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Produção de minério da Vale (VALE3) sobe 3% no 1T26; metais básicos registram recorde — confira os números da mineradora

Publicado em
17/4/2026
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Produção de minério da Vale (VALE3) sobe 3% no 1T26; metais básicos registram recorde — confira os números da mineradora
Produção de minério da Vale (VALE3) sobe 3% no 1T26; metais básicos registram recorde — confira...
Produção de minério da Vale (VALE3) sobe 3% no 1T26; metais básicos registram recorde — confira...

A Vale (VALE3) divulgou nesta quarta-feira (16) o relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026, e os números vieram sólidos. A mineradora produziu 69,7 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro entre janeiro e março, crescimento de 3% na comparação com o 1T25. Mas o destaque ficou mesmo com os metais básicos: a produção de cobre atingiu o maior patamar pra um primeiro trimestre desde 2017, e o níquel registrou a melhor marca desde 2020 pro período.

Os dados reforçam a estratégia da Vale de diversificar receita pra além do minério de ferro, com metais ligados à transição energética ganhando cada vez mais peso no portfólio da companhia.

Minério de ferro: recordes em S11D e Brucutu puxam o crescimento

A produção de 69,7 Mt de finos de minério de ferro representou um acréscimo de 2 Mt em relação ao primeiro trimestre de 2025. O avanço veio apoiado por marcas recordes nos complexos de S11D e Brucutu, além do ramp-up dos projetos de Capanema e VGR1, que seguem ganhando tração.

Na comparação trimestral (QoQ), porém, houve queda de 22,9% frente ao 4T25. Esse recuo é esperado e reflete a sazonalidade típica do primeiro trimestre, quando o período chuvoso no Norte e Sudeste do Brasil limita a atividade mineradora.

As vendas de minério de ferro totalizaram 68,7 Mt, crescimento de 4% na base anual, ou 2,6 Mt a mais que no 1T25. O número veio em linha com o aumento de produção, sinalizando que a Vale não teve problemas significativos de escoamento no trimestre.

Preço realizado em alta

O preço médio realizado dos finos de minério de ferro atingiu US$ 95,8 por tonelada, avanço de 5,5% em relação ao 1T25. O número reflete tanto a melhora na referência do minério 62% Fe quanto o trabalho da Vale em elevar a qualidade do mix de produtos.

E o dado mais relevante aqui é o prêmio all-in, que saltou pra US$ 6,2 por tonelada. Isso representa alta de 29,2% na comparação anual e um impressionante avanço de 72,2% frente ao 4T25. Traduzindo: a Vale tá conseguindo cobrar mais pelo diferencial de qualidade do seu minério, o que impacta diretamente a margem.

Cobre em máxima histórica: Salobo e Sossego brilham

A produção de cobre foi o grande destaque do relatório. A Vale produziu 102,3 mil toneladas (kt) no 1T26, crescimento de 13% frente ao mesmo período do ano anterior. É o melhor resultado pra um primeiro trimestre desde 2017.

Os protagonistas foram os complexos de Salobo e Sossego, ambos em Carajás, que atingiram marcas recordes de produção. As minas polimetálicas de Voisey's Bay, no Canadá, também contribuíram pro resultado.

As vendas de cobre pagável somaram 91,2 kt, alta de 11,4% na base anual. E o preço médio realizado? US$ 13.143 por tonelada. Isso é 47,8% acima do 1T25 e 19,4% maior que o trimestre anterior. O rally do cobre nos mercados internacionais, puxado pela demanda ligada à eletrificação e à inteligência artificial, jogou a favor.

Pra quem acompanha o setor, vale lembrar que o cobre é considerado o "metal da transição energética". Veículos elétricos, data centers, redes de energia renovável: tudo isso consome grandes quantidades de cobre. E a Vale tá posicionada pra capturar essa tendência.

Níquel: melhor primeiro trimestre em 6 anos

A produção de níquel alcançou 49,3 kt no 1T26, avanço de 12% em relação ao 1T25. É o melhor resultado pro período desde 2020, mostrando que a divisão de metais básicos da Vale segue em trajetória ascendente.

As vendas de níquel atingiram 44,8 kt, alta expressiva de 15,2% na comparação anual. O preço médio realizado ficou em US$ 17.015 por tonelada.

O níquel também se beneficia da narrativa de transição energética, já que é componente essencial das baterias de veículos elétricos. Apesar da pressão de oferta vinda da Indonésia nos últimos anos, os preços têm se sustentado em patamares razoáveis pra os produtores de maior qualidade, como é o caso da Vale.

Pelotas crescem 14%, mas Omã preocupa

No segmento de pelotas, a produção chegou a 8,2 Mt no trimestre, salto de 14% frente ao 1T25. O resultado foi puxado pelo melhor desempenho das plantas de Tubarão, no Espírito Santo.

As vendas de pelotas ficaram em 7,7 Mt, alta de 2,7% na base anual, mas queda de 15% em relação ao 4T25. Já o preço médio realizado das pelotas recuou 5%, pra US$ 133,8 por tonelada.

