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Suzano (SUZB3) tem lucro líquido de R$ 4,3 bi no 1º trimestre, queda anual de 32%

Publicado em
30/4/2026
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Suzano (SUZB3) tem lucro líquido de R$ 4,3 bi no 1º trimestre, queda anual de 32%. Análise completa no blog da Traders.
Suzano (SUZB3) tem lucro líquido de R$ 4,3 bi no 1º trimestre, queda anual de 32%
Suzano (SUZB3) tem lucro líquido de R$ 4,3 bi no 1º trimestre, queda anual de 32%

A Suzano (SUZB3), maior produtora mundial de celulose de eucalipto, divulgou os resultados do primeiro trimestre de 2026 nesta quarta-feira (29) e o número que ficou foi um lucro líquido de R$ 4,312 bilhões, queda de 32% na comparação com o 1T25. A companhia teve receita líquida de R$ 10,9 bilhões, recuo de 5% no ano e de 16% frente ao 4T25. O EBITDA ajustado somou R$ 4,6 bilhões, baixa de 6% em 12 meses, mas com margem estável em 42%.

O ponto que dominou a leitura do balanço foi o câmbio. A apreciação do real frente ao dólar ao longo do trimestre comeu boa parte do ganho que a Suzano teve com preços de celulose mais altos no mercado internacional. A empresa exporta mais de 80% da produção, então cada centavo a menos no dólar machuca a linha de receita e, principalmente, o resultado financeiro líquido.

Os números do 1T26 da Suzano

O resumo do trimestre, em comparação anual:

Lucro líquido: R$ 4,312 bilhões, queda de 32% YoY.
Receita líquida: R$ 10,9 bilhões, queda de 5% YoY e de 16% QoQ.
EBITDA ajustado: R$ 4,6 bilhões, queda de 6% YoY.
Margem EBITDA: 42%, praticamente estável no ano.
Volume de vendas de celulose: 2,8 milhões de toneladas, alta de 7% YoY.
Preço médio da celulose: cerca de US$ 560 por tonelada, alta de 1% YoY.
Custo caixa de produção (sem paradas): R$ 802 por tonelada, queda de 7% YoY.
Alavancagem: 3,3 vezes dívida líquida sobre EBITDA, em dólar.

Quando você olha esse conjunto, percebe um trimestre meio esquizofrênico. A operação foi boa: vendeu mais celulose, vendeu mais caro em dólar e produziu mais barato. O problema apareceu na hora de converter dólar em real e de reapreciar a dívida em moeda forte. Foi exatamente isso que comprimiu lucro e geração de caixa.

Por que o lucro caiu 32% se o operacional melhorou

A explicação está em três camadas.

Primeiro, o efeito tradução. A receita da Suzano vem em dólar, mas é reportada em reais. Com o real mais valorizado no 1T26 do que no 1T25, cada tonelada vendida virou menos receita reportada, mesmo com preço internacional mais alto.

Segundo, o resultado financeiro. A Suzano carrega uma dívida pesada em dólar, fruto da consolidação do mercado e da incorporação da Fibria, lá em 2019. Quando o real se aprecia, a dívida em reais diminui, mas isso entra como ganho contábil que, no 1T25, foi gigante. No 1T26, essa base de comparação ficou alta demais para repetir, e o resultado financeiro veio mais magro.

Terceiro, o sequencial. Frente ao 4T25, o trimestre teve volume menor e ainda sentiu o efeito da paragem programada de manutenção em parte das fábricas, o que segura volume e infla o custo unitário. Por isso a receita despencou 16% no QoQ, mesmo com o cenário internacional de celulose ainda construtivo.

Vendas de celulose seguraram o trimestre

Apesar do baque na linha de baixo, o operacional segurou as pontas. As 2,8 milhões de toneladas de celulose vendidas representam um aumento de 7% no ano, sinal de que a demanda global, especialmente China e Europa, segue firme. O preço em dólar avançou 1% e o custo caixa em reais caiu 7%, ajudado por insumos mais baratos (madeira e químicos) e pelo próprio câmbio favorecendo importações de produtos químicos usados na produção de celulose.

