
Slippage, ou derrapagem, é a diferença entre o preço esperado de uma operação e o preço pelo qual ela é realmente executada na bolsa. Acontece quando o mercado se move entre o momento em que você manda a ordem e o momento em que ela é processada. É um fenômeno normal, mas que pode impactar seus resultados se você não souber lidar com ele.
Se você opera na bolsa e já se perguntou "o que é slippage", provavelmente já passou por isso sem saber. Você mandou comprar a R$ 10,00, mas a corretora confirmou a execução a R$ 10,03. Esses R$ 0,03 de diferença são o slippage.
O slippage tem causas bem definidas:
Velocidade de execução. Entre você clicar "comprar" e a ordem chegar ao sistema da bolsa, o preço pode ter mudado. Em mercados voláteis, milissegundos fazem diferença.
Baixa liquidez. Se poucas pessoas estão negociando aquele ativo, pode não haver oferta suficiente no preço que você quer. Sua ordem "desliza" pro próximo preço disponível.
Alta volatilidade. Em momentos de forte movimento (abertura do pregão, divulgação de resultados, notícias de impacto), os preços mudam muito rápido. O slippage aumenta.
Ordens grandes. Se você manda comprar um lote grande, pode "comer" várias faixas de preço do livro de ofertas até completar a ordem. Cada fatia executa num preço diferente.
Nem todo slippage é ruim. Existem dois tipos:
Slippage negativo: você paga mais caro do que esperava (na compra) ou recebe menos (na venda). É o mais comum e o que preocupa os traders.
Slippage positivo: você paga menos do que esperava (na compra) ou recebe mais (na venda). Acontece quando o preço muda a seu favor entre o envio e a execução. Sim, às vezes a derrapagem joga no seu time.
Você tá operando mini dólar e quer comprar a 5.150 pontos. Manda uma ordem a mercado. Mas naquele exato momento, saiu uma notícia e o mercado se moveu. Sua ordem é executada a 5.153 pontos.
Slippage: 3 pontos. Em um mini dólar, cada ponto vale R$ 10,00. Então você pagou R$ 30,00 a mais do que planejava. Num lote de 5 contratos, são R$ 150,00 de custo extra que não estavam no plano.
Agora multiplica isso por 20 trades no mês. Dá pra ver como o slippage, mesmo pequeno, vai corroendo o resultado de quem não presta atenção.
Use ordens limitadas. Ao definir o preço exato, você elimina o slippage (mas corre o risco de não ser executado). É o trade-off clássico: controle de preço vs garantia de execução.
Opere ativos líquidos. Blue chips (PETR4, VALE3, ITUB4) e minicontratos têm altíssima liquidez. O spread entre compra e venda é mínimo, e o slippage tende a ser insignificante.
Evite momentos de alta volatilidade. Os primeiros e últimos minutos do pregão, divulgação de dados econômicos e earnings são períodos de slippage elevado. Se puder, evite mandar ordens a mercado nesses horários.
Fragmente ordens grandes. Em vez de mandar uma ordem gigante de uma vez, divida em lotes menores. Cada lote tem menos impacto no book e sofre menos slippage.
Escolha uma boa infraestrutura. Corretoras com servidores rápidos e boa conexão com a B3 executam ordens com menos latência, o que reduz o slippage.
Slippage e spread são conceitos relacionados, mas diferentes. O spread é a diferença entre o melhor preço de compra e o melhor preço de venda num dado momento. O slippage é a diferença entre o preço esperado e o preço executado. Em ativos com spread grande, o slippage tende a ser maior. Pra entender essa relação em profundidade, confira o artigo sobre spread bid-ask no trading.
Depende do ativo e da sua estratégia. Pra um day trader de mini índice, 5 a 10 pontos de slippage eventual é normal. Pra um investidor de longo prazo comprando ações, alguns centavos são irrelevantes. O problema é quando o slippage é recorrente e grande. Aí precisa rever a estratégia, o tipo de ordem ou os ativos que você opera.
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