
A JBS (JBSS3) divulga nesta terça-feira, 25 de março, após o fechamento do pregão, os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25). O balanço encerra um ano que começou forte pra maior processadora de proteínas do mundo, mas que perdeu fôlego na reta final, especialmente no segmento de frango nos Estados Unidos. Na mesma semana, mais 13 empresas publicam seus números, incluindo Azul, Americanas, Equatorial e Hapvida.
O mercado espera um trimestre misto pra JBS. Enquanto as operações brasileiras devem compensar parte da desaceleração americana, os resultados da subsidiária Pilgrim's Pride (PPC), já divulgados, acenderam o sinal de alerta: a margem EBITDA nos EUA caiu de 16,8% no 3T25 para 10,6% no 4T25. O spread doméstico de frango no país recuou 36% na comparação trimestral.
Segundo estimativas do Banco Safra, o EBITDA ajustado consolidado da JBS deve ficar em torno de US$ 1,531 bilhão no quarto trimestre, queda de 17% em relação ao mesmo período de 2024. A margem EBITDA projetada é de 7,0%, recuo de 221 pontos-base na base anual. Os números ficaram 6% abaixo da estimativa anterior do banco, revisada após os resultados mais fracos da Pilgrim's Pride.
O cenário é de contrastes. De um lado, a Seara vem ganhando tração com a retomada das importações chinesas, o que deve melhorar as margens do segmento de aves e processados no Brasil. A operação de bovinos no país também deve ajudar, beneficiada pelo ciclo favorável de oferta de gado e pela demanda aquecida no mercado doméstico.
Do outro lado, o segmento de JBS USA Beef continua enfrentando a fase mais dura do ciclo pecuário americano, com menor disponibilidade de gado e custos elevados de matéria-prima. Analistas do JP Morgan destacam que a força das operações brasileiras deve aliviar a pressão vinda dos EUA, mas não o suficiente pra igualar o ritmo do início do ano.
O ano começou num ritmo impressionante. No primeiro trimestre, a JBS reportou lucro líquido de R$ 2,924 bilhões, alta de 77,6% sobre o 1T24. A receita líquida avançou 28%, para R$ 114,1 bilhões, e o EBITDA ajustado cresceu 38,9%, chegando a R$ 8,9 bilhões com margem de 7,8%. A própria empresa classificou o período como o "melhor momento da história".
No segundo trimestre, o lucro líquido foi de US$ 528 milhões, crescimento de 60,6% na base anual, com receita de US$ 21 bilhões (+8,9%). Já no terceiro trimestre, veio a primeira sinalização de arrefecimento: o lucro recuou 16,2% ano contra ano, para US$ 581 milhões, embora a receita tenha batido recorde de US$ 22,6 bilhões (+13%). O EBITDA ajustado ficou em US$ 1,8 bilhão, com margem de 8,1%.
Pra quem quer entender melhor como interpretar esses indicadores, vale conferir o guia como analisar balanços de empresas e investir melhor.
O BTG Pactual projeta pra 2025 inteiro uma receita de R$ 478,1 bilhões, EBITDA de R$ 37,7 bilhões (margem de 7,9%) e lucro líquido ajustado de R$ 11,1 bilhões. Se confirmado, será um dos melhores anos da história da companhia em termos absolutos.
Um fator que torna este balanço especialmente relevante é que a JBS agora é uma empresa com dupla listagem. Desde junho de 2025, as ações são negociadas na NYSE (sob o código JBS) e na B3 (via BDRs, código JBSS32). Isso significa que o 4T25 será acompanhado tanto por investidores brasileiros quanto por fundos globais, ampliando a base de analistas cobrindo a empresa.
A conversão de ações ordinárias em BDRs segue em andamento, com prazo até dezembro de 2026. Quem investe em BDRs de outras empresas pode entender melhor a mecânica lendo sobre dividendos de BDRs e como receber lucros de empresas globais.
Pra 2026, o BTG projeta EBITDA de R$ 31,6 bilhões e lucro ajustado de R$ 7,5 bilhões, refletindo um momento mais fraco do ciclo pecuário, principalmente nos Estados Unidos. O consenso do mercado aponta que a JBS ainda é a favorita entre os frigoríficos listados na B3, à frente de Minerva (BEEF3) e BRF (BRFS3).
