
A Petrobras (PETR4) entra na reta final para quem quer garantir o último pedaço do ciclo de dividendos de 2025. A data-com do pagamento de R$ 0,62622908 por ação em juros sobre capital próprio (JCP) é amanhã, 22 de abril de 2026. Quem tiver PETR4 ou PETR3 em carteira no fechamento do pregão de amanhã leva o provento. A partir de 23 de abril, o papel passa a ser negociado ex-JCP.
O valor total da distribuição é de R$ 8,1 bilhões, referente ao quarto trimestre de 2025, e foi aprovado na Assembleia Geral Ordinária (AGO) realizada em 16 de abril. Com esse último tranche, a petroleira fecha o ano de 2025 com R$ 41,2 bilhões distribuídos aos acionistas, algo em torno de R$ 3,20 por ação no acumulado do ano.
O pagamento vai ser feito em duas parcelas iguais, integralmente sob a forma de juros sobre capital próprio. Fique de olho nas datas:
Primeira parcela: R$ 0,31311454 por ação ordinária (PETR3) e preferencial (PETR4), com crédito em 20 de maio de 2026.
Segunda parcela: R$ 0,31311454 por ação, com crédito em 22 de junho de 2026.
Os valores serão atualizados pela taxa Selic acumulada desde 31 de dezembro de 2025 até cada uma das datas de pagamento. Na prática, quem receber em junho leva um pouquinho mais por conta da correção, já que o JCP segue a lógica de juros.
Para quem tem ADRs da Petrobras listados em Nova York (PBR e PBR.A), a data-com é um dia depois: 24 de abril de 2026. A diferença segue o ciclo de liquidação D+2 da NYSE contra o D+2 da B3 com calendário de feriados diferente.
Muita gente trata JCP e dividendo como a mesma coisa, mas pro investidor pessoa física a diferença aparece na declaração do imposto. O JCP sofre retenção de 15% de IR na fonte, descontado antes do crédito cair na conta. Ou seja, daqueles R$ 0,313 anunciados, o que efetivamente chega pro acionista pessoa física é cerca de R$ 0,266 líquidos por ação em cada parcela.
Mesmo com o desconto, o JCP é interessante pra Petrobras porque entra como despesa financeira no balanço, reduzindo o lucro tributável da companhia. É uma forma de remuneração fiscalmente eficiente que grandes estatais e bancos costumam usar com frequência.
Considerando o total de R$ 3,20 por ação distribuído no exercício de 2025 e a cotação recente da PETR4 na casa dos R$ 39 a R$ 41, o dividend yield de 12 meses fica na faixa de 8% a 8,2%. Para comparação, a média do Ibovespa gira em torno de 6% e a maioria das blue chips brasileiras entrega yield abaixo disso.
A conta muda se o horizonte for 2026. A atual política de remuneração da Petrobras prevê distribuição de 45% do fluxo de caixa operacional menos investimentos, desde que a dívida bruta esteja dentro do limite estabelecido no Plano Estratégico. O Capex ampliado de 2026 (voltado para exploração, refino e projetos de transição energética) deve pressionar o dividendo pra baixo em relação a 2025. Casas de análise projetam algo entre R$ 2,50 e R$ 3,00 por ação ao longo deste ano, o que colocaria o yield projetado entre 6,5% e 7,5% nos preços atuais.
Quem olha só pra dividendo de cabeça pode estranhar a queda, mas o mercado precificou essa moderação há meses. A companhia saiu de uma fase de distribuição extraordinária no pós-pandemia e voltou a um ritmo mais sustentável, em linha com o que o ciclo de reinvestimento exige.
O pano de fundo ajuda. O barril do Brent voltou a operar acima de US$ 85 nas últimas semanas, puxado por tensões no Oriente Médio e pela disciplina de oferta da Opep+. A cada US$ 5 a mais no Brent sustentado por um trimestre, a geração de caixa da Petrobras ganha um reforço de bilhões de dólares, o que tende a aumentar a base de cálculo dos dividendos trimestrais.
Mas petróleo mais caro também convive com riscos. Quando o preço sobe muito rápido, volta a rodar no Brasil o debate sobre política de preços de combustíveis, defasagem em relação ao mercado internacional e possível intervenção do governo. A regra não escrita do investidor de Petrobras é velha: quando o barril dispara, a volatilidade do papel dispara junto.
