
A Petrobras (PETR4) e suas subsidiárias apresentaram na última quinta-feira (10) os resultados que vão definir a quitação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2025. O valor total a ser distribuído aos trabalhadores é de R$ 3,59 bilhões, um salto de 52% em relação ao que foi pago no exercício anterior. A reunião aconteceu entre a companhia e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), com participação dos sindicatos da categoria.
O montante recorde reflete diretamente o desempenho financeiro da petroleira no ano passado. A companhia encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, uma alta de 200% sobre os R$ 36,6 bilhões registrados em 2024. A PLR equivale a 3,26% desse lucro e a 7,95% do total de dividendos pagos aos acionistas no período.
A holding informou que os trabalhadores alcançaram 100% dos indicadores e metas estabelecidos no acordo coletivo de trabalho. Isso garantiu o pagamento integral da PLR, incluindo o maior piso já registrado na história da companhia. Para os salários mais baixos, o valor pode chegar a até 10 remunerações.
A Assembleia Geral de Acionistas vai aprovar a provisão da PLR no dia 16 de abril, e o pagamento está programado para 29 de maio de 2026. Esse cronograma segue o padrão dos últimos anos, com a quitação acontecendo no segundo trimestre.
Vale lembrar que a PLR é um instrumento previsto em lei e negociado via acordo coletivo. Não se trata de bônus discricionário da diretoria, mas de uma parcela do resultado que é dividida com os empregados com base em critérios objetivos de desempenho.
Além da holding, as subsidiárias da Petrobras também apresentaram seus números na mesma reunião.
A Transpetro, responsável pela logística de transporte de petróleo e derivados, atingiu todos os indicadores de PLR. Porém, por conta de uma limitação nas provisões em relação ao lucro líquido, a empresa vai complementar o pagamento com o Programa de Remuneração por Desempenho (PRD). Na prática, 18% do valor será pago como PLR e 82% como PRD.
Já a Termobahia, que opera no segmento de fertilizantes e processamento, alcançou 95% dos indicadores e atingiu todos os gatilhos necessários pra liberação do pagamento. A empresa vai seguir os mesmos critérios da Petrobras, mas depende de aprovação do Conselho de Administração marcada para 17 de abril.
A PBio (Petrobras Biocombustível) não tem PLR, apenas o PRD. O pagamento depende da aprovação das demonstrações financeiras pela administração da subsidiária, prevista para 15 de abril.
O lucro recorde de R$ 110 bilhões em 2025 não veio do nada. A produção de petróleo e gás da Petrobras cresceu 11% no ano e atingiu a marca de 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), superando as metas do plano estratégico.
O pré-sal foi o grande protagonista. A produção nessa camada chegou a 2,45 milhões de boed, um recorde absoluto que representou 77% da produção total da companhia. Dois marcos operacionais se destacaram: o campo de Búzios ultrapassou 1 milhão de barris por dia em outubro de 2025, e os campos de Tupi e Iracema atingiram o mesmo patamar em janeiro de 2026.
As exportações de petróleo também bateram recorde. No acumulado do ano, a Petrobras exportou uma média de 765 mil barris por dia. No quarto trimestre, esse número saltou para 999 mil barris diários, quase tocando a marca simbólica de 1 milhão.
A entrada em operação e ramp-up de novas plataformas FPSO, como a Almirante Tamandaré, Marechal Duque de Caxias, Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão, foram determinantes pra esse avanço.
No quarto trimestre de 2025, a Petrobras reverteu o prejuízo do mesmo período de 2024 e registrou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões. A receita líquida ficou em R$ 127,4 bilhões, 5% acima do 4T24 e superando a estimativa de analistas, que projetavam R$ 118,1 bilhões.
O EBITDA ajustado totalizou R$ 59,9 bilhões no trimestre, praticamente em linha com o consenso de R$ 59,3 bilhões e com alta de 46,3% na comparação anual. Esse patamar de geração de caixa operacional é o que sustenta tanto os dividendos gordos quanto a PLR bilionária.
Junto com o balanço do 4T25, a companhia anunciou R$ 8,1 bilhões em proventos. No acumulado de 2025, os dividendos e JCP distribuídos pela Petrobras aos acionistas totalizaram R$ 41,2 bilhões, o que representa um dividend yield de 6,6% considerando os últimos 12 meses.
