
A PRIO (PRIO3) entregou um trimestre forte. A petroleira reportou nesta terça-feira (5) lucro líquido de US$ 460 milhões no 1T26, alta de 33% na comparação anual, segundo balanço divulgado ao mercado. Mas o número que mais chamou atenção foi outro: o EBITDA ajustado quase dobrou, saltando 91% para US$ 852 milhões, e a receita líquida cresceu 67%, atingindo US$ 1,2 bilhão.
O resultado foi puxado por três frentes que se combinaram no mesmo trimestre. Petróleo mais caro no mercado internacional, produção recorde de 155,4 mil barris por dia e o início da operação do campo de Wahoo, que faz parte do plano de crescimento da companhia há anos. O 1T26 também marcou uma virada de chave em relação ao trimestre anterior: no 4T25, a PRIO havia reportado prejuízo líquido de US$ 185,4 milhões, principalmente por efeitos contábeis ligados à valorização do real frente ao dólar.
Vamos aos dados que importam. A receita líquida de US$ 1,2 bilhão veio com crescimento de 67% na comparação anual, refletindo a soma de mais barris vendidos com preço melhor. As vendas totais somaram 14,8 milhões de barris no trimestre, em linha com a produção média.
O EBITDA ajustado de US$ 852 milhões representou alta de 91% YoY. A margem EBITDA ficou em torno de 71%, patamar elevado mesmo para uma petroleira de águas profundas. Pra comparação, no 4T25 a margem EBITDA havia caído pra 55%, então a recuperação trimestral é expressiva.
O lucro líquido de US$ 460 milhões equivale a um salto de 33% sobre o 1T25, quando a empresa havia entregue cerca de US$ 345 milhões. Pra quem acompanha métricas como o Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona, o crescimento alimenta diretamente o numerador de indicadores fundamentalistas como P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona, métrica chave pra quem avalia se a ação está cara ou barata.
O grande marco operacional do trimestre foi o início da produção em Wahoo. O primeiro óleo saiu em 18 de março, conectado à plataforma FPSO Valente, no campo de Frade. Até o fechamento do trimestre, três poços já estavam em operação, e o quarto estava nos estágios finais pra entrar.
A expectativa da companhia é que Wahoo atinja produção de até 40 mil barris por dia. Isso transforma o ativo no segundo cluster operacional relevante da empresa, ao lado de Frade. Pra uma petroleira que vinha em fase de execução de projetos, a entrada em produção valida a tese que sustentou o papel nos últimos anos.
A produção média total da empresa de 155,4 mil barris por dia foi recorde, com avanço de 42% na comparação anual. Esse número tende a subir nos próximos trimestres conforme Wahoo destrava capacidade total e os poços remanescentes entram em operação.
Outro destaque foi o controle de custos. O lifting cost ficou em US$ 9,4 por barril, queda de 26,5% no trimestre. É o menor patamar desde 2024 e reflete dois movimentos. Otimizações no campo de Peregrino e ganhos de escala com a entrada de Wahoo, que diluiu custos fixos por barril produzido.
Pra quem segue petroleiras, lifting cost baixo é métrica crítica. Em ciclos de petróleo mais fraco, as empresas com custo de extração mais baixo continuam gerando caixa enquanto concorrentes ficam no zero a zero. Com Brent entre US$ 70 e US$ 80 nos últimos meses, US$ 9,4 por barril garante margem operacional confortável pra PRIO.
A ação PRIO3 fechou em R$ 69,50 no pregão de terça-feira (5), véspera da divulgação do balanço, estável em relação ao dia anterior. O papel andou de lado nas últimas semanas, em parte refletindo o recuo do petróleo Brent, que caiu mais de 3% na terça com revisão das expectativas de demanda global.
Analistas que cobrem o nome viram o resultado como acima do esperado, mas com leitura mista pra trajetória do papel no curto prazo. O preço atual já negocia próximo do consenso de preço-alvo do mercado, o que limita o potencial médio de valorização sem novos catalisadores. Tecnicamente, o ativo segue em movimento lateral, com analistas técnicos apontando rompimento relevante apenas acima da faixa de R$ 71,50 a R$ 72.
Pra quem opera a ação, vale lembrar a importância do Checklist pré-operacional: o que verificar antes de operar antes de entrar em qualquer trade reativo a balanço. Resultado bom não garante alta no after market, e mover stop com base em emoção raramente sai barato.
O foco do mercado a partir de agora vira pra três pontos. Primeiro, a curva de produção de Wahoo. A meta é destravar os 40 mil barris/dia até o fim de 2026, e qualquer atraso ou antecipação vai mexer com a tese.
Segundo, o ciclo de capex. A PRIO tem outros projetos no pipeline, e a alocação de capital nos próximos trimestres vai indicar se a empresa pretende crescer mais agressivamente ou priorizar dividendos. Vale lembrar que a companhia historicamente prioriza reinvestimento na execução de projetos.
Terceiro, o preço do petróleo. Mesmo com lifting cost baixo, a receita da PRIO é altamente correlacionada ao Brent. Quem quer entender melhor essa dinâmica pode ler sobre Commodities e bolsa brasileira: como petroleo e minerio movem o Ibovespa. A volatilidade do petróleo é o principal driver de risco do papel.
O 1T26 está sendo um trimestre forte pra todo o setor de petróleo brasileiro. Petrobras (PETR4), Brava (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) também devem entregar resultados beneficiados pela combinação de Brent mais alto e volume estável ou crescente. A dinâmica favorece quem teve produção crescente no período, que é exatamente o caso da PRIO.
Pra investidores que querem exposição ao setor de petróleo de forma diversificada, sem ficar refém de uma única empresa, vale conhecer alternativas como ETFs e BDRs do setor, abordadas no guia Petroleo: como investir via ETFs e BDRs na B3 e lucrar. A diversificação reduz o risco específico de execução de cada empresa.
O balanço da PRIO mostra que a tese de crescimento via novos campos saiu do papel. Wahoo está produzindo, custos estão sob controle e a alavancagem operacional do petróleo mais caro está aparecendo nos números. Os próximos trimestres vão dizer se o ritmo se sustenta, ou se o pico de eficiência operacional já foi precificado pelo mercado nos R$ 70 do papel.
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