Entre as petroleiras listadas no Brasil, PETR4 ainda é a campeã em volume absoluto de dividendos, mas não necessariamente a líder de yield. Veja como a foto se compara:
Petrobras (PETR4): yield 12 meses na faixa de 8% a 8,2%, política formal de payout atrelada a fluxo de caixa e dívida.
Prio (PRIO3): foco em crescimento e aquisições, historicamente paga pouco ou zero dividendo. Yield próximo de 1% a 2%.
PetroRecôncavo (RECV3): yield na casa dos 6% a 7%, exposição a campos maduros onshore.
3R Petroleum (RRRP3): também voltada a revitalização de campos, distribuição mais modesta.
Fora do Brasil, majors como ExxonMobil e Chevron pagam yields bem menores (entre 3% e 4%), o que historicamente tornou a Petrobras a pagadora mais agressiva entre petroleiras integradas globais nos últimos anos. Quem quiser diversificar exposição internacional via estratégia de dividendos globais pode montar via BDRs de Exxon (XOMO34) ou Chevron (CHVX34) aqui na B3, sem precisar abrir conta lá fora.
Dá. Como a data-com é 22 de abril, quem comprar PETR3 ou PETR4 no pregão de hoje (21/04) ou amanhã (22/04) já entra com direito ao JCP, já que o ciclo de liquidação na B3 é D+2 mas a regra que conta pra direito a proventos é o registro na data-com. No pregão de 23 de abril, o papel abre ex-JCP e normalmente tem o ajuste teórico de preço equivalente ao valor bruto do provento.
Vale lembrar que "ficar com o provento" não é sinônimo de lucro garantido. O ajuste para baixo na cotação do dia ex-proventos compensa o valor recebido. Pra quem pensa em entrar só pra capturar o JCP e sair, a conta precisa considerar corretagem, IR sobre eventual ganho de capital na venda e o fato de que movimentos de mercado podem abrir ou fechar qualquer gap de preços no curto prazo. Para uma visão mais estratégica sobre como construir uma carteira focada em proventos, vale conferir o guia com as melhores ações do Ibovespa em 2026.
Com o ciclo de 2025 praticamente encerrado, o calendário do acionista vira para o resultado do 1T26, previsto para a segunda quinzena de maio. É nesse balanço que a empresa deve anunciar a primeira parcela de remuneração referente a 2026, e é aí que o mercado vai testar se o ritmo mais moderado de distribuição se confirma ou se o petróleo caro reabre espaço para um payout extraordinário no curto prazo.
No radar macro, os próximos catalisadores para o papel são a reunião da Opep+ em junho, a temporada de balanços das majors americanas e o andamento do programa de desinvestimentos e parcerias no pré-sal. Para quem está montando uma tese de longo prazo em estatais brasileiras, vale acompanhar também a evolução do debate fiscal e eleitoral, que costuma mexer com a cotação das ações do governo. Iniciantes em renda variável podem querer começar pelo guia de primeiros investimentos antes de montar posição em papéis com volatilidade mais alta como PETR4.
No curtíssimo prazo, o fato é conhecido e o calendário está posto: data-com amanhã, primeira parcela em 20 de maio, segunda em 22 de junho, valor bruto total de R$ 0,62622908 por ação. O resto, como sempre, depende do barril.
Sources: - [Petrobras informa sobre remuneração aos acionistas](https://agencia.petrobras.com.br/w/negocio/petrobras-informa-sobre-remunera%C3%A7%C3%A3o-aos-acionistas-05-03-2026) - [Seu Dinheiro — Petrobras aprovam R$ 41,2 bilhões em dividendos](https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/petrobras-petr4-acionistas-aprovam-r-412-bilhoes-em-dividendos-e-orcamento-de-2026-veja-detalhes-lvgb/) - [Money Times — PETR4 aprovam dividendos e orçamento 2026](https://www.moneytimes.com.br/petrobras-petr4-acionistas-aprovam-r-412-bilhoes-em-dividendos-jcav/) - [InfoMoney — Conselho da Petrobras aprova R$ 8,1 bi em proventos](https://www.infomoney.com.br/mercados/petrobras-petr3-petr4-pagamento-dividendo-4t25/) - [B3 Bora Investir — PETR4 distribui dividendos de R$ 41,2 bilhões](https://borainvestir.b3.com.br/tipos-de-investimentos/renda-variavel/acoes/petrobras-petr4-distribui-dividendos-de-r-412-bilhoes-veja-quando-sai-o-pagamento/)Aviso Legal
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