
Parece irônico, mas algumas das empresas mais inovadoras da América Latina não são negociadas nas bolsas da região. MercadoLivre, Nubank e Stone são brasileiras (ou com forte operação no Brasil), mas têm suas ações listadas na Nasdaq e na NYSE, em Nova York. A boa notícia é que você não precisa abrir conta nos EUA pra investir nelas. Com BDRs, você compra essas empresas direto pela B3, em reais. Vamos conhecer cada uma e entender por que elas merecem sua atenção.
Antes de falar de cada empresa, vale entender por que companhias com operação majoritariamente na América Latina escolhem listar suas ações nos Estados Unidos.
O motivo principal é acesso a capital. O mercado americano é o maior e mais líquido do mundo. Listar na Nasdaq ou NYSE dá acesso a investidores institucionais gigantes (fundos de pensão, endowments, hedge funds) que movimentam trilhões de dólares.
Além disso, empresas de tecnologia e fintechs costumam ter valuations mais generosos nos EUA, onde investidores estão mais acostumados a apostar em crescimento acelerado. No Brasil, o mercado tende a ser mais conservador na hora de precificar empresas de alto crescimento que ainda não são super lucrativas.
Tem também a questão regulatória. A SEC (regulador americano) é vista como referência global em transparência e governança. Estar listado nos EUA é um selo de credibilidade.
Pra investir nessas empresas via BDRs, é tão simples quanto comprar qualquer ação na B3. Se você ainda não conhece o mecanismo, confira nosso guia sobre o que são BDRs e como investir.
O MercadoLivre é, disparado, a maior empresa de tecnologia da América Latina. Fundada em 1999 na Argentina por Marcos Galperin, a companhia opera o maior marketplace do continente e uma das fintechs que mais crescem no mundo (Mercado Pago).
O MercadoLivre tem duas pernas principais:
Commerce (marketplace): A plataforma de e-commerce onde milhões de vendedores e compradores se conectam. Opera em 18 países, com o Brasil representando mais de 50% da receita. A empresa investiu pesado em logística, com centros de distribuição próprios e entregas no mesmo dia em muitas cidades.
Fintech (Mercado Pago): O que começou como meio de pagamento do marketplace virou um ecossistema financeiro completo. Conta digital, cartão de crédito, investimentos, empréstimos, seguros. O Mercado Pago já processa mais transações que muitos bancos tradicionais.
A receita do MercadoLivre cresce consistentemente acima de 30% ao ano. O GMV (volume bruto de mercadorias) ultrapassou US$ 50 bilhões anuais. A base de usuários ativos passa de 100 milhões. E a empresa finalmente encontrou o equilíbrio entre crescimento e lucratividade, com margens operacionais expandindo trimestre após trimestre.
Na Nasdaq, a ação MELI é negociada acima de US$ 2.000 por unidade. Pelo BDR MELI34 na B3, você acessa a empresa por uma fração desse valor, já que cada BDR representa uma parcela da ação original.
Competição acelerada (Amazon, Shopee, Shein no e-commerce; Pix e bancos digitais no financeiro), riscos macroeconômicos da América Latina e o valuation elevado são os principais pontos de atenção.
Se tem uma empresa que mudou a cara do sistema financeiro brasileiro, é o Nubank. Fundado em 2013 por David Vélez, Cristina Junqueira e Edward Wible, o Nu começou com um cartão de crédito sem anuidade e sem burocracia. Hoje é o maior banco digital independente do mundo.
O Nubank oferece uma plataforma financeira completa:
Conta digital e cartão: A base, o que atraiu dezenas de milhões de clientes insatisfeitos com os bancões tradicionais.
Investimentos: NuInvest (ex-Easynvest) com renda fixa, fundos, ações e criptomoedas.
Empréstimos: Crédito pessoal, consignado e pra pequenas empresas, tudo via app.
Seguros: Seguro de vida e proteção do celular integrados ao ecossistema.
Expansão internacional: Operação ativa no México e Colômbia, dois mercados enormes e com penetração bancária ainda baixa.
Mais de 100 milhões de clientes (sendo o quinto maior banco do Brasil em número de clientes). Receita crescendo acima de 40% ao ano. E, ponto crucial, o Nubank se tornou consistentemente lucrativo, com lucro líquido trimestral superando US$ 500 milhões.
Na NYSE, a ação NU é negociada em dólares. Na B3, o BDR ROXO34 te dá acesso.
Regulação bancária (o Banco Central pode apertar regras pra fintechs), competição intensa (PicPay, Inter, C6, bancos tradicionais digitalizando), qualidade da carteira de crédito (inadimplência é o calcanhar de Aquiles de qualquer banco) e o desafio de manter crescimento em mercados internacionais.
A Stone nasceu em 2012 como adquirente (empresa de maquininhas de cartão) e rapidamente ganhou mercado com atendimento diferenciado e tecnologia superior. Listou na Nasdaq em 2018 e desde então passou por altos e baixos consideráveis.
