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Spread bid-ask: o que e e como afeta o trading

Publicado em
28/12/2025
O que e spread bid-ask, como afeta seus trades e como minimizar esse custo. Entenda liquidez, books de ofertas e spread nos minicontratos.

O que é spread bid-ask e por que ele é o custo que mais passa despercebido no trading

Se você já operou na bolsa, provavelmente prestou atenção na corretagem, nos emolumentos, no imposto de renda. Mas tem um custo que a maioria dos traders ignora, especialmente no começo: o spread bid-ask. Ele não aparece na sua nota de corretagem, não tem linha separada no extrato e, mesmo assim, pode estar comendo uma boa fatia do seu resultado. Vamos entender de uma vez o que é esse spread, como ele funciona na prática e o que você pode fazer pra minimizar o impacto dele nas suas operações.

Bid e ask: o leilão contínuo da bolsa

A bolsa de valores funciona como um leilão contínuo. Em todo momento do pregão, compradores e vendedores estão enviando ordens com os preços que aceitam negociar. Desse processo surgem dois conceitos centrais: o bid e o ask.

O bid é o melhor preço que um comprador está disposto a pagar naquele momento por um ativo. É a maior oferta de compra no livro de ordens.

O ask (também chamado de ask price ou oferta de venda) é o menor preço que um vendedor aceita receber por aquele ativo naquele momento. É a oferta de venda mais barata disponível.

Pensa assim: você quer vender seu carro por R$ 50.000. Aparece um comprador disposto a pagar R$ 47.000. Existe uma diferença entre o que você quer receber e o que ele quer pagar. Essa diferença, no mercado financeiro, é o spread.

Para entender melhor como as ordens funcionam na prática, vale ler o artigo sobre tipos de ordens na bolsa, que explica cada modalidade disponível no pregão.

O que é o spread bid-ask

O spread bid-ask é simplesmente a diferença entre o melhor preço de compra (bid) e o melhor preço de venda (ask) de um ativo em determinado momento.

Se o PETR4 tem bid em R$ 35,00 e ask em R$ 35,05, o spread é de R$ 0,05 por ação. Parece pouco. Mas se você comprar 1.000 ações, já estará pagando R$ 50,00 de spread logo na entrada da operação. E vai pagar de novo na saída.

A fórmula é simples:

Spread = Ask - Bid

Ou, em termos percentuais:

Spread % = (Ask - Bid) / Ask x 100

Esse percentual é o que realmente importa pra comparar diferentes ativos entre si. Um spread de R$ 0,05 em um ativo que custa R$ 5,00 representa 1% do valor. O mesmo spread de R$ 0,05 em um ativo de R$ 50,00 representa apenas 0,1%. Impacto completamente diferente.

Por que o spread existe: a remuneração dos formadores de mercado

O spread não é à toa. Ele existe por algumas razões bem concretas.

Remuneração dos formadores de mercado

Os formadores de mercado (market makers) são instituições, geralmente bancos ou firmas especializadas, que se comprometem a manter o livro de ordens ativo. Eles ficam permanentemente posicionados nos dois lados do book: comprando no bid e vendendo no ask.

A diferença entre o preço que compram e o preço que vendem, ou seja, o spread, é a remuneração deles por esse serviço. Sem formadores de mercado, muitos ativos teriam liquidez muito baixa e spreads enormes, tornando as operações caras e lentas.

Compensação pelo risco de inventário

Quando um formador de mercado compra um ativo de você, ele assume o risco de carregar esse ativo até encontrar outro comprador. Se o preço cair enquanto ele está segurando, ele perde. O spread é parte da compensação por esse risco.

Assimetria de informação

Existe sempre o risco de que a pessoa do outro lado da operação saiba mais do que você sobre o ativo. O spread também funciona como proteção contra esse risco de informação assimétrica.

Spread largo versus spread estreito: o que faz a diferença

Nem todo ativo tem o mesmo spread. A principal variável que determina o spread de um ativo é a liquidez.

Ativos líquidos: spread estreito

Ativos com muito volume negociado, como PETR4, VALE3, BBDC4 ou minicontratos de índice e dólar, têm muitos compradores e vendedores o tempo todo. A competição entre eles comprime o spread. É comum ver spreads de um ou dois ticks nesses ativos.

Ativos ilíquidos: spread largo

Ações de empresas menores, BDRs de ativos pouco negociados ou opções fora do dinheiro podem ter spreads enormes. Às vezes a diferença entre bid e ask chega a 2%, 3% ou mais do valor do ativo. Nesses casos, só de entrar e sair da operação você já perde uma parte significativa do capital.

Entender bem esse conceito de liquidez é fundamental pra qualquer trader. Vale a pena aprofundar no artigo sobre liquidez no mercado financeiro pra ter uma visão completa do tema.

