Notícias

Ativos digitais multiplicam capital por 8 em quatro anos

Publicado em
6/5/2026
Compartilhar:
Ativos digitais multiplicam capital por 8 em quatro anos
Ativos digitais multiplicam capital por 8 em quatro anos
Ativos digitais multiplicam capital por 8 em quatro anos

A Empiricus, uma das maiores casas de análise do país, abriu o acesso à sua carteira recomendada de criptomoedas, que acumulou retorno de 750% entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. O movimento chega num momento delicado pro investidor brasileiro: olhar só pra rentabilidade passada pode confundir o ciclo recente do bitcoin com uma promessa de continuidade que ninguém pode entregar.

A oferta vem num pregão que começou de cabeça baixa nesta terça-feira (6). Na abertura, o Ibovespa oscilou em torno do zero a zero, enquanto o dólar comercial testou a casa dos R$ 5,30 com o investidor digerindo a fala mais recente do Federal Reserve sobre o ritmo de cortes de juros. No cripto, o bitcoin opera próximo das máximas históricas, num platô que se sustenta desde o halving de abril de 2024 e a aprovação dos ETFs à vista nos Estados Unidos.

De onde vem o retorno de 750%?

O número impressiona, mas precisa de contexto. Um retorno de 750% em quatro anos equivale a algo perto de 70% ao ano composto. Pra efeito de comparação, o CDI rendeu na casa dos 50% acumulados no mesmo período, e o Ibovespa ficou bem atrás disso quando se descontam dividendos. A diferença é gigante.

A diferença, claro, vem do mercado em que essa carteira opera. Criptomoedas têm ciclos de boom e bust muito mais agressivos do que ações ou renda fixa. O bitcoin, ativo dominante de qualquer carteira cripto séria, saiu da casa dos US$ 30 mil no começo de 2021, atravessou um inverno duro em 2022 (chegou a perder mais de 65% do topo), e voltou a subir forte a partir do segundo semestre de 2023.

O grosso do retorno, portanto, não está distribuído de forma linear nos quatro anos. Quem olha o gráfico mensal vê algo que todo trader de cripto conhece: longos períodos de lateralidade ou queda forte, seguidos por explosões de alta concentradas em poucos meses. Esse é o padrão estrutural do ativo, e qualquer carteira focada em cripto vai herdar essa volatilidade. Não tem milagre.

O que a abertura do pregão de hoje sinaliza?

Os primeiros minutos do pregão desta terça mostram um mercado dividido. De um lado, o investidor brasileiro segue de olho nos dados de inflação americana e na expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos. De outro, o cripto opera em consolidação, com o bitcoin brigando pra manter os patamares conquistados nas últimas semanas. É um cenário que combina cautela com a sensação de que a próxima perna do ciclo está demorando pra aparecer.

Esse pano de fundo importa. Quando o investidor é exposto a uma carteira de cripto pela primeira vez, ele tende a olhar pro retorno acumulado e ignorar a janela de entrada. Comprar bitcoin perto das máximas históricas é totalmente diferente de ter comprado em janeiro de 2023, quando o ativo estava na faixa dos US$ 17 mil. O retorno de 750% não vai se repetir automaticamente pra quem entra hoje. Pode ser maior, pode ser menor, pode ser muito menor.

Na comunidade da Traders, os traders mais experientes vêm repetindo o mesmo recado nas salas de discussão da manhã: cripto pode (e deve, pra muitos) fazer parte de uma carteira diversificada, mas o tamanho da posição importa mais que a expectativa de retorno.

Como funciona uma carteira recomendada de cripto?

Em geral, casas de análise montam carteiras cripto com pesos definidos pra cada ativo. O bitcoin costuma ocupar a maior fatia (algo entre 40% e 60%), o ethereum vem em segundo (15% a 25%), e o restante fica espalhado em altcoins selecionadas, que carregam risco maior, mas também potencial de retorno mais alto em janelas curtas.

É justamente nas altcoins que aparece o salto pra 750%. Bitcoin sozinho não chega lá no período: o ativo subiu na ordem de 230% entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, considerando os preços em dólar. O ethereum teve performance parecida. Pra alcançar 750%, a carteira precisou ter posições relevantes em projetos menores que multiplicaram de valor em algumas janelas curtas.