O resultado é uma margem EBITDA de 42%, num patamar que pouquíssimas empresas de commodities no Brasil conseguem entregar. Para efeito de comparação, é mais que o dobro da média do setor de papel e celulose globalmente.

Fluxo de caixa livre negativo acendeu o alerta

Aqui mora o ponto que mais incomodou analistas. A Suzano teve fluxo de caixa livre negativo no 1T26. A combinação de capex elevado, manutenção programada, antecipação de fornecedores e câmbio adverso virou a geração de caixa do trimestre no vermelho.

O capex segue alto porque a companhia ainda está absorvendo o investimento do Projeto Cerrado, a nova linha em Mato Grosso do Sul, e tocando a integração da unidade de Aracruz. A boa notícia é que o pico de investimentos já ficou para trás. A previsão é que o capex normalize ao longo de 2026, com a operação plena do Cerrado liberando geração de caixa adicional a partir do 2T.

A alavancagem em 3,3 vezes dívida líquida sobre EBITDA em dólar não é confortável, mas também não é crítica. A Suzano tem cronograma de pagamento alongado, caixa robusto e linhas de crédito disponíveis. O ponto é que, com fluxo de caixa pressionado, qualquer surpresa negativa em preço de celulose ou em câmbio pode adiar a desalavancagem que o mercado esperava para 2026.

Reação do mercado: ação cai mas analistas veem entrada

Na sessão pós-balanço, SUZB3 abriu em queda de cerca de 2%, refletindo o miss em receita e o caixa livre negativo. A leitura do sell-side, no entanto, foi mais matizada. Casas como Genial e Safra apontaram que o pior do ciclo já está precificado e que a tese fundamental segue intacta: liderança global em custo, ativos de classe mundial e exposição a uma commodity com demanda estrutural crescente.

O múltiplo da ação, com o P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona rodando perto de 9 vezes lucro projetado para 2026, está no piso histórico da companhia. O Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona também recuou no trimestre, mas a expectativa do consenso é de recuperação ao longo do ano, com o Cerrado em capacidade plena e câmbio voltando a colaborar.

O que esperar pra frente

Três catalisadores ficam no radar para o restante de 2026:

1. Preço da celulose na China. O mercado chinês representa cerca de 40% das vendas da Suzano. Ajustes de preço da fibra curta de eucalipto (BHKP) na praça asiática ditam o sentimento da ação no curto prazo. Na última semana, contratos voltaram a subir levemente, sinalizando demanda firme.

2. Câmbio. Com a Selic em patamar elevado e o ciclo de corte do Fed ainda incerto, o real pode oscilar bastante. Cada 10 centavos de variação no dólar mexe materialmente no EBITDA anual da Suzano.

3. Cerrado em capacidade plena. A nova linha deve adicionar volume estrutural a partir do 2T26 e baixar o custo médio caixa, abrindo espaço para nova expansão de margem.

A companhia não divulga guidance formal de lucro, mas indicou que espera melhora sequencial de geração de caixa nos próximos trimestres, com normalização do capex e maturação dos ativos novos.

Contexto setorial: celulose num ciclo melhor que o da mineração

O setor de papel e celulose vive um momento curioso dentro do O que é o Ibovespa e como funciona. Enquanto mineradoras como Vale lidam com pressão sobre o minério de ferro e siderúrgicas convivem com aço chinês barato, a celulose se beneficia de um ciclo de oferta apertada. Capacidade nova entra no mercado a passos lentos e a demanda por embalagens (e-commerce, alimentos, itens de higiene) segue crescendo.

Os principais peers da Suzano no exterior, Klabin no Brasil, Stora Enso na Europa e UPM na Finlândia, também devem reportar trimestres com pressão de câmbio, mas operacionais saudáveis. A Suzano, por ser pure-play de celulose de eucalipto e ter o menor custo do mundo, costuma sair desses ciclos em vantagem competitiva.

O 1T26 não foi o trimestre dos sonhos. Foi um trimestre de transição, com câmbio adverso, paragem de manutenção e capex ainda alto. Mas a tese estrutural, baseada em vendas crescentes, custo controlado e maturação dos ativos novos, segue de pé. Se o câmbio voltar a colaborar e a celulose mantiver o piso de US$ 560 por tonelada, o segundo semestre tende a entregar números bem mais convincentes para SUZB3.


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