Como o spread afeta o day trader: o custo invisível

Pra quem opera day trade, o spread é especialmente crítico. Um swing trader que fica posicionado por semanas tem tempo de diluir o custo do spread ao longo de uma movimentação maior do preço. O day trader não tem esse luxo.

Imagine que você opera minicontrato de índice (WIN). O spread típico é de 5 pontos. Cada ponto vale R$ 0,20. Então o spread é de R$ 1,00 por contrato. Se você abrir e fechar 10 operações no dia com 1 contrato cada, o spread sozinho já custou R$ 10,00, fora a corretagem.

Mas o pior não é isso. É quando o trader nem percebe que está pagando esse custo. Ele olha pra corretagem, reclama dos emolumentos, mas ignora completamente o spread. E o spread pode ser maior que os outros custos combinados em ativos menos líquidos.

Se você ainda está começando no day trade e quer entender melhor como funciona essa modalidade, o artigo o que é day trade e como funciona na prática é um ótimo ponto de partida.

Calculando o custo real: spread mais corretagem mais emolumentos

Pra ter uma visão completa do custo de uma operação, você precisa somar tudo. Vamos usar um exemplo prático.

Suponha que você vai comprar 500 ações de uma empresa a R$ 20,00 cada. O bid está em R$ 19,98 e o ask está em R$ 20,02. O spread é de R$ 0,04 por ação.

  • Custo do spread na entrada: 500 x R$ 0,02 = R$ 10,00 (você compra pelo ask, que é R$ 0,02 acima do meio do spread)
  • Custo do spread na saída: 500 x R$ 0,02 = R$ 10,00 (você vende pelo bid, que é R$ 0,02 abaixo do meio)
  • Total do spread: R$ 20,00
  • Corretagem: depende da sua corretora (pode ser zero ou fixa)
  • Emolumentos B3: aproximadamente 0,0325% do volume financeiro

Em uma operação de R$ 10.000, os emolumentos seriam cerca de R$ 3,25. O spread, nesse exemplo, já é R$ 20,00. Seis vezes mais que os emolumentos.

A conclusão é direta: em ativos com spread significativo, o spread costuma ser o maior custo individual da operação, não a corretagem.

Ordens a mercado versus ordens limitadas: quando usar cada uma

A escolha do tipo de ordem que você usa tem impacto direto no quanto você paga de spread.

Ordem a mercado

Uma ordem a mercado é executada imediatamente pelo melhor preço disponível. Se você manda uma ordem de compra a mercado, vai pagar o ask atual. Se manda uma ordem de venda a mercado, vai receber o bid atual.

Vantagem: execução imediata e certeza de que a ordem vai ser preenchida.

Desvantagem: você sempre paga o spread completo. Em ativos com pouca liquidez, o ask pode ser muito mais caro que o preço justo.

Ordem limitada

Uma ordem limitada (ou ordem limite) específica o preço máximo que você aceita pagar na compra ou o preço mínimo que aceita receber na venda. Você entra como parte do livro de ofertas, não como quem consome liquidez.

Vantagem: potencialmente paga menos spread ou até zero, se a sua ordem virar o bid ou o ask.

Desvantagem: não há garantia de execução. Se o preço não chegar até você, a ordem fica em aberto ou é cancelada.

Para day traders que operam em momentum, a ordem a mercado é muitas vezes necessária pra não perder o movimento. Mas pra quem tem mais paciência e opera em ativos com livros de ordens razoáveis, a ordem limitada pode economizar bastante no acumulado do mês.

O artigo sobre tipos de ordens na bolsa aprofunda bem as diferenças entre cada tipo e quando usar cada uma.

O livro de ofertas (book): como ler pra entender spreads em tempo real

O livro de ofertas, também chamado de book de ordens, é onde você consegue ver em tempo real todas as ordens de compra e venda disponíveis pra um ativo. Ele mostra os bids e asks com seus respectivos volumes.

A estrutura básica é assim:

  • Lado comprador (bid): as ordens de compra, organizadas do maior preço pro menor. O topo do lado comprador é o bid atual.
  • Lado vendedor (ask): as ordens de venda, organizadas do menor preço pro maior. O topo do lado vendedor é o ask atual.

Ler o book dá informações valiosas além do spread. Você consegue ver a profundidade do mercado: se tem muito volume concentrado num preço específico, pode ser um suporte ou resistência relevante. Se tem poucas ordens no livro, qualquer operação grande vai mover o preço (slippage), o que é outra forma de custo implícito além do spread.

No app da Traders, você tem acesso ao book de ofertas com cotações em tempo real para mais de 20 mil ativos, tanto do mercado local quanto internacional. É uma ferramenta essencial pra quem quer monitorar o spread antes de entrar numa operação e não ser surpreendido por livros rasos.

