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Totvs (TOTS3): lucro vai a R$ 251,7 mi, aumento de 16,6% em um ano

Publicado em
7/5/2026
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Totvs (TOTS3): lucro vai a R$ 251,7 mi, aumento de 16,6% em um ano. Entenda o impacto nos seus investimentos. Veja o que muda pro investidor.
Totvs (TOTS3): lucro vai a R$ 251,7 mi, aumento de 16,6% em um ano
Totvs (TOTS3): lucro vai a R$ 251,7 mi, aumento de 16,6% em um ano

A Totvs (TOTS3) entregou um primeiro trimestre de 2026 que pegou bem o mercado de surpresa. A maior empresa de software de gestão da América Latina reportou lucro líquido ajustado de R$ 251,7 milhões no 1T26, alta de 16,6% na comparação com o mesmo período de 2025. A receita líquida bateu recorde, em R$ 1,597 bilhão, e a ação chegou a subir quase 10% no pregão seguinte ao balanço.

O número que mais chamou atenção dos analistas, porém, não foi o lucro em si. Foi a combinação rara de crescimento de receita acelerado, expansão consistente de margem e integração ordenada da Linx, recém-comprada. Tudo isso num momento em que o mercado vinha questionando se as empresas tradicionais de software brasileiras conseguiriam segurar o avanço da inteligência artificial sobre o ERP.

Lucro de R$ 251,7 mi no 1T26: o que os números mostram

O lucro líquido ajustado de R$ 251,7 milhões superou em 16,6% os R$ 215,9 milhões registrados no 1T25. Bem, é um trimestre que foi praticamente em linha com o que a empresa entregou em volume operacional, mas com uma melhora visível de qualidade. A receita líquida total de R$ 1,597 bilhão cresceu 15,6% em base anual e veio dentro da faixa que a casa vinha sinalizando aos analistas.

O ponto que diferencia esse balanço é a receita recorrente, que avançou 18,5% e atingiu R$ 1,46 bilhão. Pra uma empresa de software, essa é a métrica mais importante porque representa o fluxo previsível de assinaturas e contratos que se renovam. Quanto maior a receita recorrente, mais defendida fica a empresa de oscilações pontuais em vendas novas.

O ARR (Annual Recurring Revenue) seguiu a mesma toada, com expansão tanto orgânica quanto via novos clientes na operação de Gestão. Vale notar que esses números não incluem ainda o efeito completo da Linx, que entrou no consolidado só a partir de março.

EBITDA recorde e margem que volta a expandir

O EBITDA ajustado foi o ponto alto do balanço. A empresa reportou R$ 454,7 milhões, alta de 24,3% em relação ao 1T25, com margem EBITDA ajustada de 28,5%. A expansão foi de aproximadamente 200 pontos-base na comparação anual.

Esse número quebrou as projeções da maior parte das casas. A XP Investimentos havia estimado EBITDA ajustado de R$ 448 milhões. A Totvs entregou acima, e o resultado veio puxado especialmente pela operação de Gestão, que registrou crescimento de mais de 30% no volume de vendas no trimestre.

Pra quem acompanha indicadores de rentabilidade da bolsa, o avanço da margem é particularmente relevante quando você olha o P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona da Totvs. A ação vinha negociando em múltiplos esticados, e parte do que sustentava esse premium era justamente a expectativa de melhora gradual de margem ao longo de 2026 e 2027. O 1T26 valida essa tese.

Gestão domina, Business Performance entrega e Techfin acelera

A Totvs opera em três frentes principais, e o trimestre mostrou sinais positivos nas três. A operação de Gestão, que é o coração do negócio e responde pela maior parte da receita, teve o melhor trimestre da história em volume de vendas. O crescimento foi superior a 30%, com destaque pra novos contratos em segmentos como manufatura, serviços e varejo.

A frente de Business Performance, que reúne soluções de marketing, e-commerce e analytics, manteve o ritmo de crescimento e ganhou tração com cross-sell pra a base existente de clientes de ERP. É uma estratégia clássica de expansão dentro da carteira: vender mais produto pro mesmo cliente.

Já a Techfin, que oferece serviços financeiros embarcados no ERP através da joint venture Dimensa, foi a que mais surpreendeu em termos de margem. A receita líquida de funding cresceu 11% no trimestre, e a operação reduziu a inadimplência mantendo disciplina de capital. Pra uma operação financeira ainda em ramp-up, é um sinal de que o modelo está amadurecendo.