A Stone opera em duas frentes principais:
Pagamentos (financial services): Maquininhas e processamento de pagamentos pra pequenos e médios lojistas. A Stone se diferencia pelo atendimento local (os "Stone Hubs" espalhados pelo Brasil) e pela tecnologia proprietária.
Software: Após adquirir a Linx (líder em software de gestão pra varejo), a Stone ampliou seu portfólio pra oferecer uma solução completa: software de gestão + pagamentos + crédito. O cross-selling entre essas linhas é o motor de crescimento futuro.
A Stone teve uma trajetória movimentada. Após o IPO brilhante em 2018, a ação chegou a US$ 90. Depois veio uma crise de crédito em 2021 (inadimplência elevada na operação de empréstimos) que derrubou a ação abaixo de US$ 10. Desde então, a empresa reestruturou a operação de crédito, integrou a Linx e voltou a crescer de forma saudável.
Na B3, você acessa via o BDR STOC31.
Competição brutal no mercado de adquirência (Cielo, Rede, PagSeguro, Mercado Pago), risco de crédito se decidir escalar empréstimos novamente, e integração da Linx que ainda precisa entregar todos os resultados prometidos.
Cada empresa tem um perfil diferente, e entender isso ajuda na decisão.
MercadoLivre (MELI34): A mais diversificada e consolidada. E-commerce + fintech. Operação em 18 países. Maior em receita e valor de mercado. Valuation mais alto, mas com track record de execução impressionante.
Nubank (ROXO34): Puro jogo de fintech. Maior banco digital do mundo. Crescimento acelerado, agora com lucro consistente. Risco de execução nos mercados internacionais (México, Colômbia).
Stone (STOC31): A mais "barata" em termos de valuation relativo. Aposta de recuperação/reestruturação. Potencial de upside grande se a integração com Linx funcionar. Mais arriscada que as outras duas.
As três são empresas com forte presença no mercado brasileiro que você conhece no dia a dia. Isso é uma vantagem: você entende o negócio porque é cliente ou conhece alguém que é.
Investir em MELI34, ROXO34 ou STOC31 tem vantagens específicas que vão além dos fundamentos de cada empresa.
Exposição ao crescimento da América Latina: A região tem uma classe média em expansão, penetração digital crescente e uma população jovem. Essas empresas estão posicionadas pra capturar essa tendência de décadas.
Governança americana: Estar listado na NYSE/Nasdaq significa seguir padrões rigorosos de auditoria, transparência e governança corporativa. Isso dá uma camada extra de segurança pro investidor.
Você conhece o produto: Diferente de investir na Nvidia sem entender o mercado de chips, aqui você provavelmente usa o MercadoLivre, tem conta no Nubank ou conhece um lojista que usa Stone. Isso te dá uma vantagem na hora de avaliar a empresa.
Diversificação inteligente: São empresas com receita em reais (principalmente) mas listadas em dólar. Isso cria um hedge natural interessante na carteira. Pra quem quer explorar mais opções de diversificação internacional, vale conferir nosso artigo sobre como investir no mercado americano pela bolsa brasileira.
O processo é idêntico a comprar qualquer ação na B3:
1. Abra sua conta na Traders Corretora (se ainda não tiver).
2. Procure pelo ticker do BDR: MELI34, ROXO34 ou STOC31.
3. Defina a quantidade e o preço (ordem a mercado ou limitada).
4. Confirme a operação.
Com a Traders, você tem acesso a mais de 500 BDRs de empresas, ETFs e criptomoedas globais. No app, dá pra acompanhar as cotações em tempo real e ainda participar da comunidade de traders que compartilham análises e insights sobre esses ativos. Sempre bom ter a perspectiva de outros investidores.
Algumas precauções importantes:
Não concentre demais: Mesmo que você ame o Nubank ou use o MercadoLivre todo dia, concentrar sua carteira em poucas empresas é arriscado. Diversifique entre setores e geografias.
Entenda o valuation: Empresas de alto crescimento costumam ser negociadas a múltiplos elevados. O mercado está pagando pelo futuro, não pelo presente. Se o crescimento decepcionar, a queda pode ser abrupta.
Câmbio importa: BDRs são influenciados pela variação do dólar. Se o real se valorizar muito, o BDR pode cair em reais mesmo que a ação suba em dólares. Pra entender melhor essa dinâmica, leia sobre como o dólar afeta a bolsa brasileira.
Acompanhe os resultados: Essas empresas divulgam resultados trimestrais seguindo o calendário americano. É essencial acompanhar pra ver se a tese de investimento continua válida. O app da Traders tem agenda econômica e corporativa que te ajuda a não perder nenhuma data importante.
MercadoLivre, Nubank e Stone são cases de sucesso da inovação latino-americana. Investir nelas via BDRs é uma forma inteligente de participar desse crescimento sem sair da B3.
Bora começar? Acesse www.traders.com.br e abra sua conta. Na Traders Corretora, você investe em empresas globais direto pela B3, tudo em reais, sem burocracia.
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