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BofA: Resultados da JBS reforçam status da companhia como uma ação de forte “carry”

Publicado em
30/3/2026
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BofA: Resultados da JBS reforçam status da companhia como uma ação de forte “carry”. Análise completa no blog da Traders.
BofA: Resultados da JBS reforçam status da companhia como uma ação de forte “carry”
BofA: Resultados da JBS reforçam status da companhia como uma ação de forte “carry”

A JBS (JBSS3) fechou 2025 com receita líquida recorde de US$ 86,2 bilhões e lucro líquido de US$ 2 bilhões, números que levaram o Bank of America a reforçar a recomendação de compra para as ações da maior processadora de proteínas do mundo. O banco americano manteve o preço-alvo em US$ 21 e destacou o perfil de "carry" da companhia, isto é, a capacidade de gerar retornos consistentes ao acionista via distribuição de caixa, mesmo em cenários operacionais adversos.

No quarto trimestre de 2025, a JBS reportou lucro líquido de US$ 415 milhões, praticamente estável na comparação com o mesmo período de 2024 (+0,5%). A receita líquida trimestral alcançou US$ 23 bilhões, crescimento de 15,5% em relação ao 4T24. O EBITDA ajustado, porém, recuou 7% no período, somando US$ 1,72 bilhão, com margem EBITDA de 7,4%, uma compressão de 1,8 ponto percentual.

O que o BofA viu nos números da JBS

A tese do Bank of America pra JBS vai além do trimestre. O banco projeta um dividend yield médio de 7,7% entre 2026 e 2030, patamar que poucos papéis do setor de alimentos conseguem entregar de forma sustentada. Pra quem não tá familiarizado com o conceito, vale entender como funciona o Carry Trade: o que é e como funciona.

O raciocínio é direto: mesmo com margens pressionadas no curto prazo, a JBS gera caixa suficiente pra devolver capital ao acionista de forma relevante. E a prova mais recente disso foi a aprovação de dividendos de US$ 1 por ação, com pagamento previsto pra 17 de junho de 2026.

O BofA reconhece que o momento operacional não é perfeito. Mas argumenta que a diversificação geográfica e de proteínas da JBS funciona como um amortecedor natural. Quando um segmento apanha, outro compensa. E no consolidado, o fluxo de caixa se mantém robusto.

Receita recorde, mas margem apertou

No acumulado de 2025, a receita de US$ 86,2 bilhões representou alta de 12% sobre 2024. O lucro líquido avançou 15%, chegando a US$ 2 bilhões. Já o EBITDA ajustado atingiu US$ 6,8 bilhões no ano, com margem consolidada de 7,9%.

A contradição aparente entre receita recorde e margens mais apertadas tem explicação. O segmento de carne bovina nos Estados Unidos, historicamente o maior da companhia, enfrentou custos elevados de gado ao longo de todo o ano. A oferta restrita de animais nos EUA pressiona os spreads do setor, e o BofA projeta que essa dinâmica deve persistir em 2026 e 2027, com margens próximas de zero ou levemente negativas nessa divisão.

Pra entender o peso de cada segmento nos resultados, é útil saber a diferença entre Ação Ordinária (ON): o que é e como funciona e Ação Preferencial (PN): o que é e como funciona, já que a JBS hoje negocia como JBSS3 na B3 e JBS na NYSE após a listagem dupla.

Os segmentos que seguraram o resultado

Se a operação de carne bovina americana puxou os números pra baixo, outros braços da JBS mais que compensaram.

Pilgrim's Pride (frango nos EUA)

A Pilgrim's Pride, subsidiária de frango nos Estados Unidos, entregou receita de US$ 18,5 bilhões no ano, alta de 3,5%, com margem operacional de 9,8%. É o tipo de margem que empresas de proteína animal sonham em manter. O segmento se beneficiou de preços firmes de frango no mercado americano e de ganhos de eficiência operacional.

Seara (Brasil)

A Seara foi outro destaque positivo. A receita anual cresceu 4,5%, alcançando US$ 9,17 bilhões, com margem de 12,5%. Exportações recordes e demanda aquecida no mercado doméstico foram os principais vetores. A marca consolidou sua posição como uma das operações mais rentáveis do portfólio da JBS.

