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Santander deve ter resultado mais fraco no 1º trimestre de 2026, aponta BTG Pactual

Publicado em
15/4/2026
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Santander deve ter resultado mais fraco no 1º trimestre de 2026, aponta BTG Pactual. Análise completa no blog da Traders.
Santander deve ter resultado mais fraco no 1º trimestre de 2026, aponta BTG Pactual
Santander deve ter resultado mais fraco no 1º trimestre de 2026, aponta BTG Pactual

O Santander Brasil (SANB11) deve apresentar resultados mais fracos no primeiro trimestre de 2026, segundo relatório publicado pelo BTG Pactual (BPAC11) nesta segunda-feira (13). A projeção é de lucro líquido próximo de R$ 4 bilhões no período, cifra que ficaria cerca de 2% abaixo do consenso de mercado. Se confirmado, o número representaria um crescimento modesto de 3,6% em relação ao 1T25, quando o banco lucrou R$ 3,86 bilhões, mas uma queda de aproximadamente 2% frente aos R$ 4,08 bilhões registrados no 4T25.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) projetado pelo BTG é de 16,6%, recuo de um ponto percentual em relação aos 17,6% entregues no trimestre anterior. A rentabilidade, que vinha numa trajetória de recuperação desde meados de 2024, perde ritmo justamente quando o banco persegue a meta declarada de alcançar ROE acima de 20% "não muito distante de 2026".

Por que o Santander deve perder fôlego no 1T26

Dois fatores principais explicam a desaceleração esperada: pressão na margem financeira com clientes e aumento das provisões pra devedores duvidosos.

A receita líquida de juros (NII) com clientes deve recuar no trimestre, impactada por menor volume de depósitos no início do ano, um efeito sazonal comum no setor bancário. No 4T25, o NII com clientes havia alcançado R$ 16,82 bilhões, com crescimento de 6,6% na base anual. Agora, a dinâmica do crédito segue desafiadora num ambiente de Selic ainda elevada.

Já as provisões pra perdas (PDD) devem subir pra cerca de R$ 6,5 bilhões, contra R$ 6,1 bilhões no 4T25. A alta de aproximadamente 6,5% reflete a normalização do custo de crédito após níveis atipicamente baixos no fim de 2025. A inadimplência acima de 90 dias já havia acendido um sinal de alerta no balanço anterior, pressionada principalmente por pequenas e médias empresas e pela carteira de pessoa física de baixa renda.

Do lado positivo, a receita com operações de mercado (tesouraria) deve apresentar recuperação, beneficiada pelo cenário de juros altos. Mas esse ganho não deve ser suficiente pra compensar as pressões do lado do crédito.

Comparação com o 4T25 e o 1T25

Pra entender o momento do Santander, vale olhar a evolução recente. No 4T25, o banco entregou o maior lucro trimestral dos últimos quatro anos: R$ 4,08 bilhões, alta de 6% na comparação anual. O ROE de 17,6% também animou, e o índice de eficiência operacional seguia em patamares historicamente bons.

Porém, a qualidade dos ativos já preocupava. As provisões caíram 6,4% no trimestre, mas o custo do crédito subiu 0,3 ponto percentual em 12 meses, pra 3,76%. A inadimplência voltou a crescer, e analistas questionaram se o lucro recorde escondia fragilidades na carteira.

No 1T25, o Santander havia surpreendido positivamente. Lucrou R$ 3,86 bilhões (alta de 27,8% sobre o 1T24), bateu as estimativas do consenso Bloomberg de R$ 3,6 bilhões e alcançou ROE de 17,4%. A receita total atingiu R$ 21 bilhões, com carteira de crédito de R$ 682 bilhões e índice de eficiência de 37,2%, o melhor em três anos.

A comparação sugere que o ritmo de recuperação está perdendo tração. O crescimento anual do lucro deve desacelerar dos 27,8% do 1T25 pra algo em torno de 3% a 4% no 1T26.

SANB11: recomendação neutra e preço-alvo de R$ 35

O BTG mantém recomendação neutra pra SANB11, com preço-alvo de R$ 35. A unit é negociada a R$ 32,07 na B3, o que implica um potencial de valorização de cerca de 9%. Desde o início de 2026, o papel acumula queda: saiu de R$ 34,06 em janeiro pra os patamares atuais, refletindo a cautela do mercado com o setor bancário.

A recomendação neutra se apoia no valuation pouco atrativo frente aos pares. Embora SANB11 negocie com desconto em relação a Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), o BTG entende que a diferença de rentabilidade justifica o prêmio dos concorrentes. A meta de ROE acima de 20% segue distante, e o cenário macro não ajuda.

