
CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa de juros usada como referência pra praticamente todos os investimentos de renda fixa no Brasil. Quando alguém fala que um CDB rende "110% do CDI" ou que um fundo rendeu "98% do CDI", é dessa taxa que estão falando. Entender o que é CDI é fundamental pra você avaliar se um investimento de renda fixa tá pagando bem ou não.
Na prática, o CDI é a taxa média dos empréstimos que os bancos fazem entre si, de um dia pro outro. Sim, bancos emprestam dinheiro uns pros outros todos os dias. E a taxa que cobram nessas operações é o CDI. Esse valor fica muito próximo da taxa Selic, geralmente 0,10 ponto percentual abaixo.
Todo dia, os bancos precisam fechar o caixa no positivo (é uma regra do Banco Central). Se um banco emprestou mais do que recebeu em depósitos, ele precisa pegar dinheiro emprestado com outro banco pra fechar as contas. Esse empréstimo entre bancos gera o CDI.
A B3 (bolsa de valores) calcula a média ponderada dessas operações e divulga a taxa CDI diariamente. Em março de 2026, com a Selic em 13,25% ao ano, o CDI gira em torno de 13,15% ao ano.
Dado importante: o CDI é expresso como taxa anual, mas na prática ele rende diariamente. Isso significa que seu dinheiro aplicado em um investimento que paga 100% do CDI rende um pouquinho todo dia útil.
Esse é o ponto mais prático pra você. O CDI virou o termômetro da renda fixa. Quando avaliar qualquer investimento, compare com o CDI:
100% do CDI: rendimento igual à taxa interbancária. É o mínimo aceitável pra renda fixa. A poupança, por exemplo, rende bem menos que isso.
110% do CDI: o investimento paga 10% a mais que a taxa de referência. Bom negócio, geralmente encontrado em CDBs de bancos médios.
90% do CDI: paga menos que a referência. Pode ser aceitável se tiver liquidez diária ou isenção de IR (como LCIs e LCAs).
Vamos supor que o CDI está em 13,15% ao ano. Se você investe R$ 10.000 em um CDB que paga 100% do CDI:
Em 1 ano (bruto): R$ 10.000 x 13,15% = R$ 1.315 de rendimento bruto.
Descontando IR (15% após 2 anos): R$ 1.315 - R$ 197,25 = R$ 1.117,75 líquido.
Agora, se o mesmo CDB pagasse 120% do CDI: R$ 10.000 x 15,78% = R$ 1.578 bruto. Percebeu a diferença? Cada ponto percentual acima de 100% do CDI faz diferença real no seu bolso.
Na prática do dia a dia, quase nenhuma. A Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a cada 45 dias. O CDI acompanha a Selic de perto. Quando o Copom sobe a Selic, o CDI sobe junto. Quando corta, o CDI cai.
A diferença técnica é que a Selic é a taxa de juros dos títulos públicos e o CDI é a taxa dos empréstimos entre bancos. Mas pra fins práticos de investimento, os dois caminham colados.
Pra entender melhor como a Selic impacta seus investimentos, dá uma olhada no nosso artigo sobre como a Selic afeta seus investimentos.
Achar que "100% do CDI" é o máximo. Não é. Existem CDBs pagando 120%, 130% do CDI em bancos menores. O risco é um pouco maior, mas com a proteção do FGC até R$ 250 mil, vale avaliar.
Comparar investimentos isentos de IR direto com o CDI bruto. Uma LCI que paga 90% do CDI pode render mais que um CDB de 110% do CDI depois do imposto. Sempre compare rentabilidade líquida.
Ignorar a liquidez. Um CDB de 130% do CDI com vencimento em 5 anos não serve pra reserva de emergência. Pra dinheiro que você pode precisar a qualquer hora, prefira opções com liquidez diária, mesmo que paguem menos.
O CDI é o número que separa um bom investimento de renda fixa de um ruim. Se alguém te oferece algo que rende menos de 100% do CDI sem nenhum benefício fiscal, desconfie. E se você ainda tá deixando dinheiro na poupança, saiba que ela rende cerca de 70% do CDI. Tá literalmente perdendo dinheiro.
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