Esse é o ponto de atenção mais ignorado quando uma carteira do tipo é divulgada. Altcoins concentram o ganho, mas concentram também o risco. Vários projetos que entregaram retorno extraordinário em 2021 simplesmente sumiram do mapa em 2022 e 2023. Outros voltaram com tudo. A seleção é o que faz toda a diferença, e essa seleção depende muito da metodologia da casa que está recomendando.

O ângulo do imposto de renda

Outro detalhe que costuma passar batido: cripto tem tributação específica no Brasil. Ganhos em vendas mensais que ultrapassam R$ 35 mil são tributados em 15% (até R$ 5 milhões de lucro) e podem chegar a 22,5% em montantes maiores. Vendas abaixo do patamar de R$ 35 mil mensais ficam isentas de imposto sobre o ganho de capital, mas precisam ser declaradas se a posição total ultrapassar R$ 5 mil ao final do ano.

Quem investe via ETFs de cripto na B3 tem um caminho diferente: a tributação segue a regra da bolsa brasileira, com 15% sobre o lucro nas operações comuns e 20% no day trade, e fica tudo na ficha do home broker. Pra muitos investidores, esse é o caminho mais simples, sem exchange internacional, sem wallet própria, sem dor de cabeça com declaração mensal. Quem quer comparar os dois mundos pode olhar o material sobre diferenças entre B3 e bolsas americanas.

O que olhar antes de entrar numa carteira cripto agora

O retorno de 750% é real, mas é histórico. O investidor que entrar em maio de 2026 não está comprando aquele desempenho. Está comprando uma carteira cripto neste momento do ciclo, com bitcoin em patamares historicamente altos, taxa de juros americana ainda em transição e disputa regulatória aberta em vários países.

Volatilidade extrema é parte do contrato. Quedas de 20% a 30% em poucas semanas são rotina no mercado cripto, e o investidor que não aguenta ver a carteira no vermelho por meses dificilmente segura a posição até o próximo ciclo de alta. É um teste psicológico tanto quanto financeiro.

Tamanho da posição também é decisivo. Adicionar 5% a 10% da carteira em cripto é um cenário totalmente diferente de colocar 30% ou mais. O dimensionamento certo evita decisões emocionais quando o mercado vira contra. Quem nunca pensou nisso pode começar pelo básico em rebalanceamento de carteira, que é o tipo de exercício que mantém a alocação sob controle ao longo dos ciclos.

Horizonte de tempo fecha o tripé. Carteira cripto faz sentido pra quem aguenta dois, três, quatro anos sem mexer. Quem precisa do dinheiro em seis meses está no lugar errado, simples assim.

O recado da comunidade TC

Na comunidade da Traders, a discussão da manhã girou justamente em torno do timing. Vários traders veteranos lembraram um padrão observado em ciclos anteriores: produtos de carteira recomendada para o público amplo costumam ser lançados depois do grande movimento de preço, não antes. É a curva natural de qualquer ativo quente. O investidor médio só conhece o tema com profundidade quando o assunto já virou manchete.

Isso não significa que entrar agora seja necessariamente errado. Significa que o retorno realista pros próximos quatro anos provavelmente não vai parecer com o número de 750% que está sendo divulgado. Pode ser melhor, pode ser bem pior, pode ser zero ou negativo. Só não vai ser igual ao retrovisor.

Pra quem está começando a estruturar uma alocação completa, o material sobre como montar sua primeira carteira de investimentos traz a base que evita a tentação de concentrar tudo no ativo da moda.

O que esperar daqui pra frente

O mercado cripto entra agora numa fase mais difícil de prever. O ciclo pós-halving costuma se prolongar por 12 a 18 meses depois do evento, o que joga a janela atual pra meados de 2026. Mas o ambiente macro mudou: as taxas de juros americanas seguem em patamar relevante, o investidor institucional só agora começa a se movimentar com peso via ETFs, e a regulação avança em ritmos diferentes em cada jurisdição.

O fato de uma casa grande como a Empiricus abrir o acesso à carteira cripto sinaliza maturação do mercado. Hoje, falar em alocação pra cripto não é mais uma ideia marginal. É uma classe de ativo discutida em mesas de análise, com produtos regulados, ETFs listados e infraestrutura institucional. Isso muda o jogo, e tende a reduzir parte da volatilidade extrema que marcou os ciclos anteriores.

O que não muda é a regra básica: rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, e número grande no retrovisor costuma ser o pior conselheiro pra decidir entrada agora. Quem entender isso já sai na frente do investidor médio que só olha pra manchete.


Aviso Legal

O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.

As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.

Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.

Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.

A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.