A integração da Linx e o que muda no 2T26

A aquisição da Linx, anunciada em 2025, foi finalizada em 27 de fevereiro de 2026. Por isso, no 1T26, a Linx contribuiu apenas com o mês de março nos números consolidados. Esse mês isolado gerou R$ 100 milhões de receita líquida e R$ 18,1 milhões de EBITDA ajustado, números que ficaram fora do consolidado oficial e foram reportados separadamente.

A leitura dos analistas é positiva. A integração contábil correu mais rápido do que se esperava, e os primeiros indicadores operacionais mostram que a base da Linx está respondendo bem. A partir do 2T26, a operação entra de fato consolidada no segmento de Gestão, o que vai dar mais um empurrão na receita reportada e tende a inflar artificialmente as comparações YoY ao longo de 2026.

Pra quem acompanha o Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona, vale ficar de olho no efeito diluitivo da operação. A Totvs ainda não detalhou completamente como o financiamento da aquisição vai afetar o LPA dos próximos trimestres, mas a expectativa é de que o impacto seja absorvido até o fim do ano.

TOTS3 sobe na bolsa: o que dizem os analistas

A reação do mercado foi imediata. As ações da TOTS3 dispararam quase 10% no pregão seguinte ao balanço, figurando entre as maiores altas do Ibovespa no dia. O movimento veio depois de meses de pressão sobre o papel, com investidores temendo que a ascensão da inteligência artificial generativa pudesse derrubar margens e relevância das suítes tradicionais de ERP.

A XP Investimentos manteve recomendação de compra após o balanço, citando "surpresas positivas nas margens de Gestão e na Techfin". O time da casa destacou que a expansão de margem mostra que a Totvs consegue capturar ganho de escala sem precisar comprometer investimento em produto. Outros analistas reforçaram a tese de que a empresa está bem posicionada pra atravessar o ciclo de adoção de IA, vendendo módulos de IA embarcada nos produtos atuais em vez de competir diretamente com ferramentas genéricas.

Vale destacar, porém, que o lucro contábil ficou abaixo da estimativa de R$ 262,4 milhões que circulava no consenso. Ou seja: a tese ganhou força pelo conjunto da obra (margem, receita recorrente, Linx), não pelo bottom line. É um detalhe importante pra quem está avaliando o múltiplo.

O que esperar dos próximos trimestres

Os próximos catalisadores são razoavelmente claros. No 2T26, o mercado vai querer ver:

Primeiro, a consolidação completa da Linx, com detalhamento do que vai pra dentro do segmento de Gestão e qual o impacto na margem consolidada. A Linx historicamente operou com margem inferior à da Totvs, então a expectativa é de uma diluição pontual da margem ajustada do grupo, com plano de recuperação ao longo do ano.

Segundo, sinais mais claros sobre monetização das funcionalidades de IA embarcadas. A Totvs vem desenvolvendo agentes inteligentes pra vários módulos do ERP, e o mercado espera ver evolução nesse pipeline.

Terceiro, evolução do NPL e da carteira da Techfin. Num cenário de Selic ainda elevada, a operação de crédito embarcado precisa mostrar disciplina pra justificar a alocação de capital.

Contexto: software brasileiro entre IA e consolidação

O resultado da Totvs vem num momento delicado pro setor de tecnologia da B3. Empresas de software listadas têm enfrentado uma combinação de juros altos no Brasil, incerteza sobre o impacto da IA generativa nos modelos de negócio tradicionais e pressão de fundos globais que reduziram exposição a tech emergente.

Nesse contexto, a Totvs se destaca por três motivos: tem escala (mais de 70 mil clientes), tem receita recorrente forte (acima de 90% do total) e segue gerando caixa de forma consistente. É o típico perfil de empresa que tende a se beneficiar de momentos de fly-to-quality dentro do setor, quando os investidores recolhem fichas dos nomes mais especulativos e concentram em quem entrega resultado.

Olhando pra frente, o desafio é traduzir esse momento operacional em uma narrativa de longo prazo que sustente o múltiplo. O 1T26 deu uma boa pedalada nesse sentido. Mas o jogo é longo, e o mercado não costuma dar trégua quando uma trimestre fora da curva precisa ser repetido pra valer.


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