
A Vale (VALE3) divulgou na quarta-feira (16) o relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026, e os números vieram acima do que o mercado esperava. A mineradora produziu 69,7 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro entre janeiro e março, uma alta de 3% em relação ao mesmo período de 2025. Em metais básicos, o destaque foi ainda maior: a produção de cobre atingiu 102,3 mil toneladas (kt), o melhor resultado pra um primeiro trimestre desde 2017.
O relatório é a chamada "prévia operacional", que antecede o balanço financeiro completo do 1T26. Os resultados contábeis, com lucro líquido, receita e EBITDA, serão divulgados no dia 28 de abril, com teleconferência marcada pro dia 29.
A produção de 69,7 Mt de minério de ferro no 1T26 veio impulsionada por recordes operacionais em S11D e Brucutu, duas das minas mais relevantes da companhia no Sistema Norte e no Sistema Sudeste, respectivamente. Também contribuiu o ramp-up dos projetos de Capanema e VGR1, que vêm ganhando tração trimestre a trimestre.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a queda foi de 22,9%. Mas esse recuo é sazonal e esperado pelo mercado. O primeiro trimestre sempre é o mais fraco do ano por causa do período chuvoso no Norte do Brasil, que dificulta a extração e o transporte do minério. O que importa aqui é a comparação anual, e nela o crescimento de 3% mostra que a Vale está conseguindo expandir capacidade mesmo em condições adversas.
As vendas de minério de ferro somaram 68,7 Mt, com alta de 3,9% na comparação com o 1T25 e queda de 19% frente ao 4T25. O preço médio realizado dos finos de minério ficou em US$ 95,8 por tonelada, uma alta de 5,5% em relação ao ano anterior. Já o preço das pelotas caiu 5%, pra US$ 133,8/t.
A produção de pelotas também surpreendeu positivamente, alcançando 8,2 Mt no trimestre, o que representa um avanço de 14% na comparação anual. Esse número reforça o foco da Vale em agregar valor à cadeia do minério, já que pelotas têm margem superior aos finos.
Se o minério de ferro veio sólido, foi nos metais básicos que a Vale realmente brilhou nesse trimestre.
A produção de cobre atingiu 102,3 kt, um salto de 13% em relação ao 1T25. As minas de Salobo e Sossego, ambas no Pará, bateram recordes de produção. As vendas de cobre pagável totalizaram 91,2 kt, avanço de 11,4% na comparação anual, com preço médio realizado de US$ 13.143 por tonelada.
No níquel, a produção somou 49,3 kt, alta de 12% contra o 1T25 e o melhor resultado pra um primeiro trimestre desde 2020. O segundo forno de Onça Puma, que entrou em operação plena ao longo de 2025, foi o principal responsável pelo avanço. As vendas de níquel atingiram 44,8 kt, um avanço de 15,2% na comparação anual, com preço médio de US$ 17.015/t.
Esses números são relevantes porque a Vale vem tentando diversificar sua receita pra além do minério de ferro. Cobre e níquel são metais fundamentais pra transição energética (baterias de veículos elétricos, redes de transmissão, eletrônica), e a demanda global por esses insumos segue em trajetória ascendente. Se quiser entender como a mineradora se posiciona no cenário global, vale conferir o guia como investir em Vale (VALE3): guia completo.
A companhia reiterou suas projeções de produção pra 2026. A meta pra minério de ferro continua entre 335 Mt e 345 Mt, o que significaria o maior volume desde 2018. Pra cobre, a faixa é de 350 kt a 380 kt, e pra níquel, de 175 kt a 200 kt.
Considerando que a Vale produziu 69,7 Mt no primeiro trimestre (sazonalmente mais fraco), a meta anual parece factível. Nos três trimestres restantes, a produção tende a acelerar com o fim das chuvas, especialmente entre julho e dezembro, quando o Sistema Norte opera em capacidade plena.
O custo caixa C1 projetado pela Vale pra 2026 está na faixa de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada. Com o preço do minério de ferro navegando ao redor de US$ 107/t em abril, a margem operacional segue confortável. Mas é um ponto de atenção: custos com combustível e logística vêm subindo, pressionados pelo conflito no Oriente Médio e pela temporada de ciclones nas regiões exportadoras da Austrália.
As estimativas compiladas pelo Itaú BBA apontam pra um EBITDA consolidado de US$ 4,08 bilhões no 1T26. Se confirmado, seria uma queda de 16% frente ao 4T25 (efeito sazonal), mas uma alta expressiva de 27% em relação ao 1T25.
Esse salto na comparação anual reflete dois fatores: o aumento de volume (mais minério produzido e vendido) e a melhora nos preços realizados, tanto do minério quanto do cobre. No primeiro trimestre de 2025, a Vale havia enfrentado chuvas mais intensas que o normal e uma queda de 4,5% na produção de minério, o que deprimiu os resultados financeiros daquele período.