Enquanto o frango americano sofre com queda nos spreads, a Seara vive momento distinto. A retomada das compras chinesas de proteína brasileira tem sido um vetor importante de crescimento, e a marca vem ganhando participação de mercado em processados no Brasil.
A JBS Brasil (divisão de bovinos no país) também deve apresentar números sólidos. O ciclo de oferta de gado no Brasil está favorável, com maior disponibilidade de animais e preços de arroba que permitem margens saudáveis para os frigoríficos. Isso contrasta com os EUA, onde o rebanho encolheu e os custos subiram.
Pra entender como funciona um balanço patrimonial e o que cada linha significa, esse guia básico ajuda bastante.
A semana de 24 a 28 de março marca o encerramento da temporada de balanços do 4T25 na B3. Além da JBS, outras 13 empresas divulgam resultados. Aqui os destaques:
A companhia aérea chega a este balanço em plena reestruturação financeira. Em 2025, a Azul eliminou R$ 11 bilhões em dívidas e captou R$ 3,1 bilhões em novo capital. No 3T25, reportou prejuízo de R$ 644 milhões. Os investidores vão buscar sinais de que a reestruturação está gerando resultados operacionais e que a queima de caixa diminuiu.
A distribuidora de energia, que também reporta na terça, vem de trimestres sólidos e é uma das maiores empresas do setor elétrico. O mercado espera crescimento de receita impulsionado pelas concessões mais recentes, especialmente no Amapá e em Goiás.
Ainda em recuperação judicial, a varejista publica números que servem mais como termômetro da reestruturação do que como indicador de investimento tradicional. A atenção vai pra evolução da dívida e geração de caixa operacional.
Ambas reportam no dia 26 de março. A CPFL deve manter o padrão de resultados robustos do setor de energia, enquanto a Hapvida é observada de perto pela evolução da sinistralidade e pela integração de ativos adquiridos nos últimos anos.
O setor de frigoríficos entra em 2026 com dinâmicas diferentes dependendo da geografia. No Brasil, o cenário é construtivo: o ciclo de gado continua favorável, com oferta crescente, e as exportações de proteína bovina e de frango seguem em patamares elevados, puxadas pela demanda asiática.
Nos Estados Unidos, a história é outra. O rebanho bovino americano está nos menores níveis em décadas, o que pressiona os custos dos frigoríficos. O segmento de aves, que vinha compensando essa fraqueza, também desacelerou no final de 2025, como mostraram os números da Pilgrim's Pride.
Pra a JBS especificamente, a diversificação geográfica é a grande vantagem competitiva. Enquanto empresas como Minerva e BRF dependem mais de uma ou duas regiões, a JBS opera em mais de 20 países, o que permite compensar ciclos desfavoráveis em uma ponta com resultados melhores em outra.
Empresas com presença global como a JBS também podem ser acompanhadas via BDRs de companhias latinas listadas no exterior, caso do MercadoLivre e da Stone.
Além dos números de receita, EBITDA e lucro, alguns pontos merecem atenção especial no release da JBS:
Geração de caixa livre. No 4T24, a JBS teve a segunda melhor geração de caixa da história, o que resultou na proposta de R$ 4,4 bilhões em dividendos (R$ 2 por ação). O mercado quer saber se o 4T25 repetiu essa eficiência.
Alavancagem. Com a dupla listagem e o acesso ao mercado americano de dívida, a estrutura de capital da JBS mudou. O nível de endividamento líquido sobre EBITDA vai indicar se a empresa tem espaço pra novas distribuições aos acionistas.
Guidance pra 2026. A administração costuma dar indicações qualitativas sobre o próximo ano. Qualquer sinalização sobre expansão de capacidade, novos mercados ou estratégia de alocação de capital pode mexer com o preço da ação.
Impacto cambial. Com o real oscilando ao longo do trimestre e uma parcela relevante da receita em dólar, o efeito da conversão cambial pode inflar ou comprimir os números em reais. Vale separar o crescimento orgânico do efeito de câmbio.
A temporada de balanços do 4T25 está na reta final. Pra quem acompanha o setor de frigoríficos, o resultado da JBS na terça será o principal evento da semana. Os números vão mostrar se a maior empresa de proteínas do mundo conseguiu atravessar a desaceleração americana sem comprometer demais a rentabilidade consolidada.
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