
A Petrobras (PETR4) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 15,563 bilhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o resultado foi ainda mais expressivo: lucro de R$ 110,129 bilhões, alta de 200,8% frente a 2024. Os números vieram acompanhados de R$ 8,1 bilhões em proventos e uma produção recorde que alcançou 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
O balanço da estatal mostra uma empresa que conseguiu crescer mesmo num cenário de petróleo mais barato. O Brent médio caiu 14% no ano, de US$ 80,8 pra US$ 69,1 por barril. Ainda assim, a Petrobras compensou a queda com volume. E volume, nesse caso, veio do pré-sal.
A receita líquida no quarto trimestre somou R$ 127,371 bilhões, crescimento de 5% na comparação com o 4T24. No ano cheio, a receita totalizou R$ 497,549 bilhões, avanço de 1,4% sobre 2024.
O destaque ficou com o EBITDA ajustado, que atingiu R$ 59,923 bilhões no trimestre, salto de 46,3% na base anual. A margem EBITDA encerrou o período em 46%, recuo de apenas 1 ponto percentual frente ao 4T24, o que mostra a capacidade da companhia de manter rentabilidade mesmo com petróleo mais barato.
No acumulado de 2025, o EBITDA ajustado alcançou R$ 237,177 bilhões, alta de 10,6% sobre o ano anterior. Em dólares, o indicador ficou em US$ 42,5 bilhões, queda de apenas 5% frente aos US$ 45,9 bilhões de 2024. Considerando que o Brent caiu 14%, a resiliência operacional chama atenção.
O fluxo de caixa operacional no 4T25 foi de R$ 54,9 bilhões, alta de 15,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No ano, o indicador bateu R$ 200 bilhões.
O grande motor do balanço foi a produção. A Petrobras entregou crescimento de 11% na produção total de petróleo e gás em 2025, chegando a 2.990 mil barris de óleo equivalente por dia (praticamente 3 milhões de boed). É o maior patamar da história da companhia.
Dois campos do pré-sal foram os protagonistas: Búzios e Tupi/Iracema, cada um atingindo a marca de 1 milhão de barris por dia. Esses dois campos sozinhos respondem por mais de dois terços da produção total. A eficiência do pré-sal brasileiro, com custo de extração entre os mais baixos do mundo, é o que permite à Petrobras manter margens saudáveis mesmo com Brent abaixo de US$ 70.
Pra quem acompanha o setor, essa capacidade de elevar produção é fundamental. Enquanto outras petroleiras globais enfrentam declínio natural de campos maduros, a Petrobras tem uma curva de crescimento que poucos concorrentes conseguem replicar. É o tipo de vantagem competitiva que faz diferença num ciclo de baixa do petróleo.
A Petrobras anunciou R$ 8,1 bilhões em proventos referentes ao 4T25, equivalentes a R$ 0,626 por ação ordinária e preferencial. Considerando todos os pagamentos do exercício, incluindo antecipações atualizadas pela Selic, a remuneração total de 2025 alcançou R$ 41,2 bilhões.
O dividend yield dos últimos 12 meses ficou em torno de 6,84%, segundo dados de mercado. É um patamar ainda atrativo pra uma empresa do porte da Petrobras, mas abaixo do que o mercado se acostumou nos anos anteriores. A explicação? O aumento significativo dos investimentos.
Vale lembrar que entender os mecanismos de Data Ex e Data Com (Dividendos) é essencial pra quem quer capturar os proventos da estatal nos próximos trimestres.
Nem necessariamente. A política de dividendos da Petrobras prevê distribuição mínima de 45% do fluxo de caixa livre. Com o capex subindo, o fluxo de caixa livre diminui, e os dividendos acompanham. Mas isso não é sinal de problema. É sinal de que a empresa está investindo pra crescer.
As estimativas mais conservadoras pra 2026 apontam distribuição de cerca de R$ 3,00 por ação ao longo do ano, o que representaria um yield aproximado de 8% nos preços atuais. Se o petróleo se recuperar, esse número pode ser maior. Se cair, a pressão sobre o fluxo de caixa livre vai apertar. Quem investe em ações com foco em dividendos precisa ficar atento a essa dinâmica.
Os investimentos totalizaram US$ 6,3 bilhões no 4T25 e US$ 20,3 bilhões no ano, alta de 22,2% em relação a 2024. Do total anual, 84% foi destinado à exploração e produção (E&P), basicamente ao pré-sal.