Formadores de mercado: como eles atuam e por que isso importa pra você

Os formadores de mercado (market makers) têm um papel central na dinâmica do spread. Eles são contratados pela B3 ou pelas próprias empresas emissoras pra manter uma presença constante no livro de ordens de determinados ativos.

O contrato de formador de mercado geralmente exige que eles mantenham um spread máximo e um volume mínimo de ordens no book durante o horário de pregão. Sem eles, ativos menos negociados ficariam com spreads absurdos ou até sem ordens no livro durante longos períodos.

Quando você opera um ativo com formador de mercado ativo, o spread tende a ser mais controlado. Mas num ativo sem formador, especialmente em momentos de volatilidade alta, o spread pode abrir significativamente, aumentando muito o custo de qualquer operação.

Existe uma dinâmica interessante: em momentos de stress de mercado, como quedas bruscas ou notícias impactantes, os formadores de mercado podem temporariamente se retirar do livro pra proteger seus próprios livros. Nesse momento, o spread abre muito e as ordens a mercado podem ser executadas a preços bem distantes do esperado. Esse fenômeno é conhecido como gap de spread.

Dicas práticas pra minimizar o impacto do spread nas suas operações

Você não vai eliminar o spread, mas pode tomar algumas decisões que reduzem muito o impacto dele no seu resultado final.

1. Priorize ativos líquidos

Parece óbvio, mas muita gente ainda tenta operar ativos pequenos achando que o potencial de alta compensa o custo do spread largo. Em geral, não compensa. Fique nos ativos com alto volume médio diário, especialmente se você faz muitas operações.

2. Use ordens limitadas sempre que possível

Especialmente pra entrar em posições que não exigem execução imediata, a ordem limitada permite que você defina o preço que aceita pagar sem precisar cruzar o spread completo. Com paciência, você pode entrar e sair próximo do meio do spread, economizando metade do custo.

3. Fique atento ao horário

O spread tende a ser mais largo no início do pregão (primeiros 15 a 30 minutos) e nos últimos minutos antes do fechamento. No meio do dia, com o mercado em pleno funcionamento e formadores ativos, o spread geralmente está no menor nível do dia. Operar fora dos extremos do pregão costuma ser mais eficiente em termos de custo.

4. Monitore o book antes de entrar

Antes de mandar qualquer ordem, olhe o book de ordens. Veja a profundidade do lado comprador e vendedor. Se o livro está raso, qualquer ordem um pouco maior vai gerar slippage, aumentando ainda mais o custo real da operação.

5. Inclua o spread no cálculo da sua estratégia

Toda estratégia de trading tem um retorno esperado por operação. Se você não incluir o spread nesse cálculo, vai chegar ao final do mês com um resultado muito diferente do esperado. Some o spread estimado à corretagem e aos emolumentos pra ter o custo total de cada trade antes de colocar a ordem.

6. Cuidado com ativos exóticos e pouco negociados

BDRs de empresas menos conhecidas, opções fora do dinheiro, ações de micro caps. Esses ativos frequentemente têm spreads de 1% a 5% ou mais. Nesse cenário, você precisa de uma movimentação muito grande só pra cobrir o custo de entrada e saída, o que torna estratégias de curto prazo inviáveis.

O spread no contexto do home broker

Quando você acessa seu home broker e visualiza a cotação de um ativo, geralmente vê o último preço negociado. Mas o preço que você vai pagar (se comprar a mercado) é o ask, e o preço que vai receber (se vender a mercado) é o bid. Essa distinção importa muito na prática.

Plataformas de trading mais avançadas mostram bid e ask em tempo real lado a lado. Se você ainda está usando uma interface que só mostra o último preço, considere migrar pra uma ferramenta que exiba o livro de ofertas completo. Isso muda completamente a percepção de custo de cada operação.

Resumo: o spread como parte da gestão de custos

O spread bid-ask é um custo real, presente em toda operação que você faz na bolsa. Ele não aparece no extrato, mas está lá, sendo pago silenciosamente a cada entrada e saída de posição.

Trader que não considera o spread está operando com uma visão incompleta dos custos. E trader que opera com visão incompleta dos custos raramente tem resultado consistente no longo prazo.

A boa notícia é que o spread é gerenciável. Escolhendo ativos líquidos, usando ordens limitadas com inteligência, operando nos horários certos e monitorando o book antes de cada trade, você reduz bastante o impacto desse custo no seu resultado mensal.

No final das contas, gestão de custos é parte da gestão de risco. E gestão de risco é o que separa traders consistentes de traders que quebram a conta.

Se você quer operar com as melhores ferramentas disponíveis e ter acesso a book de ofertas, cotações em tempo real e uma comunidade ativa de traders pra trocar estratégias, acesse www.traders.com.br e abra sua conta. A plataforma da Traders foi desenvolvida especificamente pra quem leva trading a sério.


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