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‘Resultados impressionantes’: Veja o que surpreendeu no balanço da dona do Google, segundo o Itaú BBA

Publicado em
1/5/2026
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‘Resultados impressionantes’: Veja o que surpreendeu no balanço da dona do Google, segundo o Itaú BBA. Veja o que muda pro investidor.
‘Resultados impressionantes’: Veja o que surpreendeu no balanço da dona do Google, segundo o...
‘Resultados impressionantes’: Veja o que surpreendeu no balanço da dona do Google, segundo o...

A Alphabet (GOGL34), dona do Google, divulgou na noite de quarta-feira (29) o balanço do primeiro trimestre de 2026, e os números chamaram a atenção do mercado. A receita consolidada bateu US$ 109,9 bilhões, alta de 22% na comparação anual (19% em moeda constante). É o décimo primeiro trimestre seguido de crescimento de dois dígitos. O lucro líquido saltou 81% e fechou em US$ 62,58 bilhões, ou US$ 5,11 por ação.

O Itaú BBA, num relatório enviado a clientes na manhã desta quinta, classificou o trimestre como "resultados impressionantes". Mas, mesmo com os números fortes, o banco fez questão de avisar: a preferida do setor de tecnologia agora é a Meta, não a Alphabet. Para a dona do Google, a recomendação segue neutra.

Lucro de US$ 62 bi tem ajuda extra que precisa ser olhada com lupa

Antes de comprar a narrativa do "lucro dobrou", vale entender de onde veio o salto. Dos US$ 62,58 bilhões reportados, uma fatia relevante veio de um ganho não recorrente de US$ 36,9 bilhões em valorização de participações em empresas privadas, que adicionou cerca de US$ 28,7 bilhões ao bottom line e US$ 2,35 ao lucro por ação.

Tirando esse efeito contábil, o quadro continua positivo, mas perde o brilho do título. O lucro operacional, métrica que mostra como o negócio anda no dia a dia, cresceu 30% e fechou em US$ 39,7 bilhões. A margem operacional subiu de 34% para 36,1%, mostrando que a Alphabet está extraindo mais resultado de cada dólar de receita.

Se você quer entender por que essas distinções importam tanto na hora de ler um balanço, esse é exatamente o tipo de leitura que diferencia analista de manchete. Vale dar uma olhada no nosso guia sobre Balanço Patrimonial: o que é e como funciona antes de operar com base em manchete de earnings.

Google Cloud é o destaque absoluto do trimestre

O verdadeiro motor do trimestre foi o Google Cloud. A receita do braço de nuvem bateu US$ 20 bilhões, crescimento de 63% em relação ao mesmo período de 2025. É a primeira vez que a divisão ultrapassa essa marca trimestralmente. Hoje, o Cloud já representa cerca de 18% da receita total da Alphabet.

O lucro operacional do segmento mais que triplicou, passando de US$ 2,2 bilhões para US$ 6,6 bilhões, e a margem operacional rompeu os 30%. A leitura do BBA é clara: a Alphabet conseguiu transformar capex pesado em IA em receita real, com clientes corporativos contratando capacidade.

O número de assinantes pagos do Gemini Enterprise, oferta de IA generativa para empresas, cresceu 40% na comparação trimestral. Já as assinaturas pagas totais (YouTube Premium, Google One e afins) somam 350 milhões.

Por que o Itaú BBA escolheu a Meta como top pick

Se os números foram tão fortes, por que o Itaú BBA não cravou compra para GOGL34? O relatório lista três pontos que fizeram o banco preferir a Meta no setor.

O primeiro é a melhora de margem que o BBA classifica como temporária. Parte da expansão veio de adiamentos: obras em escritórios e projetos em data centers que foram empurrados pra frente. Em outras palavras, o lucro do trimestre absorveu uma despesa que vai aparecer mais lá na frente.

O segundo ponto é o guidance de capex. A Alphabet revisou pra cima a previsão de investimento em 2026 e agora projeta gastar entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões. É um número gigantesco, mesmo pra empresa que faturou mais de US$ 100 bi num único trimestre. O BBA quer ver o retorno desse capital antes de elevar a recomendação.

