
A safra recorde de grãos no Brasil tá criando um efeito cascata que vai muito além do campo. Com a CONAB projetando 353,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, o setor de bioenergia se prepara pra um dos ciclos mais promissores da história. E pra quem investe, essa é uma tese que merece atenção na semana que começa.
O 6º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento no dia 13 de março, confirmou o que o mercado já esperava: a produção brasileira vai bater recorde pelo segundo ano consecutivo. O detalhe é que essa abundância de grãos alimenta diretamente a cadeia de biocombustíveis, com destaque pro etanol de milho, que já responde por 25% da produção nacional do biocombustível.
O Brasil é um caso único entre as grandes economias. Enquanto o mundo acompanha a volatilidade do petróleo e busca alternativas energéticas, o país amplia simultaneamente a produção de alimentos e de matéria-prima pra energia renovável. A conta é simples: mais grãos colhidos significa mais insumo disponível pra etanol, biodiesel, biometano e até combustível sustentável de aviação (SAF).
A soja, carro-chefe do agro brasileiro, deve alcançar 177,8 milhões de toneladas neste ciclo, novo recorde absoluto. As exportações podem chegar a 114,39 milhões de toneladas, também inéditas. Já o milho, nas três safras somadas, deve bater 138,3 milhões de toneladas. E é justamente o milho que protagoniza a revolução silenciosa da bioenergia no país.
Segundo projeções da StoneX, o Brasil deve alcançar uma produção recorde de 36,5 bilhões de litros de etanol no ciclo 2026/2027, um crescimento de 7,9% sobre o período anterior. Mas o dado que chama atenção é a composição desse crescimento: enquanto o etanol de cana deve subir 4,4%, o de milho avança 17%.
Na safra 2025/2026, a produção de etanol de milho deve alcançar aproximadamente 10 bilhões de litros. No ciclo seguinte, o volume pode chegar a 11,7 bilhões de litros. Pra ter uma dimensão, há cinco anos esse número era praticamente irrelevante.
O Rabobank estima que 3 bilhões de litros adicionais de capacidade produtiva entrem em operação até o fim de 2026. E o mapeamento da StoneX indica que mais de 40 usinas de cereais estão em diferentes fases de desenvolvimento no país, com 12 delas nas regiões Norte e Nordeste. Se esses projetos avançarem conforme o previsto, o número total de usinas de etanol de milho pode ultrapassar 70 unidades até o final da década.
A expansão geográfica também impressiona. Novas usinas estão surgindo no Maranhão, Tocantins, Paraná e Piauí, estados que até pouco tempo não figuravam no mapa da bioenergia. É uma descentralização que lembra o que aconteceu com a soja décadas atrás.
As principais empresas do setor sucroenergético listadas na bolsa vivem um momento de transição. São Martinho (SMTO3), Jalles Machado (JALL3) e Raízen (RAIZ4) enfrentam pressão nos preços de açúcar e etanol, mas investem pesado em diversificação energética.
A São Martinho aposta no biometano, que ganha mandato de mistura no gás natural a partir de 2026, começando em 1% e aumentando gradualmente. Já a Raízen conquistou a certificação internacional ISCC CORSIA Plus, que habilita seu etanol como matéria-prima pra combustível sustentável de aviação. Foi a primeira empresa de etanol do mundo a receber essa certificação.
Os analistas da XP mantêm recomendação de compra pra Jalles Machado, com preço-alvo de R$ 4,50, e pra São Martinho, com alvo de R$ 19. A Raízen, por outro lado, tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 1,30, dado o cenário mais desafiador de eficiência operacional. Na comunidade da Traders, muitos investidores estão acompanhando de perto os balanços do 2T26 dessas usinas pra entender quem tá melhor posicionada nessa transição energética.
Vale lembrar que investir no setor de bioenergia exige paciência. Os ciclos da commodity são longos, e os preços do açúcar e do etanol podem pressionar margens no curto prazo. A tese de longo prazo, porém, é sustentada pela demanda global crescente por energia limpa e pelos mandatos regulatórios que entram em vigor nos próximos anos. Se você quer entender melhor como grandes investidores avaliam setores cíclicos como esse, vale conferir as estratégias de Ray Dalio pra navegar diferentes ciclos econômicos.
Além do cenário positivo pro agro e bioenergia, a semana de 17 de março traz um evento que pode mexer com todo o mercado: a reunião do COPOM nos dias 17 e 18 de março. Após manter a Selic em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas, o Banco Central sinalizou de forma explícita a intenção de iniciar a flexibilização monetária.
O mercado trabalha com a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic pra 14,75%. O Banco Safra projeta que a taxa pode caminhar pra 11,50% ao fim de 2026 se o ciclo de cortes se confirmar. Um ambiente de juros mais baixos tende a beneficiar empresas do agro e da bioenergia, que são intensivas em capital e carregam dívida relevante.
Pra quem opera, a decisão do COPOM é o tipo de evento que gera volatilidade e oportunidades. Quem já tem posição no setor sucroenergético pode ver os papéis reagirem positivamente a um eventual corte. E quem tá de fora pode encontrar pontos de entrada interessantes, dependendo do tom do comunicado do BC.
Se você quer entender como grandes especuladores lidavam com momentos de virada na política monetária, a história de Jesse Livermore e suas lições sobre timing de mercado é leitura obrigatória.
Além do COPOM, fique de olho na continuidade da colheita da soja, que já passou de 50% da área total segundo a CONAB. O avanço da colheita libera área pra plantio da safrinha de milho, que por sua vez alimenta as usinas de etanol. É um ciclo virtuoso que fortalece toda a cadeia.
No cenário externo, o preço do petróleo continua sendo referência pra competitividade do etanol. Quanto mais alto o barril, mais atrativo fica o biocombustível brasileiro. E com a Agência Internacional de Energia (IEA) projetando crescimento de 27,9% na produção global de biocombustíveis, o Brasil está posicionado como protagonista dessa transição.
Outro ponto relevante: o mercado de créditos de carbono segue aquecendo. Empresas que produzem energia limpa a partir de biomassa agrícola ganham receitas adicionais com a venda desses créditos, o que melhora a rentabilidade do setor. A integração entre produção de alimentos e geração de energia renovável é exatamente o tipo de vantagem competitiva estrutural que coloca o Brasil num patamar diferente.
Pra investidores de longo prazo que gostam da tese de dividendos em setores resilientes, entender como Luiz Barsi monta suas posições focadas em dividendos pode ajudar a avaliar oportunidades no agro e na bioenergia.
Safra 2025/26: 353,4 milhões de toneladas de grãos (recorde). Soja: 177,8 mi de ton. Milho: 138,3 mi de ton (três safras). Etanol projetado 2026/27: 36,5 bilhões de litros (+7,9%). Etanol de milho: ~10 bi de litros na safra atual, representando 25% do total nacional. Novas usinas: mais de 40 em construção ou planejamento. Selic: possível corte de 15% pra 14,75% na quarta-feira.
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A combinação de safra recorde, expansão da bioenergia e possível início do ciclo de corte de juros cria um cenário que merece atenção redobrada. O setor de bioenergia brasileiro não é mais apenas cana e açúcar. É etanol de milho, biometano, combustível de aviação sustentável e créditos de carbono. E a safra que o campo entrega agora é o combustível, literalmente, dessa transformação.
Quem quer se posicionar precisa acompanhar os balanços das usinas, os desdobramentos do COPOM e o avanço da colheita. E pra isso, informação de qualidade faz toda a diferença. Acesse www.traders.com.br e fique por dentro de tudo que mexe com seus investimentos.
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