Esse aumento de capex é o ponto que mais divide opiniões entre analistas. De um lado, investir no pré-sal é investir no ativo mais rentável que a Petrobras tem. Do outro, mais investimento significa menos caixa sobrando pra dividendos no curto prazo.
A dívida líquida subiu pra US$ 60,6 bilhões, avanço de 16% em relação a 2024. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida sobre EBITDA ajustado, ficou em 1,42x. É um patamar confortável pra uma empresa do porte da Petrobras, mas a trajetória de alta merece monitoramento. Analisar esses indicadores no balanço patrimonial ajuda a entender se o endividamento está sob controle.
As ações da PETR4 acumulam alta expressiva nos últimos 12 meses: valorização de 42,93%, saindo da casa dos R$ 30,82 no início do período pra cerca de R$ 48,29. A combinação de resultados fortes, dividendos robustos e produção recorde sustentou o rali.
Após a divulgação do balanço do 4T25, as ADRs da Petrobras em Nova York tiveram reação positiva. O lucro por ação de US$ 0,56 superou a expectativa de US$ 0,54 dos analistas, enquanto a receita de US$ 23,61 bilhões ficou 6,26% acima das projeções.
Mas com a ação já tendo subido tanto, a margem de segurança diminuiu. O dividend yield, que chegou a superar 15% em anos anteriores, agora orbita na faixa de 6% a 8%. Pra investidores de dividendos, o retorno ainda é atrativo, mas não é mais aquela pechincha que era.
O cenário pra petroleiras em 2026 continua desafiador. O Brent vem operando abaixo de US$ 70, pressionado por crescimento global mais fraco, produção resiliente dos EUA e incertezas sobre a demanda chinesa. A OPEP+ tenta segurar os preços com cortes de produção, mas o excesso de oferta limita o espaço pra altas significativas.
Nesse contexto, a Petrobras tem uma vantagem clara: o custo de extração no pré-sal brasileiro é um dos mais baixos do mundo. Enquanto produtores de shale oil nos EUA começam a sofrer com Brent abaixo de US$ 65, a Petrobras segue lucrativa mesmo nesse patamar. É essa estrutura de custos que explica a resiliência do balanço.
Além disso, a empresa não depende só de petróleo. O refino doméstico, com utilização de capacidade acima de 90%, adiciona uma camada de proteção. Quando o petróleo cai, a margem de refino tende a se manter ou até melhorar, o que suaviza o impacto no resultado consolidado.
A companhia deve divulgar os resultados do 1T26 em 11 de maio de 2026. As estimativas preliminares dos analistas apontam lucro por ação de US$ 0,35 no primeiro trimestre e US$ 0,37 no segundo, abaixo do ritmo do 4T25. A expectativa de desaceleração reflete tanto o patamar mais baixo do petróleo quanto a sazonalidade típica do início de ano.
Os principais catalisadores pra frente são:
Produção: a Petrobras mira manter o patamar de 3 milhões de boed, com novos sistemas de produção entrando em operação no pré-sal. Qualquer surpresa positiva aqui pode turbinar os resultados.
Petróleo: o preço do Brent continua sendo a variável mais importante. Cada US$ 1 de variação no barril afeta bilhões no resultado anual da companhia.
Capex e dividendos: o mercado vai monitorar se a Petrobras consegue equilibrar o aumento de investimentos com uma política de dividendos que mantenha a atratividade. O plano estratégico prevê capex elevado nos próximos anos, o que pode comprimir os dividendos.
Cenário político: como empresa de controle estatal, a Petrobras sempre carrega um prêmio de risco político. Em ano pré-eleitoral, qualquer sinalização sobre mudanças na política de preços ou investimentos ganha peso redobrado.
O 4T25 da Petrobras mostrou uma empresa que sabe navegar águas turbulentas. Reverteu um prejuízo bilionário do ano anterior, entregou produção recorde e manteve dividendos relevantes, mesmo aumentando significativamente os investimentos.
O lucro anual de R$ 110 bilhões, alta de 200% sobre 2024, é o tipo de número que coloca a Petrobras entre as petroleiras mais lucrativas do mundo. Mas o verdadeiro teste vem agora: com petróleo mais barato e capex em alta, a empresa precisa provar que consegue manter essa geração de valor sem sacrificar demais a remuneração dos acionistas.
Pra quem acompanha a tese de investimento em Petrobras, o balanço trouxe mais confirmações do que surpresas. A máquina operacional funciona. A questão agora é saber se o preço do petróleo vai colaborar.
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