Outros bancos de investimento compartilham visão semelhante. O JPMorgan projeta lucro anual de R$ 17,3 bilhões pra 2026, basicamente em linha com os R$ 17,4 bilhões estimados pelo BTG. Já a XP destoa do consenso e mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 44 por unit pro fim de 2026.

Projeções pra 2026: crescimento moderado

O BTG projeta lucro líquido anual de R$ 17,4 bilhões em 2026, o que representaria crescimento de 11% sobre os R$ 15,6 bilhões registrados em 2025. A carteira de crédito deve crescer entre 5% e 6% no ano, e a margem com clientes (NII) deve avançar entre 3% e 4%.

São números razoáveis, mas longe de espetaculares. O relatório alerta pra riscos de revisão pra baixo, especialmente se a inadimplência continuar subindo ou se o Banco Central mantiver a Selic elevada por mais tempo que o esperado. A normalização da carga tributária também pode comprimir os resultados, já que 2025 contou com uma alíquota efetiva atipicamente baixa.

O crescimento de 11% no lucro anual parece confortável no papel, mas depende de uma recuperação nos trimestres seguintes. Se o 1T26 confirmar a fraqueza projetada, o Santander precisará acelerar no segundo semestre pra atingir a meta.

Contexto setorial: bancos sob pressão

O cenário pra o setor bancário brasileiro em 2026 é de cautela generalizada. A Selic elevada beneficia a receita de tesouraria, mas pressiona a qualidade do crédito. O custo de captação sobe, a inadimplência cresce e o apetite por risco diminui, tanto dos bancos quanto dos tomadores.

O Santander entra nessa temporada de resultados como o primeiro grande banco a reportar. Os números do 1T26 vão servir de termômetro pro mercado avaliar o que esperar de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil nas semanas seguintes. Se os analistas estão certos, o banco pode confirmar uma tendência de desaceleração que preocupa investidores do setor financeiro.

Quem investe em ações de bancos precisa acompanhar de perto a evolução da inadimplência, o comportamento das provisões e a capacidade das instituições de manter rentabilidade num ambiente de juros altos. Pra quem tá montando uma carteira diversificada, vale conferir também quais são as melhores ações do Ibovespa em 2026 e os melhores setores para investir em 2026.

O que observar quando o balanço sair

A divulgação oficial dos resultados do Santander pro 1T26 deve acontecer nas próximas semanas. Alguns pontos merecem atenção especial dos investidores:

Inadimplência acima de 90 dias: o indicador já vinha subindo no 4T25, pressionado por PMEs e crédito pessoal. Se acelerar, pode forçar provisões ainda maiores nos próximos trimestres.

Mix de crédito: o Santander tem redirecionado a carteira pra linhas de menor risco, como consignado e imobiliário. O ritmo dessa migração vai ditar a qualidade dos resultados futuros.

Margem financeira com o mercado: a tesouraria pode surpreender positivamente se o banco soube aproveitar a volatilidade dos juros no período. Esse componente é mais difícil de prever e tem sido o "curinga" nos últimos balanços.

Guidance atualizado: a administração pode revisar projeções pra 2026 inteiro. Qualquer sinalização sobre a meta de ROE acima de 20% vai ser observada com lupa pelo mercado.

Quem busca diversificação internacional como forma de reduzir exposição ao ciclo doméstico pode avaliar os melhores BDRs para investir em 2026 ou conhecer os melhores ETFs para iniciantes em 2026.

O veredito do mercado

Com a ação negociada a R$ 32 e preço-alvo de R$ 35 pelo BTG, o Santander está num limbo entre o barato e o justo. O desconto em relação aos pares existe, mas a rentabilidade inferior justifica parte desse gap. O dividend yield de 6,77% nos últimos 12 meses, com R$ 1,88 por unit distribuídos, é um atrativo pra quem busca renda, mas insuficiente pra compensar um eventual estresse na carteira de crédito.

O consenso de 13 analistas aponta preço-alvo médio de R$ 36,36, com estimativas que vão de R$ 28,40 (cenário pessimista) a R$ 44 (cenário otimista da XP). A dispersão de R$ 15,60 entre o piso e o teto mostra que o mercado não tem convicção sobre a trajetória do banco.

No fim, o 1T26 do Santander deve confirmar o que muitos já esperavam: um trimestre de transição, sem grandes surpresas positivas, mas também sem desastre. O verdadeiro teste vem nos próximos trimestres, quando o banco precisará provar que consegue crescer com qualidade num dos ambientes de crédito mais desafiadores dos últimos anos. Pra quem tá começando no mercado, entender esse tipo de análise é fundamental, e pode ser útil conferir o guia de melhor investimento para iniciantes em 2026.


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