Pra quem quer entender melhor como funcionam os períodos de divulgação de balanços e como se posicionar, vale conferir o guia sobre temporada de resultados: como acompanhar earnings e operar.
Uma comparação interessante é olhar a proporção entre o que vai pros acionistas e o que vai pros empregados. Os R$ 3,59 bilhões da PLR representam 8,7% dos R$ 41,2 bilhões distribuídos em dividendos. Ou, olhando por outro ângulo, 3,26% do lucro líquido de R$ 110 bilhões.
Esse percentual pode parecer pequeno, mas o valor absoluto é expressivo. Pra efeito de comparação, a PLR de 2024 foi de R$ 2,36 bilhões (considerando o crescimento de 52%). A alta reflete tanto o lucro maior quanto o atingimento pleno das metas operacionais.
A discussão sobre a divisão entre acionistas e trabalhadores é recorrente no caso da Petrobras, especialmente por se tratar de uma empresa de economia mista com o governo federal como acionista controlador. Os sindicatos historicamente argumentam que a parcela destinada à PLR deveria ser maior em relação aos dividendos.
As ações da Petrobras (PETR4) estão sendo negociadas na faixa dos R$ 49 em abril de 2026, próximas da máxima de 52 semanas de R$ 50,69. No acumulado do ano, o papel saiu de R$ 30,82 no início de janeiro e já acumula uma valorização superior a 60%.
Esse desempenho reflete a combinação de produção recorde, distribuição generosa de proventos e a percepção de que a gestão tem mantido disciplina financeira. Com um P/L abaixo de 5x e yield acima de 6%, a Petrobras continua sendo uma das ações mais acompanhadas por investidores de valor e de renda na B3.
Se você quer entender melhor como acompanhar datas de balanços e eventos corporativos que movimentam o preço das ações, confira o calendário de resultados: como usar no trading e nos investimentos.
O mercado agora aguarda os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), com divulgação prevista para 11 de maio de 2026. O cenário operacional segue favorável: a produção no pré-sal continua em ramp-up, e os campos de Búzios e Tupi devem manter os patamares elevados.
Do lado dos riscos, os investidores monitoram a trajetória do preço do Brent, que tem oscilado com as tensões geopolíticas e as decisões da OPEP+ sobre cortes de produção. Uma queda prolongada no barril impactaria diretamente a receita e a capacidade de distribuição de dividendos.
Outro ponto de atenção é a política de preços de combustíveis. Qualquer sinalização de defasagem prolongada entre os preços domésticos e internacionais tende a gerar volatilidade no papel.
No plano de investimentos, a Petrobras segue executando o Plano Estratégico 2025-2029, com foco na exploração do pré-sal e na entrada em novas fronteiras exploratórias como a Margem Equatorial. O licenciamento ambiental dessa região é um dos temas mais sensíveis pra tese de longo prazo da companhia.
O resultado da Petrobras não acontece isolado. As grandes petrolíferas globais, como ExxonMobil, Chevron, Shell e TotalEnergies, também reportaram números robustos em 2025, beneficiadas pelos preços do petróleo que se mantiveram acima de US$ 75 o barril durante boa parte do ano.
O diferencial da Petrobras nesse cenário é o custo de extração extremamente competitivo no pré-sal, que fica abaixo de US$ 6 por barril, um dos menores entre as majors globais. Isso garante margens elevadas mesmo em cenários de preço mais baixo do Brent.
Pra quem investe na Petrobras ou acompanha o setor de energia, é fundamental entender como as variáveis macro, como câmbio, preço do barril e política fiscal, afetam diretamente os resultados. Um bom ponto de partida é o guia sobre como investir em Petrobras (PETR4): guia completo.
A PLR de R$ 3,59 bilhões é mais do que um pagamento aos trabalhadores. Ela funciona como um termômetro da saúde financeira e operacional da Petrobras. Quando todos os indicadores são atingidos e o valor cresce 52% em um ano, a mensagem é clara: a máquina tá rodando bem.
Com produção recorde no pré-sal, exportações nunca antes vistas e lucro três vezes maior que o do ano anterior, 2025 foi um dos melhores anos da história da companhia. Agora, o desafio é manter esse ritmo num ambiente global de incerteza crescente sobre demanda por petróleo e transição energética.
O pagamento da PLR em 29 de maio e a divulgação do 1T26 em 11 de maio devem ser os próximos eventos a movimentar as discussões sobre a Petrobras nas próximas semanas.
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