O ponto de atenção aqui são as operações em Omã. As plantas de pelotização no país do Golfo Pérsico tiveram atividades interrompidas pra manutenção programada, mas a situação se complicou com as restrições logísticas ligadas ao conflito no Oriente Médio. Segundo a Vale, a retomada plena das operações em Omã deve acontecer apenas no final do terceiro trimestre de 2026.

Esse é um fator que o mercado vai monitorar de perto. A unidade de Sohar também sofreu paralisações, e qualquer escalada do conflito na região pode atrasar ainda mais o cronograma de retomada.

Reação do mercado e o que vem pela frente

Na sessão de 16 de abril, dia da divulgação do relatório, as ações VALE3 fecharam em queda de 1,23%, cotadas a R$ 87,34. A reação negativa pode parecer contraditória com os bons números operacionais, mas reflete a dinâmica mais ampla do mercado naquele dia, com o Ibovespa destoando de Wall Street e fechando no vermelho.

Ainda assim, no acumulado de 12 meses, VALE3 acumula valorização expressiva de cerca de 77%, tendo saído dos R$ 71,96 no início de 2026 pra os patamares atuais acima de R$ 87. A combinação de preços de minério resilientes, diversificação pra metais básicos e disciplina de capital tem sustentado a tese.

O próximo catalisador importante é a divulgação dos resultados financeiros do 1T26, prevista pra 28 de abril. Aí o mercado vai conhecer receita, EBITDA, lucro líquido e, claro, eventuais anúncios de dividendos. As estimativas de analistas apontavam pra uma produção de minério entre 68 e 69 Mt, então os 69,7 Mt entregues ficaram levemente acima do consenso.

Guidance mantido

A Vale manteve o guidance de produção de minério de ferro pra 2026 na faixa de 335 a 345 milhões de toneladas. Considerando os 69,7 Mt do primeiro trimestre (tipicamente o mais fraco do ano), a meta parece atingível. Pra bater o topo do guidance, a companhia precisaria produzir cerca de 91,8 Mt por trimestre nos próximos três. Com a sazonalidade favorável no 2T e 3T, o cenário é factível.

Contexto setorial: China e minério de ferro em 2026

O desempenho da Vale não acontece no vácuo. O preço do minério de ferro tem se mantido em patamares elevados em 2026, sustentado pela demanda chinesa que, apesar das incertezas, segue robusta. Os estímulos do governo chinês ao setor de infraestrutura e construção civil continuam dando suporte à demanda pela commodity.

Ao mesmo tempo, o cobre vive um momento de forte valorização global. A demanda por eletrificação, expansão de data centers pra inteligência artificial e investimentos em energia renovável têm pressionado a oferta do metal. Isso explica em parte o salto de quase 48% no preço realizado de cobre da Vale na comparação anual.

Pra quem quer entender melhor como o cenário macroeconômico afeta investimentos em commodities, vale a leitura sobre COE: o que é e quando vale a pena investir.

Os números do 1T26 em resumo

Pra facilitar a visão geral, aqui vão os principais dados operacionais da Vale no primeiro trimestre:

Minério de ferro: produção de 69,7 Mt (+3% YoY), vendas de 68,7 Mt (+4% YoY), preço realizado de US$ 95,8/t (+5,5% YoY).

Pelotas: produção de 8,2 Mt (+14% YoY), vendas de 7,7 Mt (+2,7% YoY), preço realizado de US$ 133,8/t (-5% YoY).

Cobre: produção de 102,3 kt (+13% YoY, recorde desde 2017), vendas de 91,2 kt (+11,4% YoY), preço realizado de US$ 13.143/t (+47,8% YoY).

Níquel: produção de 49,3 kt (+12% YoY, melhor marca desde 2020), vendas de 44,8 kt (+15,2% YoY), preço realizado de US$ 17.015/t.

O que fica pro investidor

O relatório de produção do 1T26 mostra uma Vale operacionalmente saudável, com crescimento em todas as divisões e recordes importantes em metais básicos. O risco de curto prazo fica por conta das operações em Omã e da incerteza geopolítica no Oriente Médio, que pode afetar a cadeia de pelotas.

O verdadeiro teste vem no dia 28 de abril, com os resultados financeiros completos. Ali o mercado vai avaliar se a melhora operacional se traduziu em geração de caixa e se há espaço pra distribuição de dividendos no curto prazo. Pra quem opera ativamente ações como VALE3, estratégias de curto prazo como scalping podem fazer sentido em torno de datas de divulgação de resultados, quando a volatilidade costuma aumentar.

Com cobre e níquel ganhando relevância no portfólio e o minério de ferro seguindo estável, a Vale entra no segundo trimestre de 2026 com os fundamentos operacionais a seu favor. A questão é se o mercado vai precificar essa melhora nos próximos pregões, ou se vai esperar os números financeiros pra se convencer.


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