JBS Brasil (carne bovina)

A operação brasileira de carne bovina cresceu 26% em receita no quarto trimestre, impulsionada por maior volume de abates, preços mais elevados e forte demanda tanto interna quanto externa. A dinâmica favorável do ciclo pecuário no Brasil contrasta com a situação nos EUA, onde a oferta de gado continua restrita.

Reação do mercado

As ações da JBS subiram 5,65% após a divulgação dos resultados do 4T25. No acumulado dos últimos 12 meses, o papel avançou cerca de 30%, negociando na faixa de R$ 39. O mercado interpretou positivamente a combinação de receita recorde com anúncio robusto de dividendos, mesmo diante da compressão de margens.

O múltiplo de preço sobre lucro (P/L) da JBSS3 está em 2,94, muito abaixo da média histórica da empresa, o que reforça a leitura de Value Stock (Ação de Valor): o que é e como funciona que analistas como o BofA aplicam ao papel. Quem acompanha o Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona sabe que esse indicador costuma ser central na análise de frigoríficos listados.

O que esperar da JBS nos próximos trimestres

O cenário de curto prazo tem desafios claros. A divisão de carne bovina nos EUA deve continuar com margens apertadas enquanto o ciclo de oferta de gado não se normalizar. Analistas projetam que isso pode levar de 12 a 24 meses.

Por outro lado, a JBS tem alavancas que poucas empresas do setor possuem. A listagem dupla nas bolsas de Nova York e São Paulo amplia o acesso a capital e investidores globais. A diversificação entre frango, suíno, bovino e alimentos processados distribui risco de forma que nenhum concorrente direto consegue replicar na mesma escala.

O BofA também aponta que eventuais tarifas comerciais e tensões geopolíticas podem ter impacto no setor de proteínas como um todo. Mas argumenta que a presença da JBS em múltiplos continentes, incluindo Austrália e Europa, funciona como hedge natural contra riscos concentrados em um único mercado.

Contexto setorial: proteínas em 2026

O setor de proteínas passa por um momento de bifurcação. De um lado, frango e suíno vivem margens saudáveis, beneficiados por custos de ração mais estáveis e demanda global crescente. Do outro, a carne bovina nos EUA enfrenta o pior momento do ciclo pecuário em décadas.

Pra a JBS, essa dinâmica é paradoxalmente favorável no médio prazo. A empresa é a maior do mundo em receita no setor e opera em todos esses segmentos simultaneamente. Quando o ciclo bovino nos EUA virar, e ele vai virar, o efeito sobre os resultados será amplificado positivamente, já que os demais segmentos devem continuar performando bem.

Outras casas de análise compartilham visão semelhante. O BTG Pactual elegeu a JBS como favorita entre os frigoríficos brasileiros, e o consenso de mercado aponta preço-alvo médio acima dos patamares atuais de negociação.

Os números que resumem o balanço

Pra facilitar a leitura, os principais indicadores do 4T25 e do ano de 2025:

Receita líquida 4T25: US$ 23 bilhões (+15,5% YoY)

Lucro líquido 4T25: US$ 415 milhões (+0,5% YoY)

EBITDA ajustado 4T25: US$ 1,72 bilhão (-7% YoY)

Margem EBITDA 4T25: 7,4% (-1,8 p.p.)

Receita líquida 2025: US$ 86,2 bilhões (+12% YoY, recorde)

Lucro líquido 2025: US$ 2 bilhões (+15% YoY)

EBITDA ajustado 2025: US$ 6,8 bilhões

Dividendo aprovado: US$ 1 por ação (pagamento em 17/06/2026)

Dividend yield projetado (BofA): 7,7% médio entre 2026 e 2030

A JBS encerra 2025 consolidada como a maior empresa de proteínas do planeta, com receita recorde e uma política de distribuição de caixa que sustenta a tese de carry defendida pelo Bank of America. O desafio agora é provar que a diversificação segura o resultado mesmo quando o maior segmento individual da companhia opera no vermelho. Pelos números apresentados, a resposta até aqui tem sido sim.


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