O Santander classificou o 1T26 como um trimestre "de alta qualidade" e manteve recomendação de compra pra VALE3. O BB-BI, por sua vez, revisou o preço-alvo de R$ 75 pra R$ 89, mas manteve recomendação neutra. Já o Bradesco BBI foi mais otimista, com preço-alvo de R$ 102.
Apesar dos bons volumes, o mercado está de olho no lado dos custos. Combustíveis, frete marítimo e manutenção de minas são itens que vêm pressionando as margens de toda a indústria de mineração global. A escalada do conflito no Irã adicionou um componente de risco logístico, principalmente pro transporte pelo Estreito de Ormuz e rotas do Oriente Médio.
Pra quem acompanha a tese de investimento, é importante lembrar que a Vale negocia a múltiplos mais baixos que pares globais como BHP e Rio Tinto. Parte desse desconto reflete riscos Brasil (câmbio, regulação), parte reflete a concentração em minério de ferro. A diversificação pra cobre e níquel, se bem executada, pode ser um catalisador de re-rating nos próximos anos.
As ações da Vale abriram 2026 cotadas a R$ 71,96 e já negociam ao redor de R$ 88 em meados de abril. A alta acumulada no ano supera 20%, impulsionada pela combinação de resultados operacionais sólidos, pagamento robusto de dividendos e a reclassificação positiva de analistas.
Quem opera commodities sabe que a volatilidade faz parte do jogo. A cotação do minério de ferro oscilou bastante em 2026, influenciada pelos estímulos econômicos da China, pelas tensões comerciais globais e pelo comportamento do dólar. Pra quem quer entender melhor como esses fatores se conectam, vale a leitura sobre COE: o que é e quando vale a pena investir como alternativa de exposição estruturada ao setor.
O cenário pra mineradoras em 2026 mistura sinais positivos e negativos. Do lado construtivo, a China manteve estímulos ao setor de infraestrutura e a produção de aço bruto segue em patamares elevados, sustentando a demanda por minério de ferro. A produção de ferro-gusa subiu no primeiro trimestre, o que é um indicador direto de consumo da matéria-prima.
Do lado mais cauteloso, as autoridades chinesas reafirmaram metas de reduzir supercapacidade na siderurgia, o que pode limitar o crescimento da demanda no segundo semestre. Além disso, as tarifas comerciais entre EUA e China adicionam incerteza sobre cadeias de suprimento globais.
Pra a Vale especificamente, o diferencial estratégico está no mix de produtos. A mineradora é uma das poucas do mundo com exposição significativa a minério de ferro, cobre e níquel simultaneamente. Enquanto o minério depende da construção civil chinesa (ciclo mais maduro), cobre e níquel surfam a onda da transição energética, que ainda está nos primeiros capítulos.
O Bitcoin vale a pena em 2026? é uma pergunta que muitos investidores fazem ao comparar classes de ativos. Mas pra quem busca exposição a commodities reais com geração de caixa e dividendos, a tese da Vale segue diferente de ativos digitais.
O balanço financeiro do 1T26, marcado pro dia 28 de abril, será o próximo grande evento pra VALE3. O mercado quer ver não só o EBITDA (já parcialmente precificado pela prévia operacional), mas principalmente:
Margem EBITDA: se a Vale conseguiu repassar custos ou se a pressão comprimiu a rentabilidade.
Geração de caixa livre: fundamental pra determinar o tamanho dos dividendos e recompras de ações.
Provisões de Mariana: o acordo reparatório da tragédia de Mariana segue como um passivo relevante, e qualquer atualização nesse tema impacta diretamente o balanço.
Comentários sobre o segundo semestre: a sinalização da administração sobre demanda chinesa e execução de projetos como Capanema e a expansão de Salobo III.
Pra traders mais ativos, a divulgação de balanço costuma gerar oportunidades de volatilidade. Quem opera movimentos de curto prazo pode se interessar por estratégias como scalping: vale a pena? Quanto dá pra ganhar ou pela automação com robô de trading: vale a pena? Guia honesto.
A prévia operacional da Vale no 1T26 trouxe um retrato de uma empresa que está executando bem sua estratégia de expansão. Minério de ferro cresceu 3% na comparação anual mesmo com sazonalidade desfavorável. Cobre e níquel bateram recordes. O guidance anual foi reiterado, e as estimativas de EBITDA apontam pra uma alta de 27% contra o ano anterior.
Os riscos existem: custos pressionados, incerteza geopolítica e a eterna dependência do apetite chinês. Mas com a ação negociando abaixo dos preços-alvo de casas como Bradesco BBI (R$ 102) e BB-BI (R$ 89), o mercado parece enxergar mais potencial do que risco nesse momento. A resposta definitiva vem no dia 28, quando os números financeiros completos entrarem na mesa.
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