O terceiro é o acordo com a Apple. A Alphabet paga, segundo estimativas de mercado, cerca de US$ 15 bilhões por ano para que o Google seja o buscador padrão do iPhone e dos demais produtos da Apple. Esse contrato está sob escrutínio antitruste nos Estados Unidos. A Alphabet evitou comentar o tema na call de resultados, e o BBA citou expressamente essa falta de clareza como um risco que pesa na recomendação.

O analista responsável pelo relatório elogiou, em compensação, a comunicação do CEO Sundar Pichai. A leitura do banco é que, depois de vários trimestres de discurso considerado morno, o tom mudou. Pichai falou em "senso de urgência" e mencionou movimentações internas pra acelerar a resposta da empresa aos avanços de OpenAI, Anthropic e Microsoft em IA.

Reação do mercado e impacto no GOGL34

No after market americano, as ações da Alphabet subiram inicialmente cerca de 4% após a divulgação, mas devolveram parte do ganho ao longo da quinta-feira conforme os investidores digeriram o capex pesado e a relutância do CFO em projetar margens mais altas pra frente.

O BDR GOGL34, que permite ao investidor brasileiro ter exposição à Alphabet via B3, acompanhou o movimento. Para quem opera resultado, a janela típica de volatilidade pós-earnings em big techs costuma durar entre dois e cinco pregões, então faz sentido seguir o pós-balanço de perto.

Quem ainda não pegou o ritmo de operar essas janelas, vale conferir nosso material sobre Temporada de resultados: como acompanhar earnings e operar e o Calendário de resultados: como usar no trading e nos investimentos.

O que esperar do 2T26 da Alphabet

Pra frente, o BBA destaca três catalisadores que vão definir a tese. O primeiro é a monetização do Gemini dentro do Search. Hoje, o Google ainda está testando a integração da IA generativa com publicidade, e essa transição é considerada o maior risco e a maior oportunidade da empresa nos próximos trimestres.

O segundo é o desfecho do julgamento antitruste que envolve o pagamento à Apple e a posição dominante do Google em buscas. Uma decisão desfavorável poderia forçar mudanças estruturais no modelo de negócio. O cronograma indica novos desenvolvimentos ainda no segundo semestre.

O terceiro é o YouTube. A receita publicitária da plataforma vem se acelerando com o avanço do Connected TV, e o BBA acredita que esse pode ser o "tira teima" pra justificar uma eventual elevação da recomendação. O segmento foi um ponto positivo no 1T26, mas o banco quer ver consistência por mais um ou dois trimestres antes de mexer no rating.

Contexto setorial: a guerra das big techs em IA

O 1T26 marcou a temporada em que o mercado começou, finalmente, a separar quem está monetizando IA de quem ainda está só queimando capex. Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet entregaram crescimento robusto em nuvem, mas com perfis bem diferentes de margem.

A Alphabet apresentou o crescimento percentual mais forte (Cloud +63%), mas vem de uma base menor. A AWS, da Amazon, cresceu menos em ritmo, mas opera com escala maior. A Microsoft, com Azure, ficou no meio termo. Já a Meta, top pick do BBA, surpreendeu pela combinação de receita publicitária forte com disciplina de custos, algo que falta hoje na tese da Alphabet, segundo a análise.

Pra investidor brasileiro, o ponto central é que o ciclo de IA continua sendo um dos principais drivers da bolsa americana, e BDRs como GOGL34, MSFT34, AMZO34 e M1TA34 oferecem exposição direta a essa onda sem precisar abrir conta no exterior. O que muda é o ritmo de retorno e o tamanho do capex envolvido em cada tese.

Se a Alphabet vai conseguir transformar a despesa de US$ 180 bilhões prevista para 2026 em receita recorrente de IA, ainda é uma pergunta em aberto. O Itaú BBA, por enquanto, prefere esperar mais um trimestre antes de cravar a resposta.


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