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Trio financeiro lucra até no caos e ninguém esperava

Publicado em
23/3/2026
Trio financeiro lucra até no caos e ninguém esperava
Trio financeiro lucra até no caos e ninguém esperava
Trio financeiro lucra até no caos e ninguém esperava

Enquanto o Ibovespa acumula queda de 6,66% em março e opera longe da máxima histórica de 192.623 pontos registrada em fevereiro, três papéis do setor bancário se consolidaram como escolha unânime entre analistas pra quem quer atravessar a turbulência com menos solavancos: Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3).

A sessão desta segunda-feira (23) ilustrou bem o papel defensivo dos bancões. O Ibovespa saltou 3,57%, retomando os 182.510 pontos após o tombo de 2,25% na sexta-feira, puxado justamente pelas blue chips do setor financeiro. BBAS3 subiu 3,87%, SANB11 avançou 3,52% e ITUB4 ganhou 3,49%.

Por que o consenso recai sobre esses três bancos?

O raciocínio é relativamente simples. Com a Selic projetada em 12,13% pra 2026, bancos grandes lucram mais com o spread de crédito. Além disso, os três nomes apresentam fundamentos robustos o suficiente pra absorver choques sem comprometer dividendos ou crescimento de lucro.

Segundo levantamento da LSEG, o Itaú é o único "bancão" com recomendação de compra praticamente unânime: são 8 analistas indicando compra contra apenas 1 neutro. O BTG Pactual elegeu ITUB4 como a ação mais indicada pra março de 2026.

O Bradesco, por sua vez, virou o favorito do Safra, que trocou sua preferência do Itaú pro BBDC4 com preço-alvo de R$ 24,00, o que representa cerca de 30% de upside. O Bank of America e o UBS BB também elevaram suas projeções pro papel.

Já o Banco do Brasil tem um perfil diferente. Com apenas 2 recomendações de compra entre 10 analistas (7 neutros e 1 venda), o apelo do BBAS3 está nos dividendos: o dividend yield médio de 5 anos é de 10,5%, o maior entre os pares.

Os números que sustentam a tese defensiva

O Itaú fechou 2025 com lucro líquido recorde de R$ 46,8 bilhões e um ROE (retorno sobre patrimônio) de 23,4%, o maior do setor. Pra 2026, a projeção do mercado é de lucro de R$ 51,5 bilhões, mantendo a trajetória de crescimento.

O Bradesco, que avançou impressionantes 73,52% em 2025, negocia com desconto de 17% no P/L 2026 em relação aos pares privados. A projeção de lucro pra este ano é de R$ 22,3 bilhões, e o mercado espera expansão de 310 pontos-base no ROE até 2028. É o banco com mais espaço pra melhorar, o que explica por que virou a nova aposta do Safra.

O Banco do Brasil surpreendeu positivamente nos resultados do quarto trimestre de 2025, com ROE na casa de 20%. Mas o papel acumula desvalorização de 5,55% em 2025 e começou 2026 ainda pressionado, com queda de 3,28% no ano. O BofA, inclusive, mantém recomendação de venda pro BBAS3, o que mostra que nem tudo é unanimidade quando se olha caso a caso.

Comparativo rápido dos três bancões

O ITUB4 é o nome de maior qualidade, com o melhor controle de inadimplência e consistência de resultados. É o mais caro, mas historicamente entrega mais. O BBDC4 é a aposta de recuperação: quem compra hoje está apostando que o ROE vai continuar subindo. E o BBAS3 é o jogo de dividendos, ideal pra quem quer renda passiva mesmo em cenário adverso.

O que está causando a turbulência em março?

O mês de março trouxe uma combinação de fatores que derrubou o Ibovespa da máxima histórica. A escalada de tensões no Oriente Médio elevou a aversão ao risco global, o dólar voltou a pressionar pra cima (chegando a R$ 5,30 na sexta-feira) e os investidores estrangeiros, que haviam injetado mais de R$ 15 bilhões em fevereiro, reduziram o ritmo de entrada.

Internamente, o cenário fiscal segue gerando ruído. A proximidade das eleições presidenciais de outubro de 2026 adiciona uma camada extra de incerteza, e o mercado já começa a precificar cenários políticos nos ativos de risco.

É nesse contexto que os bancões ganham protagonismo. O Goldman Sachs avaliou que 2026 deve ser "outro ano sólido pra bancos brasileiros", enquanto o JPMorgan prioriza setores sensíveis a juros, como o financeiro, como beneficiários de eventual corte na Selic.

Qual o risco de apostar nos bancos agora?

A tese defensiva faz sentido, mas não é à prova de balas. Se a inadimplência subir além do esperado com a Selic elevada, as provisões podem comprimir lucros. O Bradesco, especificamente, ainda carrega um histórico recente de créditos problemáticos que precisa continuar melhorando.

No caso do Banco do Brasil, o risco político é real. Como banco estatal, decisões de gestão podem ser influenciadas pelo ciclo eleitoral, e isso historicamente pesa no papel em anos de eleição.

Na comunidade da Traders, os traders têm discutido bastante a rotação pra bancões como estratégia de proteção. O consenso entre os mais experientes é que a alocação em bancos faz sentido como âncora de carteira, mas não deve ser a única linha de defesa. Diversificar entre setores e considerar ações pagadoras de dividendos de outros segmentos ajuda a reduzir o risco de concentração.

O peso dos bancos no Ibovespa e o efeito rebote

Juntos, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander representam mais de 15% do peso do Ibovespa. Isso significa que quando os bancões sobem, o índice vai junto, e vice-versa. A sessão de hoje mostrou exatamente isso: a recuperação de 3,57% do Ibovespa foi sustentada em boa parte pelo setor financeiro.

Pra quem acompanha o impacto de indicadores macroeconômicos na bolsa, a relação é direta. Bancos são termômetros da economia real. Quando o mercado precifica uma desaceleração, os bancões caem menos que o restante porque têm receita previsível, capital robusto e distribuem dividendos consistentes.

O lucro combinado dos três maiores bancos privados somou R$ 87,1 bilhões em 2025. É um volume de caixa que dá margem pra absorver choques e manter a política de proventos mesmo em trimestres mais fracos.

O que esperar dos bancões até o fim do ano

O segundo semestre de 2026 deve ser dominado pela narrativa eleitoral e pela expectativa de corte na Selic. Se o ciclo de afrouxamento monetário começar, o impacto nos bancos é duplo: por um lado, o spread de crédito diminui; por outro, a demanda por crédito aumenta com juros mais baixos, o que pode compensar.

O Itaú, pela qualidade da carteira, tende a ser o mais resiliente em qualquer cenário. O Bradesco tem o maior potencial de valorização se entregar a melhora de ROE prometida. E o Banco do Brasil oferece o maior rendimento em dividendos, mas com o risco político embutido no preço.

Quem busca entender como selecionar as melhores ações do Ibovespa em momentos de volatilidade, os bancões são um bom ponto de partida. Não porque sejam à prova de quedas, mas porque historicamente se recuperam mais rápido e pagam o investidor pra esperar.

O consenso do mercado é claro: em mar agitado, os bancões funcionam como lastro. Resta saber se a tempestade de março já passou ou se o pior ainda está por vir com a aproximação das eleições.


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