que são esses contratos futuros na prática

Vale lembrar que estamos falando de contratos futuros, não de compra direta de criptomoedas ou ouro físico. Os futuros de cripto da B3 são cotados em dólares e referenciados a índices da Nasdaq. O contrato de Bitcoin (BIT) tem como referência o Nasdaq Bitcoin Reference Price, enquanto Ethereum (ETR) e Solana (SOL) seguem seus respectivos índices Nasdaq.

O contrato de Ethereum equivale a 0,25 ETH e o de Solana a 5 SOL. Já o de Bitcoin, que foi o primeiro a ser lançado pela B3, já movimenta cifras expressivas, com volume diário na casa dos bilhões de dólares.

O contrato de ouro (GLD) segue a mesma lógica de derivativo regulado, com a vantagem de operar dentro do ambiente da B3, com contraparte central garantida pela câmara de compensação. Isso elimina o risco de crédito entre as partes, algo que não existe quando você negocia cripto diretamente em exchanges descentralizadas.

Pra quem quer entender melhor como funciona a exposição a cripto dentro do ambiente regulado, vale conferir o guia sobre Bitcoin e Ethereum via BDRs na B3, que cobre as diferentes formas de acessar esses ativos.

O que muda na rotina operacional

A B3 informou que, após o encerramento da sessão estendida às 20h, serão disponibilizadas versões complementares dos arquivos de Boletim de Negócios e do Boletim de Negociação Simplificado pro Mercado de Derivativos. Esses documentos vão conter as estatísticas finais atualizadas especificamente pros futuros de cripto e ouro.

Na prática, isso significa que as corretoras e plataformas vão precisar se adaptar pra processar esses dados fora do horário habitual. Pro investidor pessoa física, a mudança é mais simples: basta ter acesso à plataforma de negociação no horário estendido.

Um ponto importante: a margem de garantia continua valendo normalmente durante todo o período estendido. Quem mantiver posições abertas após as 18h30 precisa ter margem suficiente depositada, como já acontece no horário regular.

Impacto na liquidez

A grande questão é se a liquidez vai acompanhar a extensão de horário. Não adianta ter 12 horas de pregão se o volume se concentra todo entre 10h e 16h e o resto fica com livro de ofertas vazio e spreads largos.

A experiência da fase 1, que rodou durante seis semanas (de março a abril), deve ter dado à B3 dados suficientes pra avaliar se a demanda realmente existe nas pontas do horário. O fato de terem confirmado a fase 2 indica que os números foram positivos.

Na comunidade da Traders, os traders que operam futuros de cripto estão de olho principalmente no período entre 18h30 e 20h. É nessa janela que coincidem movimentos do mercado americano no fim do pregão, e onde podem surgir oportunidades de arbitragem entre o futuro na B3 e o preço spot nas exchanges internacionais.

Contexto global: B3 corre atrás dos mercados internacionais

A ampliação de horário da B3 não acontece no vácuo. Bolsas ao redor do mundo estão expandindo suas janelas de negociação. A NYSE vem testando sessões estendidas. A CME Group, que é referência global em futuros, já oferece negociação de ouro praticamente 23 horas por dia. E o mercado de cripto, por natureza, nunca fecha.

Pro Brasil, que historicamente tem um pregão mais curto que os mercados desenvolvidos, cada hora a mais é um passo pra se tornar mais competitivo. A B3 já sinalizou que essa ampliação de cripto e ouro é parte de um processo gradual que pode se estender pra outros produtos no futuro.

Quem investe em ETFs de cripto na B3, como HASH11 e BITH11, deve ficar atento porque a dinâmica de preços desses ETFs também é indiretamente afetada. Embora os ETFs sigam no horário regular do mercado à vista, a existência de futuros com liquidez até as 20h pode influenciar a formação de preço na abertura do dia seguinte.

O que observar a partir de hoje

Pro investidor que já opera futuros de cripto e ouro na B3, a recomendação é direta: teste a liquidez no horário estendido antes de aumentar exposição. Observe o spread bid-ask entre 18h30 e 20h nos primeiros dias. Se os spreads estiverem aceitáveis e o volume razoável, a janela pode ser útil pra ajustes de posição no fim do dia.

Pra quem ainda não opera esses produtos, vale entender que futuros exigem margem de garantia e têm ajuste diário. São instrumentos alavancados, o que significa que tanto os ganhos quanto as perdas são amplificados. A extensão de horário é positiva pra gestão de risco (mais tempo pra reagir), mas não elimina o risco inerente ao instrumento.

O mercado abre às 8h desta segunda com as novas regras já valendo. Vai ser interessante acompanhar o volume e a liquidez nessas primeiras sessões de 12 horas pra entender se a demanda que a B3 mapeou realmente se materializa no livro de ofertas.


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